
Vídeo emocionante sobre as freiras budistas de Nangchen, um lugar ermo e inóspito do Tibet. O vídeo busca apoio financeiro para manter a prática das freiras viva, um verdadeiro tesouro espiritual para o mundo.
Palestra do John Maeda a respeito do seu livro “As Leis da Simplicidade”. Levemente hiperativo e encantador.

E isso é apenas uma bolacha pintada. Eu comia muito umas que a minha vó comprava. Encontrei de novo na estrada esses dias. Não era tão boa, mas, enfim. Bolacha pintada. Eu acho bonito.
O capítulo 2 é o segundo predileto do livro porque fala de um assunto que eu adoro: organização. O título do capítulo já é uma beleza: “Organização: faz muita coisa parecer pouca coisa.” Não é lindo?
O cerne do capítulo, no entanto, não é nada sobre arrumação de armários e mesas, mas sim a trajetória da “rodinha de controle” do iPod (sempre ele…), essa da imagem aí em cima. O ponto do Maedovski aqui é que a primeira rodinha era assim “mais ou menos”, mas resolvia. Um controle simplificado, de compreensão não muito difícil, bastava o cara se acostumar com o lance e pronto. Porém, talvez o lobby das pessoas com dedos gordos tenha agido e os designers da Apple tiraram os controles da rodinha e jogaram pra fora. O que era pra simplificar acabou complicando porque desintegrou a experiência intuitiva do dedão. O dedão antes circulava tranqüilo, resolvendo seus problemas de “ir pra frente” ou “ir pra trás” só na rodinha e de repente se viu obrigado a SAIR da rodinha e subir até os controles SEPARADOS. É muita mão!!!!
Finalmente, a Apple sossegou o facho e chegou ao controle atual, que parece não ter tido grandes reclamações - simplificou tudo, jogou tudo pra dentro da rodinha (sem leituras maldosas) e voalá! Temos agora (temos não porque eu não tenho iPod) um controle integrado, com todas as funções numa rodinha sem separações – desculpe pelo uso excessivo de termos técnicos.
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Eu tenho uma dica para os engenheiros da Apple.
E é de graça, aproveitem.
Sentaí e fica quieto!
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E por aí segue o livro, trazendo inúmeros exemplos de design industrial e da indústria da computação pra provar ponto a ponto a visão do Maeda sobre simplicidade. Em cada capítulo você encontra dois ou três insights bem valiosos, mas meio que precisam ser descontextualizados e recontextualizados pra valer a pena.
Por quê? Porque não tem nada de simples na maior parte dos exemplos. Ok, a interface do Google e do iPod são incrível e bem-vindamente simples. Mas olha toda a complicação que existe para essas coisas serem simples! Basicamente, para termos à disposição a interface do Google e a interface do iPod, você precisa ter à mão um Estados Unidos e uma China.
foto daquiIsso não quer dizer que o Maeda não tenha consciência das coisas. Outro capítulo interessante é o de nome “Algumas coisas nunca podem ser simples”, onde ele faz um bonito mea culpa aceitando que nem todo mundo gosta de minimalismo como ele. Para exemplificar, fala de suas filhas, que costumam escrever EU TE AMO PAPAI num email cheio de letras coloridas, enormes, fontes misturadas e imagens. Toda teoria minimalista cai por terra por uma declaração de amor bem colorida e cheia de enfeites. “A simplicidade pode ser feia” diz o Maeda. “Uma certa dose de MAIS é sempre melhor do que MENOS. Mais amor, mais cuidado, mais ações significativas.”
Snif.
Passei a leitura toda me lembrando de um outro livro: “O Lama e o Economista – Diálogos sobre Budismo, Economia e Ecologia” onde o Lama Padma Samtem debate com o economista Victor Caruso Jr. O Lama Samtem, que costuma advogar a simplicidade como base para o caminho espiritual, aqui traduz sua visão ao oferecer saídas econômicas para o brete em que nos metemos todos hoje em dia.
“Em vez de maximizar os números da economia, seria maximizada a satisfação em um sentido mais profundo, e os números da economia seriam literalmente reduzidos. Hà vantagens em reduzir esses índices: a redução do impacto ambiental é uma delas. A tendência seria associar a simplicidade com a maximização da satisfação, e assim melhorar a saúde, a lucidez mental, o equilíbrio, o acesso à informação e à previdência. Seria ampliada a capacidade de apoio social às maias diversas necessidades e seriam beneficiados os processo em que as pessoas interagissem positivamente.”
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Sentaí e fica quieto!!
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Quer ouvir algo bem interessante sobre isso? Dá um pulo no podcast do Dzongsar Khyentse Rinpoche. “Zen, Sitting”. Em inglês.
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Esse assunto é complexo. Porque dá margem pra muita distorção. Porque o cara pode querer se livrar de tudo na vida externamente, jogar coisas fora, botar o pé na estrada, procurar uma casinha em cima do morro, plantar alface, e achar que está simplificando. Mas a simplificação pode significar fuga também, e aí tem problema. Porque uma hora tudo que não foi resolvido pode voltar. E se o cara é apegado DEMAIS à simplicidade externa, vai ficar nervoso. Não saber conviver com a complexidade é o maior inimigo da simplicidade.
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Ontem eu tava vendo House e lá pelas tantas ele, pra variar, sendo ácido com alguém. Não me lembro exatamente da fala, mas era algo assim.
“Não é fácil.”
“Eu não disse que era fácil, eu disse que era simples”.
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Chega de complicação!
Tá aqui o blog do Maeda.
Aqui tem uma entrevista bem interessante.
Aqui um link pra comprar o livro dele.
E esse aqui é pra comprar o livro do Lama Samtem.
TCHAU!
ATÉ SEGUNDA-FEIRA.
foto daquiTalvez não exista hoje artigo mais valioso nesse mundo doente, caótico e saturado. Na real, nem todo mundo valoriza, a maioria não quer nem saber, mas eu sou um tanto quanto obcecado por simplicidade. O que não quer dizer que eu seja bom no assunto, que eu seja uma pessoa simples, de hábitos simples, de cotidiano simples. Na verdade, muito antes pelo contrário. Muito antes pelo contrário, meus amigos. “Menos é mais” pra mim não é nem uma filosofia de vida e nem uma habilidade, é um peso no outro lado da balança.
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Mas não foi por falta de aviso. Não posso, de jeito e maneira, reclamar das instruções que eu recebi. Talvez a melhor delas veio no meu pouco contato com o zen-budismo e o zen-shiatsu. Diferente do budismo tibetano, repleto de cores, rituais, sabores e matizes, o zen-budismo é muito direto ao responder as principais questões da existência. O sentido da vida, a solução para problemas cotidianos, saúde, prosperidade e sabedoria respondem a uma só ordem: sentaí e fica quieto.
Pode parecer simplista, mas vamos combinar que o mundo seria muito melhor se umas 50 pessoas específicas atendessem a essa singela recomendação.
Sentaí e fica quieto.
foto daquiPor exemplo.
O autor de The Laws of Simplicity, John Maeda, é cientista do MIT. E designer gráfico. E artista. Anda com figurões de grandes empresas, dá palestras no circuito mundial do business e dirige o SIMPLICITY CONSORTIUM do MIT.
Quem sou eu pra falar. Mas, pô, Maeda. Sentaí e fica quieto!
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Por não ficar quieto, Maeda acabou com um livro nas mãos. Um livro interessante. Não exatamente uma obra prima. Mas antes de mais nada, um livro que parece ter sido escrito com o coração.
Os três primeiros capítulos são os melhores. Diretos e práticos, definem 3 leis básicas da simplicidade: redução, organização e uso do tempo. O capítulo da redução, em especial, é o mais legal de todos e foi o que fez eu sair falando pra várias pessoas sobre o livro. Na verdade, me arrependi um pouco depois porque fui continuando a leitura e me frustrando um pouco. Tudo começa muito claro e promissor, mas aos poucos vai ficando um tanto quanto sistemático demais até para o meu gosto.
foto daquiAinda assim vale a pena.
Maeda começa tudo apontando: “A melhor maneira de alcançar a simplicidade é reduzindo”. Isso soa como sublinhar o óbvio, mas vivemos em tempos em que o óbvio precisa desesperadamente ser sublinhado. O exemplo mais clássico sobre isso é o tal do Google, uma página simples com uma caixa onde você faz sua busca e clica no botãozinho, beijo e tchau, sem toda aquela poluição visual dos outros buscadores até então. Como comando prático para se atingir esse tipo de “simplicidade”, Maeda joga na área o acrônimo SHE: Shrink, Hide, Embed – Encolha, Esconda, Incorpore.
Encolha. Não é preciso lembrar a tendência de encolhimento de tudo no mundo. Daqui um pouco vai acontecer de você mexer num bolso da calça e dizer “bah, aquele celular que eu tinha no ano passado!!!!” Mas o lance mais curioso que o Maeda traz a respeito de “Encolher” é o poder que um objeto ganha ao ser reduzido. Por exemplo, você pega um iPod e fica olhando aquela caixinha ridícula, chega a dar pena. Mas aí você descobre que o troço guarda, organiza e executa um bilhão de músicas, mais meio bilhão de vídeos e tudo mais. Se ele tivesse o triplo do tamanho, não causaria tanto furor. Maeda afirma: “Um objeto maior que um ser humano demanda respeito, enquanto que um objeto minúsculo parece merecer pena” diz ele. Quanto menor, menor o tamanho e a expectativa, maior o assombro se o pequenino fizer coisas interessantes. Hm.
foto daqui
Esconda. Do canivete suíço às janelas de computador que você minimiza, “esconder” é um antigo truque indígena que funciona para ajudar a simplificar o uso de uma ferramenta: você utiliza uma e as outras ficam escondidas. Nos dois exemplos acima, “esconder” significa “gerenciar”: você decide qual lâmina deixar aberta e quais outros apetrechos deixar fechados. É o mesmo no computador. Enquanto Encolher tem a ver com o gerenciamento das expectativas, Esconder diz respeito ao gerenciamento direto da complexidade. Viu como a coisa toda é meio complicada?
foto daqui
Incorpore. Aqui o Maedinha começa a entrar total no psicológico da galera. “Os consumidores apenas vão ser atraídos por um produto pequeno e aparentemente menos funcional (encolhido & escondido) se ele for percebido como de mais valor que um produto maior e com mais features. Ou seja, aqui é uma questão de uma “sensação” que está incorporada ao produto que faz ele emanar um significado que o deixa mais importante e relevante do que objetos maiores e mais enfeitados. Essa sensação nem sempre vem de uso de materiais específicos, mas de um culto em torno do produto/objeto, seja um culto criado por meios de marketing ou não. Mais uma vez me vem o exemplo da Apple: muito marketing permite que as pessoas aceitem pouco enfeite, minimalismo, aquele lance cool minimalista que os tunadores de carro, os punks, os indianos, as escolas de samba e os budistas tibetanos rejeitam completamente.
(continua amanhã)
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