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Arquivo: Lama Padma Samtem

Alan Wallace no Brasil

Wallace à direita de S.S. Dalai Lama

Um dos mais importantes nomes mundiais do estudo da consciência vem de novo ao país no mês que vem pra conduzir um retiro e dar uma série de palestras promovidas pelo CEBB. De 4 a 15 de junho, o físico e ex-monge budista vai passar pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Viamão para falar sobre a convergência entre o método científico e o método contemplativo de investigação da consciência.

Wallace tem uma trajetória inspiradora, que reflete o tema de suas palestras: sua vida é, em si, a convergência de ciência e espiritualidade. Sua busca começou nos anos 70, década na qual foi ordenado monge por S.S. Dalai Lama. A seguir, passou a ensinar meditação e filosofia budista bem como servir de tradutor para diversos mestres budistas. Depois, iniciou uma vivência acadêmica que começou com o estudo de física e filosofia da ciência e um PhD em estudos religiosos em Stanford.

Hoje, ele é uma das principais interfaces no diálogo entre cientistas e contemplativos religiosos, atuando frequentemente em conferências, construindo produtivas pontes entre a filosofia budista, a psicologia, a filosofia e os conceitos da ciência moderna. Esse é um dos principais objetivos do Santa Barbara Institute for Consciousness Studies, que Alan Wallace dirige em parceria com profissionais como o psicólogo americano Paul Ekman, uma figura quase pop, célebre por seus estudos das emoções relacionadas às expressões faciais.

Alan Wallace no Google Tech Talks

Mas, afinal de contas, o método científico não dá conta sozinho disso? Bom esse encontro de diferentes visões é fundamental na busca por uma compreensão mais ampla e prática da consciência e de seus diferentes estados. Pelo pouco que li é assim: os estudos científicos são produzidos a partir de medições objetivas e externas à consciência. Não existem aparelhos que pentrem os pensamentos, as sensações, as percepções, os conceitos que uma pessoa experiencia. Só é possível medir a atividade cerebral.

Uma vez que a consciência é uma experiência fundamentalmente subjetiva, a contribuição de pessoas com um extenso treinamento contemplativo (como a meditação) traz complementos valiosos na descoberta de caminhos para a investigação científica dos aspectos mais profundos da mente. Alguém que navega bem pela sua própria mente, com clareza e disciplina, pode ajudar de forma mais eficiente a responder questões como: do que é feita a consciência? Como ela é? Que tipo de condições internas a satisfazem? Qual a fonte do bem estar e da sanidade mental? Como ter uma mente estável, saudável, sem depender intensamente de fatores externos? Como não ser chachaolhado ao sabor dos ventos sem criar uma fortaleza emocional intransponível que acaba sendo obstáculo a muitas experiências da vida?

Alan Wallace, Lama Padma Samtem e Chagdud Khadro em Viamão/RS.

As respostas para essas perguntas são detalhadas em muitas tradições contemplativas, mas geralmente não tem respaldo científico e por isso são consideradas inválidas em muitos âmbitos sociais, médicos e acadêmicos. Pessoas como Alan Wallace, S.S. o Dalai Lama, o Lama Padma Samtem e Yongey Mingyur Rinpoche (entre tantos outros, inclusive de outras tradições) vem trabalhando pessoalmente no sentido de produzir encontros frutíferos que resulte em ações práticas e programas educacionais facilmente acessíveis por pessoas que não desejam se engajar em alguma prática religiosa.

Se você lê esse blog, certamente se interessa de alguma forma pelas novas relações que estamos formando com a tecnologia e através da tecnologia. A capacidade de prestar atenção, entre outros aspectos cognitivos, é um dos tópicos mais discutidos nesse sentido. Então, não perca a oportunidade de ouvir a eloquência e o conhecimento de uma pessoa que é TÃO referência quando o assunto é estudo de consciência. Poucas vezes temos acesso direto a fontes tão qualificadas.

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Leitura complementar:

- Entrevista com Dr. Wallace na Istoé.

- Li e recomendo. Como Lidar com as Emoções Destrutivas: pela capa, esse livro tem a maior cara de auto-ajuda, mas na verdade é um minucioso documento sobre um diálogo de cinco dias de cientistas com  S.S. Dalai Lama sobre as emoções humanas. É um panorama rico, com visões da neurologia, biologia, psicologia e budismo. O Alan Wallace é um dos protagonistas desse encontro promovido periodicamente pelo instituto Mind and Life.

- Não li, mas recomendo. Livros em português do Alan Wallace: A Revolução da Atenção (sobre a importância da atenção e do foco sustentado como base pra uma mente saudável) e Budismo com Atitude (sobre a importância do ajuste de ações e atitudes como parte do caminho contemplativo).

E era isso!

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Videofinde: acalmando a mente

Uma das questões que ainda quero tratar no blog é sobre o efeito fragmentador de trabalhar muitas horas na frente do computador, ainda mais quem lida com comunicação e publicidade, áreas dinâmicas nas quais há pouco prazo para tudo e os projetos acontecem em curtos espaços de tempo. Nossa mente, que já temos por costume manter agitada e ocupada mesmo quando não fazemos nada, adora esse monte de janelas abertas simultaneamente e o caminho quase infinito que os hyperlinks permitem. Tenho dificuldades com isso. É distração que não acaba mais, um buffet atraente. Só que não é a distração, ao contrário do que o senso comum prega, a base da satisfação e sim a atenção.

O vídeo acima traz informações mais exatas sobre a prática de meditação. No primeiro vídeo o repórter fala sobre “tentar não pensar” e eu, particularmente, não aprendi dessa forma. Tentar não pensar é lutar e treinar luta dentro da mente não dá certo.

Existem muitas técnicas de meditação dentro de muitas tradições. Existe até mesmo meditação caminhando, uma prática que parece coisa de bicho grilo mas que é muito interessante e eficiente, especialmente pra quem tem dificuldade de ficar sentado, parado.

Se alguém se interessar, o ideal é buscar orientação adequada de um professor confiável e não ficar só nas reportagens de TV e de revistas semanais, ou mesmo tomar um livro como mestre. Bom proveito.

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