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Arquivo: Época

Blogs na Época

Enquanto alguns perdem um valioso tempo de suas vidas discutindo a validade ou não do conteúdo dos blogs, a Época vai lá e taca na sua capa os tais 80 Blogs que Você Não Pode Perder. Sagaz movimento da revista em vários aspectos. Primeiro, porque alinha sua imagem de marca a um inquestionável fenômeno contemporâneo, obrigação de qualquer revista semanal que não seja vista pelos seus leitores como um “confiável senhor de 60 anos”. Segundo, porque simplesmente abraça a ferramenta em vez de questioná-la munida de paradigmas empoeirados (desculpe a redundância). Terceiro, porque tem muita gente (muita gente) que ainda está tateando neste mundo e não custa nada dar um empurrão inicial.

Um blog (perdi o link, não achei mais!) observou que essa foi uma maneira muito esperta da Época colocar os SEUS blogs em evidência, colando-os a blogs que tem relevância e boa audiência. É uma excelente hipótese. Mas ainda assim achei interessante a iniciativa da revista, que provavelmente inspirou seu mapa dos blogs no trabalho da empresa japonesa Information Architets. Vale uma visita no Faz Caber, o blog dos designers da Época, que falam sobre a confecção do mapa da matéria.

Web Trends Map da IA.

E a curadoria? São os 80 blogs indicados pela Época aqueles que você não pode perder? Acho totlmente irrelevante discutir isso. Ali no meio estão alguns blogs que eu considero muito interessantes e inclusive visito com certa frequencia, bem como tantos outros que eu acho uma total perda de tempo, um desperdício de espaço em servidor e banda.

Mas o ponto é justamente esse: a beleza de se informar através de blogs é você montar o SEU grupo de “informantes”, do SEU jeito, seja assinando RSS, seja no Delicious, seja nos seus favoritos, seja LEMBRANDO das URLS e digitando diretamente. Você é seu próprio editor e mesmo que não se considere à altura do cargo ou não esteja interessado, com uma pesquisa rápida você encontra algum… blog que fazem esse papel nas mais diversas áreas de interesse.

A Wired e outros sites espertinhos vem decretando a morte do blog por conta do avanço do twitter e das redes sociais. Mas enquanto não aparecer uma boa forma de qualquer zé mané montar uma página pra dividir suas impressões ou suas referências com o mundo (interessem ela uma, dez, cem, mil ou cem mil pessoas), acho que os blogs vão se manter. Especialmente no Brasil. Países como os Estados Unidos ou a Inglaterra tem produtos em geral com ciclos de vida muito rápido. O Brasil é mais lento e não apenas por uma questão econômica, mas cultural. Tudo dura um pouco mais aqui. Latino feelings. Coisa boa. Não precisamos abraçar a velocidade irrefreável da cultura pop americana ou inglesa e suas manias de aposentar um fenômeno por semana pra fazer girar a máquina.

Depois acontecem os supbrimes da vida e ninguém sabe por quê…

Aliás, essa coisa de decretar a “morte do blog” é um péssimo resquício do passado. Há pouco, minha mulher me alertou pra um editorial de uma revista feminina que dizia algo como “aposente sua calça assim assado”. Não existe coisa mais anacrônica do que “decretar a morte” ou o “nascimento” de algo com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, com tantas possibilidades e tanta liberdade para as pessoas escolherem como e quando vão consumir conteúdo.

Morte à essa mania de decretar a “morte” das coisas. O “já era” já era. Ou não era?

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