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Internet: dá pra usar melhor sem precisar desconectar

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Com o Marco Civil entrando em vigor hoje, resolvi resgatar um vídeo (do qual participei co-escrevendo o roteiro) que traz 5 dicas simples e práticas pra quem quer ajudar a deixar a internet mais interessante sem precisar se desconectar totalmente. Talvez o conteúdo não seja novidade para os leitores do Conector, mas resolvi colar aqui pelo ar tutorial que ele tem.

O vídeo faz parte de uma campanha da conta jovem da cooperativa de crédito Sicredi que aborda uma série de assuntos contemporâneos pelo viés da colaboração prática e simplificada. Tem vídeos sobre Trânsito, Vizinhança, Sustentabilidade e Cidadania.

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Uma curiosidade: a imagem que abre esse post (parte do site do Sicredi Touch) é uma lâmina da apresentação do inglês Tom Chatfield (do livro Como Viver na Era Digital) que eu vi no Festival de Cannes em 2011. O conteúdo foi cedido pelo próprio Chatfield para a campanha.

O dna dos sites mais acessados do mundo

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Segundo o portal de medição Alexa, Google, Facebook e YouTube foram os 3 sites mais visitados do mundo no último mês. Por mais que essa informação tenha cara de óbvia e possa despertar bocejos, acho irresistível dar um passo adiante e perguntar: não é fascinante que os 3 sites mais visitados do mundo sejam também manifestações claras da cultura americana, do seu projeto de poder e do seu apelo sedutor sobre o planeta?

O Google é um ótimo exemplo. Ele é a versão digital do arquétipo do explorador americano. Como o caubói e o astronauta, seu campo de ação é um tipo de oeste selvagem ou de espaço sideral. O buraco negro dos links da internet é o horizonte infinito no qual ele mergulha em missão civilizatória munido de coragem, sagacidade e tecnologia. E, como bom herói, nunca volta de mãos abanando. Vem pra casa em segurança, trazendo algo que faça sentido da imensidão e nos contando da aventura perigosa com um sorrisinho no canto da boca e uma tirada bem humorada. Pensando bem, é impressionante que o Google não tenha sido fundado pelo Clint Eastwood.

O Facebook é a mesma coisa. A rede social mais famosa do sistema solar corporifica a obsessão americana por construir e investigar celebridades de forma sistemática e escalonável. Aplicando conceitos da física quântica ao universo das revistas de fofoca, o Facebook permite que a gente seja celebridade e paparazzi simultaneamente, inclusive que a gente se torne celebridade sendo auto-paparazzi ou se torne paparazzi porque nossas próprias fotos ficaram célebres. As combinações dessa equação são infinitas, enlouquecedoras e tão americanas quanto a ideia de que você pode – e deve – aquecer a economia de um país criando um estilo de vida baseado na vida de celebridades.

O YouTube segue um padrão parecido. A influência dele corresponde à influência do cinema dos Estados Unidos sobre a cultura mundial. Apesar de ter sido os franceses que criaram o cinema, foram os americanos que criaram uma cultura popular de cinema: a paixão pela imersão em uma tela, pela ação cadenciada, pela história contada em uma estrutura previsível de três atos, pela iconografia que transborda das telas para as lojas. Com o YouTube, aconteceu algo parecido, em direção contrária – foi a vida que passou a transbordar de volta para as telas. Mas a contaminação já havia acontecido, pois o incauto que empunha a câmera do celular há décadas já vem com horas de linguagem de cinema & TV embarcada na própria mente.

Se todos nós levamos para o resto da vida as impressões mais fortes da infância, não ia ser diferente com a internet. Ela nasceu americana e, mesmo que tenha já saído da casa dos pais há horas, carrega por aí os genes e os maneirismos que absorveu nos primeiros anos de vida. Claro que esperamos que ela se beneficie do que está aprendendo com seus giros pelo mundo, se torne realmente mais democrática culturalmente. Mas nunca se sabe. Há quem diga que, na medida em que envelhecemos, vamos ficando ainda mais parecido com nossos progenitores. Só falta mesmo é a gente, daqui uns anos, ter que conviver com uma internet americana velha, republicana, ranzinza e conservadora.

Tomara que a internet faça terapia.

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Imagem: San Jose Library

A história da internet em pictogramas

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Entendeu a internet ou quer que desenhe? A designer alemã Melih Bilgil desenhou pra gente – e animou – a partir de pictogramas desenvolvidos para um trabalho de conclusão de curso:

Revisitar a origem da internet vista por um olhar mais esquemático e não tão cultural talvez ajude a dar um pouco mais de perspectiva para esse período bastante conturbado que estamos vivendo no uso da rede aqui no Brasil. Claro que nem tudo na vida são tubos e conexões, mas entender o sistema de encanamento ajuda a entender como e porque as pessoas usam “a água”.

Carta aberta da TV à Internet

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Querida Internet

Quem lhe escreve aqui é a TV, aquela tela maior que fica ali na sala. Sei que você não me tem em muito boa conta, que está cheia de compromissos e não pode gastar seu valiosíssimo tempo, tão disputado e fragmentado, com quem já está por aí há muito tempo. Ainda mais eu obrigando você a abrir um envelope e ler uma carta de papel. Mas esse foi justamente o subterfúgio que encontrei pra chamar e prender sua atenção. Quem sabe uma carta de papel lhe cause tanto fascínio que, antes que você desperte do choque, já leu minha mensagem inteira – muito embora ambos saibamos que executar tarefas inteiras não é sua especialidade. Kkkkk. (Não é assim que você ri?)

Me desculpa se já comecei sarcástico (são as reprises de Seinfeld…), mas na verdade meu contato é para fazer alguns agradecimentos e trazer alguns alertas de quem já passou por alguns desafios que você está enfrentando.

Primeiro, os agradecimentos. Obrigado por tirar os pais, médicos e religiosos fundamentalistas de cima de mim. Você não sabe o inferno que era a minha vida com essa gente antes de você chegar. Logo que surgi, assim como você, me tornei o centro das atenções domésticas, o que causou muito ciúmes por aí. As crianças, sempre prontas para abraçar a vanguarda, me adotaram de tal forma que muitos pais espertinhos passaram a me usar de maneira vulgar e exagerada para não precisar cuidar e educar os seus filhos. Bem, talvez eu esteja sendo também vulgar e exagerado, pois na verdade acabei sendo a solução para todo um novo contexto urbano que não necessariamente era responsabilidade dos pais. Alguns trabalhavam tanto e moravam em lugares tão pouco amigáveis que restava às crianças sentar na minha frente por horas e horas para passar o tempo. De qualquer forma, a culpa recaiu sobre mim e me arrumaram até um apelido hoje ultrapassado e usado para um outro eletrodoméstico: babá eletrônica.

Quanto aos religiosos fundamentalistas, você não sabe a loucura que foi. Primeiro, fui acusada de ser um instrumento do diabo por abrir a cabeça das pessoas para toda uma forma de cultura popular que mexeu com costumes tradicionais. Alguns sacerdotes mais exaltados chegaram a fazer exorcismos comigo! Ironicamente, isso não durou muito tempo pois esses sacerdotes rapidamente se deram conta que eu poderia ajudá-los com seus interesses e, antes que eu pudesse perceber, estava possuída por eles! Isso dura até hoje e não pára de crescer! Agora sim, chamem o exorcista, por favor! Kkkk!

Mas chega de falar de mim. Sei que você está passando por algo bastante parecido. Os primeiros 20 anos de holofotes são assim, intensos, vertiginosos. Nós não fomos os primeiros a serem execrados. O rádio, que ainda está por aí, inclusive eu sei que vocês tem andado bastante juntos, enfrentou as mesmas questões. O cinema, a fotografia e a imprensa também. Imagine você que numa das primeiras sessões de cinema da história, que mostrava o filme de um trem em movimento, as pessoas saíram correndo da sala achando que o trem era de verdade. Fala sério, nem eu nem você passamos por algo tão pitoresco…

Tenho acompanhado o noticiário (claro) e volta e meia surgem matérias sobre os perigos de usar você: dizem que a capacidade de concentração das dessoas está sendo afetada, que a sua informação é menos confiável, que você ameaça o sistema clássico de direitos autorais, que acabou com a indústria fonográfica e que vai acabar com o cinema! Hmmm, tá poderosa! Kkkk! Pois esse é justamente o principal segredo da nossa profissão – conferem a nós um poder que não é nosso. Embora eu também esteja impressionada com o que você vem fazendo de positivo (a democratização do conhecimento, a conexão de nichos culturais que estavam isolados geograficamente, a possibilidade de mobilização cultural e política e, o mais importante, os filmes dublados do Jerry Lewis circulando por aí), os responsáveis por tudo isso são as pessoas. Não importa o quanto coloquem o peso sobre nós, são elas que mexem os cordões. Falo isso como amiga, porque estou vendo que você anda se achando e, experiência própria, quando subimos no salto o tombo é muito maior. Olha o que o rádio passou nos últimos anos pra recuperar a auto-estima depois de décadas de protagonismo. Aliás, sei que você tem ajudado muito ele e é bonito isso – porque um dia você pode precisa de ajuda.

Talvez esse dia nem esteja muito longe. Só pra dar um exemplo, se eu não estivesse passando tanto seriado bom hoje em dia, se eu não fosse capaz de reunir tanta gente pra ver futebol ao vivo e se alguns autores de novela não gostasse tanto de mim, talvez as pessoas não tivessem tantos motivos pra usar você. Porque vídeo de gatinho e de bebê fazendo gracinha é legal, mas não a vida toda. Ok, SEGUNDA tela? Ops! Escorreu veneno aqui… Kkkk!

Mas não vamos terminar a carta num clima ruim. No fim das contas, estamos todas no mesmo barco. TV, internet, fotografia, cinema, pintura… acaba que tudo se mistura e é justamente quando a gente se encontra que a coisa fica interessante. Embora hoje eu tenha minha própria personalidade, você não imagina o quanto eu devo ao rádio, ao teatro e ao cinema. Sem eles, eu nem teria começado nesse negócio. Também aproveito pra lembrar que todas nós devemos muito à escrita. No fim das contas, é ela que nos deixa mais instigantes, é ela que nos estrutura, é ela que ainda consegue, em pleno ano de 2013, fazer alguém parar por um pouco mais de tempo e devotar sua atenção a uma coisa tão antiga quanto uma carta.

Cordialmente,
TV
(a PRIMEIRA tela! Kkkk não resisti!)

Chegou a vez do pontocom virar passado

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E quando parecia que a internet não podia ficar mais complicada, vem aí no meio do ano o lançamento dos novos Domínios de Topo Genérico. Ou, pra ser mais popular, os novos “.com”. Já estão em processo de aprovação final pelo ICANN, o órgão mundial que regula esse tema, as primeiros das quase 2.000 novas terminações que foram solicitados por grandes empresas globais e por investidores do mundo digital. Pra se ter uma ideia, hoje existem cerca de 22 DTG (.com, .org, .edu etc). Esse número vai pular pra quase 1500 entre 2013 e 2014. Estive ontem pela manhã num evento do escritório  Silveiro Advogados aqui em Porto Alegre pra ouvir o Rodrigo Azevedo falar sobre as complexas questões que surgem para empresas e usuários a partir dessa inovação que vem sendo pouco comentada pela mídia brasileira. Rodrigo é especialista em Propriedade Intelectual e Tecnologia da Informação e Árbitro da World Intellectual Property Organization.

Com essa novidade, quem for aprovado no rigoroso e caríssimo processo (os custos jurídicos e tecnológicos de entrada ficam em torno de 500 mil dólares) não precisará mais registrar seus sites sob a bandeira .com, mas poderá trabalhar com os próprios Domínios de Topo Genérico. Isso significa que os detentores dessas extensões também se tornarão registradores de domínio. Por exemplo, a Nike, uma das solicitantes de fato, não precisará mais operar sob a designação nike.com, mas hospedar todos seus produtos, serviços e ações sob o guarda-chuva .nike. Assim, em vez de Nike.com/futebol ou nikeplus.nike.com, teremos apenas futebol.nike ou nikeplus.nike. Além disso, a Nike também poderá oferecer a parceiros ou clientes essa extensão Podemos pensar em possibilidades como um acordo com a CBF para a criação do selecaobrasileira.nike ou uma promoção com clientes finais que me permitiria criar um site gustavomini.nike. Isso tudo implica, ressaltou Rodrigo, não apenas em deter o DTG, mas também em ter a capacidade tecnológica, financeira e jurídica de operá-lo.

O vídeo abaixo, do .NXT, site especializado no assunto, explica de forma clara e visual essas questões:

Obviamente, isso também é uma porta aberta para uma explosão de fraudes digitais. Rodrigo iniciou a apresentação comentando a prática de cybersquatting, que é quando alguém se apropria de um domínio com a intenção de tirar proveito de marcas célebres em cima da distração ou da falta de conhecimento de usuários. Dê um pulo em Voe Tam, por exemplo, um site criado especificamente para se aproveitar do viajante menos experiente no ambiente digital, que em muitos casos acabará clicando em anúncios relacionados ao tema da marca sequestrada. O dinheiro obtido com esses cliques fica para o criador da página mal intencionada.

O mais preocupante é que o cybersquatting hoje já não é mais uma atividade artesanal de meia dúzia de hackers a fim de tirar um troquinho, mas sim uma poderosa indústria de compra de domínios e construção de páginas como essa em um processo totalmente automatizado, feito integralmente por softwares-robôs. A velocidade e a escala do cybersquating já é impressionante e deve se multiplicar com a ampliação do número de DTGs. Outro dado interessante é o fato de que existem também empresas especializadas em comprar domínios relacionados a grandes mercados e gerar páginas com anúncios correlatos. Nesse caso, esses sites não querem se aproveitar de propriedades intelectuais alheias, mas eventualmente seus robôs constróem páginas automáticas usando termos que se aproximam de marcas consagradas e podem acabar enfrentando problemas jurídicos.

Mas o cybersquatting está longe de ser a única via para críticas a esse novo processo. As principais falas opositoras, na verdade, acusam o ICANN de estar querendo criar um novo mercado bilionário para profissionais de marketing e do direito, além de se afastar da origem de gestor técnico dos domínios da internet para entrar no âmbito da política e da economia internacionais. Isso que nós nem entramos no assunto da revisão do conceito de direitos autorais clássicos, do conceito de copyleft e aí por diante.

E o que isso tudo significa para a maior parte de nós? Ainda não se sabe bem. A explosão de novos domínios, ao que tudo indica, é um jogo de cachorros grandes: Google, Amazon, o governo da Suíça, a Globo, a Natura, a Ipiranga e a Heinz, são alguns dos nomes mais conhecidos que investiram milhares e milhares de dólares na compra de novas extensões. Ou seja, é possível que o poderio econômico desses players empurre a internet global na direção de uma fragmentação na forma como entendemos o uso de endereços hoje, o que deve acarretar mudanças e inovações nas áreas de tecnologia, legislação e marketing. (Veja aqui as empresas solicitantes classificadas por país)

Segundo Rodrigo Azevedo, o Google botou dinheiro na mesa para tentar comprar a extensão .search. A Heinz quer adquirir a extensão .ketchup, o que está sendo questionado do ponto de vista do monopólio – ela pretende liberar o uso para Hellman’s mais adiante? Pode criar um site bad.ketchup falando da Hellman’s? Mais complexo ainda é o caso da Amazon, que pleiteia as extensões .amazon e .book. Rodrigo acredita que a gigante do varejo americano não deve ganhar essas sob pena do ICANN acabar prejudicando assuntos de interesse público. De qualquer forma, a gente bem sabe como se comportam as megacorporações mundiais em assuntos desse porte, então essa história ainda vai render muito – dinheiro e folclore.

Curso Rápido sobre o Marco Civil da Internet

Em meia horinha, o pessoal do Multiponto (da UFRGS) oferece uma visão panorâmica sobre o principal projeto de lei que pretende servir de referência para os direitos e deveres do cidadão, Estado e empresas no uso da minha, da sua, da nossa querida rede mundial de computadores. No cut+paste, tem o olhar de advogados, políticos, ativistas digitais e um povo ligado à tecnologia. Vale o play.

TV did not kill web stars

Esse comercial da Vostu com a Ivete é o mindfuck definitivo do marketing digital brasileiro. Há anos que artigos em revistas e sites especializados, bem como palestras evangélicas, vem detonando a televisão como um meio válido de publicidade. Anunciar na TV, para fundamentalistas digitais, é símbolo de incompetência. É tiro de canhão, desperdício, furto qualificado, diz-se. Não é preciso verba de mídia nem celebridades, o consumidor é a mídia, o que é bom viraliza-se naturalmente, declama-se.

Mas, tu vê só, o mundo dá voltas. Não defendo este ou aquele meio, vivo e trabalho em cima do muro (é de onde se tem a visão geral das coisas). Mas não deixa de ser engraçado ver empresas ícone do mundo digital experimentando um pouco com o mais (nos últimos tempos) mal falado dos meios. Dito isto, reforço: faz absoluto sentido a Ivete vendendo Megacity na TV (ainda que fechada, não vi na aberta). Ivete, TV e jogos sociais, é tudo mainstream. E brasileiro, pelo que sei, gosta de coisa mainstream. Cauda longa é consequência de mercados estabilizados e economicamente maduros, penso.

Mas o Ivete/Megacity não é a única. Desde o ano passado que a TV fechada vem sendo invadida por comerciais de empresas “da web”. Começamos pela mais recente, do Mercado Livre, que por sinal tem comerciais muito bacanas e um posicionamento espertíssimo:

E a Netshoes? Diz em alto e bom tom que “Você nasceu digital” e ela também.

O comercial do Chrome, sim, passou na Globo ano passado. Nada como um comercial da maior empresa digital do mundo passando no canal (ainda) mais visto do Brasil. Junção de canhões.

(Diga-se de passagem, em outubro de 2010 eu estava nos Estados Unidos e vi o Google anunciando a sua rede de conteúdo, seus banners, em página quádrupla no The New York Times – o autêntico cross-media.)

Um dos meus prediletos é o do Groupon (também do ano passado), porque ele explica o conceito de compras coletivas e define como “a nova febre da internet”:

O do SaveMe também é bem didático:

O do Buscapé vai um pouquinho mais longe:

No setor dos “regionais” e dos comerciais mais baratinhos, tem o Vaquinha Vip:

Esse do Peixe Urbano, por sua vez, é um deleite de subtexto e metalinguagem: a TV usada no fim do comercial é uma bem antiga, ainda por cima chamada pelo peixe de “aquário”.

Por último, um merchandising do Club Penguin no Disney Channel com direito ao apresentador vestido a caráter para uma festa medieval que iria acontecer dentro da rede social infantil da Disney, o popular e incrível Club Penguin.

Conclusão da história 1: se você trabalha com mídia, não precisa mais ter medo. TV está deixando de ser palavrão (como comentei aqui, gostar de TV é/já foi usado em alguns círculos pra ofender alguém).

Conclusão da história 2: em termos de cultura digital, é melhor sentar e ver a bagunça acontecer (e assentar de tempos em tempos) do que ficar bravateando por aí.

Minimalismo das últimas semanas

Por motivos de correria maior, não tenho postado os links dos programinhas que faço pra Oi FM. Mas tá registrado lá no blog da Oi. Tem um pouco de tudo: eu falo sobre radinho de pilha, pilha de livros não lidos, língua inglesa, crowdsourcing, exagero nos reviews online, SMS, internet no Brasil, coisas de graça, réplicas sociais, energias alternativas, e por aí va.

Se você quer ler ou escutar tudo, é só clicar aqui.

Numerofilia

Ninguém mais tem dúvida do quanto as redes sociais estão mexendo no jeito como a gente está construindo os nossos laços de amizade ou de contato profissional. O curioso é começar a notar os novos hábitos e as novas perspectivas que surgem com o uso continuado dessas ferramentas.

Por exemplo, é pouco provável que antigamente as pessoas contassem com precisão o número de amigos, ainda mais de conhecidos. Hoje, por outro lado, nós temos à nossa disposição uma contabilidade diária da quantidade de pessoas ligadas a nós, mesmo que virtualmente. Mais do que isso, a gente sabe exatamente quantas fotos temos online, quantas pessoa viram nossos vídeos e ainda podemos conferir no Facebook quantos declararam gostar de um comentário.

No fundo isso é uma reação bastante humana a antigas e profundas questões: quando fica difícil explicar certas relações e sentimentos em palavras, rapidamente nós começamos a apelar para os números.

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Post inspirado num dos programetes Minimalismo que eu faço pra Oi FM.
Todos os dias às 9h30 e às 13h45 no seu rádio ou na webradio.

Técnicos

Existe uma antiga expressão no futebol que diz que o Brasil é um país com 190 milhões de técnicos de tanto que brasileiro gosta de palpitar. Com a internet, essa expressão extrapolou o âmbito do futebol e o próprio Brasil.

Hoje, como todo mundo pode dar sua opinião na rede sobre qualquer assunto e ainda virar uma autoridade em pequenas comunidades, podemos dizer que a Terra virou um planeta com bilhões de técnicos de futebol, críticos de cinema, entendidos em vinho, comentarista de gastronomia, mestres em segurança público e por aí vai.

A democracia da internet transformou o mundo numa grande mesa de bar. E, como toda mesa de bar, ela está lotada de especialistas.

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Post inspirado num dos programas Minimalismo que eu fiz pra Oi FM.
Pra ver outros textos relacionados ao programa, vá por aqui.

Multi

Hoje, quando se fala em conteúdo multimídia, logo a gente lembra de coisas como as notícias na internet, aquelas que trazem texto junto com vídeos, fotos, gráficos em 3D, áudios, essas coisas. Mas não é só o mundo da informação que está assim. As relações pessoais também estão se tornando mais… multimídia.

As amizades, os amores e os laços familiares hoje contam com uma série de anexos como fotos de celular, vídeos de câmeras digitais, mensagens de SMS, emoticons do MSN, perfis no Orkut, enfim, toda uma variedade de expressões digitais brilhantes, pulsantes e feitas de pixels, que já estão ajudando a contar e enriquecer a nossa biblioteca sentimental.

Haja HD pra tanta coisa…

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.

Pra ver todos os textos, vá por aqui.

Internet = urbanização

O grande sonho de quem navega na internet é ter uma conexão rápida e encontrar sites fáceis de explorar.  No dia-a-dia, a rotina é bem diferente, recheada de serviços lentos, sites complicados e links quebrados. O vale que existe entre vontade e experiência acaba gerando um acúmulo de pequenos momentos estressantes com novas tecnologias. Mas talvez uma parte considerável dos desencantos cotidianos que acompanham interações digitais seja fruto, simplesmente, de idealizações.

A evolução da internet em países como o Brasil segue mais ou menos as regras da urbanização. Existem muitos planos e muitos desejos, mas, no fundo, por muito tempo a gente vai ter que conviver com a versão digital dos engarrafamentos, das calçadas imperfeitas, das ruas esburacadas e dos bairros degradados.

A vida digital, queiramos ou não, também é vida.

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.

Pra ver todos os textos, vá por aqui.

Essa van bacana aí eu achei aqui.

Scanners

O scanner é um dos grandes responsáveis pela tradução de trilhões e trilhões de documentos físicos pra linguagem dos softwares. Ele é hoje um tipo de diplomata entre o mundo analógico e digital. Mas esse momento de estrelato do scanner não vai durar pra sempre.

Ao longo das próximas décadas a necessidade de escanear documentos talvez diminua lentamente. Ou porque muitos documentos já terão sido escaneados ou porque muitos já virão em formato digital. Não é que o scanner vá sumir. Mas como acontece com aparelhos e celebridades em uma época de tecnologia acelerada, não é realista ficar se achando por muito tempo.

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi  FM.

Pra ver todos os textos, <a href=”http://www.oesquema.com.br/conector/category/minimalismo”>vá por  aqui.</a>

Linear

Recomendação: o Trasel escreveu um post interessante sobre a importância da linearidade no processo educativo. Bom… pedagogia DEFINITIVAMENTE não é algo que eu possa comentar com consistência, mas o que me cativou no texto do Trasel é o tom “epa-calmalá” no que diz respeito a surtos gerais do tipo “GENTE, OS JOVENS SÃO MULTITAREFA, PRECISAMOS REMODELAR O MUNDO AO REDOR PRA QUE SEJA MULTITAREFA SENÃO FICAREMOS PARA TRÁS.”

(Comentei também algo sobre isso nesse post recente.)

Enfim. Criou-se, nos últimos anos, a idéia de que o distúrbio de atenção é uma criação das mídias digitais. E, embora elas colaborem pra isso, faz bem o Trasel em lembrar que “Os alunos atuais não se dispersam porque a Internet os acostumou a começar uma busca procurando por dados sobre a extensão do Rio Amazonas e terminar tendo frio na espinha ao ler notícias sobre pessoas atacadas pelo candiru. Eles se dispersam porque nossa mente é dispersiva e a Internet é uma reprodução técnica desse caráter hipertextual do pensamento.”

Nos comentários, teve gente que gentilmente discordou e trouxe um outro ponto de vista. Mas no geral eu tendo a concordar com o Trasel pois no meu entender ele colocou a questão da educação ocidental como um lembrete de equíbrio em meio ao alarmismo e não como uma verdade definitiva. Aliás, o ponto dele, se eu bem entendi, não é fazer uma apologia da linearidade mas ressaltar que não precisamos sucumbira a essas reações exageradas no que diz respeito às novas formas de consumo de mídia, achando que tudo na pedagogia contemporânea precisa ser jogado fora de uma hora pra outra.

Como diria um sábio da antiguidade: calma, calma, não priemos cânico.