27 de julho de 2010 às 15h43
Jorge Drexler + Noctilucas
Lá nos confins da faixa 11 de Amar La Trama, último disco do Jorge Drexler, vive uma colônia de protozoários diplóides unicelulares também chamados de noctilucas. Além de habitar canções bonitas, as noctilucas também costumam viver simbioticamente com algas e, quando estão a fim, fazem brilhar o mar por onde navegam, protagonizando cenas mágicas que inspiram compositores que estão perdidos na vida e nas ruas de uma praia no Uruguai.
As noctilucas que aportaram em Cabo Apolônio enquanto Jorge Drexler compunha 12 Segundos de Oscuridad mal sabiam que seriam misturadas a uma guitarra semiacústica, a uma crise existencial e a um filho a caminho, indo parar na tal faixa 11 do disco Amar La Trama. Menos ainda esperavam que fossem comentadas em entrevistas e shows do bardo uruguaio, que sabe como poucos cativar uma platéia munido de tanto e de tão pouco ao mesmo tempo.
Domingo à noite, em Porto Alegre, com em tantas outras noites e tantos outros lugares, Jorge Drexler cantou “Hay tantas cosas / Yo sólo preciso dos: / Mi guitarra y vos / Mi guitarra y vos.” Mas uma colônia de noctilucas sempre ajuda, né Jorge?
“La noche estaba cerrada.
Y las heridas abiertas.
Y yo que iba a ser tu padre buscaba sin encontrarme,
En una playa desierta.
Tenía la edad aquella en que la certeza caduca,
Y de pronto al mirar el mar vi que el mar brillaba con un brillar de noctilucas.
Algo de aquel asombro debió anunciarme que llegarías,
Pues yo desde mis escombros al igual que el mar sentí que fosforecía.
Supe sin entenderlo de tu alegría anticipada,
Un dia entenderás que habla de ti esta canción encandilada.
Brilla noctiluca,
Un punto en el mar oscuro,
Dónde la luz se acurruca.”








Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
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