22 de agosto de 2008 às 11h41
Crispin vai de Seinfeld
O Matias trouxe a notícia de que o Seinfeld foi alistado pra defender a Microsoft e eu queria expandir um pouco o post dele trazendo o contexto publicitário da história.
Basicamente, a história é a seguinte: a Microsoft fez uma concorrência e entregou a ingrata missão de reposicionar alguns de seus produtos nas mãos de uma das agências mais relevantes nos últimos anos. A Crispin, Porter + Boguski, direto de Miami, periferia do mercado publicitário, abriu espaço no circuito mundial com trabalhos que atravessam disciplinas e trazem frescor e atenção para seus clientes: a galinha subserviente do Burger King e a campanha de advogados da Coca Cola querendo processar a Coca Zero são dois bons exemplos.
Mas, há pouco, a Fast Company publicou um extenso artigo sobre o assunto questionando, em outras palavras, o quanto realmente é possível de coolzice ser tranferido de uma agência como a CPB pra uma marca tão careta quanto a Microsoft. No artigo, o Alex Bogusky se porta como um maverick, um cowboy por excelência, destilado autoconfiança sobre a sua capacidade de desfazer um dos maiores mitos da cultura pop contemporânea – mac é melhor que pc.
O primeiro movimento nesse sentido foi o tímido Mojave Experiment, no qual pessoas são convidadas a experimentar um novo sistema operacional da Microsoft sem saber que era o Vista. Misto de pesquisa de consumidor com reality show, o Mojave Experiment é uma versão “oficial” do que o Alex Boguski declarou ter feito dentro da agência antes de começar o trabalho com a Microsoft – tem isso na matéria da Fast Company. Meio decepcionante.
Agora, com o Seinfeld, a CPB prepara um passo realmente mais ousado e com um componente mais a ver com os trabalhos que celebrizaram a agência: chamaram um especialista em dessacralizar qualquer coisa pra começar a corroer o mito do Mac. Realmente, só um cara como o Seinfeld pode pensar em fazer algo assim.
Imagem: daqui.
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Se vai funcionar? Vamos ver. A favor, temos, inquestionavelmente, a perspicácia e a sagacidade na desintegração de conceitos que o Seinfeld carrega consigo, bem como a empatia, a capacidade de dar voz a todo mundo que pensa “não aguento mais essa gente metida com seus macs”, que é algo que o Seinfeld já fez com muitos outros pensmentos não falados da cultura americana e ocidental.
Por outro lado, também vale pensar o quanto o fato dele ser um cara mais estabelecido, mainstream, meio careta já, com ares quase institucionais, conta pontos contra na descoolinização do Mac que a Microsoft vai tentar impôr. O Seinfeld é um tiro de canhão. E tiros de canhão são cada vez mais dispendiosos e menos eficientes porque tem um povo – cada vez mais numeroso – que descobriu como se esconder nas inúmeras casamatas que a cultura atual construiu contra as bombas da publicidade.
E ainda tem um perigo: que alguém espalhe que a Microsoft seria melhor representada pelo George. Sssshhh…






Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
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