Complementando o post da semana passada, abaixo estão as cinco perguntinhas que eu mandei pro Liniers. Procurei, na medida do possível, perguntar coisas complementares a outras entrevistas locais como a do Universo HQ, do Overmundou ou da Folha. Confereaê.
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Conector: Depois de seis Macanudos, um pequeno livro pra crianças, um diário de viagens e um “cuaderno“, você tem planos para expandir sua linguagem? Alguma idéia para uma graphic novel ou algo mais extenso?
Liniers: Eu espero no próximo ano encontrar tempo pra desenvolver uma história no formato de graphic novel. Ela está já há algum tempo na minha cabeça, mas as tiras diárias acabam deixando pouco espaço para fazer outras coisas.
Conector: Você recebe muitas propostas de licenciamento? Existe um limite que você não gostaria de cruzar nesse sentido, para não expôr demais seus personagens?
Liniers: Eu faço muito pouco licenciamento, apenas para alguns amigos que fazem camisetas e cadernos. Não me sinto muito confortável em perder o controle sobre o meu trabalho.
Conector: Como você vivia antes do Macanudo pagar suas contas?
Liniers: Eu casei com uma advogada… felizmente, minha mulher não é mais advogada, ela é escritora agora.
Conector: De que forma o nascimento de sua filha vem influenciando seu trabalho? Pergunto isso porque você sempre pareceu ter uma abordagem infantil da realidade (no bom sentido!).
Liniers: Gosto muito dessa ponte bem construída que tenho com a minha infância. É uma parte emblemática das nossas vidas. A presença de Matilda certamente reforça minha relação com essa época incrível. Com certeza ela tem me influenciado de toda forma possível, das mais alegres formas possíveis.
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Legal né? É.
Conforme anunciado, chegou o Macanudo em português. A série de livros do cartunista Liniers (que já chega a seis na Argentina) tem sua primeira edição publicada no Brasil pela editora Zarabatana. Se você curte Calvin & Haroldo, Laerte, Adão Iturrusgaray, Charles Kaufman, Michel Gondry, Jorge Luis Borges, Quino, Fontanarrosa e coisas do tipo, certamente vai se encantar com o humor ao mesmo tempo metafísico e despretensioso de Ricardo Liniers Siri. Quer fazer um test-drive? Afia o espanhol e dá uma vasculhada nos arquivos do Autoliniers.
Cartunistas, geralmente, se munem de doses cavalares de sarcasmo e acidez. O que chama a atenção no trabalho de Liniers, por outro lado, é seu olhar carinhoso com o mundo. Ainda que seja um observador sagaz de certas aberrações da vida humana e crítico ferrenho do consumismo, a contrapartida entregue por ele aos leitores não é sob a forma de pauladas corrosivas, mas dividindo conosco seu olhar mais poético e aberto. Azeitonas, pinguins, duendes, um homem misterioso de capa preta e chapéu, um gato chamado Fellini e vacas cinéfilas não são seres habitando um mundo absurdo, mas um espelho mais honesto do que costumamos chamar de realidade.
Fã há alguns anos, desde que o Takeda me indicou um Macanudo lá em Buenos Aires, descobri recentemente que o cara tem uma legião de adoradores por aqui. Essa comunidade até pouco tempo atrás silenciosa foi aos poucos dando as caras nos blogs brasileiros e oferecendo aquela sensação de que você não está sozinho na admiração por um trabalho de rara sensibilidade pop. Segundo o Nasi, ao ser convidado para uma mesa redonda na semana passada com o Liniers em pessoa (tem foto aqui), ele foi surpreendido por um público que, crescendo na moita, conhecia tudo do universo Macanudo. As aventuras do Nasi, que passou o dia com o Liniers, estão registradas no blog do Universo HQ e confirmam a impressão que os quadrinhos passam a respeito do cara ser gente fina e generoso. Inspirado por Fontanarrosa, que desenhava incansavelmente para seus fãs, Liniers vai lançar Macanudo 6 na Argentina com a capa embranco. Os 5 mil exemplares serão ilustrados à mão pelo autor. Tá bom ou quer mais?
No último fim de semana, mergulhei em Conejo de Viaje, uma compilação de diários de viagem particulares do Liniers em forma de quadrinhos. Diferente das tiras da série Macanudo, o universo geralmente mais elaborado dá lugar a traços rápidos (feitos diretos na tinta, sem rascunho) e histórias “quase” comuns. Esse “quase”, no entanto, não é por conta dos tradicionais personagens absurdos e bizarros, mas sim - de novo - por um olhar atento e levemente descondicionado que passar por um campo de captação de energia eólica e o enxerga como, na verdade, uma plantação de cataventos. Me lembrou Mário Quintana.
Enfim. Conejo de Viaje ainda não chegou ao Brasil (só em espanhol, importando). Mas Macanudo está aí. Vai lá e compra. Compra vários e distribui uns de presente. Eu vou fazer isso. Se você quer um e não é meu amigo, pode me adicionar no Orkut e me adular. Você corre o risco de ganhar um Macanudo de Natal.
Quem me mandou a notícia já há um tempo foi o Nasi: Liniers vai ser publicado no Brasil pela Zarabatana. De posse dessa informação, o Matias me descolou o email do agende do Liniers na Argentina, Juan Lanusse. Pedi uma entrevista que não rolou porque diz que o Liniers passou três meses dando entrevista, mas a charla me foi prometida pra quando o primeiro número do Macanudo estiver saindo no Brasil. Enquanto isso, eu me contento com o post do Arnaldo e as outras infos que o Juan me mandou.
1. Liniers está expondo desenhos seus na Casa L’inc, um misto de livraria, loja, galeria e escritório de representação de desenhistas. É a primeira vez que os desenhos do cara estão à venda. Ah: Tem aqui uma matéria do Nasi com o Juan falando da tal Casa L’inc.
2. Liniers está trabalhando na edição do Macanudo 6, que sai na Argentina por editora própria, a Editorial Comum.
Se vocês querem conhecer melhor o trabalho do cara, tem trocentas tiras disponíveis no Autonoliniers. Só iguaria.

Liniers, o cara. Me foi mandada pelo Matias.
Liniers. Sempre ele.
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