Tag: Damon Albarn


sexta-feira, 6 de junho, 2008

Quitutes

Viu essa? O maior desenho do mundo não é o maior desenho do mundo.

O Tonho Crocco, ex-Ultramen, me mostrou esse vídeo do New York Times (não rola embed…) a respeito da Hypnotic Brass Ensemble. Eu já tinha linkado aqui, mas gostaria que você desse uma atenção especial, se não for pedir demais. É uma banda de rua formada por oito caras, sendo que sete são filhos de um cara que tocava na orquestra do Sun Ra. É tudo na base dos metais e batera, um treco realmente hipnótico que passeia pelo jazz, funk, soul e hip hop. Ao vivo deve ser algo.


A Void + Lava criaram um projeto legal pra MCD aqui em Porto Alegre. Juntaram seis artistas com seis tatuadores pra eles criarem, cada dupla, um desenho. Os trabalhos vão ser votados no site do Ink Attack e os escolhidos pela galera vão parar em pôster na parede e também na pele de alguns sortudos.

(Isso aqui parece mas não é post de press-release. É que os caras que criaram são meus amigos e eu achei massa!)


E o MQN continua com a série Fuck CD Sessions: em vez de gravar um álbum, está largando uma série de singles em mp3 ao longo do ano, com capinha e tudo mais. O mais recente é o matador Breakin’ Crystal Skulls. Vai lá no site e baixa.

Ano passado o Gorillaz de verdade (Damon Albarn + Jamie Hewllet) se meteram em uma recriação de uma antiga lenda espiritual chinesa usando ópera, teatro, dança, tecnologia e música pop. A direção é do chinês Chen Shi-Zeng, que eu nunca vi mais gordo mas que, diz a Wikipedia, dirigiu um filme meio ficção científica chamado Dark Matter.

A BBC agora aproveitou a onda e contratou alguns personagens da história pra fazer parte da sua cobertura das Olimpíadas.

Mas tu vê só…

Postado por Gustavo Mini às 13:54 | Sem comentários | Permalink

quinta-feira, 3 de janeiro, 2008

O melhor de 2007

Se eu tivesse que escolher apenas um recorte do mundo pop para descrever 2008, seria com certeza The Good The Bad and The Queen. A maior parte das matérias - e inclusive meu post - procura descrever o grupo por intermédio de suas partes: um batera tiozinho vindo das fileiras de Fela Kuti (mestre do afrobeat), um baixista cuja banda punk tem nesses tempos sua influência mais clara e presente, um guitarrista que consegue dar sentido a um termo tipo “psicodelia versátil” e um produtor símbolo do jeito contemporâneo de criar e disseminar música - não vamos nem entrar no designer/ilustrador cool agregado

Contudo, entretanto e porém, The Good The Bad and The Queen oferece uma série de ângulos diversos pelos quais é possível enxergar sua existência aqui entre nós. Logo atrás do conceito de supergrupo quase-inusitado vem a sua inclassificabilidade, qualidade que eu estou usando para escolher o que mais gostei em 2007.

Vamos tentar colocar TGTBTQ em alguma caixinha: o que diabos é essa banda? Nem ao menos banda é. Albarn tem dado o migué de dizer que não existe banda, que The Good The Bad and The Queen é o nome do álbum e não da banda, que a banda não tem nome. O que significa esses caras vestidos em ternos pretos - porém não os do Tarantino e muito menos dos mods? E essas letras que dizem ser tudo em relação a Londres mas eu também não sei porque não prestei muita atenção?

Isso tudo não é novidade pro Damon Albarn, o cara que já se meteu com discorock, com o Banksy, com

Como o great rock’n'roll swindle dos Pistols, como a moral escorregadia da música jamaicana que forjou seu balanço, como a arrogância simpática do britpop - aqui atenuada, como a escolha ao mesmo tempo criteriosa e natural no restaurante a kilo dos mashups, The Good The Bad and The Queen só pode ser descrito de uma forma: é uma grande, deliciosa e bem fornida falcatrua do bem.

***

Falcatrua do bem. Que seja a tônica de 2008, se é q vc me entende.

Postado por Gustavo Mini às 9:07 | Sem comentários | Permalink

sexta-feira, 23 de fevereiro, 2007

The Good The Good and The Good

Falar sobre esse disco pra mim é falar de todo um jeito de produzir cultura pop que vem amadurecendo nos últimos dez anos. Damon Albarn sabe fazer essas coisas, sabe mexer no caldeirão pop. Sem querer puxar o saco, ele tem a manha. Quem mais consegue chamar o guitarrista Verve, o baixista do Clash, o baterista do Fela Kuti e o produtor que levou a cultura mash-up às massas pra um mesmo disco? E dar um jeito disso tudo fazer sentido? Só quem conseguiu ir a Mali e fazer um disco com músicos africanos sem fazer estardalhaço sentimentalóide por causa da fome… só quem conseguiu criar uma banda de desenho animado com mais consistência musical e sucesso comercial do que muitas bandas de verdade… só quem conseguiu cair fora do britpop antes que ele virasse piada.

The Good The Bad and The Queen é maior do que a soma das parte. As partes são muito claras: a voz aguda e Albarn, acompanhada por um divertido piano, as guitarras cheias de ecos e efeitos psicodélicos gelados de Simon Tong; os baixos gordos e exatos do Paul Simonon … a bateria percussiva, ao mesmo tempo relaxante e nervosa de Tony Allen. A soma, por sua vez, é indefinível. Em boa parte graças à mão do produtor Danger Mouse, responsável dois dos discos mais inteligentes, dançantes e criativos do pop da última década (Demon Days do Gorillaz e St. Elsewhere do Gnarls Barkley). É o cara que levou a cultura mash-up às massas de uma maneira não óbvia, sem precisar juntar duas faixas como no playlist da Joven Pan.

Música ampla, fluída, repleta de camadas, melodias espaciais, baixos gordos marcados, batidas ricas mas ainda assim marcadas, dançantes: a trilha sonora de um mundo em um processo de cotidiana desconstrução e reconstrução.

Esse disco fala muito sobre nossos tempos. Tem um monte de respostas curiosas aqui. E um outro punhado de perguntas ainda mais interessantes. E não é nas letras. Não é no encarte. Não é no som. É na experiência. É nas camadas. É na falta aparente de foco.

Eu não estou viajando. Estou falando bem sério.

Postado por Gustavo Mini às 18:20 | Sem comentários | Permalink


RSS URBe

RSS Mau Humor

RSS Trabalho Sujo

tags

Arquivo

Conector

OESQUEMA | Voltar a página principal © OESQUEMA/ 2008 | Reprodução permitida após consulta | Os textos desta página nem sempre são revisados | Créditos