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Arquivo: Emicida

Entrevistas

“Ele tratava entrevistas como um forma de arte para transmitir conhecimento de uma geração a outra, como fazem os roshis japoneses. De fato, a habilidade de conversação de Ginsberg, além de seu talento literário, talvez fosse sua mais marcante qualidade. (I Celebrate Myself – The Life and Times of Allen Ginsberg)

No post sobre a questão do George R.R. Martin, comentei sobre a tendência da comunicação dos artistas com seu público se tornarem obras em si. Claro, não é algo recente e nem exclusivo da cultura digital, como mostra a citação acima. A persona dos artistas, em muitos casos, sempre foi também um trabalho de criação, às vezes narrativa, às vezes verbal, às vezes visual, às vezes uma criação por ausência de sinais (no caso de reclusos como Salinger e Rubem Fonseca). O que acontece, atualmente, é que se intensifica a instantaneidade dessa criação, prescidindo muitas vezes da mediação da imprensa estabelecida, que geralmente impõe um atraso nessa comunicação.

Mais uma vez, isso tudo me lembra o Twitter do Emicida, que manteve-se em constante tuitagem durante sua viagem pelos Estados Unidos de uma forma tão espontânea (ou aparentemente espontânea). De alguma forma, o fluxo de twitts guarda parentesco próximo com suas rimas, cada um no seu meio, claro. Próximo passo: batalha de MC’s no Twitter. Acho que já andou rolando informalmente, mas alguém já ouviu falar de uma organizada? Talvez sim, não frequento com frequencia a tuitosfera rappeira.

Como diz não me lembro quem: que tempo para viver, senhores!

PS1: É com imenso prazer que coloco George R.R. Martin, Emicida e Allen Ginsberg no mesmo texto!
PS 2: Tá com tempo? Interessado? Complemente sua leitura com , um texto sobre batalha Emicida x Cabal do mestrando em antropologia social Ricardo Indig Teperman – que o Matias postou na íntegra no Sujo.

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Crônicas de Gelo, Fogo e Sangue do Autor

Deu na The New Yorker semana passada: o escritor George R.R. Martin vem sofrendo há anos bullying dos seus próprios fãs. Roteirista da série Além da Imaginação e premiado escritor de ficção científica, Martin já vendeu mais de 15 milhões de livros ao redor do mundo com Crônicas de Gelo e Fogo, um descomunal épico de fantasia soturno e violento que vem sendo publicado desde 1996 e deve ser encerrar em alguns anos com a contagem total de sete populdos volumes. Os quatro primeiros já foram lançados nos EUA, sendo que Game of Thrones, que inaugura a coleção, também está para estrear semana que vem como série na HBO gringa. No Brasil, A Game of Thrones chegou às livrarias só no ano passado, o segundo segmento chegou agora no início do ano e a série estréia na nossa HBO em maio.

Como é de se esperar, o criador de um verdadeiro universo a la Tolkien (com mais sangue e lágrimas, segundo relatos) tem um séquito de apaixonados que costuma esmiuçar a obra e discuti-la nos mínimos detalhes em fóruns e blogs internet afora. Até aí tudo bem. Martin, ele mesmo, é um clássico fã de ficção científica e frequentador de convenções do gênero desde sempre, o que o coloca em posição de igualdade com seus leitores em muitos aspectos.

Os problemas começaram quando o intervalo entre o lançamento mais recente e o próximo começou a se estender. A Feast for Crows é de 2005 e A Dance With Dragons está previsto apenas para julho deste ano. Para nós, que não estamos nem aí pra tudo isso, tudo bem. Mas para uma série de fãs exaltados, o assunto é sério. Tão sério que eles começaram a vigiar digitalmente o ex-ídolo. Postando com certa frequência sobre futebol, política e suas viagens particulares em seu blog, Martin começou a ser xingado em comunidades de fãs sobre sua suposta preguiça. Quando os revoltados mais desbocados foram expulsos dos fóruns oficiais, passaram a criar seus próprios espaços para cultivar a ira de quem se sentiu… hmmm… bem… traído. Chegou-se ao ponto de alguns ex-fãs calcularem o número de horas que o autor supostamente utilizou em suas atividades cotidianas e mostrar que esse tempo poderia ter sido utilizado para adiantar o lançamento de A Dance With Dragons.

Muito há o que se dizer e o que se pensar desse caso.

Martin com alunos de uma oficina literária em 2004

Primeiro, numa certa altura, a matéria da New Yorker levanta uma questão fundamental que atravessa o tema como uma lança medieval: muitas pessoas hoje se consideram não exatamente público de um artista ou de uma obra, mas CLIENTES. Não estamos falando de processos colaborativos, da aproximação e troca entre audiência e artista, mas sim da redução da relação entre as partes a uma mera transação comercial. Em outras palavras, gente que acha que pode qualquer coisa só porque “está pagando.” Por mais que a divisão entre artistas e público esteja cada vez mais borrada, “Eu estou pagando” é uma frase arrogante e que pouco contribui para o aprofundamento desses laços. Não sou a favor da canonização de artistas, mas também não defendo de forma alguma a dessacralização pelo poder financeiro. Aliás, derrubar pedestais a golpes de maços de dinheiro não é um bom negócio pra ninguém em área alguma.

É importante frisar, como bem lembrou o repórter, que quem pagou pelos livros de Martin teve sua mercadoria entregue. O que se começou a cobrar foi uma espécie de capital futuro, como se o investimento emocional absolutamente voluntário e particular no universo criado por Martin o obrigasse a devolver certos dividendos para os “investidores”. Já dizia Exupery que “és responsável pelo que cativas”, mas talvez as coisas estejam um pouco fora de controle aqui.

(Uma digressão: infelizmente, a atitude dos fãs enfurecidos não é um fato isolado. Preste atenção e perceba como cada vez mais tem gente dando uma de “estou pagando” nas ruas ou na internet. Tem um lado certamente saudável de nós, brasileiros, começarmos a lutar por nossos direitos. Mas em algumas situações, desajeitados com essa nova idéia, talvez estejamos nos perdendo. Precisamos cuidar para não nos tornarmos mimados e birrentos como alguns povos do tal primeiro mundo.)

Vamos adiante.

Em segundo lugar, lembrei do debate do qual participei ano passado no Fórum Música Brasil, onde um dos assuntos era a divisão de tempo de artistas que também fazem as vezes de produtores. Alguém da platéia foi direto ao ponto: o artista que fica muito tempo interagindo com seus fãs nas redes sociais,  uma atividade extremamente absorvente, não perde tempo de criação?

Antes de mais nada, é preciso reconhecer a variedade de formatos de atuação artística que existe hoje. De um lado do espectro, temos artistas que se dedicam apenas a compor, tocar, escrever, filmar e se envolvem o mínimo possível em questões alheias ao processo criativo por uma opção ideológica ou por simplesmente terem construído essa condição. Na outra ponta, temos artistas que precisam, por questão de sobrevivência, gerenciar completamente sua carreira, produzir seus shows, vender seus quadros, fazer contatos telefônicos, pagar seus impostos (caso não sejam anarquistas roots) e também manter contato constante com os fãs, seja pra efeito artístico ou de divulgação.

Entre um pólo e outro, há toda uma gama de combinações: artistas que gostam e fazem com talento a ponte com os fãs, artistas que tem a mão para os negócios, artistas que se autoproduzem para ter controle de todos os aspectos do seu trabalho e por aí vai. Podemos inclusive chegar ao ponto de encontrar artistas que transformam a produção do seu trabalho e de sua carreira como uma obra em si, senão uma obra artística ao menos uma peça interessante de comunicação social. O Emicida é o que me vem à mente como exemplo disso. Sua presença na internet é quase como um processo constante de rimar, não necessariamente a rima da música, mas a rima da labuta artística.O Radiohead é outro exemplo constante há muito anos. Lembram quando um dos guitarristas abriu um blog pra falar do processo de produção de Kid A?

O tabuleiro do jogo A Game of Thrones.

Voltando à questão do público, não é exatamente novo o caso de fãs que sentem-se donos da vida particular do artista, bem como de sua arte. O que vem mudando, já faz algum tempo, são as imensas possibilidades de colaboração e vigilância que a internet permite. No caso do autor de Crônicas de Gelo e Fogo, obviamente a coisa tomou proporções épicas. Podemos olhar como um épico do Monthy Pyton, rindo à distância dos exageros dos detratores de George R. R. Martin. Ou podemos buscar uma via mais interessante e pensar em como toda essa função é quase uma extensão do processo criativo do autor (como essa pressão interferiu na trama que está pra ser publicada?) e até mesmo das batalhas travadas em Westeros, o continente místico-medieval que serve de palco para as aventuras da saga. Onde começa e termina Westeros? São os fãs personagens vivos de uma trama paralela de Crônicas de Fogo e Gelo? É tudo um grande RPG bizarro que fugiu do controle de Martin?

Meu veredicto, se é que ele é necessário: Martin e seus fãs são vítimas do tempo em que vivem, do tempo em que todos vivemos. Um tempo em que a maior parte das pessoas não desenvolveu suas ferramentas sociais internas na mesma velocidade em que evoluíram as ferramentas sociais digitais – externas. Um tempo em que os códigos que servem pra mediar as relações pessoais são influenciados por softwares e redes ainda novos, quase ingênuos, e que não estão organizados ainda pra suportar – sem causar uma boa porção de tensão – o amplo escopo da experiência humana.

Boa sorte a todos os envolvidos!

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Festejos Locais do Creators Project

E sábado rolou na Galeria Baró em SP o braço brasileiro do Creators Project. A iniciativa presencial da parceria Intel-Vice refletiu bem a cara do projeto na internet: uma execução simples (na base das paredes brancas, cerveja e alguns drinks) que privilegiava o conteúdo, bem curado e pronto pra seqüestrar a atenção de interessados em tecnologia, design, música, moda e arte.

O lineup não era extenso, mas foi bem pensado. Não peguei o set de aquecimento do Funhell, mas cheguei bem no final de uma sessão de uma hora para “criadores do Creators” produzirem um som juntos ao vivo. No caso, era o Emicida e o Kamau que rimavam de improviso em cima de uma produção do Zegon e do Ganjaman. A faixa foi mixada ali na hora e colocada à disposição online (não achei ainda o link,mas enfim…). Bacana de conceito, meio confuso pra um evento, mas tá valendo. Bola pra frente.

Depois de resolvida a questão da gravação, o Emicida e o Kamau emendaram um set com o Zegon, onde o único defeito foi a pouca duração. É a segunda vez que vejo o Emicida ao vivo e não vou fazer pouco caso: eu fico maravilhado com o jeito como ele consegue manter uma comunicação com o público sem necessariamente ficar usando os clichês do gênero o tempo todo, sem ficar pedindo mão pra lá, mão pra cá, grito de guerra ou o insistente pedido de fazer barulho. A fluidez do Emicida transcende as rimas e parece ditar a performance, discreta sem deixar de ser comunicativa e eficiente, sempre em cima de alguma batida que parece existir somente na cabeça do MC paulista. Não sei se o cara é sempre assim, mas nos dois shows que eu vi ele se portou dessa forma e conseguiu até vender CD no meio do show sem parecer um troço apelativo e absurdo. E quando eu digo vender, digo vender MESMO, pegar dinheiro, entregar CD e tudo mais. Figuraça.

Na sequência, fomos todos atropelados pelo Gang Gang Dance. A acústica da Baró não colaborou muito pro som cheio de camadas e segundas intenções dos caras, mas dependendo de onde você estivesse, não tinha galho e dava pra apreciar na boa o desprendimento da banda e a alegria quase infantil da vocalista Liz Bougatsos. Pudera: se eu fosse um gringo ligado em psicodelia e batidas eletro-tribais vindo tocar no Brasil pela primeira vez, se eu tivesse um monte de tambores pra ficar batendo o show inteiro, na cola de um baterista bem exato, se meus colegas de banda ficassem viajando com camadas de feedback e efeitos digitais, se no meio de tudo isso um baixista segurasse a onda com uns grooves lesados, eu provavelmente também estaria todo viajandão, distribuindo sorrisos e olhinhos fechados.

É engraçado, porque o Gang Gang Dance parecia vir pra colaborar com a imagem de hype brooklyniano do evento, mas acabou mesmo é levando o pessoal pro terreno conceitual das raves do final dos anos 80. Não que eu tenha vivido isso, mas eu lia muita Bizz né. Enfim, o show foi bacana e me lembrou coisas como as linhas de guitarras psicodélicas do Stone Roses e os sons mais balançados do The Orb.

E o Mark Ronson? Era o grande nome da noite, mas teve pouco tempo pra mostrar sua porção DJ, que é como ele montou as bases do seu nome, antes de ser “o cara que produziu aquele disco da Amy Winehouse”. Depois de tocar-lhe uma água oxigenada nos cabelos e mandar um corte anos 90, Ronson subiu no palco sem a menor cerimônia (aliás, da mesma forma que circulava pelo salão) e começou a enfileirar sua já declarada mistura de hip hop, electro, algum synthpop, uns breaks aqui, uma Amy Winehouse acolá… como disse o Rraurl, talvez pelo pouco tempo, ele tenha escolhido se dividir entre hits e dar algum espaço pra sua nova protegida, Amanda Warner, que também fez bonito mas foi prejudicada pelo som meio embolado de suas bases.

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Bom, hoje o tempo tá curto, mas ainda essa semana falo mais disso por aqui, focando mais a mostra que rolou à tarde. Talvez eu misture com o que eu vi no Emoções Artificiais no Itaú Cultural, não sei bem ainda.

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Ah, pra fechar, um último recado.

A Intel já nos deu a atual arquitetura de multiprocessadores e a entrada USB (entre outras “coisas”). Se continuar nessa batida e levar adiante esse projeto meeeesmo, daqui uns anos vai poder se gabar de ter gerado alguns filhotes culturais interessantes. Embora algums problemas estruturais tenham que ser contornados, sou totalmente favorável a eventos assim, foco no conteúdo, nos artistas e sem grandes excessos de produção. Melhor deixar a verba pra contratar um bom curador e uns artistas bacanas.

E se o objetivo é sair do círculo de publicações e falação do povo de TI, o Financeiro da Intel pode assinar os cheques com um sorriso no rosto: provavelmente a marca nunca tinha sido tão citada (ou apenas citada) em blogs de música, design, moda e arte. Esse lance aí funciona, viu?

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Fotos: eu mesmo, com a câmera PALHA do MotoQ11.

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Ingressos pra festa do Creators Project

Não sei o quanto você tá sabendo, mas é o seguinte: dia 14 rola em São Paulo o braço brasileiro da turnê do The Creators Project com um programa beeeem bacana. De dia a galeria Baró, na Barra Funda, recebe a mostra de trabalhos do Nick Zimmer (do Yeah Yeah Yeahs), do Muti Randolph, do Spike Jonze, do Radical Friends, entre outros figuras interessantes. Essa parte do evento é aberta ao público das 12h às 17h.

À noite, baixa-se a luz e liga-se o som pra shows do Emicida com o Zegon (do N.A.S.A), Gang Gang Dance e o Mark Ronson (provavelmente em algum esquema de DJ Set). Essa segunda parte é fechada para convidados e tem poucas formas de descolar cortesias. Uma é se ligar na promo oficial do Creators. A outra é participar das promos de blogs parceiros como o Conector aqui. Pra concorrer a um (1 / hum) ingresso, faz o seguinte:

1) Segue o @conector no Twitter;
2) Publica no SEU Twitter a seguinte frase: Se eu der sorte, o @conector vai me botar na lista da festa do @Creators_Brasil. http://migre.me/12QgR
3) Caso seu Twitter seja bloqueado/privado, torne-o público, caso contrário sua participação não será detectada.
4) Terça-feira, dia 9, eu vou fazer um SORTEIO aqui na minha mesa auditado POR MIM MESMO.
5) Se liga: a festa é em SP e a promo é só INGRESSO.

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SORTEIO ENCERRADO!

A vencedora foi a @JuuDonato.

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Carta Aberta a 2009

Caro 2009

Não podemos dizer que não fomos avisados. 2008 foi bem claro quanto a termos de abrir o olho com você. Até pensei que ele estava exagerando um pouco, mas a verdade é que eu só não tinha captado bem a sutileza do seu dedo nas coisas nos primeiros meses. E eu só não fui totalmente coagido pela posse do Obama porque tenho um providencial pé atrás com essas coisas. Mas sei que ali você estava começando a aprontar.

Pra falar a verdade, como 2009 você foi extremamente… 2009. Mas de um jeito que não esperávamos totalmente, e é daí que vem esse olhar desconfiado de nossa parte com você nesses últimos dias. Não me leve a mal, mas você não deixou uma boa impressão na sua passagem. E como você foi bastante direto conosco, o mínimo que posso fazer é retribuir a sinceridade.

Em alguns aspectos, você foi parecido com seu primo 1999. Confuso. Barulhento. Com jeitão de ressaca. Remexendo em coisas profundas e fazendo algumas limpezas. Como que num processo violento de gestação, preparando a cama para 2011 deitar, como 99 fez com 2001. Na música você foi bem assim: indefinido, atirando para todos os lados e deixando para 2010 mais uma tarefa, a de consolidar os caminhos da década que vem por aí. Foi assim também com os rumores sobre o Woody Allen filmar no Brasil, não é mesmo? Todo esse zunzunzun, criando a maior expectativa, mas de novo ficou pros seus sucessores a tarefa de transmutar o boato em realização.

Até um filme sobre seu irmão mais novo, 2012, você arrumou pra tentar disfarçar seu jeitão folgado. Só eu percebi que o filme não era sobre seu irmão, mas sobre você? O resultado das negociações em Copenhague foi o epílogo desse filme e eu sei que você planejou isso direitinho. Transmedia storytelling. A história se espalhando por jornais, televisão, cinema e flashmobs inúteis.

Não me venha com Dirty Projectors e Emicida. Não me venha com Jupiter Apple e Black Drawing Chalks. Não me venha com Se Beber Não Case, Watchmen, District 9, Umbigo sem Fundo, Moon e Meu Querido Mês de Agosto. Não me venha com as baladas do Wado ou aquele showzinho do Little Joy no Opinião. Seus pequenos acertos a mim me parecem mais desvios de conduta. O Rio foi escolhido como sede da Copa do Mundo, tudo bem, mas de novo isso soa como alguma sacanagem sua com os caçulas 2010, 2011, 2012, 2013 e, especialmente, o pobre coitado de 2014.

No âmbito pessoal, posso dizer que você não pegou lá muito leve comigo. Tá certo, eu não vou me abster das minhas responsabilidades, principalmente no que diz respeito ao meu orgulho e minha mania de autosuficiência. Mas, na boa, você não precisava ser tão… drástico. Embora eu ache que em muitos pontos você estava certo, não gostei nada do seu tom. Tá bom, eu entendi o recado. Mas nem tudo eu digeri ainda e, gostando ou não, 2010 vai ter que terminar de descascar alguns abacaxis com que você me presenteou. Cada um com seus problemas, né 2009?

Bom, desculpe meu amargor. É mais um desabafo do que propriamente uma opinião sólida. Claro que você não é de todo mal e, agora mais calmo, também preciso admitir que você teve que lidar com o espólio da sua década, tudo que foi mal resolvido por 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e seu irmão mais próximo, o 2008 (que muito espertamente deixou pra você administrar, por exemplo, toda a euforia em torno do Obama). Então, não me entenda mal, eu sei que seu ano também não foi fácil e vejo o por quê de você ter jogado tudo pra cima em novembro e dezembro: chuvaradas homéricas detonando várias regiões do Brasil, Mano Brown todo serelepe na capa da Rolling Stone, uns malucos enfiando agulhas em crianças. Até mesmo terrorista tentando explodir avião me apareceu e o controvertido Fábio Barreto se acidentou feio. Bizarro, 2009, bizarro. Você não é muito certo das idéias, na boa.

Mas, bem, eu estava tentando olhar para suas qualidades e sei que você tem algumas: você foi honesto, direto. O que aconteceu com o Michael Jackson na sua administração deixou todo o resto da biografia dele no chinelo. Assim é você. Vai metendo o dedo na ferida. Você não foi nada político e fez o que tinha que ser feito em muitos casos. Deu um Nobel sarcástico para o Obama e revelou o puritanismo/tesão reprimido dos brasileiros com a mina da Uniban. Prendeu o Polanski. Não precisava ter levado o Clodovil, mas em compensação, você expôs o Sarney de uma forma que não tínhamos visto ainda. Arrumou um namorado pra Madonna chamado Jesus (cara, você é definitivamente uma figura).

Por essas e por outras é que eu meio que admiro você e até perdôo alguns excessos. De novo, levando pro lado pessoal, confesso que eu andava precisando de umas chacoalhadas e nisso você foi mestre. No fundo, tenho uma certa gratidão por alguns de seus esparros. Embora o seu trabalho não seja de todo confortável, você é bom no que faz.

Resumindo, 2009, tudo de bom pra você, segue teu rumo, descansa, abraço na família.

Mas é o seguinte: não me aparece aqui de novo!

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Walverdes em Cuiabá

Já nessa quinta à noite embarcamos pro glorioso Festival Calango pra redimir nossa ausência em cima da hora no ano passado. Em 2008 tive que cancelar nossa ida por conta de uma pneumonia, mas sexta-feira estaremos lá e MUITO BEM ACOMPANHADOS. Logo depois da gente toca o Emicida, de quem o Bruno vem falando bastante e que quero muito ver ao vivo.

Um pouco mais cedo toca o Fuzzly, que já vi no Goiânia Noise há alguns anos e estou a fim de ver como anda, pra não falar do conterrâneo Wander e dos locais Macaco Bong. E isso é só uma palhinha. Tem muito mais aqui.

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Walverdes no Myspace

Walverdes no Orkut.

Walverdes no Fotolog.

Walverdes no TramaVirtual (Playback inteiro pra baixar de graça, bem como a Demo Amarela e o Demasiada Sequela)

Walverdes no Conector.

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