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Arquivo: Gig Rock

Television em Porto Alegre

Um Beco lotadíssimo, com uma idade média mais alta do que o comum, preparou o clima para que o Television fizesse bonito no segundo dia do Gig Rock. E, diga-se de passagem, os caras pelo jeito fizeram mais bonito do que em São Paulo. Segundo relatos de amigos confiáveis, o show de SP foi morno e sem tesão. Mas, em Porto Alegre, alguma química esquisita da cidade permitiu que a turma de Tom Verlaine vivesse um momentinho especial no sul da América do Sul. Essa foi minha sensação do show: a banda mandou bem, mas o público é que fez a cama para que o quarteto novaiorquino deitasse e rolasse.

Quem foi sabia o que queria ver e ouvir. E todo mundo teve o que pediu. Ou quase tudo. See no Evil foi pedida insistentemente, mas não levamos. Seria bacana, mas diante de Venus, Marquee Moon, Prove it e até Psychotic Reaction (do excelente Count Five) não houve muito do que reclamar. As execuções não foram sempre perfeitas (punk, anyone?), mas na maior parte do tempo as guitarras floreadas de Verlaine e Ripp dialogaram com precisão e poesia. Ah, as guitarras do Television: suas lindas!

No meio do show me caiu uma ficha: como o Wilco rescende a Television desde a entrada de Nels Cline! E essa conexão Wilco-Television é só a pontinha do fio da meada. Um dos grandes trunfos da banda é justamente o emaranhado de referências em que ela se baseou e gerou. Se você começa a puxar uma pontinha, logo novelos de lãs inteiros das cores mais diversas caem na sua cabeça. Sendo que o novelo do Strokes é a base de muitos figurinos em Porto Alegre, fez total sentido que o Television se desse bem por aqui, melhor que em São Paulo ao menos.

Enfim…

Pra terminar.

De tão cheio que estava o Beco, fiquei lá atrás, perto do bar. Fora a primeira música, que consegui assistir clandestinamente no palquinho do operador de som até ser convidado a me retirar, de resto o visual do show pra mim foi só nucas e escápulas.

Mas tudo bem. Television em Porto Alegre. Não vi e adorei.

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Walverdes no Gig Rock neste sábado

A programação é eclética e começa cedo. O Gig está sendo criticado por abrir as portas de um festival independente pra uma banda como o Pato Fu. Mas vale lembrar 1) que o Pato Fu sempre foi uma banda com espírito independente no jeito de funcionar e 2) é sempre interessante juntar Patu Fu, Mallu Magalhães e Marcelo Camelo com gente tipo os uruguaios do Danteinferno, Hablan por La Espalda e os locais Efervescentes, Valentinos, Tonho Crocco e o Tenente Cascavel (ajuntamento dos remanescentes do TNT e do Cascavelletes). Misturinha interessante.

Dá uma olhada na…

PROGRAMAÇÃO:
14h – abertura dos portões
15h – Todo Rock – debate sobre a cena roqueira independente nacional, com curadoria de Marcelo Ferla, gerente artístico da Oi FM Porto Alegre
17h – abertura dos shows, com banda Oi Novo Som – Procura-se Quem fez Isso
17h40min – banda Oi Novo Som – Sobrado 112 (RJ)
18h – Gullivers
18h30min – Valentinos
19h – Hablan por La Espalda (Uruguai)
19h40min – Walverdes
20h20min – FENX
20h40min – Dante Inferno (Uruguai)
21h20min – Tonho Crocco
22h10min – Mallu Magalhães com participação de Marcelo Camelo
23h10min – Pato Fu
0h10min – Graforreia Xilarmônica
1h10min – Os Efervescentes
1h50min – Bidê ou Balde
2h50min – Tenente Cascavel

E ainda ver ter Mercado Lado B com as tradicionais COISAS PRA COMPRAR.

Mais informações aqui.

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Rock & doença em Porto Alegre

E o show da Publica no Gig Rock sábado passado? É injusto eu dizer que foi o melhor show da noite, uma vez que cheguei já quando a Mallu estava entrando no palco e fui embora antes de ver o Superguidis, perdendo grande parte do line up. Ainda assim, é flagrante os degraus que a Pública galgou ao longo de 2008, a ponto de fazer o público deixar de lado a concorrida pista de dança de uma dupla símbolo da geração Beco (Schutz & Machuca). O objetivo: se amontoar na frente do palco e fazer coro pras sempre cantáveis músicas do primeiro disco e começar já a acompanhar as ainda melhores canções do disco novo. Eu não estava propriamente embolado na frente do palco, mas fiz questão de ajudar no coro de Long Plays, Polaris e Lugar Qualquer.

No que diz respeito às músicas novas: algumas delas estão no MySpace. Vai lá. É lindo ver o que os caras estão fazendo com a música deles (com a força do Fruet, produtor de mão cheia que fez o segundo disco do Flu). Elaboraram um pouco mais os arranjos mas conseguiram manter o fator “cantável” e fugir da complicação exagerada, também mantendo a esquisita ponte entre o cenário urbano contemporâneo de Porto Alegre e o rock inglês que forjaram em Polaris. É i-na-cre-di-tá-vel que os caras consigam soar ao mesmo tempo Nei Lisboa e Supergrass. E fica bom! Fazer isso sem soar pastiche não é pra qualquer um. A Pública consegue. Conte nos dedos quem tem essa habilidade!

A música da Pública é pra ouvir, ouvir de novo, ouvir mais uma vez e então cantar junto ao vivo. Fiquem ligados nas notícias do disco novo. Ele sai no ano que vem com um DVD com um pequeno documentário.

E a Mallu Magalhães? Confirmou o que se esperava: o carisma, a habilidade/naturalidade no palco e o bom gosto. Mallu estava feliz, cantando e tocando bem, dizendo que tentou comprar o CD em uma loja mas que estava tudo fechado por conta do feriado. A galera curtiu e celebrou, mas alguma coisa me fez gostar mais do primeiro show no Porão do Beco no meio do ano, com mais cara de improvisação, lotado.

Cedo pra qualquer julgamento apressado. Pode ser só implicância minha. Na real, pra usar expressões mais ténicas, mais uma vez ficou claro que a mina é “massa” e tem a “manha”. Apesar de (me disseram) estar citando Nietzche no backstage. Vamos em frente.

Um dia antes, eu estava sentado na estilosa sala de aula da Perestroika, uma escola de publicidade/criatividade fundada há pouco por alguns publicitários portoalegrinos a fim de largar a agência e inventar algum outro esquema. Mas, não, não voltei a estudar, ainda mais sexta à noite. Na real, fui assistir à segunda ou terceira noite da Balalaika, a sessão de stand-up comedy da Perestroika com três aspirantes locais: Felipe Agnoni (um dos donos da Perestroika e ex-redator publicitário), o Daniel Martins (meu grande amigo, fotógrafo, redator, viajante quase profissional) e o Léo Prestes (também redator, ex-colega de Escala, hoje bandeado pros lados da internet na W3Haus).

Era 15 patacas com direito a uma long neck (Bohemia!) valendo três sessões de meia hora/20 minutos e um intervalinho entre elas. De certa forma, me senti no Garagem Hermética em 93 vendo o nascer, espero, de uma nova cena, amparada belo bom momento do stand-up no país, que começa a transferir pra “vida real” a boa audiência que vem angariando com os vídeos no YouTube de gente como o Rafinha Bastos e o Danilo Gentili (só pra citar os mais conhecidos).

Foi uma noite feliz. Longa vida e tudo mais.

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É hoje: Walverdes no Gig

Olha o cardápio:

Arthur de Faria
Nobs
Canja Rave
Atrack
Camboja Motel
Viana Moog
Alcaloides
Mallu Magalhães (SP)
Nevilton (PR)
Pública
Revoltz (MT/RS)
Walverdes
Identidade
Superguidis

***

O festival vai rolar na quadra da Escola de Samba Praiana (Av. Pe. Cacique, 1261).
Ingressos antecipados na Pó de Estrela (Alberto Torres, 228).

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