OEsquema

Arquivo: Guilherme Dable

Sobre escrever

 

Escrever é uma atividade que suscita os sentimentos mais extremos. Tanto os aspectos naturais (sua visceralidade intrínseca) quanto os artificiais (as regras da gramática) levam muita gente a colocar o ato de escrever em um pedestal – o que é prejudicial tanto para as pessoas quanto para a escrita.

Por isso, resolvi escrever um pouco sobre as virtudes da escrita. Não as virtudes literárias de escrever bem, mas os predicados do simples escrever – ou do escrever simples.

1) A vida é uma esculhambação. Escrever coloca as coisas em ordem.

As coisas acontecem, em geral, sem muita lógica. Filósofos, religiosos, psicanalistas e cientistas frequentemente batem nessa tecla. Não apenas o tempo é uma construção mental e arbitrária, mas a noção linear da nossa vida, com os acontecimentos se sucedendo um depois do outro, é facilmente traída pela nossa memória – seletiva, orgulhosa e fantasiosa.

Mesmo que possamos confiar em registros históricos e fotos, nossa interpretação deles muda e assim mudam seus significados. Viver, em resumo, é uma bagunça e uma das poucas forças capazes de acomodar o caos é a palavra escrita. Pontos, vírgulas, sentenças, espaços, linhas, parágrafos. Nada disso existe fora do papel. E tudo isso ajuda a colocar de pé um dos empreendimentos humanos mais duros: a construção de sentido.

2) Escrever é alquimia ao alcance de todos.

Ninguém precisa ser escritor e nem mesmo escrever razoavelmente bem. No momento em que você bota a caneta no papel ou os dedos no teclado, pronto: está transformando o intangível em tangível. Pode ser o pior texto do mundo, pode ser o email mais mal escrito de todo o universo, pode ser uma trivial lista de supermercado. Mas você fez: sentimentos, sensações, idéias, conceitos, intenções, tudo agora está ancorado ao mundo material.

Parabenize-se. Não é qualquer um que pode fazer isso. Fantasmas, por mais inteligentes que sejam, não tem condições de realizar este feito. Essa, aliás, é a nossa grande vantagem sobre Shakespeare. Ele pode ter sido brilhante, mas hoje não pode escrever nem um número de celular num papelzinho.

Um a zero para o analfabeto funcional em cima do cânone literário do passado.

3) Escrever é inútil.

Como as melhores brincadeiras, escrever não leva a lugar nenhum. Sim, eu declarei claramente no primeiro item que escrever é organizar a vida e no segundo que escrever é uma forma de magia. Mas é preciso admitir também que a organização e a magia não resolvem questões básicas da vida, embora sejam excelentes ferramentas pra lidar com elas.

É curioso examinar a vida dos maiores escritores que o planeta Terra já produziu e ver que a maior parte deles, por mais genial que fosse ao produzir um texto, esteve metida em encrencas épicas na sua vida pessoal. Isso não tira o brilho e o efeito do que escreviam sobre as pessoas e a maravilhosa construção e troca de riquezas que a escrita deles permitiu. Mas diz algo sobre os limites da escrita como arte.

Por fim, uma última nota: a escrita, por mais cortejada que seja por grandes mestres, tem alma ordinária. Ela vai com qualquer um. O desenho é um pouco mais caprichoso e nunca deixaria – como a escrita deixa – que um cara como eu, sem nenhuma grande realização no âmbito das letras, falasse dela com tanta intimidade, como se a conhecesse e dominasse tão bem.

***

Texto publicado no número mais recente da revista + Soma, da qual voltei a ser colunista depois de uma parada por falta de tempo. Pra ler colunas antigas, vai por aqui: +Soma Colunas

Não deixe de ler toda a revista gratuitamente aqui: +Soma #25.

Ilustração: Guilherme Dable

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A Saga de João – Epílogo

João nasceu de uma intenção. Seus pais não chegaram a se conhecer, se amar, se tocar, que dirá fazer sexo. Ainda assim, em 1979 brotou no ar a possibilidade que os dois se cruzassem e dali nasceu João.

Jairo, o pai de João, tocava escaleta na banda do colégio. Mariana, mãe de João, era baliza. Os dois viajariam juntos para um torneio de bandas marciais em Três Cachoeiras, mas
Mariana teve cachumba e ficou em casa, sofrendo muito, lendo um pouco e descobrindo o tarô. Jairo, por sua vez, passou a viagem toda de ônibus desenhando homens com capa e espada ao lado da guria que anos depois seria sua esposa e com quem teria três filhos. Nenhum deles era João.

Mariana não teria filhos. Dedicaria parte de sua vida ao tarô e outra à mãe, doente crônica desde sempre e para sempre. Jairo, mesmo sem conhecer Mariana, vivia irritado com a excessiva dedicação dela à mãe e a certa altura declarou não ter condições de sustentar a relação. Então partiu, deixando Mariana, a mãe e a possibilidade de João nascer em suspenso.

Mariana e Jairo não se conheceram, não se casaram, não trepararam, não se amaram, mas se divorciaram. João, ora, nasceu de uma possibilidade. Apareceu com oito anos de idade, nu, envolto em uma cortina de fumaça no campo do terreno baldio ao lado do colégio e foi adotado por uma freira. É considerado, até hoje, o primero filho dos chamados divórcios quânticos, as rupturas de meras possibilidades amorosas, onda endêmica nos anos 90 e que até hoje persiste sem explicação científica.

Pergunto a João como ele se sente.

“Como qualquer pessoa normal.”

Pergunto de seus planos para a vida.

“Viver e construir meu caminho.”

Peço que seja mais específico.

“Me tornar bom em escaleta e no tarô.”

Comento que eram as habilidades de seus pais quânticos.

“Coincidência.”

João não é amargo. É ingênuo. Peço que toque uma canção na escaleta.

“Neil Young? Ou Roberto Carlos?”

Esse é João. O primeiro filho dos divórcios quânticos da primeira onda. Diga adeus para nossa platéia, João.

“Fuen.”

Tire a escaleta da boca, João. Seus pais não lhe ensinaram bons modos?

***

E assim termina a saga de João, que contei esse ano na MaisSoma.

Epílogo saiu na Mais Soma #14. Tu acha o download da revista inteira em PDF aqui.

A primeira parte da saga dele é Tarô & Escaleta. A segunda é Bloquinhos. A terceira é Cosmos. A quarta é A Bandeira Laranja.

A ilustração (veja grande na revista!) é do Guilherme Dable.

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Conector: agora também no rádio

Gente amiga: a partir de hoje estou em rede nacional na OI FM duas vezes por dia com comentários de um minuto sobre todas essas coisas que eu escrevo no Conector. O programete se chama Minimalismo e veicula às 13h45min e às 20h30min.

Além da felicidade de voltar pro rádio (depois de uma temporada do Ligado, Plugado, Amplificado na Ipanema FM há dois anos), ainda me sinto privilegiado de estar tão bem acompanhado no ar: na Oi tem programa de gente da estirpe do Reverendo Fábio Massari, Maurício Valladares e o Moby (sim, ele mesmo), além de um monte de amigos e conhecidos como o Guilherme Dable, a Juli Baldi, o Cardoso, o Ferla (que é o diretor da Oi aqui em Porto Alegre e me colocou na empreitada), o Leo Felipe, entre outros tantos.

À medida em que os programas forem pro ar, vou colando aqui o texto ou o áudio deles. Fique no aguardo e, se você é de Porto Alegre, comece a sintonizar o 90.3. Pra outras cidades, dá uma olhada aqui no site da Oi.

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Cosmos

Quando João estava alinhado com o cosmos, haviam lhe dito, tudo funcionava. Se ele não tinha dinheiro, aparecia. Ou desaparecia a preocupação que o perrengue gerava. Por isso, João pegou uns reais e foi até a casa de um amigo comprar o DVD do Cosmos que ele tinha. O pai do cara gravou todos os episódios. A voz do Sérgio Chapelein retumbava nas paredes de ótima acústica das lembranças de infância de João. Ele precisava daquilo.

“Quanto você quer no DVD?”
“Não vendo. Tá louco, João.”
“Então me faz uma cópia.”
“Não posso. Prometi ao meu pai no leito de morte.”

Quem viu muito Cosmos fala coisas como “no leito de morte”.

“Deixa de ser mané. Me faz uma cópia.”
“Não posso, já te disse. Qualé, João.”
“Qualé, nada. Não te custa. Te dou uma cimitarra.”
“Cimitarra o cacete. Fiz uma promessa. Promessa é dívida.”

Já “Promessa é dívida.” não tinha nada a ver com excesso de Cosmos.

“Tá, meu. Sujou na minha. Era isso, tchau.”
“Ô, João, não fica assim. Volta aqui. Deixa eu ver a cimitarra.”
“Deixa quieto.”

E João se foi. Pegou o ônibus circular e sem querer acompanhou a órbita de um satélite na trecosfera, muitos quilômetros acima da sua cabeça. O centro do satélite coincidia com o seu chacra coronário, aquele que fica no topo do crânio. Mas só por sete paradas. Depois disso, João desceu na frente do shopping e o satélite seguiu seu curso. Chinês, o satélite.

Os satélites chineses foram criados no início da década para controlar o tempo. Dezesseis foram lançados e nenhum deles cumpriu direito sua função. Pelo menos era o que diziam os jornais ocidentais. As autoridades de olhos puxados e pele levemente amarelada contavam outra versão. Diziam que os aparelhos funcionavam sim, pô, só que o pensamento ocidental não entendia a lógica deles. Um dia, um satélite chinês caiu sobre setenta vacas no Quênia. Fica difícil entender a lógica oriental desse jeito.

Mas João sacava isso tudo quando estava alinhado com o cosmos. Por isso, queria tanto o DVD.

“Ah, que se desfaça aquele DVD…”

Contornou o shopping e se embrenhou no mato. Lá, em certo ponto, o chacra coronário dele e o centro do satélite voltaram a se encontrar por breves instantes. Nesse ponto da história o bosque cai, derramando a paisagem em um barranco íngreme. Além, só uma cerca, vaquinhas, coxilhas e o sol se pondo. João sentou na ponta do barranco e ficou olhando a cerca, as vaquinhas, as coxilhas e o sol se pondo.

Respirou aquilo tudo, trouxe junto com o ar pra dentro dele. E veio junto a cerca, as vaquinhas, as coxilhas e o sol se pondo, entrando pelo nariz, percorrendo a traquéia, chegando aos pulmões, enolvendo os brônquios e inebriando o cérebro. João vangloriou-se, sentiu-se vivo e feliz por ter a oportunidade de sentar uns minutos ali e apenas estar calmo daquele jeito. Daí expirou e, para sua surpresa, a cerca, as vaquinhas, as coxilhas e o sol se pondo não foram embora de dentro dele. Cabreiro, inspirou novamente e, dessa vez, pareceu vir apenas ar. A cerca, as vaquinhas, as coxilhas e o sol se pondo continuaram lá, adiante. Mas a sensação boa, cerquícea, vaquícea, coxilhícea e solstícia permanecia dentro dele.

Na falta de algo mais elaborado, só conseguia pensar em palavrões de satisfação. Então levantou, largou a cerca, as vaquinhas, as coxilhas e o sol se pondo e foi viver sua vida. Uma vaquinha mugiu ao
longe. A cimitarra ficou na grama, abandonada.

***

Cosmos saiu na Mais Soma #12. Tu acha o download da revista inteira em PDF aqui.

Aliás, a história do João está sendo toda contada na Mais Soma. A primeira parte da saga dele é Tarô & Escaleta. A segunda é Bloquinhos.

A ilustração (veja grande na revista!) é do Guilherme Dable.

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Bloquinhos

Lucas achou uma cimitarra entre os presentes de casamento. Veio sem cartão, então nem ele nem a Carla sabiam a origem.

“Deve ter sido um dos seus amigos da TI.”
“Pode ser. É cool.”

Um amigo programador do Lucas era fã de Prince of Pérsia.

“Quem disse que cimitarra é cool? Eu acho brega.”
“Sei lá. Foi só um comentário.”

Nisso, tocou a campainha. João apareceu na porta.

“Sim?”
“Estou procurando uma cimitarra.”
“…”
“Vocês têm uma cimitarra pra dar?”
“Desculpe?”
“Uma cimitarra… uma daquelas espadas assim e assim.” disse João desenhando no ar o tal formato.

“Só um pouquinho.”

Lucas fechou a porta e voltou pra sala.

“Carlinha, tem um cara querendo uma cimitarra aí fora.”
“Ótimo. Vende pra ele a nossa. Eu não quero isso aqui. Daqui a pouco a gente vai ter filho, não quero saber de arma em casa.”
“Nem pra decoração?”
“Você não vai pendurar essa citarra na parede, Lucas?”
“É cimitarra. Seu pai, não vai querer?”
“Lucas, se livra desse negócio. A gente nem sabe quem deu. Deve até dar azar.”
“E se for de um de nossos chefes?”
“Azar, Lucas. Você vai ter medo do seu chefe o resto da vida?”
“Tá bom. Mas o cara aí não tem dinheiro.”
“Então dá pra ele, faz um leasing, qualquer coisa, só se livra disso.”

Lucas pegou a cimitarra e foi até a porta. Abriu e mostrou a peça para a visita.

“Ah.. é perfeita” disse João examinando o fio.
“Pode ficar para você.”
“Obrigado. Muito obrigado.”
“De nada.”

Lucas fechou a porta e João desceu pela escada, com a cimitarra embaixo do braço, embalada em papel de presente amassado. Pegou o ônibus circular e parou em uma papelaria da zona norte.

“Quanto custam os bloquinhos?”
“50 centavos cada.”
“Posso pagar com uma cimitarra?”
“Uma o quê?”
“Isso.”

João desembrulhou a cimitarra no balcão.

“Ai Jesus!”
“Chama o gerente…”
“É assalto?”
“Não. Quero propor uma troca.”
“Ai, eu sabia, é assalto.”
“Não é… chama o gerente…”
“Ai Jesus…”

A vendedora saiu rezando e voltou com o gerente.

“É um assalto?”
“Não, quero propor uma troca.”
“Manda.”
“Essa cimitarra por 600 bloquinhos.”
“Hmmm…”

O gerente calculou mentalmente, coçando o cabelo com gel. Pegou a cimitarra, examinou o fio.

“Certo. Eu fico com ela e pago pelos bloquinhos. Marta, pega 600 bloquinhos no estoque.”
“600? Ai Jesus…”
“Vai, Marta!”

João saiu com os 600 bloquinhos em duas sacolas. Pegou o ônibus de novo e abriu o primeiro pacote de bloquinhos quando lembrou que não tinha caneta. O sol riu da ironia enquanto se punha atrás dos transformadores da empresa pública de energia elétrica. Assunto clássico para ao menos um bloquinho.

***

Essa história saiu na Mais Soma #11. Download da revista inteira em PDF clicando com o botão direito aqui.

Leia a primeira história da caminhada de João aqui.

A ilustração (veja grande na revista!) é do Guilherme Dable.

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Expandindo algumas colaborações

Adorei o conceito de brand hijacking que o Will trouxe pra cá. Ele já havia me falado em conversar informais, mas nada como ter as coisas mais esquematizadas. Eu lembrei alguns outros exemplos, derivados do Video Show, como a Dança dos Famosos, mas daria pra fazer uma lista na Globo, que tem uma série de atrações autofágicas – ou melhor dizendo, autoreferenciais. É o padrão Globo sendo reafirmado em uma espécie de vórtice sem fim na esperança de evitar o inevitável (s aber: impermanência).

No fundo no fundo, estamos falando de um comportamento contemporâneo totalmente generalizado: o já tão comentado fato de que as pessoas vão poder (estão podendo) consumir conteúdo da forma como quiserem e quando quiserem. O brand hijacking emula esse comportamento ao promover a salada antes que o consumidor o faça (nem todo mundo faz por si). Quem fizer salada e distribuir, vencerá. Tem um post do Tiago Dória que resvala nesse assunto – o NYT está linkando conteúdos da concorrência.

O post do Guilherme Dable (cujos desenhos eu tentei comprar) me lembra o título de um curso promovido pela galeria dele (e de uns sócios): Desenhar é Traçar o Pensamento. Algo assim. Depois de muitos muitos anos, esse ano eu voltei a desenhar. Não estou falando do Autopista, mais observações domésticas mesmo. Que é onde essas questões que o Guilherme colocou mais aparecem.

Quando faço desenho de observação, se eu me descuido, caio brutalmente em um estado de ansiedade por não estar conseguindo ver no papel o que estou vendo à minha frente. O que é, sob um certo ponto de vista, risível: como se houvesse à minha frente algo objetivo que possa ser transferido intacto de forma fidedigna ao papel. Rarará. É muito difícil pra mim desistir da idéia de como as coisas se parecem visualmente, como diz o incrível Antony Gormley (cujos desenhos ilustram esse post aqui) citado pelo meu interino. Fazer o quê. Vamos em frente.

Isso, de certa forma, está relacionado com o tocante post do Ronaldo Evangelista. Ele cita o poder de coisas (pequenas, grandes, óbvias ou escondidas) que nos inspiram. E o consequente impulso que brota em nós para tentar reproduzir essa inspiração sob a forma novas coisas (pequenas, grandes, óbvias ou escondidas).

Não há o que discordar do post dele, eu só acrescento um detalhe: essa quebra de percepção promovida por certos produtos culturais depende não apenas de um autor brilhante, mas de observadores com o coração aberto e sintonizados em uma frequência similar (ainda que não aparente). Vou mais longe: corações realmente abertos são extremamente habilidosos em enxergar inspiração nas situações/objetos menos desenhadas para tanto, inclusive as que prescindem de um autor e de uma intenção.

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Tacet


O tecladista Leonardo Boff (que toca numa cacetada de bandas aqui em Porto Alegre) tá aqui “desenhando” Helter Skelter pro “Tacet”, trabalho do meu ex-colega de Tom Bloch Guilherme Dable. O trabalho final, que envolve o “desenho” de várias músicas em vários instrumentos, está exposto no CCSP na mostra Passagens Secretas. Tem mais vídeos aqui.

Tacet é latim para “está em silêncio” ou algo do tipo. Na linguagem musical, indica um período em que um instrumento fica em silêncio enquanto aguarda o próximo movimento. Silêncio é sempre uma coisa boa (e rara hoje em dia) na música, porque valoriza muito mais os momentos em que ele é quebrado. Se não há silêncio, só preenchimento, aí já viu, vira um ensopado dos diabos.

Sendo dos Walverdes, não tenho muita moral pra falar, mas enfim… eu gosto de silêncio tanto quanto gosto de barulho.

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Quitutes para o feriadão – com adendos

Não sei quanto a você, mas eu sempre gosto de ter à mão uma fontezita megacool tipo a PingMag. Bom, outra que me surgiu por intermédio do Migrante Digital foi a Monocle. Eu ainda não tive tempo de explorar tudo, mas é aquela coisa: “global affairs” com um pé no design e na arquitetura (eu ando bem interessado em arquitetura), cultura não tão pop um pouco metida à besta mas bem instrutiva e, acima de tudo, bem embalada.
Enfim. Confere a Monocle lá.

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Por falar nisso, o blog Migrante Digital entrou para meu rol de informantes interessantes. Ainda mais que a titular do Migrante, Guta, está em Nova Iorque mandando notícias. E tem uma amiga enviando posts da China também. Vale dar uma conferida.

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Estou acompanhando meio de longe todo esse fandango em torno do iPhone. Mas esse post aqui no blog do Information Architets me chamou a atenção. Primeiro por identificar um “brand crime” da Apple. Segundo porque o post “chama” pra uma interação com a tela do teu computador. Fazendo o teste, tu acaba acreditando no post deles. Terceiro porque eu adoro essas coisas de design de informação. Tenho até medo de ler mais sobre o assunto e estragar meu encanto ingênuo com essas coisas.

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Eu falei lá embaixo dos meus flickr/fotologs prediletos e esqueci de colocar o do Sapo, um grande parceiro. Já citei aqui no blog, ele e mais uma galera andam inventando coisas interessantes na galeria Subterrânea aqui em Porto Alegre, dando uma chacoalhadinha geral. No Flickr dele tem os trabalhos artísticos e também os trabalhos de ilustrador. Dá uma boa conferida no que ele fez pra nossa campanha de Unisinos, que ficou um troço muito massa.

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O Ian Brown é tão preguiçoso, mas tão preguiçoso, que até nessa música nova ele deu um jeito de usar um pedaço grande de uma letra de outra música dele, So Many Soldiers… mas Ian Brown é Ian Brown e eu sempre adoro esse jeito malemolente de cantar e de conduzir o som… a cançoneta tem participação da Sinead O’Connor e foi lançada num site aí desses contra a guerra, esses troços, sabe?

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Era isso. Até segunda. Güentaí.

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