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Arquivo: Comédia

Conan bate 1 papo com os roteirista dos Simpsons

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Que tal essa mesa redonda? Conan O’Brien + Al Jean, Mike Reiss, Jay Kogen e Jeff Martin – que vem a ser alguns dos principais roteiristas dos Simpsons.

Na pauta, a dinâmica da comédia, paternidade e, claro, bastidores de uma das melhores séries de TV de todos os tempos. Além de ter cara de masterclass de TV, é bom também simplesmente ver “alguns caras aí” ao redor da mesa batendo papo sobre algo que deu muito certo. Me lembrei do Talking Funny (o encontro do Seinfeld, Louie CK, Chris Rock e Ricky Gervais).

Tirei esse vídeo lá do Team Coco.

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Sorvete

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Teoria da Comunicação Comparada: Muppets Vs Queen

O que mais precisamos pra amaciar esse mundo duro e frio além de alguns minutos de Muppets?

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Em caso de emergência, siga as instruções do Ray Charles

Do the twist
Do the fly
Do the swim
And do the bird
Well do the duck
Aaah, and do the monkey
Hey hey, watusi
And, ah, what about the frug
Do the mashed potato
What about the boogaloo
Oh, the bony marony
Come on let’s do the twist
Aaah

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O que aconteceria se desligassem a internet por uma semana?

O trecho acima, de Apertem os Cintos o Piloto Sumiu 2, além de ser um clássico momento da comédia moderna também oferece um excelente paralelo pra responder à questão proposta no título do post. No filme, a espaçonave que faz o primeiro vôo tripulado à Lua enfrenta sérios problemas técnicos enumerados pela aeromoça: asteróides e problemas no sistema de navegação, que está levando a nave direto pro Sol. Mas o caos se instala mesmo quando um passageiro se revolta e acusa a moça de estar escondendo algo. E ela admite: “Ok… é verdade… também acabou o café.” Aaaaaaaaah!!

Bom.

Digamos, então, que um dia o Al Qaeda puxe a tomada da internet e toda rede fique desativada por uma semana. Honestamente, eu não me apavoro tanto com o provável caos no mercado financeiro ou no sistema de serviços à população, seja público ou privado.

Essa semana, o @maurodorfman comentou que o Twitter é o SAC do universo. Portanto, eu fico imaginando que o verdadeiro problema no caso de um “web blackout” (uéblecáuti) seriam os bilhões de pessoas que reclamam e desabafam no Twitter, no MSN, nos blogs e redes sociais todos os dias. Onde toda essa energia vai ser depositada? O que essas pessoas vão fazer?

Aaaaaahhhh!!!

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Dancing Lula

Sei que esse vídeo não é novidade. Mas não estou colocando aqui pra passar adiante. Você já deve ter visto. Tudo bem.

Eu só queria registrar: percebeu que é o melhor comentário político sobre o Lula ao longo de seus dois mandatos? Nenhum jornalista conseguiu resumir tão bem o ar “tô nem aí” do Lula quanto esse vídeo. Ele é, convenhamos, o símbolo da incompetência do Diogo Mainardi.

Mais do que isso. Dancing Lula é uma bela porta de entrada para um estudo do Brasil contemporâneo. É o Brasil do Cansei de Ser Sexy, do CQC, da cultura corporativa americana se estabelecendo nos trópicos, do Lula amigo do Obama, dos seguranças de terno que se acham presidentes do Brasil, do YouTube, do mashup como DNA brasileiro, da manipulação de imagens idem, do bom e velho Rio de Janeiro como cenário!

Problemas políticos, sociais ou financeiros? Coloque um TERNO, vá pra um HELIPORTO, ligue o DAFT PUNK no som, DANCE e SORRIA. A semiologia faz a festa com Dancing Lula. Todos os sinais de onde estamos e pra onde vamos estão aqui.

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Woody Allen em Porto Alegre

A Zero Hora cometeu um de seus gauchismos mais interessantes no último sábado. Três páginas do Segundo Caderno foram dedicadas a imaginar como seria um filme do Woody Allen se ele viesse filmar aqui. É sabido que ultimamente o diretor novaiorquino vem produzindo em cidades como Londres ou Barcelona graças ao incentivo de produtores ou governos desses locais. Por isso, o diretor, roteirista e ex-Replicantes Carlos Gerbase, a escritora Cinthia Moscovitch e a escritora Claudia Tajes foram convidados pelo nosso querido jornal local a dar sua versão portoalegrense do fato. É só clicar nos nomes que a internet te leva pros respectivos textos.

Eu, de minha parte, passei o fim de semana pensando, então, em como seria o meu filme do Woody Allen em Porto Alegre. Seria assim…

Noah Flemming é um escritor novaiorquino em fim de carreira. Seus livros raivosos e libertários foram quitutes valorizados nos anos 70 e até a metade dos anos 80. Mas, a partir daí, tudo que ele produziu se tornou irrelevante. Diferente de seu público habitual, Flemming não amadureceu e manteve a mesma verve adolescente até os 60 anos. Por mais 20 anos não houve problema, pois ele nunca deu grande peso à bajulação do público e os direitos autorais de seus livros e das adaptações (teatro, cinema, TV) sustentaram sua rotina simples (acordar, escrever, passear, beber, jantar fora, assistir TV e dormir com muitas mulheres).

Mas quando os contratos começaram a expirar, o escritor se viu com uma série de dívidas incrementadas com as pensões de suas três ex-mulheres. A saída foi aceitar todo e qualquer bico que surgisse, fosse de escritor ou não. Uma das fontes de remuneração mais consistentes de Flemming era a doação sistemática de esperma a um banco de um laboratório que ficava feliz em pagar um bônus extra pelos espermatozóides de um intelectual renomado ainda que semi-esquecido. Dessa forma, a vida seguia com algumas dificuldades mas sem grandes sobressaltos.

Problema mesmo foi quando ele descobriu em um médico que uma série de ataques depressivos que vinha lhe acometendo tinham uma origem clara: seus orgasmos. Cada vez que atingia o orgasmo, fosse na cama com uma de suas frequentes companhias, fosse na doação de esperma, Flemming sofria uma severa depressão aguda que durava exatas 24 horas. Para um homem que vivia psicologicamente e financeiramente de ejaculações, a vida começava a se tornar um pequeno inferno.

Sem poder abrir mão do dinheiro do laboratório e com medo de perder suas companheiras, Flemming passou a viver um dia deprimente atrás do outo enquanto buscava uma solução. Nenhum médico de nenhuma área oficial ou alternativa foi de ajuda. Contrariando toda sua mentalidade cética, a resposta veio em um documentário sobre a Amazônia que passou de madrugada na TV e que mostrava um curandeiro capaz de resolver qualquer problema sexual com a baba de sapo. Descrente porém desesperado, Noah Flemming, intelectual que nunca havia tirado os pés de Manhattan, comprou um pacote turístico (incluindo trechos locais pela VARIG) que o levaria até a floresta amazônica pra resolver o único obstáculo intransponível da sua vida.

Foi uma viagem triste. Primeiro porque Flemming tivera que deixar porções extra de esperma no laboratório para poder bancá-la. Segundo, porque quando chegou em Guarulhos, a VARIG estava às portas de falir. Na confusão, uma atendente trocou por engano sua passagem para Porto Velho por uma para Porto Alegre. Dezoito horas depois de sair do aeroporto Kennedy, Flemming desembarcou em uma cidade fria, úmida e sem nenhum traço de floresta por perto. Que espécie de Brasil era aquele?

Ele não entendeu nada. Foi reclamar no balcão da Varig, mas a companhia praticamente não existia mais. Um atendente compreensivo lhe arrumou um voucher para ele passar uns dias em Porto Alegre até que conseguisse que lhe mandassem pra Porto Velho. Desesperado, sem falar português, pegou um táxi para o Sheraton, no Moinhos de Vento (bairro de classe média alta que flutua entre o agradável e o pretensioso). Se a língua e o destino errado preocupavam Flemming, ao menos algo lhe fazia bem: sem precisar doar esperma e encontrar suas namoradas, ele não precisava ejacular nem atender às ligações de suas ex-mulheres.

À medida em que os dias passavam, enquanto ele esperava uma solução da Varig, ele tinha seus dias mais tranquilos e felizes em um bom tempo. Nos primeiros dias, apenas passeou a pé pelas imediações do hotel, conhecendo belas praças, olhando as lindas mulheres e tomando café enquanto fingia ler jornais em português. Depois, se aventurou pelo Museu Iberê Camargo. No terceiro dia, até aceitou a sugestão da concierge e foi a uma churrascaria, onde pôde experimentar um pouco da selvageria brasileira com aquele monte de carne espetada sendo trazida de forma intensa à mesa. Talvez, pensava, não precisava mesmo de baba de sapo de curandeiro, mas simplesmente um pouco de férias e de excessos latinos.

A tranquilidade foi interrompida por um encontro casual no corredor do hotel. Ao ajudar uma mulher a abrir a porta do seu quarto, Flemming se viu atraído por uma conterrânea. A dra. Amy Fitzpatrick se apresentou como uma cardiologista novaiorquina participando de um trabalho no Instituto do Coração por tempo indeterminado. Estava ficando o primeiro mês no hotel, mas depois iria para um apartamento alugado por uma fundação e ficara feliz de encontrar alguém da sua cidade. À noite, os dois jantaram no Bar do Beto (outra sugestão da concierge), beberam uma cerveja que só tem no Rio Grande do Sul e resolveram caminhar na beira do Parque da Redenção às dez da noite, como gostavam de fazer no Central Park individualmente quando estavam na sua cidade. Quase foram roubados, não fosse a intervenção de um vendedor de cachorro quente que os advertiu minutos antes de serem abordados por assaltantes.

Já no hotel, Flemming resistiu bravamente às insistentes propostas de Amy para que os dois dormissem juntos. Sentindo-se solitária e sendo bastante ativa sexualmente, desde o jantar ela começara a fazer insinuações, mas com medo de cair novamente em depressão, ele se fez de salame e conseguiu escapar por pouco. No entanto, havia se afeiçoado por ela. Na semana seguinte, os dois passaram todo o tempo livre de Amy juntos. Conheceram a Zona Sul de Porto Alegre e visitaram o centro em um fim de semana. Foram ao Theatro São Pedro e comeram no Mercado Público. Pediram bauru por tele-entrega no hotel uma noite e em outra passearem pela Cidade Baixa (os dois tinham isso em comum, adoravam caminhar) e acabaram a noite tomando Polar e comendo xis no Cavanha’s. Nessa noite, bêbado no Cavanha’s, Flemming revelou sua história a Amy. Contou de seu problema e por que vinha resistinto às investidas da amiga, apesar de estar bastante interessado. Chocada, ela comentou com ele que sua pesquisa versava justamente sobre os efeitos do orgasmo no coração. Bêbado, ele acreditou e aceitou se submeter a um exame no Instituto do Coração.

No dia seguinte, tomado por uma ressaca portoalegrense, Flemming correu vinte minutos em uma esteira do Instituto do Coração e quase morreu. Passou o dia no hospital dormindo e no fim da tarde recebeu a notícia de Amy: seu problema havia sido resolvido com o desentupimento voluntário de uma artéria. Ela mostrou rapidamente os exames a ele, que não entendeu nada, mas ficou tão feliz que pulou da cama e a convidou de volta para o hotel, o que ela aceitou prontamente.

Na manhã seguinte, após uma noite de amor, Flemming acordou receoso. Abriu primeiro um olho, depois o outro. Olhou para Amy ao seu lado na cama e depois para o próprio corpo. Abriu uma fresta na janela e viu que o dia estava nublado, cinza. Ainda assim, sentia-se bem. Achou o cinza inspirador e a chuva que se anunciava como um bom sinal. Estava curado.

Antes de acordar, ainda percebeu uma folha dobrada que havia sido empurrada por baixo da porta do quarto. Era um bilhete da recepção, avisando que a companhia aérea havia resolvido a questão de sua passagem e que ele podia partir para Porto Velho no mesmo dia. Olhou para Amy e olhou para a carta em suas mãos.

Corta para dois meses adiante.

Amy e Flemming estão caminhando na beira do Rio Guaíba, olhando o Pôr-do-Sol com o Gazômetro às costas. Crianças brincam ao redor e Flemming está com cara de surpreso olhando para Amy. Fala de forma nervosa:

“Quer dizer que aquele exame era de outra pessoa? Nunca houve nada de errado comigo? Você simulou aquele teste? Os relaxantes musculares, tudo aquilo… você me manipulou? Eu não posso acreditar como caí nessa. Você vê a ironia disso tudo? Eu deixei de ir à Amazônia me consultar com um curandeiro duvidoso pra me colocar nas mãos de uma cientista e você…. você…. Amy… você é incrível…”

Os dois se abraçam com o Pôr-do-Sol às costas e o filme termina.

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Fique pronto para o revival dos anos 90

Molde Conector para camisa de flanela. Baixe, recorte, costure e use.

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Carta Aberta aos Anos 90

Queridos Anos 90

Já se vão aí quase dez anos desde a última vez que nos vimos. Lembro como se fosse ontem, nós dois sentados no meio fio de bermudão e camiseta do Chilli Peppers, bebendo vinho numa garrafa PET. Falamos mal de meio mundo, reclamamos bastante, conversamos sobre bandas desconhecidas e lembro que me passei no vinho. Dormi ali mesmo. E quando acordei, quase de manhã, você já tinha ido embora. Me deixou sozinho com uma garrafa PET vazia pra botar no lixo seco e uns CDs importados caríssimos do Green River e do Jesus Lizard pra devolver pra locadora.

Agora, sem mais nem menos, você me aparece de volta. Não nos encontramos ainda, mas sei que você anda por aí com seus amigos descolados em festas um pouco obscuras (bem como você gostava). Que ironia, agora elas são dedicadas inteiramente a você depois de tanta ciumeira e tanta falação por causa da atenção que seu irmão mais velho, anos 80, vinha recebendo. Outra coisa engraçada: agora você tem dinheiro pra ir a festas, quando na época ficava na rua, de fora dos shows, vivia pedindo pra entrar na lista – e agora todo mundo tem nome na lista, é só estar na comunidade do Orkut da festa.

O nome na “lista universal” é só uma das mudanças que você vai encontrar no seu retorno. Achei por bem avisar você que as coisas mudaram. Não que estejam muito diferentes, apenas se tornaram mais democráticas. As roupas que você usava, o som que você ouvia e os maneirismos cinematográficos que você curtia junto com um grupo seleto de chatos agora são de domínio universal. Camisetas de banda e de filmes, tão raras e caras naqueles tempos, hoje proliferam pela internet e até as lojas de departamento tem suas coleções voltadas ao rock. Você não pode reclamar: o mundo atual foi feito à sua imagem e semelhança. O indie venceu, muito embora só poderemos verificar as reais extensões desse fenômeno daqui umas cinco décadas.

Falando em internet, essa é outra que está bem diferente. Era uma garotinha tímida, reservada e meio lenta na época. Você não a reconheceria se a visse na rua: toda empiriquitada, cheia de penduricalhos e amiga de todo mundo. Conversa com todos, não dispensa ninguém, virou referência pra uma série de assuntos. Ser falado por ela agora tem mais poder do que ser falado pela “grande mídia”, que você tanto detestava. Pronto, pode parar de detestar, não tem mais serventia essa sua revolta. A internet resolveu essa sua implicância também. Ah, mais uma coisa: a internet perdeu aquele hábito irritante de interromper a conversa dos outros no meio, sempre caindo, aquela instável.

Preciso avisar você de outra coisa: as pessoas agora se misturam. Não é mais aquela coisa de cada um pro seu lado. Mais do que isso, as festas com pessoas misturadas tocam músicas misturadas também. Não só misturadas no mesmo set, mas na mesma música! Portanto, não estranhe se você encontrar no mesmo iPod (um tipo de walkman bem mais prático e com menos graves) Maria Bethânia, Racionais, Stones e Klaxons. Ah, você precisa conhecer os Klaxons. Eles inventaram um rótulo chamado New Rave, mas sobre isso precisamos conversar pessoalmente porque o assunto é complexo e de certa forma envolve até o Adriano que era do Butchers (tô falando que é complexo). Só fica um aviso: se você encontrar um flyer por aí falando de raves, não vá, não é o que você está pensando!

Meu, eu tenho tanta coisa pra contar, mas vou ficar por aqui porque senão a gente vira a noite nas reminiscências. Só quero avisar uma coisa a você: cuidado com essas festinhas e escolha bem as companhias pra andar a partir de agora. No início tudo parece bonito e maravilhoso, rever os amigos num clima de revival é sempre bom. Mas mais dia menos dia você vai acabar estressado correndo pra cima e pra baixo envolvido com gente mal intencionada e entretendo marmanjos mal resolvidos. E dado seu histórico com alguns dos seus amigos célebres da época, tipo o Cobain, acho que você não daria um bom terapeuta. Cuidado.

Abraços

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Ronald Rios e Skol: a lógica do fiasco

Então tem todo esse papo agora no Twitter (o que não chega a ser “todo” e nem “papo”, mas enfim) a respeito do Ronald Rio. O resumo do caso está aqui. O Matias e o Bruno também comentaram. Mas basicamente é o seguinte.

A Skol conclamou publicamente gente como o Ronald Rios a fazer vídeos para sua campanha na internet. São tipos como ele que fazem a maior parte do conteúdo em vídeo desse calibre. Ronald fez, porém em cima de um texto cujo teor era bastante desabonador para com o produto.  O problema: usando a logomarca e a programação visual da campanha. A marca, óbvio, desaprovou os vídeos e enviou um email sugerindo ao humorista-blogueiro que os retirasse do ar. O garoto, mostrando que não é tão sem noção como se apresenta em alguns vídeos, escolheu retirar pra não se meter em uma possível encrenca judicial com uma das maiores empresas do Brasil (que depois negou a intenção de ir às vias de fato).

Blogueiros e tuiteiros tomaram as dores de Rios (isso dá letra de fado). Comentários pipocaram na rede. Uns incautos, não sei com que nível de seriedade, até criaram um blog e um movimento Free Ronald Rios.

Conclusão da história: ninguém entendeu nada.

A Skol não entendeu que isso faz parte de campanha com conteúdo gerado pelo consumidor. Se tivessem ficado na sua, talvez a história toda desse menos bafafá (não que tenha sido grande…).

O Ronald Rios não entendeu que não é bem assim fazer piada com marcas (existem alguns aspectos jurídicos envolvidos). Mas, se fez, tem que ir até o fim. Ao menos, ele podia ter sido engraçado.

O pessoal do Free Ronald Rios não entendeu nada de nada. Porque isso daí tudo tá mais pra uma trapalhada geral devido ao momento de confusão de paradigmas na publicidade (confusão de paradigmas, hoje me superei!) do que prum ato de censura, contra a liberdade de expressão. Deviam era publicar o video original e tentar juntar grana pra segurar a onda em algum possível processo judicial.

Eu provavelmente não entendi nada também porque estou perdendo o meu e o seu tempo com isso aqui.

Conclusão 2 da história.

Já falei aqui: somos hoje os toscos do futuro. Podemos rir da tosquice dos caras do Mad Men, mas imagina um seriado em 2040 sobre os publicitários de agora… já viu né. Esse momento, tão especial na publicidade, é extremamente fértil em confusões desse tipo. É bom nos acostumarmos (não só os publicitários, mas todo mundo) e aprendermos a sambar. Posar de “sei tudo” não vai rolar. Uma hora, toda marca vai tomar algum tipo de rasteira. Aconteceu com a Sony no caso do Playstation e com a Skol agora. Vai acontecer mais e mais. Como no judô. O cara começa aprendendo a cair. Nesse lance de comunicação digital é preciso simplesmente entrar em qualquer parada estando preparado para o fiasco.

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Videosábado: show completo do Seinfeld legendado

É um especial da HBO com uma apresentação do Seinfeld na mesma época em que o seriado saiu do ar. É um primor de timing e de sutileza. Um amigo me chamou a atenção: o cara segura a onda o tempo todo sem um palavrão. Já vi isso umas 3 vezes. Desfrute.

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Videosábado: woody allen stand up

Woody Allen em seu tempo de comediante stand up, em 1965. Poucos sabem, mas muito antes de começar a filmar, Allen exercitou seu texto como redator de comédia para a TV e de frases irônicas para artistas atendidos por um escritório de RP.

Esse monólogo não é a coisa mais engraçada do mundo, é um outro estilo de humor e outra época. Mas vale pela curiosidade e pelo valor histórico pra quem, como eu, curte o cara.

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“Elvis na fase decadente…

é bem melhor que muita gente.”

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Stand-up parte 2

George Carlin

Um dos mais brilhantes que já subiram ao palco. Inteligente ao extremo. Os seus shows são quase teses de mestrado. Há quem diga que ele deveria ter se candidatado à presidência do EUA. Não que inteligência seja um pré-requisto na Casa Branca.

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Stand-up para aplaudir de pé

Talvez o mais fascinante nesse gênero de comédia seja a possibilidade de fazer graça com absolutamente tudo. Desde um olhar mais sarcástico sobre seus próprios filhos até uma ereção inesperada no ônibus. A vida é a inesgotável matéria-prima. E ao contrário da economia mundial, quanto maior a queda das bolsas, as crises internacionais e os riscos de suicídio coletivo, mais enriquecedor é o resultado. Já que o motivo de eu estar postando aqui são as férias do Mini, achei apropriado tentar fazer vocês se divertirem um pouco. Tá bom, balela. Postei isso porque eu gosto mesmo. Boas risadas a todos.

Russel Peters

Canadense de origem indiana, faz graça com as diferenças étnicas do mundo, inclusive com a sua própria origem. É o que eu chamo de stand-up internacional. Suas piadas multiculturais não funcionam em qualquer platéia. Exibe uma naturalidade rara no palco.

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Rock & doença em Porto Alegre

E o show da Publica no Gig Rock sábado passado? É injusto eu dizer que foi o melhor show da noite, uma vez que cheguei já quando a Mallu estava entrando no palco e fui embora antes de ver o Superguidis, perdendo grande parte do line up. Ainda assim, é flagrante os degraus que a Pública galgou ao longo de 2008, a ponto de fazer o público deixar de lado a concorrida pista de dança de uma dupla símbolo da geração Beco (Schutz & Machuca). O objetivo: se amontoar na frente do palco e fazer coro pras sempre cantáveis músicas do primeiro disco e começar já a acompanhar as ainda melhores canções do disco novo. Eu não estava propriamente embolado na frente do palco, mas fiz questão de ajudar no coro de Long Plays, Polaris e Lugar Qualquer.

No que diz respeito às músicas novas: algumas delas estão no MySpace. Vai lá. É lindo ver o que os caras estão fazendo com a música deles (com a força do Fruet, produtor de mão cheia que fez o segundo disco do Flu). Elaboraram um pouco mais os arranjos mas conseguiram manter o fator “cantável” e fugir da complicação exagerada, também mantendo a esquisita ponte entre o cenário urbano contemporâneo de Porto Alegre e o rock inglês que forjaram em Polaris. É i-na-cre-di-tá-vel que os caras consigam soar ao mesmo tempo Nei Lisboa e Supergrass. E fica bom! Fazer isso sem soar pastiche não é pra qualquer um. A Pública consegue. Conte nos dedos quem tem essa habilidade!

A música da Pública é pra ouvir, ouvir de novo, ouvir mais uma vez e então cantar junto ao vivo. Fiquem ligados nas notícias do disco novo. Ele sai no ano que vem com um DVD com um pequeno documentário.

E a Mallu Magalhães? Confirmou o que se esperava: o carisma, a habilidade/naturalidade no palco e o bom gosto. Mallu estava feliz, cantando e tocando bem, dizendo que tentou comprar o CD em uma loja mas que estava tudo fechado por conta do feriado. A galera curtiu e celebrou, mas alguma coisa me fez gostar mais do primeiro show no Porão do Beco no meio do ano, com mais cara de improvisação, lotado.

Cedo pra qualquer julgamento apressado. Pode ser só implicância minha. Na real, pra usar expressões mais ténicas, mais uma vez ficou claro que a mina é “massa” e tem a “manha”. Apesar de (me disseram) estar citando Nietzche no backstage. Vamos em frente.

Um dia antes, eu estava sentado na estilosa sala de aula da Perestroika, uma escola de publicidade/criatividade fundada há pouco por alguns publicitários portoalegrinos a fim de largar a agência e inventar algum outro esquema. Mas, não, não voltei a estudar, ainda mais sexta à noite. Na real, fui assistir à segunda ou terceira noite da Balalaika, a sessão de stand-up comedy da Perestroika com três aspirantes locais: Felipe Agnoni (um dos donos da Perestroika e ex-redator publicitário), o Daniel Martins (meu grande amigo, fotógrafo, redator, viajante quase profissional) e o Léo Prestes (também redator, ex-colega de Escala, hoje bandeado pros lados da internet na W3Haus).

Era 15 patacas com direito a uma long neck (Bohemia!) valendo três sessões de meia hora/20 minutos e um intervalinho entre elas. De certa forma, me senti no Garagem Hermética em 93 vendo o nascer, espero, de uma nova cena, amparada belo bom momento do stand-up no país, que começa a transferir pra “vida real” a boa audiência que vem angariando com os vídeos no YouTube de gente como o Rafinha Bastos e o Danilo Gentili (só pra citar os mais conhecidos).

Foi uma noite feliz. Longa vida e tudo mais.

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Conector em Gotham – parte 3 de muitas

Acho que a coisa que você mais faz em Nova Iorque é perder atrações e barbadas. Por exemplo, nós perdemos o Hypnotic Brass Ensemble pra ir no Fred Wesley tocando com um clarinetista e um rapper judeus. Também perdi de ir na loja de instrumentos freqüentada pela galera do Sonic Youth. Pra não falar de uns dois ou três museus que perdemos de propósito porque não havia mais perna e cérebro disponível na casa.

Mas uma coisa eu fiz questão de não perder: qualquer show de stand up comedy que aparecesse pela frente.

Mitch Fatel: “oh my god”

Não sei como a coisa anda no seu mundo, mas no meu universo de amizade o stand up comedy anda em franca ascensão. Dois amigos meus se pilharam pra começar a escrever textos e ensaiar uma carreira underground de comediantes. Links de you tube voam de um lado para o outro. E, algo que merece um post à parte, o Brasil começa a ser invadido por esse hábito americano de fazer comédia em bar escudado apenas por um microfone e uma platéia alcoolizada.

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Bom, o fato é que calhou de estarmos parando a uma quadra de um dos principais clubes de comédia de Nova Iorque, o Stand Up NY (o link até dias atrás tava funcionando, hoje não está, vamos ver se vc dá sorte quando ler esse post). O Seinfeld e o Chris Rock já passaram por lá, só pra elencar alguns poucos nomes. Trechos de apresentação da volta do Seinfeld aos palcos no documentário Comedian, por sinal, se passam no Stand Up NY. Ou seja, um lugar cheio da mística.

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Fomos num sábado, dia de sessão tripla: os 7 comediantes da noite se apresentavam às 20h, às 22h e à meia-noite. Assim que uma sessão terminava, a platéia era enxotada gentilmente pra fora, o bar era limpo e a fila que esperava era acomodada rapidamente.

Fomos colocados em uma mesa junto com um casal mais novo de Long Island (uma ilha ao lado de Manhattan que contém alguns bairros de Nova Iorque e também uma região praiana). Ali já começou a comédia, porque, apesar de muito simpático, o casalzinho não era muito versado em geografia e pediu confirmação a respeito de suas suspeitas sobre o Brasil ser na América do Sul e do francês ser nossa língua oficial.

James Smith: “I make the posters”

Antes de tudo começar, rolou um certo nervosismo de nossa parte. Será que vamos entender o inglês? Será que vamos entender as piadas? Será que vai valer a fortuna que custa a brindadeira toda?

(20 dólares de entrada + 20 dólares de consumação + taxas + gorjetas = 100 dólares o casal)

No início, ainda tivemos nossas dúvidas. O mestre de cerimônias era bem engraçado. Mas os primeiros humoristas não muito. Cada set durava em média 20 minutos e uma mulher usou praticamente todo o seu tempo detonando seu filho recém nascido, falando das dificuldades da maternidade de um jeito meio mórbido. Outros dois caras eram tão rápidos que a gente não entendia nada. Ríamos de nervosos ou junto com as outras pessoas, só por rir.

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Na verdade, a platéia inteira ria de qualquer coisa que os caras falassem, o tempo todo. No início ainda pensamos que o problema era nosso entendimento do inglês, mas à medida em que o show foi indo adiante, percebemos que eles riem de tudo mesmo! De qualquer coisa! Talvez seja uma espécie de atitude de consumidor de primeiro mundo tipo “estou pagando por esse troço, então eu vou rir, ah eu vou rir muito!!”.

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Felizmente lá pela metade da sessão a coisa começou a melhorar, especialmente quando um australiano radicado em NYC chamado James Smith começou seu set desancando a cultura americana – o que fez as pessoas rirem ainda mais.

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Outra surpresa incrível foi um tal de Mitch Fatel. Foi o meu preferido da noite, não só pelo texto do cara, mas pelo personagem que ele encarna. Diferente de todos os outros comediantes, que baseiam suas apresentações em uma aura cool de esperteza e desprezo (por outros ou auto-desprezo), o Mitch Fatel constrói todo seu ato em cima de um personagem tímido, com movimentos discretos, um fiapo de voz mongol, sussurros bizarros e orgulho disso tudo.

O site do cara merece uma visita, especialmente por um texto que dá dicas de como se tornar um comediante

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Outro cara muito bom, mas que aí eu peguei na tv, num especial do Comedy Central, foi o George Lopez. Como o Russel Peters faz tudo em cima da sua ascendência indiana, grande parte do material do George Lopez é baseado nas peculiaridades da cultura mexicana dentro dos Estados Unidos. Em quarenta minutos de show que eu assisti, eu aprendi mais a respeito da America e dos mexicanos lá instalados do que talvez aprendesse em qualquer enciclopédia…

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Não tenho nada engraçado pra dizer no fim do post.

Talvez eu só devesse citar o Mitch Fatel: “oh my god…”

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