22 de outubro de 2008 às 13h55
Data Visualization
Também chamam de Infoviz ou Infoesthetics. Mas, independente do rótulo, a base é a mesma: tomar uma antipática massa de dados e dar um jeito de transformá-la em amiga, algo raro em se tratando de dados. Quantas pessoas você conhece que tomariam uma cerveja ou passariam uma noite de bom grado com uma pilha de lâminas do Excel?
Por outro lado, os projetos mais arrojados de Data Visualization não são um extreme makeover de relatórios, mas sim obras em si que oferecem portas de entrada mais intuitivas na geração de insights, na busca por inspiração ou no mero ato de comunicar o que quer que seja.
Há pouco, a Slate largou um slideshow bastante instrutivo a respeito desse assunto, fazendo o que eu já tinha pensado mas deu preguiça: construiu uma linha do tempo colocando o Treemap do Ben Shneiderman como big bang (deve existir algo mais antigo, mas enfim) e abriu uma série de caminhos para os que quiserem se aprofundar.
Esse é um assunto que sempre cortejei, uma vez que eu adoro sistemas de organização, ainda mais quando acompanhados de senso estético. Por conta disso, ano passado resolvi entrevistar o Jonathan Harris para o número inaugural da +Soma, um dos nomes mais citados quando o assunto é a alquimia dos dados em poesia visual. A entrevista começa aqui, continua aqui e termina aqui.
Obviamente estava há horas tentando emplacar uma idéia na área para algum cliente da agência, mas dois projetos saíram na frente aqui no Brasil: O Rio Está Feliz e Ame Seu Coração (que em setembro teve até instalação no vão livre do Masp). São duas iniciativas bem interessantes e fico feliz de estarem sendo feitos tentativas comerciais de Data Visualization, mas também parece um prato cheio para piadas de cartunistas, especialmente a ação no Rio, não?
Aqui na agência, fizemos uma experiência. Ao longo de um mês, um grupo de pessoas acessou quase que diariamente o Emotional Cities, que cataloga o humor de cada pessoa e junta em sets visuais por cidades, países ou grupos que você monta. No meio dessa história me caiu uma ficha muito grande que a questão do Data Visualization não diz respeito só à facilidade de leitura de dados. Por ter uma interface amigável e uma proposta simpática, o Emotional Cities obriga a pessoa a parar por alguns minutos que seja e refletir a respeito do seu estado de espírito – algo que poucos fazem na correria do dia-a-dia. Isso fecha com o que o Jonathan Harris me falou na entrevista, que ele não vê problema em uma interface que exija um pouco mais envolvimento porque um maior envolvimento oferece uma maior recompensa interna ao usuário. Bom design, menos velocidade, mais recompensa. Uma equação valiosa em termos humanos.
Agora… você quer ver um cara que REALMENTE se puxou no assunto? Então dá uma olhada no Visualizing The Bible do Chris Harrison. Em parceria com um pastor, o cara transformou várias referências cruzadas da Bíblia em imagens. Beira o TOC, mas é isso aí, vam’bora. Que atire a primeira pedra…




















Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
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