28 de agosto de 2009 às 8h00
Nós, os toscos do futuro
Estava eu, sozinho em casa, deitadão na cama, TV desligada, vendo um episódio do Curb Your Enthusiasm no laptop, quando, sem mais nem menos, vem aquele avisinho que a bateria está prestes a cair. Era uma quinta à noite, meio tarde, eu também já na última barrinha da bateria e tive que fazer AQUELA mão: sair debaixo das cobertas no frio, ir até a sala, abrir o armário, pegar o cabo de força, grudar no computador, acender a luz de cima, desligar o abajur, afastar o criado-mudo, plugar o cabo de força na luz, voltar pra baixo das cobertas, soltar o pause e terminar de assistir ao seriado.
Acompanhe o gráfico: todo aquele processo de levanta e vai até a sala pra carregar o laptop é o tipo de questão que já foi resolvida há décadas no aparelho de televisão. Pra assistir a qualquer coisa na TV, você se joga no sofá, agarra o controle remoto e com dois ou três toque nos botões está assistindo ao que está passando no canal. É coisa de segundos. Tente o mesmo processo no laptop e você vai ver que tem muito mais passos pra cumprir, mais janelas pra abrir, mais arquivos ou folders pra navegar. É o preço que se paga por viver em uma época de tão brutal transição.
Não tenho dúvidas que isso soa como reclamação de preguiçoso e conservador, mas acho que vale o gancho pra lembrar o quanto estamos em uma era primitiva e tosca. Nós nos achamos OS CARAS porque lemos emails no celular e falamos com amigos pelo Skype com imagem, mas a verdade é que somos uns brucutus da pós-modernidade, gente maravilhada e ansiosa, cercada por aparelhos carentes, que precisam da nossa constante atenção pra funcionar direito, que não são maduros ainda pra se conversar (sem que você seja um especialista em conectividade) e que nem mesmo compartilham linguagens de interface (de modo que você tem que aprender diferentes sets de interface a cada novo aparelho). Os gadgets atuais são, em linhas gerais, adolescentes egoístas, cheios de energia e boas idéias, mas com os hormônios a mil, dotados de pouca desenvoltura social e pouca praticidade.
Tá e daí? E daí não sei.
Só acheio graça no pensamento de que, pode ter certeza, um dia nós vamos olhar para isso…
… da mesma forma como hoje olhamos pra isso:
Né?












Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
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