7 de janeiro de 2009 às 8h30
Primeiro prognóstico de 2009: back to the basics
É meio óbvio: depois da euforia, vem o coador. A crise que teve início com aquelas linhas de crédito falcatrua dos americanos não derrubou apenas gigantes do mercado financeiro, mas também abalou a idéia de gigantismo, abundância e festerê desenfreado. A sensação de “tudo pode” oferecida por ciclos de crescimento e alavancagem de capital no mercado internacional em uma escala nunca antes vista tiraram conceitos valiosos como “vamos com calma” e “não é bem assim” da pauta diária de muita gente.
Enquanto isso, na fronteira da França com a Suíça, neguinho ligou o Large Hadron Collider em busca de uma suposta partícula que explicaria como partículas sem massa podem ter massa. Pois é. Eu também não sei. Como a economia global e a paz no Oriente Médio, o LHC deu pau e só volta a funcionar lá no meio de 2009. Enquanto isso, volta à luz, segundo o The Economist, a idéia de uma ciência mais baixo-guitarra-bateria, com menos recursos e mais esperteza, como a exercida por um pequeno laboratório de física de Yorkshire, que vai tentar provar sem tantas firulas o que o LHC não conseguiu. Não muito longe desse mesmo artigo, a revista também aposta toda pimpona no chamado microcrédito. A edição de “The World in 2009″ é colorida com essas tintas “minimalistas”. Tem nas bancas em português, edição em parceria com a Carta Capital.
Nada que não se descubra num papo com os parceiros. Fazer mais com menos é a saída óbvia para um planeta à beira do colapso que vem agindo como um adolescente. O Eduf elegeu 2009 como o ano da faxina. O Information Architects está começando seu web trend map do zero em vez de fazer em cima do de 2008. O Eduardo Paes vem de retroescavadeira pra cima da informalidade (que soa mais como espetáculo, não assino embaixo, mas não deixa de ser um sinal dos tempos). O Matias já apostou suas primeiras fichas do ano no The Pains of Being Pure of Heart, cuja audição lembra muito uma fita demo gravada em 92, praticamente uma faxina ao contrário: saem de cena as guitarras limpas e a grandiosidade, volta o “pisa no pedal e manda ver”. Sujar com menos também vale.
Vamos combinar: todo esse maximalismo vigente uma hora ia estourar. Ainda bem. Que venha por aí o ano Ramones.











Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
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