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Desire Lines

Recebi do Marcelo Peresin o artigo acima. É sobre um projeto do fotógrafo holandês Jan-dirk van der Burg dedicado totalmente às desire lines – que são esses caminhos alternativos que as pessoas fazem quando o caminho calçado não dá conta do desejo coletivo.

Escrevi sobre o assunto, inicialmente num post rápido e ingênuo (sem saber que o assunto era, sim, estudado, e tinha nome). Depois, achei um pool no Flickr só de desire lines. Por fim, acabei dedicando uma coluna na Mais Soma pro tema.

Mas o tema ainda me interessa. As desire lines são, de certa forma, uma expressão física de um monte de gambiarras a gente faz hoje pro ambiente digital funcionar.

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Parques Pessoais

Presta atenção quando você passar de novo por uma esquina com grama: o ângulo de 90 graus formado pela calçada vai estar sempre acompanhado de um atalho cortando o gramado e criando um caminho alternativo que nos permite economizar uns 40 ou 50 centímetros de caminhada. Uma economia sem sentido, que só mostra o quanto quem passa por ali é preguiçoso, apressado ou displicente, ignorando completamente o trabalho que a calçada tem de guiar nossos passos pra que não tenhamos que estragar a grama ou coisa do tipo.

Bom, eu pensava dessa forma tosca até alguém comentar no meu blog, chamando minha atenção para o termo “desire lines”. Sim, essas trilhas supostamente aleatórias têm um nome bonito. E também uma função. Segundo o meu leitor, há paisagistas e planejadores urbanos que utilizam o conceito de desire lines (também chamadas de desire paths ou social trails) para estabelecer os caminhos de parques: primeiro você coloca lá um pedação de grama e deixa as pessoas caminharem à vontade. À medida em que as desire lines vão surgindo, os caminhos são feitos – ou refeitos.

As desire lines são uma forma bonita de poesia urbana. Ninguém combina assim: “Opa, sabadão, vamo ali fazer uma desire line?”. A desire line é simplesmente a expressão de uma inteligência coletiva, da necessidade de encontrar um caminho mais curto, mais inteligente, mais bonito ou simplesmente um outro caminho.

O assunto fica especialmente interessante quando você pára pra pensar que, tirando os parques, também costumamos estabelecer desire lines nas nossas relações. Qualquer olhar mais atento vai revelar entre familares, colegas de trabalho ou amigos uma série de calçadas de cimento (necessárias), mas também uma vasta rede de atalhos feitos da mais pura grama detonada. E é aí onde a ação acontece.

Nossas desire lines pessoais oferecem caminhos alternativos para tudo aquilo que as calçadas não comportam. Um passeio que começa numa calçada e termina numa desire line é como uma conversa que começa com palavras e termina com olhares. Um sistema de irrigação alternativo que não invalida o oficial, mas o deixa muito mais rico e cheio de possibilidades.

Nossa tendência é querer logo pavimentar essas desire lines sentimentais pra que elas se tornem calçadas. Algumas realmente talvez precisem. Mas também é preciso ter cuidado e lembrar que é muito, muito saudável manter um imenso gramado e deixá-lo à disposição das pessoas que você mais gosta pra elas de vez em quando poderem fazer o caminho que elas quiserem.

Preciso anotar isso em algum lugar pra não me esquecer.

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Isso foi minha coluna da Mais Soma #7.

Fotos daqui.

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As desire lines nas agências

Esse lance de desire lines é uma mão na roda pra explicar uma pá de coisas. Minha última coluna da +Soma foi com uma metáfora de desire lines e relações pessoais. E aqui na agência, essa semana, usei o conceito pra explicar o que eu considero a melhor forma de implantar processos relacionados à inovação.

Apesar de nunca ter estudado formalmente o assunto, não ter MBA e não conhecer teorias relacionadas a processos, me coube nos últimos 15 meses ajudar de forma bastante ativa na implantação de uma nova cultura através de um novo departamento aqui na agência. Nesse tempo todo, eu ganhei mais alguns cabelos brancos, perdi algumas noites de sono, tive umas crises gástricas – e isso tudo, vamos deixar bem claro, é uma MERDA, destestaria fazer apologia da loucura que é trabalhar nesse ritmo de agência mais do que seis, digo, oito horas por dia.

Mas enfim, ao menos nesse trajeto eu aprendi muito (sobre o novo momento da publicidade, sobre mim, sobre os outros, sobre pessoas em geral). Tive o privilégio de viver no limbo por esse tempo, sem ter uma função e processos muito bem definidos (pontos para o meu chefe que sacou que o lance é começar beta), flutuando nos mais diversos projetos e transitando por departamentos muito diferentes, tratando com pessoas de diversos backgrounds, construindo (poucos) cases interessantes que foram pra rua, criando (muitas) possibilidades que não deram em nada, angariando (alguma) simpatia e tomando (alguma) porrada.

Bom, a coisa mais valiosa que eu aprendi nisso tudo (entre zilhões) foi que a melhor forma de estabelecer uma nova cultura em uma agência (ou locais semelhantes) é respeitar as desire lines criadas pelas pessoas. Pra quem não sabe, as desire lines são os caminhos alternativos que as pessoas fazem em parques e praças, buscando atalhos ou simplesmente uma caminhada mais agradável que não havia sido detectada pela pessoa que projetou a calçada.

Em toda empresa existem desire lines. Às vezes são caminhos improdutivos mas na maior parte dos casos são atalhos inteligentíssimos ou então vias muito mais interessantes do que aquelas que estão pavimentadas. É pelas desire lines corporativas que circulam as informações mais ricas e por onde de fato acontecem os projetos. É por onde você anda de pé no chão ou enlameando os tênis, sem tantos pudores.

As desire lines corporativas não invalidam a necessidade de calçadas. Isso eu também aprendi: essa coisa de “ame o caos” é muito bonita em palestra de gringo (na verdade tudo uns puta control freak) mas extremamente estressante e contraproducente se mal aplicada em uma estrutura mais formal.

Não é possível uma agência de maior porte querer se comportar como hotshop (pequenos estúdios com práticas mais livres e foco maior em criatividade). É uma idéia absurda e muito frustrante pra todo mundo (embora bastante popular). Quem quer trabalhar (ou liderar) uma hotshop, deveria urgente tentar montar uma (pra ver o que é bom pra tosse) em vez de tentar implantar uma cultura dessas dentro de uma estrutura que não está preparada para tanto.

Então a meu ver o ideal é manter as calçadas e usá-las, mas sem desprezar ou matar o espaço das desire lines. Isso é muito mais fácil falar do que fazer porque as desire lines tem uma natureza anárquica, colaborativa e anti-institucional. Elas são móveis, surgem e se desfazem ao longo dos meses. Algumas que eram muito úteis podem se tornar um estorvo depois de alguns meses, como uma trilha que fica TÃO enlameada que é impossível passar por ela. Mas, diferentes das calçadas erradas, as desire lines erradas morrem por si só porque não precisam ser quebradas a martelo. É só parar de passar por ali e deixar a natureza fazer seu trabalho.

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Imagens: daqui.

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Entrando NOesquema

Já escrevi no antigo Conector a respeito das Desire Lines, mas se você não está a fim de ler o meu post anterior ou o artigo da Wikipedia, aqui vai um resumo: são aquelas trilhas que atravessam gramados em parques devido à vontade coletiva de encontrar uma alternativa mais curta ou mais agradável aos caminhos calçados. O bonito das desire lines é que elas não são combinadas, mas surgem de forma espontânea de acordo com vontades coletivas em um ambiente urbano que nem sempre consegue dialogar com as necessidades menos objetivas das pessoas.

OESQUEMA nasceu assim e, acho que pretendemos, vai permanecer assim: um parque com muitas desire lines pra gente se perder e com algumas poucas calçadas pavimentadas pra coisa não ficar riponga demais.

Vamonessa.

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Foto: daqui.

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Quitute pro finde: desire lines


Desire lines
são aqueles caminhos/atalhos feitos espontaneamente por nós na grama quando as vias estabelecidas no local não são as mais curtas ou mesmo as mais inteligentes. Há um tempo eu fotografei uma “desire line” aqui do lado do trabalho e comentei o assunto (tirando algumas conclusões apressadas e também sem saber desse estilosíssimo nome).

Esse pool no Flickr agrega um monte de imagens de “desire paths” por aí. Achei muito poético e calmante. Fiquei olhando por bastante tempo. Dica do Serial Cliquer.

Na Wikipedia, encontrei dois artigos a respeito: desire lines e social trails. Em ambos, há menções sobre como esse tipo de “fenômeno” direciona o planejamento de ruas e parques.

Ou seja, você ouve a voz do povo contemplando as desire lines/paths formada em locais inusitados.

Fiquei pensando num monte de coisas. Não sei se alguma delas presta. Bom fim de semana.

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Edificantes Imagens da Vida (1)


Isso é um fenômeno. Ninguém nunca estudou isso? Toda vez que tem uma esquina de gramado, você pode notar que SEMPRE tem uma parte de grama detonada que configura um ridículo ATALHO.

Por que ridículo? Olha só, a gente sai cortando caminho pelo cantinho da grama em vez de fazer a curva de 90 graus. O que a gente ganha com isso? Trinta centímetros e 3 segundos a menos de caminho. Qual será a motivação por trás disso? Preguiça? Ou o dna do “tentar levar vantagem em tudo” que está no sangue brasileiro? Os tentáculos da cultura corporativa americana se entranhando de forma definitiva em nossa cultura?

Atalho pelo cantinho da grama. Mais um intrigante sinal da nossa personalidade coletiva.


Saca só isso. Sabe o que é? O painel de controle de um hotel que eu fiquei em SP durante o Maximídia. É ou não é uma peça rara? Aprecie os detalhes. Eu pensei que eu pudesse até controlar a metereologia com isso aí. Só tive medo de apertar um botão e ativar um silo nucelar na antiga União Soviética, trazendo de volta à vida algum míssil que esqueceram de desativar com o fim da Guerra Fria.


O ar livre de bactérias e odores? Isso é possível? Que espécie esquisita nos tornaremos com o ar livre de bactérias e odores? Onde está o colorido da vida sem bactérias e odores? Em breve vão lançar um aparelho que retira seres humanos do ar dos banheiros. “Odori-human. O ar livre de VOCÊ.” Mais uma da série Comunicação Básica…


O colorido da vida está no Clube Praga. Olha que beleza a luz lá. Lasersinho e tudo mais. Hoje tem aniversário do Mairena e som do DJ Marquinhos Aguiar dos Walverdes. É em SP.

Bom fim de semana.

Abat jour pra vocês.

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