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O dna dos sites mais acessados do mundo

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Segundo o portal de medição Alexa, Google, Facebook e YouTube foram os 3 sites mais visitados do mundo no último mês. Por mais que essa informação tenha cara de óbvia e possa despertar bocejos, acho irresistível dar um passo adiante e perguntar: não é fascinante que os 3 sites mais visitados do mundo sejam também manifestações claras da cultura americana, do seu projeto de poder e do seu apelo sedutor sobre o planeta?

O Google é um ótimo exemplo. Ele é a versão digital do arquétipo do explorador americano. Como o caubói e o astronauta, seu campo de ação é um tipo de oeste selvagem ou de espaço sideral. O buraco negro dos links da internet é o horizonte infinito no qual ele mergulha em missão civilizatória munido de coragem, sagacidade e tecnologia. E, como bom herói, nunca volta de mãos abanando. Vem pra casa em segurança, trazendo algo que faça sentido da imensidão e nos contando da aventura perigosa com um sorrisinho no canto da boca e uma tirada bem humorada. Pensando bem, é impressionante que o Google não tenha sido fundado pelo Clint Eastwood.

O Facebook é a mesma coisa. A rede social mais famosa do sistema solar corporifica a obsessão americana por construir e investigar celebridades de forma sistemática e escalonável. Aplicando conceitos da física quântica ao universo das revistas de fofoca, o Facebook permite que a gente seja celebridade e paparazzi simultaneamente, inclusive que a gente se torne celebridade sendo auto-paparazzi ou se torne paparazzi porque nossas próprias fotos ficaram célebres. As combinações dessa equação são infinitas, enlouquecedoras e tão americanas quanto a ideia de que você pode – e deve – aquecer a economia de um país criando um estilo de vida baseado na vida de celebridades.

O YouTube segue um padrão parecido. A influência dele corresponde à influência do cinema dos Estados Unidos sobre a cultura mundial. Apesar de ter sido os franceses que criaram o cinema, foram os americanos que criaram uma cultura popular de cinema: a paixão pela imersão em uma tela, pela ação cadenciada, pela história contada em uma estrutura previsível de três atos, pela iconografia que transborda das telas para as lojas. Com o YouTube, aconteceu algo parecido, em direção contrária – foi a vida que passou a transbordar de volta para as telas. Mas a contaminação já havia acontecido, pois o incauto que empunha a câmera do celular há décadas já vem com horas de linguagem de cinema & TV embarcada na própria mente.

Se todos nós levamos para o resto da vida as impressões mais fortes da infância, não ia ser diferente com a internet. Ela nasceu americana e, mesmo que tenha já saído da casa dos pais há horas, carrega por aí os genes e os maneirismos que absorveu nos primeiros anos de vida. Claro que esperamos que ela se beneficie do que está aprendendo com seus giros pelo mundo, se torne realmente mais democrática culturalmente. Mas nunca se sabe. Há quem diga que, na medida em que envelhecemos, vamos ficando ainda mais parecido com nossos progenitores. Só falta mesmo é a gente, daqui uns anos, ter que conviver com uma internet americana velha, republicana, ranzinza e conservadora.

Tomara que a internet faça terapia.

***

Imagem: San Jose Library

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A história da internet em pictogramas

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Entendeu a internet ou quer que desenhe? A designer alemã Melih Bilgil desenhou pra gente – e animou – a partir de pictogramas desenvolvidos para um trabalho de conclusão de curso:

Revisitar a origem da internet vista por um olhar mais esquemático e não tão cultural talvez ajude a dar um pouco mais de perspectiva para esse período bastante conturbado que estamos vivendo no uso da rede aqui no Brasil. Claro que nem tudo na vida são tubos e conexões, mas entender o sistema de encanamento ajuda a entender como e porque as pessoas usam “a água”.

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Carta aberta da TV à Internet

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Querida Internet

Quem lhe escreve aqui é a TV, aquela tela maior que fica ali na sala. Sei que você não me tem em muito boa conta, que está cheia de compromissos e não pode gastar seu valiosíssimo tempo, tão disputado e fragmentado, com quem já está por aí há muito tempo. Ainda mais eu obrigando você a abrir um envelope e ler uma carta de papel. Mas esse foi justamente o subterfúgio que encontrei pra chamar e prender sua atenção. Quem sabe uma carta de papel lhe cause tanto fascínio que, antes que você desperte do choque, já leu minha mensagem inteira – muito embora ambos saibamos que executar tarefas inteiras não é sua especialidade. Kkkkk. (Não é assim que você ri?)

Me desculpa se já comecei sarcástico (são as reprises de Seinfeld…), mas na verdade meu contato é para fazer alguns agradecimentos e trazer alguns alertas de quem já passou por alguns desafios que você está enfrentando.

Primeiro, os agradecimentos. Obrigado por tirar os pais, médicos e religiosos fundamentalistas de cima de mim. Você não sabe o inferno que era a minha vida com essa gente antes de você chegar. Logo que surgi, assim como você, me tornei o centro das atenções domésticas, o que causou muito ciúmes por aí. As crianças, sempre prontas para abraçar a vanguarda, me adotaram de tal forma que muitos pais espertinhos passaram a me usar de maneira vulgar e exagerada para não precisar cuidar e educar os seus filhos. Bem, talvez eu esteja sendo também vulgar e exagerado, pois na verdade acabei sendo a solução para todo um novo contexto urbano que não necessariamente era responsabilidade dos pais. Alguns trabalhavam tanto e moravam em lugares tão pouco amigáveis que restava às crianças sentar na minha frente por horas e horas para passar o tempo. De qualquer forma, a culpa recaiu sobre mim e me arrumaram até um apelido hoje ultrapassado e usado para um outro eletrodoméstico: babá eletrônica.

Quanto aos religiosos fundamentalistas, você não sabe a loucura que foi. Primeiro, fui acusada de ser um instrumento do diabo por abrir a cabeça das pessoas para toda uma forma de cultura popular que mexeu com costumes tradicionais. Alguns sacerdotes mais exaltados chegaram a fazer exorcismos comigo! Ironicamente, isso não durou muito tempo pois esses sacerdotes rapidamente se deram conta que eu poderia ajudá-los com seus interesses e, antes que eu pudesse perceber, estava possuída por eles! Isso dura até hoje e não pára de crescer! Agora sim, chamem o exorcista, por favor! Kkkk!

Mas chega de falar de mim. Sei que você está passando por algo bastante parecido. Os primeiros 20 anos de holofotes são assim, intensos, vertiginosos. Nós não fomos os primeiros a serem execrados. O rádio, que ainda está por aí, inclusive eu sei que vocês tem andado bastante juntos, enfrentou as mesmas questões. O cinema, a fotografia e a imprensa também. Imagine você que numa das primeiras sessões de cinema da história, que mostrava o filme de um trem em movimento, as pessoas saíram correndo da sala achando que o trem era de verdade. Fala sério, nem eu nem você passamos por algo tão pitoresco…

Tenho acompanhado o noticiário (claro) e volta e meia surgem matérias sobre os perigos de usar você: dizem que a capacidade de concentração das dessoas está sendo afetada, que a sua informação é menos confiável, que você ameaça o sistema clássico de direitos autorais, que acabou com a indústria fonográfica e que vai acabar com o cinema! Hmmm, tá poderosa! Kkkk! Pois esse é justamente o principal segredo da nossa profissão – conferem a nós um poder que não é nosso. Embora eu também esteja impressionada com o que você vem fazendo de positivo (a democratização do conhecimento, a conexão de nichos culturais que estavam isolados geograficamente, a possibilidade de mobilização cultural e política e, o mais importante, os filmes dublados do Jerry Lewis circulando por aí), os responsáveis por tudo isso são as pessoas. Não importa o quanto coloquem o peso sobre nós, são elas que mexem os cordões. Falo isso como amiga, porque estou vendo que você anda se achando e, experiência própria, quando subimos no salto o tombo é muito maior. Olha o que o rádio passou nos últimos anos pra recuperar a auto-estima depois de décadas de protagonismo. Aliás, sei que você tem ajudado muito ele e é bonito isso – porque um dia você pode precisa de ajuda.

Talvez esse dia nem esteja muito longe. Só pra dar um exemplo, se eu não estivesse passando tanto seriado bom hoje em dia, se eu não fosse capaz de reunir tanta gente pra ver futebol ao vivo e se alguns autores de novela não gostasse tanto de mim, talvez as pessoas não tivessem tantos motivos pra usar você. Porque vídeo de gatinho e de bebê fazendo gracinha é legal, mas não a vida toda. Ok, SEGUNDA tela? Ops! Escorreu veneno aqui… Kkkk!

Mas não vamos terminar a carta num clima ruim. No fim das contas, estamos todas no mesmo barco. TV, internet, fotografia, cinema, pintura… acaba que tudo se mistura e é justamente quando a gente se encontra que a coisa fica interessante. Embora hoje eu tenha minha própria personalidade, você não imagina o quanto eu devo ao rádio, ao teatro e ao cinema. Sem eles, eu nem teria começado nesse negócio. Também aproveito pra lembrar que todas nós devemos muito à escrita. No fim das contas, é ela que nos deixa mais instigantes, é ela que nos estrutura, é ela que ainda consegue, em pleno ano de 2013, fazer alguém parar por um pouco mais de tempo e devotar sua atenção a uma coisa tão antiga quanto uma carta.

Cordialmente,
TV
(a PRIMEIRA tela! Kkkk não resisti!)

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Chegou a vez do pontocom virar passado

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E quando parecia que a internet não podia ficar mais complicada, vem aí no meio do ano o lançamento dos novos Domínios de Topo Genérico. Ou, pra ser mais popular, os novos “.com”. Já estão em processo de aprovação final pelo ICANN, o órgão mundial que regula esse tema, as primeiros das quase 2.000 novas terminações que foram solicitados por grandes empresas globais e por investidores do mundo digital. Pra se ter uma ideia, hoje existem cerca de 22 DTG (.com, .org, .edu etc). Esse número vai pular pra quase 1500 entre 2013 e 2014. Estive ontem pela manhã num evento do escritório  Silveiro Advogados aqui em Porto Alegre pra ouvir o Rodrigo Azevedo falar sobre as complexas questões que surgem para empresas e usuários a partir dessa inovação que vem sendo pouco comentada pela mídia brasileira. Rodrigo é especialista em Propriedade Intelectual e Tecnologia da Informação e Árbitro da World Intellectual Property Organization.

Com essa novidade, quem for aprovado no rigoroso e caríssimo processo (os custos jurídicos e tecnológicos de entrada ficam em torno de 500 mil dólares) não precisará mais registrar seus sites sob a bandeira .com, mas poderá trabalhar com os próprios Domínios de Topo Genérico. Isso significa que os detentores dessas extensões também se tornarão registradores de domínio. Por exemplo, a Nike, uma das solicitantes de fato, não precisará mais operar sob a designação nike.com, mas hospedar todos seus produtos, serviços e ações sob o guarda-chuva .nike. Assim, em vez de Nike.com/futebol ou nikeplus.nike.com, teremos apenas futebol.nike ou nikeplus.nike. Além disso, a Nike também poderá oferecer a parceiros ou clientes essa extensão Podemos pensar em possibilidades como um acordo com a CBF para a criação do selecaobrasileira.nike ou uma promoção com clientes finais que me permitiria criar um site gustavomini.nike. Isso tudo implica, ressaltou Rodrigo, não apenas em deter o DTG, mas também em ter a capacidade tecnológica, financeira e jurídica de operá-lo.

O vídeo abaixo, do .NXT, site especializado no assunto, explica de forma clara e visual essas questões:

Obviamente, isso também é uma porta aberta para uma explosão de fraudes digitais. Rodrigo iniciou a apresentação comentando a prática de cybersquatting, que é quando alguém se apropria de um domínio com a intenção de tirar proveito de marcas célebres em cima da distração ou da falta de conhecimento de usuários. Dê um pulo em Voe Tam, por exemplo, um site criado especificamente para se aproveitar do viajante menos experiente no ambiente digital, que em muitos casos acabará clicando em anúncios relacionados ao tema da marca sequestrada. O dinheiro obtido com esses cliques fica para o criador da página mal intencionada.

O mais preocupante é que o cybersquatting hoje já não é mais uma atividade artesanal de meia dúzia de hackers a fim de tirar um troquinho, mas sim uma poderosa indústria de compra de domínios e construção de páginas como essa em um processo totalmente automatizado, feito integralmente por softwares-robôs. A velocidade e a escala do cybersquating já é impressionante e deve se multiplicar com a ampliação do número de DTGs. Outro dado interessante é o fato de que existem também empresas especializadas em comprar domínios relacionados a grandes mercados e gerar páginas com anúncios correlatos. Nesse caso, esses sites não querem se aproveitar de propriedades intelectuais alheias, mas eventualmente seus robôs constróem páginas automáticas usando termos que se aproximam de marcas consagradas e podem acabar enfrentando problemas jurídicos.

Mas o cybersquatting está longe de ser a única via para críticas a esse novo processo. As principais falas opositoras, na verdade, acusam o ICANN de estar querendo criar um novo mercado bilionário para profissionais de marketing e do direito, além de se afastar da origem de gestor técnico dos domínios da internet para entrar no âmbito da política e da economia internacionais. Isso que nós nem entramos no assunto da revisão do conceito de direitos autorais clássicos, do conceito de copyleft e aí por diante.

E o que isso tudo significa para a maior parte de nós? Ainda não se sabe bem. A explosão de novos domínios, ao que tudo indica, é um jogo de cachorros grandes: Google, Amazon, o governo da Suíça, a Globo, a Natura, a Ipiranga e a Heinz, são alguns dos nomes mais conhecidos que investiram milhares e milhares de dólares na compra de novas extensões. Ou seja, é possível que o poderio econômico desses players empurre a internet global na direção de uma fragmentação na forma como entendemos o uso de endereços hoje, o que deve acarretar mudanças e inovações nas áreas de tecnologia, legislação e marketing. (Veja aqui as empresas solicitantes classificadas por país)

Segundo Rodrigo Azevedo, o Google botou dinheiro na mesa para tentar comprar a extensão .search. A Heinz quer adquirir a extensão .ketchup, o que está sendo questionado do ponto de vista do monopólio – ela pretende liberar o uso para Hellman’s mais adiante? Pode criar um site bad.ketchup falando da Hellman’s? Mais complexo ainda é o caso da Amazon, que pleiteia as extensões .amazon e .book. Rodrigo acredita que a gigante do varejo americano não deve ganhar essas sob pena do ICANN acabar prejudicando assuntos de interesse público. De qualquer forma, a gente bem sabe como se comportam as megacorporações mundiais em assuntos desse porte, então essa história ainda vai render muito – dinheiro e folclore.

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Curso Rápido sobre o Marco Civil da Internet

Em meia horinha, o pessoal do Multiponto (da UFRGS) oferece uma visão panorâmica sobre o principal projeto de lei que pretende servir de referência para os direitos e deveres do cidadão, Estado e empresas no uso da minha, da sua, da nossa querida rede mundial de computadores. No cut+paste, tem o olhar de advogados, políticos, ativistas digitais e um povo ligado à tecnologia. Vale o play.

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TV did not kill web stars

Esse comercial da Vostu com a Ivete é o mindfuck definitivo do marketing digital brasileiro. Há anos que artigos em revistas e sites especializados, bem como palestras evangélicas, vem detonando a televisão como um meio válido de publicidade. Anunciar na TV, para fundamentalistas digitais, é símbolo de incompetência. É tiro de canhão, desperdício, furto qualificado, diz-se. Não é preciso verba de mídia nem celebridades, o consumidor é a mídia, o que é bom viraliza-se naturalmente, declama-se.

Mas, tu vê só, o mundo dá voltas. Não defendo este ou aquele meio, vivo e trabalho em cima do muro (é de onde se tem a visão geral das coisas). Mas não deixa de ser engraçado ver empresas ícone do mundo digital experimentando um pouco com o mais (nos últimos tempos) mal falado dos meios. Dito isto, reforço: faz absoluto sentido a Ivete vendendo Megacity na TV (ainda que fechada, não vi na aberta). Ivete, TV e jogos sociais, é tudo mainstream. E brasileiro, pelo que sei, gosta de coisa mainstream. Cauda longa é consequência de mercados estabilizados e economicamente maduros, penso.

Mas o Ivete/Megacity não é a única. Desde o ano passado que a TV fechada vem sendo invadida por comerciais de empresas “da web”. Começamos pela mais recente, do Mercado Livre, que por sinal tem comerciais muito bacanas e um posicionamento espertíssimo:

E a Netshoes? Diz em alto e bom tom que “Você nasceu digital” e ela também.

O comercial do Chrome, sim, passou na Globo ano passado. Nada como um comercial da maior empresa digital do mundo passando no canal (ainda) mais visto do Brasil. Junção de canhões.

(Diga-se de passagem, em outubro de 2010 eu estava nos Estados Unidos e vi o Google anunciando a sua rede de conteúdo, seus banners, em página quádrupla no The New York Times – o autêntico cross-media.)

Um dos meus prediletos é o do Groupon (também do ano passado), porque ele explica o conceito de compras coletivas e define como “a nova febre da internet”:

O do SaveMe também é bem didático:

O do Buscapé vai um pouquinho mais longe:

No setor dos “regionais” e dos comerciais mais baratinhos, tem o Vaquinha Vip:

Esse do Peixe Urbano, por sua vez, é um deleite de subtexto e metalinguagem: a TV usada no fim do comercial é uma bem antiga, ainda por cima chamada pelo peixe de “aquário”.

Por último, um merchandising do Club Penguin no Disney Channel com direito ao apresentador vestido a caráter para uma festa medieval que iria acontecer dentro da rede social infantil da Disney, o popular e incrível Club Penguin.

Conclusão da história 1: se você trabalha com mídia, não precisa mais ter medo. TV está deixando de ser palavrão (como comentei aqui, gostar de TV é/já foi usado em alguns círculos pra ofender alguém).

Conclusão da história 2: em termos de cultura digital, é melhor sentar e ver a bagunça acontecer (e assentar de tempos em tempos) do que ficar bravateando por aí.

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Minimalismo das últimas semanas

Por motivos de correria maior, não tenho postado os links dos programinhas que faço pra Oi FM. Mas tá registrado lá no blog da Oi. Tem um pouco de tudo: eu falo sobre radinho de pilha, pilha de livros não lidos, língua inglesa, crowdsourcing, exagero nos reviews online, SMS, internet no Brasil, coisas de graça, réplicas sociais, energias alternativas, e por aí va.

Se você quer ler ou escutar tudo, é só clicar aqui.

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Numerofilia

Ninguém mais tem dúvida do quanto as redes sociais estão mexendo no jeito como a gente está construindo os nossos laços de amizade ou de contato profissional. O curioso é começar a notar os novos hábitos e as novas perspectivas que surgem com o uso continuado dessas ferramentas.

Por exemplo, é pouco provável que antigamente as pessoas contassem com precisão o número de amigos, ainda mais de conhecidos. Hoje, por outro lado, nós temos à nossa disposição uma contabilidade diária da quantidade de pessoas ligadas a nós, mesmo que virtualmente. Mais do que isso, a gente sabe exatamente quantas fotos temos online, quantas pessoa viram nossos vídeos e ainda podemos conferir no Facebook quantos declararam gostar de um comentário.

No fundo isso é uma reação bastante humana a antigas e profundas questões: quando fica difícil explicar certas relações e sentimentos em palavras, rapidamente nós começamos a apelar para os números.

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Post inspirado num dos programetes Minimalismo que eu faço pra Oi FM.
Todos os dias às 9h30 e às 13h45 no seu rádio ou na webradio.

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Técnicos

Existe uma antiga expressão no futebol que diz que o Brasil é um país com 190 milhões de técnicos de tanto que brasileiro gosta de palpitar. Com a internet, essa expressão extrapolou o âmbito do futebol e o próprio Brasil.

Hoje, como todo mundo pode dar sua opinião na rede sobre qualquer assunto e ainda virar uma autoridade em pequenas comunidades, podemos dizer que a Terra virou um planeta com bilhões de técnicos de futebol, críticos de cinema, entendidos em vinho, comentarista de gastronomia, mestres em segurança público e por aí vai.

A democracia da internet transformou o mundo numa grande mesa de bar. E, como toda mesa de bar, ela está lotada de especialistas.

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Post inspirado num dos programas Minimalismo que eu fiz pra Oi FM.
Pra ver outros textos relacionados ao programa, vá por aqui.

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Multi

Hoje, quando se fala em conteúdo multimídia, logo a gente lembra de coisas como as notícias na internet, aquelas que trazem texto junto com vídeos, fotos, gráficos em 3D, áudios, essas coisas. Mas não é só o mundo da informação que está assim. As relações pessoais também estão se tornando mais… multimídia.

As amizades, os amores e os laços familiares hoje contam com uma série de anexos como fotos de celular, vídeos de câmeras digitais, mensagens de SMS, emoticons do MSN, perfis no Orkut, enfim, toda uma variedade de expressões digitais brilhantes, pulsantes e feitas de pixels, que já estão ajudando a contar e enriquecer a nossa biblioteca sentimental.

Haja HD pra tanta coisa…

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.

Pra ver todos os textos, vá por aqui.

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Internet = urbanização

O grande sonho de quem navega na internet é ter uma conexão rápida e encontrar sites fáceis de explorar.  No dia-a-dia, a rotina é bem diferente, recheada de serviços lentos, sites complicados e links quebrados. O vale que existe entre vontade e experiência acaba gerando um acúmulo de pequenos momentos estressantes com novas tecnologias. Mas talvez uma parte considerável dos desencantos cotidianos que acompanham interações digitais seja fruto, simplesmente, de idealizações.

A evolução da internet em países como o Brasil segue mais ou menos as regras da urbanização. Existem muitos planos e muitos desejos, mas, no fundo, por muito tempo a gente vai ter que conviver com a versão digital dos engarrafamentos, das calçadas imperfeitas, das ruas esburacadas e dos bairros degradados.

A vida digital, queiramos ou não, também é vida.

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.

Pra ver todos os textos, vá por aqui.

Essa van bacana aí eu achei aqui.

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Scanners

O scanner é um dos grandes responsáveis pela tradução de trilhões e trilhões de documentos físicos pra linguagem dos softwares. Ele é hoje um tipo de diplomata entre o mundo analógico e digital. Mas esse momento de estrelato do scanner não vai durar pra sempre.

Ao longo das próximas décadas a necessidade de escanear documentos talvez diminua lentamente. Ou porque muitos documentos já terão sido escaneados ou porque muitos já virão em formato digital. Não é que o scanner vá sumir. Mas como acontece com aparelhos e celebridades em uma época de tecnologia acelerada, não é realista ficar se achando por muito tempo.

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi  FM.

Pra ver todos os textos, <a href=”http://www.oesquema.com.br/conector/category/minimalismo”>vá por  aqui.</a>

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Web Crash 2007

Vídeo do The Onion sobre o grande pau da Internet em 2007, quando um carinha com 35 janelas abertas ao mesmo tempo fez a web entrar em colapso…

Dica do leitor George. Pesquei lá dos comentários do meu post sobre o que aconteceria se a internet ficasse fora do ar por um tempo…

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Linear

Recomendação: o Trasel escreveu um post interessante sobre a importância da linearidade no processo educativo. Bom… pedagogia DEFINITIVAMENTE não é algo que eu possa comentar com consistência, mas o que me cativou no texto do Trasel é o tom “epa-calmalá” no que diz respeito a surtos gerais do tipo “GENTE, OS JOVENS SÃO MULTITAREFA, PRECISAMOS REMODELAR O MUNDO AO REDOR PRA QUE SEJA MULTITAREFA SENÃO FICAREMOS PARA TRÁS.”

(Comentei também algo sobre isso nesse post recente.)

Enfim. Criou-se, nos últimos anos, a idéia de que o distúrbio de atenção é uma criação das mídias digitais. E, embora elas colaborem pra isso, faz bem o Trasel em lembrar que “Os alunos atuais não se dispersam porque a Internet os acostumou a começar uma busca procurando por dados sobre a extensão do Rio Amazonas e terminar tendo frio na espinha ao ler notícias sobre pessoas atacadas pelo candiru. Eles se dispersam porque nossa mente é dispersiva e a Internet é uma reprodução técnica desse caráter hipertextual do pensamento.”

Nos comentários, teve gente que gentilmente discordou e trouxe um outro ponto de vista. Mas no geral eu tendo a concordar com o Trasel pois no meu entender ele colocou a questão da educação ocidental como um lembrete de equíbrio em meio ao alarmismo e não como uma verdade definitiva. Aliás, o ponto dele, se eu bem entendi, não é fazer uma apologia da linearidade mas ressaltar que não precisamos sucumbira a essas reações exageradas no que diz respeito às novas formas de consumo de mídia, achando que tudo na pedagogia contemporânea precisa ser jogado fora de uma hora pra outra.

Como diria um sábio da antiguidade: calma, calma, não priemos cânico.

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Identidade

A pesquisadora e jornalista inglesa Aleks Krotoski está investigando a relação entre a identidade das pessoas dentro e fora da internet. O mito que se criou em torno disso é que muita gente inventa um personagem quando cria um perfil digital, aumentando algumas qualidades e reduzindo defeitos. Mas o que o estudo da Aleks está descobrindo é que cada vez mais as identidades digitais refletem a identidade da pessoa fora da rede.

Ou seja, lentamente estamos amadurecendo na construção das nossas relações online, e descobrindo que não podemos fugir de quem realmente somos nem mesmo no tal “mundo digital”. A fuga não esconde nossos traços. Apenas, de um jeito indireto mas geralmente flagrante para olhos atentos, os reforça.

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A imagem acima é do set do Flickr de desenhos feitos no iPhone pelo incrível José Carlos Lollo.

E o texto do post é inspirado num dos Minimalismos que eu faço pra Oi FM.

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7 coisas que eu espero que SUMAM das palestras de publicidade em 2010

Freqüentar palestras de publicidade, nos últimos, digamos, quatro ou cinco anos, têm sido desafiador para a paciência. Mesmo em eventos de porte, como o Festival de Cannes, é comum a sobreposição de assuntos e exemplos, de forma que no terceiro dia você já começa a ter intensas experiências de déjà vu, para não falar de desagradáveis flashbacks nas semanas seguintes.

Ok, os mais radicais vão me lembrar que festivais de publicidade não são lugar de novidade, novidade MESMO. Ainda assim, acho que a coisa está um pouco demais. O que posso fazer, além de tentar evitar esses assuntos e exemplos nas minha eventuais palestras, é compartilhar uma singela e sincera listinha com os temas que, sugiro, deveriam ser sumariamente DELETADOS desses encontros.

Vamos lá.

1. O consumidor está no poder.

Caso ninguém tenha percebido, o consumidor sempre esteve no poder. Agora ele só tem um megafone na mão. Megafone esse que será usado para gritar bem pertinho no ouvido dos palestrantes de publicidade: NÃO-PRECISA-MAIS-REPETIR-ISSO.

2. A internet veio para ficar*

Sério? Há controvérsias. O senhor de 112 anos que mora num casebre atrás do sítio do primo do meu amigo sem luz, telefone e água encanada acha que a internet é um modismo. Então talvez ainda vejamos alguns palestrantes por aí pregando desnecessariamente que “a internet é uma revolução sem volta”.

3. A criatividade pode vir de qualquer lugar

Frase muitas vezes dita com gosto por executivos que não sabem como coordenar suas equipes e pra quem entregar determinados trabalhos. Tira a responsabilidade das costas de muita gente e por isso espero que em 2010 ela suma das palestras de publicidade e quem sabe vire assunto de gestão no HSM Expo Management.

4. Quem não inovar, está morto.

A frase mais dita por gente sem imaginação nos últimos 200 anos. E ainda é mentira: muita gente que não inova está vivo, bem como muitas marcas e empresas. A quem duvidar, recomendo que leia a matéria sobre os Biscoitos Globo na revista Piauí número 32. E tem mais, mesmo que fosse verdade, a frase já cansou. É antiga, retrógrada e exclusivista.

5. A força do boca-a-boca

Outra incrível descoberta dos últimos tempos: o consumidor acredita mais no seu amigo de infância do que num comercial de televisão com um ator que mal chegaria perto dele dizendo frases elogiosas porque foi muito bem pago por uma multinacional com doze milhões de funcionários que investe um bilhão de dólares em publicidade pra tentar convencê-lo de que aquele amontoado de produtos químicos perigosos são um sabonete que faz bem pra pele. E você ainda se surpreende que as pessoas confiam mais na indicação de amigos? Chega né?

6. Não existe diferença entre o mundo online e offline

Existe sim. Ninguém na vida real (fora o Roberto Carlos) tem tantos amigos e vê tantas fotos deles quanto no Orkut. O mundo online e o mundo offline tem diferenças importantes e essa frase não só vem sendo repetida à exaustão como não foi pensada direito pela maior parte das pessoas que a repetem. O que não foi bem pensado, é melhor que caia fora do PPT.

7. A verdadeira agência de publicidade é on e off.

Primeiro você monta uma agência assim. Daí você constrói um bom número de cases sólidos dentro desse escopo com clientes de porte. Em seguida, você mantém essa filosofia por no mínimo 3 anos. Não, 5. Aí, só aí, você coloca essa frase na palestra.

Obrigado.

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Ah: aceito colaborações para uma segunda lista.

***

Créditos dos desenhos na ordem: Robert Crumb, Allan Siber,Will Eisner, Rafael Sicca, David Mazzuchelli, Jano, Fábio Zimbres.

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* “A internet veio para ficar” is a trademark registered by Joviano Quatrin.

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A vida (hoje) sem internet

“Arô?”
“Quem fala?”
“Sô eu, mané.”
“Ô, Jamil! Fala, mano. Como tá aí no sul?”
“Firmeza. Na buena. E tu?”
“Tudo certo. Que que manda?”
“Cara, só liguei pra te contar um lance. Tu já viu o vídeo do Lula dançando em cima dum prédio?”
“Lula dançando? Não, não… do que você tá falando?”
“Cara, é muito engraçado! Tu precisa ver isso! O Ramiro, de Recife, me mandou pelo Correio um DVD com um monte de vídeos caseiros. Um bem engraçado, uma montagem com o Lula dançando Daft Punk. Tipo… a trilha é o Daft Punk. Aí tem um cara dançando vestido de terno e gravata. Mas, tipo… dançando bem. Dançando bem mesmo. Só que os caras colocaram…. tipo… trocaram a cabeça do Lula, quer dizer… a cabeça do cara… e botaram o rosto do Lula no lugar.”
“Ahn…. sim… parece…”
“Sei que parece tosco, mas é super bem feito. Cara, é muito engraçado. Tu precisa ver isso. Ele fica dançando… mas dançando legal, mais do que o Lula de verdade dançaria. E é tipo um heliporto, tem uma paisagem massa atrás. Um troço muito louco. Bem legal. Bah, eu precisava te mostrar isso. Não vai passar na TV.”
“Mano… faz o seguinte. Me faz uma cópia disso e me manda por registrada. Demora, mas pelo menos chega aqui.”
“Beleza. Vou fazer o seguinte. Vou te mandar umas seis cópias, aí tu pode dar aí pros teus amigos.”
“Posso chamar o pessoal aqui em casa pra uma cerveja e daí mostro pra todo mundo.”
“Mas tem aqueles teus parceiro de Boa Vista e o carinha aquele de Cuiabá…”
“Tá, tá certo. Me manda uns oito DVDs que eu repasso pra eles, mando daqui.”
“Beleza. Depois me manda uma carta ou me liga pra me dizer o que tu achou.”
“Combinado. Abraço.”
“Outro.”

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Imagem: Spudnik.

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A internet e a lógica do barzinho

Esses dias vi um anúncio na Folha de um portal de internet choramingando a diferença entre o montante da verba publicitária brasileira investida na rede em relação ao crescimento da audiência. Não lembro os números e tou com preguiça de pesquisar, mas era algo assim, tipo, o investimento era metade do que a internet tem de audiência. Em outras palavras, as escolhas de mídias de anunciantes e agências não correspondem ao gosto e escolhas dos mais de 60 mil brasileiros que vem acessando a web com certa frequência.

Mas entonces, se a matemática fecha (e no geral o marketing adora matemática mais do que humanas), por que diabos é que não se coloca MAIS dinheiro na mídia online? Em corredores de agências, esperas de palestras e papos informais em almoços, já ouvi as mais diversas opiniões. A maior parte delas, indignada com a ignorância do alto clero, acusa o alto clero simplesmente DESCONHECER a existência da internet. O que não acho verdade. Em segundo lugar, não menos acompanhado de virulência, vem a tese da idade: as pessoas que tem a chave do cofre, a mão na carteira, o titular do cartão, eles não acessan tanto a internet, por isso não são sensíveis a ela como mídia pra vender. Em terceiro, a boca pequena, corre a científica nota de que “são tudo um bando de imbecil”, argumento que, além de não ser prudente em termos políticos, não passa de mimimi e de fato não serve de base pra se construir soluções adequadas pro problema.

Um dia, entretanto, eu entrei na casa de um conhecido e vi no canto da sala a resposta pra questão da vasta diferença entre os investimentos em mídia online e o consumo de mídia online. Estava lá, ele, tocaidao, pronto pra nos atacar: O BARZINHO.

Lembro que, quando eu era criança, nos loucos anos 70, toda família tinha na sua sala um BARZINHO, com uísque, vermute, campari, vodka, licores diversos, alguma cachaça, além de copos, balde de gelo, aquele pegador em forma de garrinha e, o mais lúdico de tudo, aqueles mexedorezinhos de plástico, a versão brasileira do guarda-chuvinha que eu só via em filmes. Por décadas, o barzinho reinou na sala de estar de uma sociedade que aceitava abertamente formas brandas de alcoolismo. Nas novelas, nos filmes, nos seriados e na vida real, os destilados não eram apenas um elemento de celebração ou um afogador de mágoas, mas também fazia as vezes de cafezinho em reunião, relaxante muscular e acessório de gravata (ao menos na TV, não conheço ninguém que tenha conseguido afrouxar uma gravata sem um copo de uísque na outra mão entre 79 e 87).

Nos anos 90, o BARZINHO caiu em desuso. Talvez seja uma maior consciência da população em geral quanto à problemática onipresença do álcool no dia-a-dia, talvez seja simplesmente o ciclo de vida e morte aplicado a um elemento de decoração, mas o fato é que cada vez vejo menos casais e famílias jovens que detém um BARZINHO em casa. Os que ainda detém não o fazem porque precisam do BARZINHo, porque ele é uma espécie de pivô na vida social ou familiar, mas simplesmente… porque sim. Porque era assim na casa dos seus pais e que assim seja na sua casa, ainda que ninguém mais beba vermute, campari ou afrouxe a gravata quando chega em casa com um copo de uísque na mão (embora a Você S/A tente, os yuppies não venceram).

O BARZINHO não é eterno. Desde 1987 ele vem sofrendo seguidos revezes como elemento de mobiliário doméstico E profissional. É apenas uma questão de tempo para que o barzinho suma completamente do mapa ou ressurja transvestido de modernidade, provavelmente com uma pitada de nostaliga ou forte ironia, aí de forma mais inofensiva e totalmente integrado aos hábitos correntes.

Em suma: com a mídia online é a mesma coisa. O hábito de se investir mais em mídias “não-online” é muitas vezes apenas isso, um hábito. E como todos os hábitos, é difícil de ser mexido. Como o BARZINHO, a dissonância entre o investimento e o consumo de mídia online com o tempo vai simplesmente desaparecer. Gritar e espernear são as formas menos produtivas de se dissolver um hábito, muito embora seja catártico e às vezes divertido. Gente da velha guarda já viu de tudo nessa vida (olha que aconteceu coisa nesse meio publicitários dos últimos 40 anos) e não vai se impressionar com terrorismo de evangelizadores digitais. Então em vez de fazer cara de apavorado, reclamar da suposta ignorância alheia e tentar criar pânico, talvez o melhor seja oferecer calmamente a toda uma geração a oportunidade de sentar e poder afrouxar a gravata usando as duas mãos.

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Multiplicando o olhar do outro

Pois então. Alguém me mandou esse texto do Russel Davies na Wired.

Na primeira metade do artigo, ele compara a internet com a visão do espelho do hotel (hotel bom, né) quando você se posta em frente a ele cansado de uma longa viagem: a soma daquela luzarada toda e daquele espelho enorme resultam em uma ridícula cara de pastel murcho que apanhou consideravelmente de algumas conexões, horas em aeroportos ou turnos na poltrona apertada. O espelho do hotel (hotel bom, né) depois de uma longa viagem, em suma, não mente de forma alguma.

Igualmente, diz Davies, a internet. E, no artigo, envereda por uma argumentação interessante que envolve algumas descobertas constrangedoras que podem nos acontecer na relação com meios digitais. Por exemplo: você toma todo o cuidado do mundo pra selecionar fotos e ângulos pro seu perfil no Orkut ou Facebook e um dia aparece uma foto sua todo troncho às duas da manhã no churrasco da firma no perfil de outra pessoa. E você é tagueado e foi-se por água abaixo sua inconsciente tentativa de branding pessoal lá no seu perfil. Outra. Você constrói seu Mii (seu avatar no Wii) tendo o poder de colocar o tamanho da barriga que quiser, mas então compra um Wii Fit, que calcula sua massa corporal e, sem o menor pudor, CORRIGE a sua circunferência de acordo com os cálculos do Fit. É a transparência das mídias digitais ultrapassando a furada cultura do Photoshop mental.

Apesar de não conhecer profundamente essa história, sei que a visualização mais ou menos decente de uma auto-imagem em larga escala é um fato recente para a humanidade. O protótipo do espelho moderno, feito com vidro, é do século 16, criado em Veneza, cidade famosa por sua expertise nessa área. É dessa época, portanto, o surgimento de uma visão mais acurada que uma pessoa poderia ter dela mesma, sem as tantas distorções que os espelhos anteriores promoviam, já que eram feitos de metais polidos. Ainda devemos considerar que demorou mais um bocado para que um simples espelho não fosse um artigo de luxo e não ficasse restrito à elite fedorenta (literalmente) do momento.

Talvez o passo seguinte na auto-visualização tenha sido a fotografia, que deu as caras na sua forma moderna no século 19, mas que só se popularizou de fato no século 20. Se formos falar de imagem em movimento, gravação em filme ou vídeo, também vamos falar de fenômenos recentes e extremamente restritos. Nem todo mundo teve grana para adquirir uma 16 milímetros ou mesmo uma câmera de VHS, equipamentos custosos, de manuseio peculiar, dedicada aos apaixonados por cinema, vídeo ou pais de família altamente interessados nesse tipo de registro, do tipo que faz coleção de fitas das férias.

Em outras palavras: como espécie, o ser humano não tem uma vasta experiência em se enxergar. Não somos exatamente especialistas nisso, certo?

Ok, vamos adiante.

De repente, vem o computador pessoal, as câmeras digitais em dez vezes de 35 pitombas e os celulares com câmera de grátez. E, na esteira, o Orkut e o YouTube. Pronto. Surge a hiper-auto-visualização. Não só nos enxergamos mais, como nos enxergamos em diversos ângulos, em movimento, com correção de cor, efeitos ou não, em diversos tamanhos de tela e as mais variadas resoluções (numa ironia cíclica, estamos nos vendo muitas vezes em pixels, como talvez as primeiras pessoas se viram em espelhos de metais polidos).

Quer queiramos ou não, na última década começamos a nos enxergar bem mais, ao menos quantitativamente falando. Como consequência, a intimidade com as câmeras (um termo até recentemente reservado às celebridades) e com a auto-visualização se espalharam de forma endêmica, sendo imposta aos que nasceram antes dos anos 80 e acolhida como protocolo do momento por quem nasceu depois.

À profusão de meios de produção de imagem (câmeras) somamos a multiplicação de meios de difusão (internet, celular, canais de televisão etc). E assim estamos exercendo uma das matemáticas mais interessantes dos últimos séculos ao multiplicar brutalmente o olhar do outro sobre nós.

Sim, porque se olhar no espelho (ou na vitrine ou na telinha) nada mais é do que simular o olhar de outrém, primeiro sobre nossa forma (corpo, roupas, trejeitos) e mais profundamente sobre nossos pensamentos, opiniões e crenças. Não tenho muito a contribuir para falar desse tema (o olhar do outro), porque realmente não pensei muito no assunto.

Só queria levar o texto até aqui e passar uma marca-texto sobre o fato de que estamos multiplicando o olhar do outro sobre nós, queiramos ou não, seja isso parte da nossa contemporaneidade ou não, achemos isso excessivo ou não. E ressaltar, também, que dessa forma talvez todas aquelas fantasias ou metáforas a respeito de estados políticos ou empresas com complexo de Big Brother, que tudo observam e tudo controlam, passam a se dissolver nos bilhões de “brothers” que habitam o planeta junto com a gente. Sem querer, somos nossos próprios big brothers. E aí dá pra relaxar. Não é preciso mais achar um único, onipotente e grande irmão culpado de nos observar. Talvez ele esteja deitado na cama ao nosso lado, talvez seja nosso vizinho de porta ou talvez ele seja aquele rosto levemente familiar no espelho.

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2008 pra 2009: o adeus do internauta

O ano de 2008 foi emblemático para a internet no Brasil (como serão os próximos dez) e os sintomas mais claros disso se refletiram em um meio bastante tradicional: a televisão. Nunca a internet como universo foi tão comentada nos telejornais e programas semanais da TV aberta, ainda (por enquanto…) um bom termômetro e principal referência quando se fala em comunicação de massa no país.

Em especial, o Fantástico fechou 2008 com aquele quadro das lan houses num esforço meio atrasado em relação a essa (não tão) nova cultura. Colocar a Regina Casé para apresentar as reportagens deixou claro o que está acontecendo. A apresentadora é reconhecidamente a emissária do canal aos confins “exóticos” da cultura popular, acumulando os papéis de tradutora engajada e peixe de fora curioso. Na busca por um suposto “internauta popular”, descobrimos a agonia da figura do “internauta”, aquele ser esquisito que vive para a tecnologia e cujo acesso a internet se dá apenas para acessar a internet. O que não foi dito é que o “internauta popular” - que acessa a rede exclusivamente em lan houses ou por conexão discada – também está com os dias contados. Mas por quê?

Porque, além do barateamento dos computadores promovido nos últimos dois anos à base de incentivo fiscal e crédito a rodo nas grandes redes de varejo, outro fator que precisa ser levado em consideração nesse processo é desesperada batalha das empresas de telecomunicação para vender seus combos de telefone fixo + banda larga ou telefone fixo + TV a cabo + banda larga e por aí vai. Em 2008, a NET lançou um desses pacotes por cerca de 39 reais, um pouco mais que 10% do salário mínimo. Por essas e por outras, o acesso à banda larga vem crescendo de forma consistente: em junho de 2008 havia 10 milhões desse tipo de acesso no país, um número 48% superior ao registrado no mesmo mês de 2007 segundo estudo encomendado pela Cisco Systems.

Assim, ainda que o orçamento familiar seja mais apertado durante 2009, a internet em 2008 se tornou um item básico que não só serve como apoio na educação dos filhos (um dos motivos mais citados em pesquisas populares) como também provê serviços e incrementa o acesso ao entretenimento. Pelo preço de duas ou três entradas de cinema, todos os filmes, músicas, games, seriados e notícias do mundo estão ali, ao alcance de qualquer um que tenha 50 reais mensais e um filho de 14 anos, este ser esfomeado e sem o menor compromisso com os protocolos tradicionais de direitos autorais. E tem mais: horas no MSN ou Orkut não custam quase nada comparado aos minutos ou SMS de celular.

Falando nele, o Orkut se firma como o SBT da internet brasileira: tosco, porém simpático e extremamente popular. A entrada do Facebook e do MySpace em território nacional não afetou em nada a notoriedade da rede social do Google. Pelo contrário, apenas acelerou a abertura da plataforma de aplicativos e seu conseqüente entranhamento na cultura brasileira. A vastidão de expressões sociais nas comunidades e perfis do Orkut não encontra paralelo em nenhuma outra mídia digital. Fotos reveladoras, perfis confessionais, comunidades bizarras, discografias completas, conversas irrelevantes, a profusão de aplicativos úteis e inúteis: é o termo “rede social” elevado à última potência por um país especialista em socializar. Orkut Büyükkökten não tem a noção exata disso, porque, de forma totalmente involuntária, se tornou o nosso Silvio Santos digital.

Enfim. A internet como assunto está deixando de se tornar pauta de tecnologia e lentamente passando para a retranca “Geral”. Então não estranhe se ao longo dos próximos anos, uma queda em uma rede de banda larga disputar espaço com notícias sobre falta de luz no jornal, digo, na comunidade do Orkut do bairro. E se no meio do caminho você tropeçar em um corpo, não tenha dúvidas: é o seu velho amigo, o conceito de “internauta”, estendido no chão sem vida.

***

O 2008 pra 2009 continua no Trabalho Sujo, Urbe e Mau Humor. Amanhã eu dou o link do próximo post.

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TV Digital – pois é

Continuando o post anterior, eu dexei de citar um dispositivo que permite o consumo móvel da tv digital aberta: o pen drive-antena. É uma solução mais barata (cerca de 200 patacas) do que a TV portátil (entre 600 e 800 realitos por agora), que o celular (mais de um milhar de pitombas). Certo que vai fazer a felicidade de muito torcedor de futebol que precisa viajar com o notebook pra cima e pra baixo.

Mas, enfim.. vamos aos tópicos restantes…

4) Paciência

O Governo e a mídia televisiva em geral precisaram fazer esse auê inicial como forma de impulsionar a cultura da TV digital não só para a população, mas também para a indústria e o meio publicitário. Entretanto, como tudo no Brasil, o crescimento da penetração dessa nova tecnologia vai acontecer de uma maneira disforme e provavelmente contra a maior parte dos prognósticos.

O brasileiro é um tanto quanto imprevisível no consumo de tecnologia (perfis conservadores e inovadores não respeitam muito uma visão demográfica). Mas acho que dá pra dizer que teremos algo muito próximo do WAP no celular: uma super promessa espetacularizada no iníco que decepcionou ao longo dos primeiros anos. Lembra disso? O WAP foi vendido como a internet no celular, mas não passa de uma rede muito lenta, que exige uma paciência absurda pra acessar.

Da mesma forma, a TV digital vai demorar um bom tempo pra ter seu grande potencial (interatividade) explorado de forma interessante. Até lá, o maior trabalho será dos engenheiros das emissoras, dos maquiadores e cinegrafistas (que estão precisando se adaptar ao detalhismo da imagem em alta definição), das produtoras de comerciais e, especialmente, dos departamentos comerciais que vão ter que quebrar a cabeça com modelos de remuneração futuros…

5) Interatividade

Esse é o ponto de maior fraqueza da TV digital. Por motivos que não sei explicar bem, a faixa de frequência de transmissão da TV digital brasileira não permite interatividade de duas vias. Pra ser mais claro, vão ser precisos acordos com TVs a cabo ou redes de telefonia fixa ou móvel para que o telespectador interaja com o conteúdo de forma mais dinâmica. Coisas simples como acesso à informação básica na tela, seleção de ângulos ou de canais de som estarão, com o tempo, disponíveis no controle remoto. Mas operações mais complexas como compras de produto ou experiências de maior profundidade dependerão sempre de um pareceiro telecom.

Sobre isso, um outro aspecto fundamental foi levantado quarta por um cara da Globo: o quanto a interatividade compromete a noção convencional audiência. Digamos que você está assistindo a uma novela. Entra o intervalo e você dá de cara com um comercial interativo de carro. Interessado, você mergulha na interatividade que o comercial lhe permite: olha o carro de todos os ângulos, verifica as ofertas de parcelamento, investiga reviews da imprensa especializada e se perde naquele mergulho. Ótimo para o consumidor, péssimo para a emissora, que vê sua audiência se fragmentar e ir se perdendo ao longo do break, podendo até nem retornar para o programa que estava assistindo.

Emissoras de TV até hoje só souberam vender grandes fatias de audiência de programas. Lidar com mergulhos invididuais de profundidade e com telespectadores que criam seus próprios caminhos no conteúdo será um aprendizado demorado e duro para as emissoras.

Mas é isso aí, meu velho! Los que pariu que los crie!

6) Abundância, Editabilidade, Sociabilidade

A maior parte das reflexões que vi serem feitas nas palestras a respeito da da TV digital sempre trataram o telespectador como um ser estático, que não muda sua relação com a TV por conta do avanço da internet especialmente. Esse é um assunto muito delicado, geralmente tratado com um certo desdém, como se a televisão estivesse cercada por hábitos intocáveis. O celular, uma vez que vai poder receber o sinal da TV digital, é sempre lembrado. Mas a internet é totalmente ignorada. E eu entendo por quê.

O problema é que todas essas reflexões e objeções vem de pessoas que cresceram tendo uma relação umbilical com a TV. O que provavelmente não vai se repetir com essa intensidade nas pessoas que estão crescendo com um computador e uma banda larga dentro do quarto. Os chamados “nativos digitais” têm motivações e formas de interagir com conteúdo que fogem à compreensão absoluta de nós, “migrantes digitais”. É preciso admitir. Não acho que todos os “migrantes” não possam entender os “nativos”, mas é preciso um salto no escuro, um abandonar de crenças básicas, uma capacidade de abstração que não vejo na maior parte dos executivos da indústria da comunicação.

Não acho que a internet vá substituir a TV. São dois meios que tem a forma de consumo completamente diferente. A TV oferece sociabilidade analógica: quatro, cinco, oito, dez pessoas podem assistir juntas a um programa. A internet, por sua vez, é um meio de sociabilidade digital: você compartilha o que descobre e o que assiste com vinte, trinta, cinquenta, cem mil, um milhão de pessoas que não estão ao seu lado. São dois momentos de consumo de conteúdo completamente diferente, complementares e não excludentes. Ao que tudo indica, um não vai poder oferecer tudo que o outro oferece. Por isso eles terão que dialogar. E, desculpe Rede Globo, dividir sua audiência.

A TV digital aberta, por muitos e muitos anos, não vai poder oferecer três elementos básicos que os nativos digitais estão se acostumando: abundância, editabilidade e sociabilidade. O engorde na audiência da TV digital não depende apenas de pegar mais gente por conta da mobilidade e portabilidade, mas de oferecer ou conversar com esses três conceitos que estão se enraizando nas novas gerações.

Não é um assunto que mereça um fechamento. Na verdade ele precisa se manter aberto. Mas pra não deixar o post sem um finalzito interessante, teclo uma última anotação: as pessoas estão construindo novas formas de consumir conteúdo. Novas formas, no plural. Não acredito que vai existir UMA forma de se consumir TV digital, internet, revista ou o que quer que seja, mas no mínimo uma centena. Não acredito, como o Henry Jenkins, que vai existir um aparelho universal em todas as casas, mas sim um universo vasto de aparelhos que vão ser configurados e montados de acordo com a vontade e necessidade de cada indivíduo ou de cada família.

É pra isso, eu acredito, que precisamos nos preparar.

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TV Digital: e daí?

Chegou a TV Digital em Porto Alegre. Terça passada, estive na cerimônia oficial da RBS, que contou com a presença de figuraças tipo o Ministro da Linha Direta Helio Costa, a governadora Yeda Crusius e todos os grandões da RBS (a Globo do Sul). O convescote também contou com a presença do vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, o presidente da Câmara de Vereadores, o prefeito em exercício, o presidente da Assembléia Legistlativa, donos de agência, diretores e gerentes da área de mídia de agência (que é como eu fui parar lá), gente do jornalismo em geral, empresariado local de porte, champanhes caros, muito terno e gravata, água com gás e sem gás, coca-cola, guaraná, canapés incríveis com queijos excelentes, figo com cream cheese, garçons atenciosos e uma tv digital portátil de brinde no final (essa aí da foto).

O clima era ao mesmo tempo solene e de confraternização entre parceiros, com o Nelson Syrotski (presidente da RBS) e o João Roberto Marinho discursando no nível “turma de amigos”, relembrando em seus discursos os sonhos de seus pais no mundo da telecomunicação como quem lembra papo de churrasco. Até o Ministro Hélio Costa entrou na batida “meu querido diário” ao recordar a primeira vez que veio a Porto Alegre, convidado pelo fundador da RBS, Mauricio Syrotski Sobrinho, pra entrevistar o Sammy Davis Jr. na festa de 25 anos do grupo.

Para nós, gaúchos, sempre sedentos de atenção e de reconhecimento, ainda foi levantado um outro ponto emblemático em uma das falas: foi aqui a primeira transmissão pública da televisão colorida foi em 1972, em Caxias do Sul, durante a Festa da Uva, que anos depois viria a se tornar palco de um dos mais célebres vídeos virais, o do choque do Lasier. Você vê, então, como tudo está interligado e como o Rio Grande do Sul é importante na vida da TV brasileira!

Mas a grande questão é: e daí? O que nós vamos ganhar com isso? A TV Digital é mesmo essa maravilha? Era o que faltava pra virarmos os Jetsons? Depois de quatro palestras (ainda assisti mais uma ontem) e uma cerimônia oficial, fiz uma série de anotações a respeito do assunto. Não espere entender tudo de TV Digital com esse post pq eu não sou enciclopédia. Você pode encontrar informações mais técnicas aqui ou aqui.  Vamos à minha especialidade: palpitaria.

1) A TV Digital é irreversível

Embora seja tentador derramar sarcasmo em cima de toda essa onda, não estamos falando de uma modinha. A TV digital será o novo padrão de transmissão até 2016. A transição vai ser lenta e capenga, mas vai acontecer. Se fosse há alguns anos, eu não acreditaria que isso seria possível no Brasil. Mas lembre-se que existe toda uma indústria a fim de vender TVs e conversores. E que o DVD que custava 800 reais há alguns anos hoje chegou a 100. E que tem muita gente com Pentium em casa, um equipamento de ponta há 5 anos.

2) Gratuidade

Sim, os aparelhos de TV com conversor embutido ainda custam uma fortuna. Mas já tem conversores a 300 reais, o que custa cerca de 8 meses do pacote básico da NET, que oferece apenas TV aberta. Some-se a isso que a maior audiência da TV a cabo são os canais abertos, o fato de muita gente ainda assistir TV com fantasma ou depender de antena externa e pronto: temos aí um interessante mercado latente.

3) Mobilidade

Acredito que um dos primeiros grandes movimentos de penetração da TV digital vai ser a mobilidade comercial. Cuma? Empresas de mídia out-of-home instalando TVs com recepção digital em ônibus, por exemplo, com patrocínio acoplado ao redor do aparelho (não vão poder interferir na programação da TV colocando outros comerciais, provavelmente).

4) Portabilidade

Aqui temos duas possibilidades. Os telefones celulares com recepção digital e os aparelhos portáteis de TV como os que a RBS distribuir aos convidados da festa.

No primeiro caso, a massificação vai depender dos planos das operadoras. A fidelidade à operadora provavelmente vai ditar a possibilidade de ter um celular com TV digital a preços irrisórios, uma vez que a operadora não recebe por transmissão de dados como acontece na rede 3G – e na Inglaterra, por exemplo, onde a rede de telefonia móvel é utilizada para a transmissão. Ou seja, lá você sempre paga por volume de dados quando assiste TV no celular. A alternativa é criar o hábito de assistir tv no celular com a TV aberta gratuita e depois oferecer programação alternativa no 3G (seriados, filmes, etc).

No segundo caso, dos aparelhinhos portáteis, acredito que o grande fator de massificação será a pirataria. A menos que a indústria ofereça peças bem baratas, os vigias entediados nas suas casinhas vão correndo no camelô substituir seu radinho de pilha por uma TVzinha digital. E o número de assaltos a empresas e residências vai crescer, porque eles vão estar  mais distraídos.

(continua amanhã)

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