20 de outubro de 2011 às 14h44
From Madison Avenue to Sesame Street
Falando em Mad Men…
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Um detalhe: a Vila Sésamos dos americanos tá na QUADRAGÉSIMA temporada.
(dica da Ana Carmem)
Falando em Mad Men…
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Um detalhe: a Vila Sésamos dos americanos tá na QUADRAGÉSIMA temporada.
(dica da Ana Carmem)
Se você não assiste Mad Men, aqui vai um resumo: o seriado é um novelão (bem bacana) que gira em torno da equipe de uma agência de publicidade nos anos 60. Maaaaas, a história da agência é apenas um recurso (bem pensado) pra falar dos problemas existenciais da classe média americana da época. Não é apenas a gênese da publicidade moderna que se vê, é também a gênese da maior parte dos males psíquicos que emplacaram nas últimas décadas (depressão, falta de pertencimento, ansiedades, desestruuração de um sistema vigente de status etc).
Uma das coisas mais interessantes do seriado (e que eles enfatizam claramente! são os pequenos hábitos cotidianos da época que caíram em desuso, como uma certa misoginia e, especialmente a tendência de beber e fumar a qualquer hora, o tempo todo. Não só publicitários estressados, mas donas de casas (inclusive grávidas) e médicos (que atendem grávidas) fumam e bebem numa quantidade impensável para os padrões médios atuais.
Não dá pra saber o quanto é verdade, mas dá pra ter uma idéia: eu trabalhei com algumas pessoas que viveram os anos 70 da publicidade brasileira e também lembro do status do álcool e do cigarro durante a minha infância. Eles eram, de fato, mais presentes fora de eventos sociais. O que antes era um comportamento comum hoje é algo quase alienígena, considerado fora da curva. Você olha alguns episódios e pensa (ao menos eu penso): “meu, o que é essa gente tosca?”
Pois o escritor de ficção científica William Gibson, em entrevista para o Boing Boing (que eu vi no Caos Ordenado), disse uma coisa que me lembrou justamente esse aspecto de Mad Men:
“Ao longo da minha vida, eu pude observar emergirem narrativas da história completamente diferentes. A história do que hoje é a Segunda Guerra e de como ela aconteceu é radicalmente diferente da história que me foi ensinada no colégio. Se você lê lê os Vitorianos escreverem sobre si mesmos, eles descrevem algo que nunca existiu. Os Vitorianos não pensavam sobre si mesmos como sexualmente reprimidos ou racistas. Eles não se viam como colonialistas. Eles se consideravam a jóia da coroa da criação.
Obviamente, nós poderíamos ser Vitorianos também.”
A partir dessa perspectiva, é curioso imaginar como seria a 55a temporada de Mad Men lá por 2051. Que comportamentos nossos hoje soarão toscos, retrógrados e excessivos? Que armadilhas sociais não conseguimos enxergar por estarem tão próximas de nossos olhos?
Não tenho muita certeza, mas acho que os episódios da 55a temporada de Mad Men:
- Se passariam em uma agência digital.
- Teriam como protagonista central um Diretor de Planejamento.
- Documentariam a chegada do Twitter e do Facebook.
- Mostrariam a decadência do atual modelo de agência digital.
- E também a frustração dos profissionais, que na verdade queriam todos ter sua própria startup de tecnologia.
- Deixariam claro como “era” exagerada a necessidade das pessoas de estarem conectadas 100% do tempo.
- Daria vergonha de ver como as pessoas “costumavam” ficar acessando emails durante reuniões
- Renderiam cenas hilárias sobre nosso entusiasmo com tablets e smarphones.
- Exporiam a nossa empáfia ao falarmos sobre comunicação digital como se realmente tivéssemos noção do que está acontecendo e o que estamos fazendo.
E por aí vai.
Não adianta: os sofisticados de hoje sempre serão os toscos de amanhã.
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Mas e você? O que acha que hoje é levado na boa mas será tosco no futuro?
O Mini saiu de férias e me pediu pra regar as plantas nesta quinta-feira aqui no Conector.
Eu tenho um blog que fala sobre marcas de televisão na era digital, ou TV III, e tenho observado alguns fenômenos que acho que valem a pena comentar aqui (ainda mais que o Mini tem dissecado o livro do Henry Jenkins em diversos posts). Me refiro aos seqüestros, apropriações e intrusões de marcas de TV.

1. O Seqüestro de Don Draper
No dia 13 de Agosto de 2008, às 7:56 da manhã, o Twitter publica a primeira mensagem de um usuário que paradoxalmente vive nos anos 60.
“Tomando um whisky com Roger, para que ele não se sinta um alcoólatra”.
O tweet é assinado por Don Draper, o publicitário de vida dupla, personagem principal da premiada série americana Mad Men, produzida pelo canal premium AMC e transmitida no Brasil pela HBO. Vale acompanhar a série somente pela encenação da época, muito álcool, cigarro, ausência de consciência ecológica e ética, machismo e princípios de revolução feminista. A caracterização da agência de publicidade nos anos 60 é tão perfeita que é praticamente um personagem em si.

Veja também a paródia de Mad Men nos Simpsons.
Como sou fã da série, imediatamente segui os tweets de Don, e logo em seguida começo a receber convites para seguir outros personagens da série no Twitter: Roger Sterling (um dos donos da agência de publicidade fictícia Sterling Cooper), Peggy Olson (a secretária ambiciosa que vira redatora), Betty Draper (a mulher de Don) e até mesmo de Joan Holloway (a office manager voluptuosa).
Pensei eu: “que ação de marketing sensacional da AMC. Expandir a marca da série através da personificação dos personagens, permitindo que fãs dialoguem diretamente com eles, imergindo no mundo fictício de Mad Men. Bela maneira de engajar a audiência.”
No dia 25 de Agosto, menos de duas semanas depois, o Twitter bloqueia as contas de todos os personagens de Mad Men devido a uma intimação do DMCA (Digital Millennium Copyright Act) em relação aos direitos autorais de propriedade da rede AMC.
No dia seguinte, a empresa Deep Focus, responsável pelo marketing da AMC, persuasivamente convence seu cliente de que personagens do Mad Men engajando audiência via Twitter é boa publicidade, e assim as contas dos personagens são restauradas.
Depois de toda a ação, uma dúvida permanece: quem está por trás dos tweets de Don Draper e dos outros Mad Men?
O mistério vem à tona somente meses depois. Dia 16 de Novembro de 2008, Paul Isakson, estrategista e planejamento de marcas para a agência de marcas digitais Space 150 escreve um manifesto em seu blog, sob o título de Confessions of a (fake) Mad Man assumindo a paternidade dos tweets de Don Draper.
Paul confessa que tudo começou como uma um projeto pessoal de pesquisa ao pensar que seria possível estender realisticamente um personagem de um programa de TV para dentro de uma rede de relacionamentos.
A iniciativa de Paul Isakson, e dos outros fãs da série que assumiram identidades dos personagens no Twitter, é um exemplo perfeito de brand hijack (seqüestro de marca), onde usuários e fãs tomam para si uma marca e promovem sua evolução.
Paul liberou Don Draper de seu cárcere digital e o entregou para a AMC este mês, e pediu desculpas por não ter alimentado o personagem tão bem devida à falta de tempo para se dedicar a tarefa.

2. Apropriação no Café da Manhã
A apropriação de uma marca acontece quando um canal ou programa de TV refere-se ao conteúdo relacionado a outro canal ou programa com o intuito de promover sua própria marca, apropriando-se dos valores de marca alheios através dessa associação. Henry Jenkins fala brevemente disso no Convergence Culture, contando o caso dos outros canais de TV que entrevistavam os candidatos do Big Brother que haviam sido eliminados da casa.
Aqui no Reino Unido, isso acontece descaradamente todos os dias de manhã, quando a grande rede pública BBC exibe seu show matutino de notícias, o BBC Breakfast. Boa parte do show consiste em entrevistas com celebridades de programas de sucesso de outros canais de TV da Inglaterra. A desculpa é que é rede pública, sem fins lucrativos, com foco em fomentar a diversidade. Enquanto isso, o BBC Breakfast aumenta sua audiência às custa de valores de marcas de terceiros.
No Brasil, o Vídeo Show é um bom exemplo de apropriação de marca dentro do domínio de marca de um conglomerado de mídia. O formato do show é basicamente uma ferramenta de promoção dos outros conteúdos da Globo, e ao mesmo tempo, enriquece sua própria marca através dos atributos dos programas que documenta.
Mas não há nada como a sacripantice do Pânico na TV, que descaradamente ridiculariza contratados da Globo em entrevistas desconcertantes. Neste caso, a marca da Globo (ou Glóbulo, nas palavras do Sílvio) é apropriada e “torturada”. Aqui, existe uma simbiose bizarra de marcas, numa dinâmica onde a Rede TV promove brand awareness da Globo através da constante menção ao seu nome e atores, enquanto a RedeTV ganha audiência via seu freakshow de desconstrução da marca Global.

3. A Intrusão do Siri na toca da Globo
O fenômeno mais curioso é do Pânico da TV, com a Dança do Siri promovida pelos personagens Vesgo & Sílvio. A dança em si virou um forte veículo da identidade do show, e é relacionado com o programa seja onde estiver.
O mais engraçado é a intrusão da dança (e conseqüentemente da associação à marca) durante as transmissões ao vivo da Globo, feita por fãs do programa.
A Globo tem um histórico de rigidez no controle de sua marca. Mesmo assim, é difícil impedir a intrusão, ainda mais num ambiente digital, como aconteceu na sua festa da novela Sete Pecados no Second Life. O vídeo abaixo é um tanto quanto parcial, mas ilustra bem mais uma intrusão de uma marca da RedeTV no domínio da Globo.
Estaria o Conector a apropriar-se de marcas ao publicar posts de convidados neste blog?
Espertinho esse Mini, hein? Bem feliz lá curtindo umas férias.
Post escrito por Will Prestes enquanto o Mini está de férias.
Esse blog sobrevive da ambição suicida de tentar entender o contexto em que vivemos hoje através dos códigos da cultura digital, cinema, música, quadrinhos, entre outras prateleiras.
Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com

