Arquivo: Little Joy ’
28 de janeiro de 2009 às 1h19
Little Joy estréia turnê em Porto Alegre
Há pouco mais de 2 horas terminou o primeiro show da turnê brasileira do Little Joy, parceria do hermano Rodrigo Amarante, do Stroke Fabrizio Moretti e a mina-de-nome-cool Binki Shapiro. Como era de se esperar, apesar de eu realmente não ter lembrado disso, o bar Opinião foi absolutamente lotado por fãs de Los Hermanos. Essa é a única explicação para o fato de não haver disponível espaço para coisas básicas como respirar durante a bela apresentação de 50 minutos do trio que ao vivo vira sexteto.
Amarante estava emocionado, fazendo suas dancinhas clássicas. Fabrizio Moretti ensaiou um português alegre e Shapiro tem a presença de palco de um vaso ming, mas fecha total com o que se espera do conjunto. A galera na platéia simplesmente estava FELIZ. O show foi inspirado, descontraído e querido. Amarante fez questão de frisar sua escolha por Porto Alegre como início da turnê por motivos emocionais. Moretti disse que era a primeira vez que tocavam se sentindo em casa, apesar de terem feito vários outros shows ao redor do mundo. Na platéia, alguns representantes da clássica ironia portoalegrense gritavam pedindo Ana Júlia. Mas 99% do público estava lá para curtir qualquer suspiro de Amarante, que cumpriu as expectativas do povo.
O clima era muito parecido com um show dos Los Hermanos (idolatria), com um detalhe: a despretensão era clara no ar. O rock, em geral, funciona em uma espécie de régua de extremos. As bandas mais legais são as absurdamente pretensiosas ou as absurdamente despretensiosas – desde que a despretensão ou a pretensão sejam combinadas com talento. No caso do Little Joy, o fator despretensão toma a frente da parceria com talento. Como no disco, o show soa um encontro de amigos num fim de tarde na praia. O que você quer mais?
O detalhe é que esses amigos tem referências relevantes e sabem o que fazer com meia dúzia de notas, um tecladinho e uma guitarra semi-acústica. O resultado é muito simples e independe da platéia paga-pau: rock com influências cinquentistas/sessentistas, praiano, alto astral e relaxado, sem pedir mais do que a simples curtição. Poucas vezes o nome de uma banda foi tão adequado. Little joy, um pequeno prazer, é tudo que precisamos em uma era de cultura multifacetada, complexa e cheia de barroquismos digitais.
Tomara que os caras não compliquem.
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Foto roubada do Danilo, que tem mais a falar sobre o show.
2 de outubro de 2008 às 12h13
The Little Joy of Marcelo Camelo
O lançamento dos trabalhos solo do Camelo e do Amarante gerou uma longa tripa de discussões no escritório d’Oesquema, localizado no Gmail. Há horas que o Matias vem enfatizando pontos importantes, enquanto que o Arnaldo sabe coisas que não sabemos mas vem escondendo o jogo e o Bruno dá uns toques discretos.
De minha parte, indo contra 75% do board d’Osquema, curti bastante o Camelo. Muito provavelmente por algum tipo de alinhamento de momentos de vida, quem sabe? Estou a fim e precisando de sonzinhos na maciota, sem comprometimentos. E isso o Camelo entrega sem grandes dificuldades, com tranqüilidade e um brilho de alegria quase rural, entre a praia (urbana) e a fazenda. Ao menos em metade do disco.
Digo metade porque, aí sim concordo, “Sou” demora pra engrenar ao longo das faixas. Tenho pulado as cinco primeiras e ido direto pra baladinha Mais Tarde (uma das melhores e a menos MPB do disco, ao menos em termos de ritmo), que serve de um preâmbulo contraditório a Menina Bordada, Liberdade, Copacabana e a finaleira Vida Doce (onde Camelo declara . – todas bem alinhadas da fatia considerável do mundo indie que vem abraçando com vigor a música brasileira. Pode-se argumentar que, ao ser gravado por Maria Rita e fazer parceria com a Sandy, de indie o Camelo não tem mais nada. Mas o Arnaldo me contou que ele já foi fanzineiro. Uma vez fanzineiro, fanzineiro pra vida toda. Eu sei do que estou falando. É algo muito sutil, mas está lá.
E o Amarante? Com o Little Joy, o cara expõe o novíssimo caminho alternativo ao tradicional plano de aposentadoria previsto na Lei do Rock Brasileiro (se juntar com figurões da MPB e deitar no berço esplêndido da malemolência da bossa nova ou da jovem guarda). Saracoteando feliz pela nova picada aberta pelo CSS e Bonde do Rolê, o Amarante surpreende quem pensava ser ele a pitada de MPB dos Hermanos e mergulha com gosto no rock 00, não apenas do ponto de vista conceitual mas também prático. Ao consolidar a parceria com o Devendra Banhart (cuja banda vai excursionar com o Little Joy) e com o Fabrizio Moretti do Strokes (batera do novo empreendimento), Amarante abre um novo capítulo na história do rock brasileiro.
Não porque está se misturando com os gringos (grands cousas), mas porque não deixa de ser um ponto significativo em uma linha do tempo pós anos 90 que inclui a digitalização do consumo de música, a estruturação formal da cena independente, a escalada gradual da banda larga, o dólar baixo, o patrocínio de festivais por operadoras e marcas de celulares, o fenômeno das passagens aéreas mais baratas e por aí vai.
Música também é contexto. E contexto, pra quem sabe ler essa partitura, também é música. Vamo q vamo…






Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
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