OEsquema

Arquivo: Information Architets

Primeiro prognóstico de 2009: back to the basics

Frank Stella

É meio óbvio: depois da euforia, vem o coador. A crise que teve início com aquelas linhas de crédito falcatrua dos americanos não derrubou apenas gigantes do mercado financeiro, mas também abalou a idéia de gigantismo, abundância e festerê desenfreado. A sensação de “tudo pode” oferecida por ciclos de crescimento e alavancagem de capital no mercado internacional em uma escala nunca antes vista tiraram conceitos valiosos como “vamos com calma” e “não é bem assim” da pauta diária de muita gente.

Enquanto isso, na fronteira da França com a Suíça, neguinho ligou o Large Hadron Collider em busca de uma suposta partícula que explicaria como partículas sem massa podem ter massa. Pois é. Eu também não sei. Como a economia global e a paz no Oriente Médio, o LHC deu pau e só volta a funcionar lá no meio de 2009. Enquanto  isso, volta à luz, segundo o The Economist, a idéia de uma ciência mais baixo-guitarra-bateria, com menos recursos e mais esperteza, como a exercida por um pequeno laboratório de física de Yorkshire, que vai tentar provar sem tantas firulas o que o LHC não conseguiu. Não muito longe desse mesmo artigo, a revista também aposta toda pimpona no chamado microcrédito. A edição de “The World in 2009″ é colorida com essas tintas “minimalistas”. Tem nas bancas em português, edição em parceria com a Carta Capital.

Nada que não se descubra num papo com os parceiros. Fazer mais com menos é a saída óbvia para um planeta à beira do colapso que vem agindo como um adolescente. O Eduf elegeu 2009 como o ano da faxina. O Information Architects está começando seu web trend map do zero em vez de fazer em cima do de 2008. O Eduardo Paes vem de retroescavadeira pra cima da informalidade (que soa mais como espetáculo, não assino embaixo, mas não deixa de ser um sinal dos tempos). O Matias já apostou suas primeiras fichas do ano no The Pains of Being Pure of Heart, cuja audição lembra muito uma fita demo gravada em 92, praticamente uma faxina ao contrário: saem de cena as guitarras limpas e a grandiosidade, volta o “pisa no pedal e manda ver”. Sujar com menos também vale.

Vamos combinar: todo esse maximalismo vigente uma hora ia estourar. Ainda bem. Que venha por aí o ano Ramones.

2 Comentários

Blogs na Época

Enquanto alguns perdem um valioso tempo de suas vidas discutindo a validade ou não do conteúdo dos blogs, a Época vai lá e taca na sua capa os tais 80 Blogs que Você Não Pode Perder. Sagaz movimento da revista em vários aspectos. Primeiro, porque alinha sua imagem de marca a um inquestionável fenômeno contemporâneo, obrigação de qualquer revista semanal que não seja vista pelos seus leitores como um “confiável senhor de 60 anos”. Segundo, porque simplesmente abraça a ferramenta em vez de questioná-la munida de paradigmas empoeirados (desculpe a redundância). Terceiro, porque tem muita gente (muita gente) que ainda está tateando neste mundo e não custa nada dar um empurrão inicial.

Um blog (perdi o link, não achei mais!) observou que essa foi uma maneira muito esperta da Época colocar os SEUS blogs em evidência, colando-os a blogs que tem relevância e boa audiência. É uma excelente hipótese. Mas ainda assim achei interessante a iniciativa da revista, que provavelmente inspirou seu mapa dos blogs no trabalho da empresa japonesa Information Architets. Vale uma visita no Faz Caber, o blog dos designers da Época, que falam sobre a confecção do mapa da matéria.

Web Trends Map da IA.

E a curadoria? São os 80 blogs indicados pela Época aqueles que você não pode perder? Acho totlmente irrelevante discutir isso. Ali no meio estão alguns blogs que eu considero muito interessantes e inclusive visito com certa frequencia, bem como tantos outros que eu acho uma total perda de tempo, um desperdício de espaço em servidor e banda.

Mas o ponto é justamente esse: a beleza de se informar através de blogs é você montar o SEU grupo de “informantes”, do SEU jeito, seja assinando RSS, seja no Delicious, seja nos seus favoritos, seja LEMBRANDO das URLS e digitando diretamente. Você é seu próprio editor e mesmo que não se considere à altura do cargo ou não esteja interessado, com uma pesquisa rápida você encontra algum… blog que fazem esse papel nas mais diversas áreas de interesse.

A Wired e outros sites espertinhos vem decretando a morte do blog por conta do avanço do twitter e das redes sociais. Mas enquanto não aparecer uma boa forma de qualquer zé mané montar uma página pra dividir suas impressões ou suas referências com o mundo (interessem ela uma, dez, cem, mil ou cem mil pessoas), acho que os blogs vão se manter. Especialmente no Brasil. Países como os Estados Unidos ou a Inglaterra tem produtos em geral com ciclos de vida muito rápido. O Brasil é mais lento e não apenas por uma questão econômica, mas cultural. Tudo dura um pouco mais aqui. Latino feelings. Coisa boa. Não precisamos abraçar a velocidade irrefreável da cultura pop americana ou inglesa e suas manias de aposentar um fenômeno por semana pra fazer girar a máquina.

Depois acontecem os supbrimes da vida e ninguém sabe por quê…

Aliás, essa coisa de decretar a “morte do blog” é um péssimo resquício do passado. Há pouco, minha mulher me alertou pra um editorial de uma revista feminina que dizia algo como “aposente sua calça assim assado”. Não existe coisa mais anacrônica do que “decretar a morte” ou o “nascimento” de algo com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, com tantas possibilidades e tanta liberdade para as pessoas escolherem como e quando vão consumir conteúdo.

Morte à essa mania de decretar a “morte” das coisas. O “já era” já era. Ou não era?

6 Comentários

Quitutes para o feriadão – com adendos

Não sei quanto a você, mas eu sempre gosto de ter à mão uma fontezita megacool tipo a PingMag. Bom, outra que me surgiu por intermédio do Migrante Digital foi a Monocle. Eu ainda não tive tempo de explorar tudo, mas é aquela coisa: “global affairs” com um pé no design e na arquitetura (eu ando bem interessado em arquitetura), cultura não tão pop um pouco metida à besta mas bem instrutiva e, acima de tudo, bem embalada.
Enfim. Confere a Monocle lá.

***

Por falar nisso, o blog Migrante Digital entrou para meu rol de informantes interessantes. Ainda mais que a titular do Migrante, Guta, está em Nova Iorque mandando notícias. E tem uma amiga enviando posts da China também. Vale dar uma conferida.

***

Estou acompanhando meio de longe todo esse fandango em torno do iPhone. Mas esse post aqui no blog do Information Architets me chamou a atenção. Primeiro por identificar um “brand crime” da Apple. Segundo porque o post “chama” pra uma interação com a tela do teu computador. Fazendo o teste, tu acaba acreditando no post deles. Terceiro porque eu adoro essas coisas de design de informação. Tenho até medo de ler mais sobre o assunto e estragar meu encanto ingênuo com essas coisas.

***

Eu falei lá embaixo dos meus flickr/fotologs prediletos e esqueci de colocar o do Sapo, um grande parceiro. Já citei aqui no blog, ele e mais uma galera andam inventando coisas interessantes na galeria Subterrânea aqui em Porto Alegre, dando uma chacoalhadinha geral. No Flickr dele tem os trabalhos artísticos e também os trabalhos de ilustrador. Dá uma boa conferida no que ele fez pra nossa campanha de Unisinos, que ficou um troço muito massa.

***

O Ian Brown é tão preguiçoso, mas tão preguiçoso, que até nessa música nova ele deu um jeito de usar um pedaço grande de uma letra de outra música dele, So Many Soldiers… mas Ian Brown é Ian Brown e eu sempre adoro esse jeito malemolente de cantar e de conduzir o som… a cançoneta tem participação da Sinead O’Connor e foi lançada num site aí desses contra a guerra, esses troços, sabe?

***

Era isso. Até segunda. Güentaí.

1 Comentário