OEsquema

Arquivo: Mais Soma

Coletivos

Eu fecho minha blogagem esse ano com um post muito especial. A foto acima, que talvez alguns já devem ter visto no Feice, registra o primeiro encontro físico dos quatro fundadores d’Oesquema, o teto que me abriga. Isso aconteceu em circunstâncias tão curiosas quanto obviamente simbólicas: nos reunimos para o lançamento da série de micro-documentários Diálogos Coletivos produzida generosamente pela Colméia. Nós somos objeto de um deles e os outros dois falam sobre a revista Soma (da qual também sou colaborador desde o primeiro número) e do Fora do Eixo (do qual meu contato vem de ter tocado em um ou dois festivais com os Walverdes).

Diz muito o fato de termos nos reunido pela primeira vez devido a forças alheias a nós, devido a um convite externo e não por conta de alguma “reunião de planejamento” ou coisa do tipo. Diz não apenas sobre o jeito como Oesquema surgiu e funciona, mas também sobre como as coisas podem funcionar hoje em dia. Tu vê só: quatro caras que gostam de absorver, digerir e produzir cultura conseguem gerar impacto, audiência e uma certa relevância mesmo sem a construção de uma rede formal (como o FdE) ou a constituição de uma estrutura microempresarial de viés fortemente cultural (como é a Soma/Kultur Estúdio).

Desse ponto de vista, o coletivo mais interessante do projeto da Colméia (já que nenhum dos protagonistas se considera representado pela palavra coletivo, outra discussão interessante) é justamente o formado pelos três vídeos. Ainda que não cubram todas, eles pegam pontos fundamentais das imensas possibilidades de empreender culturalmente no meio de tantas mudanças estruturais que o mundo está vivendo. O presente, como diz o Pablo Capilé, está grávido. Eu acrescento: de multigêmeos (existe isso?) que não são univitelinos, que vão crescer com personalidades e características físicas bastante diversas. Não é prudente deixar que vistam as crianças todas com a mesma roupa.

Feliz Ano Novo pra todos os indivíduos, para todos os coletivos e para imenso o coletivo formado pelos coletivos – formais ou não.

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Um brinde ao líquido

A linguagem humana é uma coisa engraçada. A gente tem mania de construir alfabetos inteiros usando conceitos que se mantém cristalizados e inquestionados por décadas e que acabam se transformando em dogmas laicos. Por exemplo, você consideraria a ação de alugar um apartamento um ato revolucionário? Certamente não. Quando se fala em alugar um apartamento, é provável que a sua mente abra gavetas e escaninhos ligados a ideias como burocracia, complicação e pequeno aburguesamento. Muito raramente, senão nunca, alguém diz “vou alugar um apartamento” e você lembra, digamos, da geração beat e de tudo que ela significou para a cultura dos últimos 60 anos.

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Acontece, curiosamente, que o fato de Joan Vollner ter alugado um apartamento no número 412 da W118 Street em Nova Iorque foi fundamental para a explosão beat na década 50. Esse foi o endereço que Joan dividiu com Edie Parker, mulher de Jack Kerouac, e cujas portas estavam sempre abertas pra receber gente fina como William Burroughs, Lucien Carr e Allen Gisnberg – além do proprio Kerouac, claro. Nesse pequeno apartamento alugado, madrugadas agitadas por anfetaminas e jazz bebop funcionaram como uma espécie de líquido amniótico para o feto da turma que logo depois colocaria o pé na estrada e aprontaria tremendas confusões. Talvez o contrato de locação desse imóvel tenha sido, de fato, a obra escrita que inaugurou o legado beat.

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Em seu livro mais recente, De Onde Vem as Boas Ideias, o escritor de “ciências pop” Steve Johnson fala sobre a importância desse tipo de lugar, que ele define como tendo propriedades líquidas. Johnson lembra que a maior parte das teorias relacionadas à criação de vida na terra são baseadas em água. E não só porque hidrogênio e oxigênio sejam elementos fundamentais em muitos compostos orgânicos, mas também porque H2O em estado líquido é simplesmente um excelente apartamento para interações químicas. O carbono, a base da vida terráquea, é um excelente conector (como era Allen Gisnberg), ou seja, tem a capacidade de se ligar a uma grande variedade de outros elementos. Mas sem um meio que permitisse numerosas colisões randômicas desse conector com outros parceiros, não haveria a exploração – e a posterior efetivação – dessas possibilidades. Ou seja: líquido é o estado da criação. No gasoso, há muita distância entre as partículas, nada vai a lugar algum. Congelado é paradão demais.

Acredito que muitos que lêem essa revista já estiveram, mesmo que por algumas poucas horas, em um lugar assim. Puxe da memória e certamente você vai se lembrar da atmosfera: uma noite movimentada, com gente entrando e saindo, os copos e cigarros passando de mão em mão, os grupos se fazendo e se desfazendo, os assuntos pulando de pessoa em pessoa, a informação fluindo e as ideias, mesmo que disparatadas e desestruturadas, sendo exploradas, retorcidas – moeda intelectual trocando de carteira e tendo sabe-se lá que destino.

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Nem sempre são apartamentos. Às vezes são ruas que concentram bares ou centros culturais. Uma esquina, uma quebrada. Não precisa ser à noite. Pode ser um campinho de futebol com goleiras nuas e, no lugar da grama, areião. Ou uma feijoada semanal num bairro longe do centro. Pode ser um escritório de portas abertas para a peregrinação de talentos complementares. Ou um ateliê que sirva de imã pra gente que compartilha curiosidades – mas não necessariamente o mesmo segmento artístico ou filosofia de vida. Pode ser qualquer lugar, desde que seja líquido. E, claro, desde que tenha uma Joan Vollner e uma Edie Parker pra bancar a parada e abrir as portas pras moléculas colidirem e se experimentatem como pares.

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Na história da cultura, muitos são lembrados, comemorados e seguidos por revolucionarem modelos e condutas. Mas poucos levam o devido crédito por criar, fomentar e manter ativo o ambiente onde essas viradas acontecem com toda a carga de energia e interação que necessitam. Essa gente pode até se manter anônima. Só não pode deixar de existir.

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Essa foi minha coluna pra revista Soma#26. Não deixe de dar uma boa olhada em toda a revista aqui.

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Música, Alma, Publicidade e Redes Sociais

Sexta passada fui pra BH participar do Feira Música Brasil 2010. O evento reúne gente de praticamente todas as áreas da música, desde os próprios artistas, passando por produtores, donos de casa noturna, selos, gravadoras, representantes de entidades e chegando a executivos do setor de telecomunicações (mais especificamente de operadoras de celular, as grandes vendedoras de música digital hoje) e inclusive especialistas em marketing digital. Tinha showcase de bandas, curador gringo de festivais relevantes lá fora e muita reunião. Eu vi até uma reunião improvisada da Abrafin na área de convivência da Feira, com Pablo Capilé coordenando intensamente os trabalhos.

Minha participação foi na intersecção entre o mundo da música e do marketing digital. Integrei o painel Internet e Marketing junto com Juliano Polimeno (Phonobase), o Tiago Moraes (do Kultur Studio/Mais Soma, o cara aí de cima comigo na foto)  e mais dois gringos especialistas em mídias sociais e marketing digital, o Saul Colt (autoproclamado o homem mais esperto do mundo) e a Krista Neher (uma ex-excutiva da Procter and Gamble que se dedica à evangelização em mídias sociais). A moderação, eficiente e certeira, foi do Carlos Tanakif.

O painel foi muito bacana e eu voltei com muito – muito – mais bagagem que a que tinha quando saí de Porto Alegre. O bacana foi ouvir outras quatro perspectivas bem diversas. O Tiago trouxe a visão de uma empresa de conteúdo que vem atuando em frentes bem diversas embora todas com o mesmo eixo: conteúdo consistente como a base de disseminação em redes sociais e uma forte conexão com música.

Do trabalho para clientes corporativos como Nike (em especial o remix de Umbabarauma produzido este ano), da edição de uma das revistas que melhor resume a cultura contemporânea brasileira e do trampo de manter vivo um espaço cultural, Tiago trouxe a lição de que não é possível pensar a estratégia de qualquer artista sem esquecer do conteúdo. É algo que comentávamos já no aeroporto, onde nos encontramos, um receio que domina conversas do marketing digital: o perigo da estrutura estratégica prevalecer sobre a necessidade de uma história bacana e interessante.

O Juliano, cujo trabalho está por trás de artistas como a Luisa Maita e o Cérebro Eletrônico, trouxe a perspectiva de quem gerencia carreira, produtos e a presença digital dos artistas. Comentou a necessidade de conhecer os diferentes níveis de engajamento do público (do grupo que só baixa som de graça à turma que compra caixa de CDs a 90 reais) pra entregar  música pra todo mundo. Mas nunca totalmente de graça. As bandas cujo trabalho ele administra sempre trocam seu som por alguma coisa, nem que seja informação para mailing. Outra contribuição importante do Juliano foi ressaltar que os perfis de redes sociais não são muito confiáveis: eles vivem mudando suas interfaces, sendo comprados, indo à falência, sendo abandonados, então no longo prazo é importante que a banda tenha um site próprio pra não ser pego de calças na mão pela TPM do Rupert Murdoch um dia.

A contribuição dos gringos foi mais prática e menos reflexiva. Krista Neher fez praticamente um tutorial de como uma banda pode aproveitar da forma mais eficiente as diferentes redes sociais. Eu mesmo anotei algumas idéias que não tinha me ligado, como disponibilzar áudio direto no Facebook (dã). Já o Saul Colt trouxe exemplos clássicos de bandas interagindo diretamente com seu público por mídias eletrônicas. O mais curioso foi a história do They Might Be Giants, que criou um serviço de música por demanda por telefone antes do advento da internet se espalhar. O sistema era muito simples: a banda gravava as músicas numa secretária eletrônica, publicava o telefone em jornais como The Village Voice e pronto. Claro que nem todo mundo podia escutar ao mesmo tempo, mas o recurso ficou célebre entre os fãs e a banda chegou a disponibilizar  500 músicas através desse sistema hoje jurássico. Tem uma história um pouco mais aprofundada do Dial-a-Song aqui na Wikipedia.

Outro caso bacana trazido pelo Saul foi do lançamento do disco mais recente do Devo. A banda trabalhou junto com a hotshop de publicidade Mother, de Nova Iorque, numa série de vídeos de supostos grupos de pesquisa com consumidores pra, entre outras coisas, escolher a nova cor do tradicional chapéu da banda. Interatividade ou statement conceitual? O sarcasmo não deixa dúvidas do quanto o Devo ainda mantém da sua tradicional crítica bem humorada à indústria cultural e ao mundo da comunicação. Flutuando entre categorias, eles transformaram a campanha promocional do disco em conteúdo relevante não só comercialmente, mas também artistiamente.

Aí, na hora das perguntas, alguém da platéia levantou uma bola espertíssima: se o artista precisa se preocupar com tudo isso, especialmente artistas independentes, que não tem grandes estruturas de produção por trás, isso não rouba tempo de processo criativo? Em outras palavras, virar a noite divulgando no Facebook não começa a atrapalhar os ensaios, as composições, o ócio criativo (um pecado em tempos hiperativos?)?  É uma questão complexa, pois muitos artistas fazem marketing digital naturalmente, parecendo fluir junto com o processo artístico (segue o Emicida no Twitter pra tu ver…). Outros não, não tem – e não querem ter essa habilidade.

A pergunta foi dirigida a mim e falei que não dá pra pensar que existe um modelo único de solução: há bandas que podem dividir as tarefas entre seus membros, outras podem fazer acordos com parceiros que trabalhem na área. E ainda acho que há os artistas que podem reduzir sua presença digital ao mínimo necessário sem grandes prejuízos à sua carreira. Mas a Krista trouxe aí uma solução mais prática e sagaz:”Compre um bom celular.” Bingo. Sei por experiência própria que um smartphone decente e uma boa rede 3G facilita consideravelmente a postagem em redes sociais. Só exige um pouco de treino e disciplina.

Mas a questão é interessante e presente: quantas bandas tem consciência de que tarefas de produção e divulgação como administrar perfis em redes sociais, fotologs, websites e desenvolver programação visual podem estar comprometendo seu trabalho musical? É uma questão de organização e consciência. Provavelmente há de se achar exemplos para ambos os extremos, o da negligência com a música e o da consciência do equilíbrio, porque no fim das contas, esses trampos paralelos são fundamentais na condução de uma banda hoje em dia. Falei, falei e fiquei em cima do muro? É isso aí. Estamos diante de uma questão aberta.

Pra fechar, uma idéia que fiz questão de levar pra lá: trabalho na área de publicidade exatamente o mesmo tempo que estou envolvido com música e cultura independente. Tive o privlégio de assistir de perto a revolução nessas duas indústrias, que movimentam bilhões e mexem com paixões no mundo todo. Nesse processo, o escopo do marketing se tornou tão vasto que foi preciso uma nova teoria pra descrever a complexidade dos mercados de nicho – a famosa teoria de Long Tail, onde a digitalização da produção e distribuição de conteúdo gera uma infinita gama de itens que podem ser vendidos sem necessariamente serem caros de produzir ou estocar. No Brasil, esse movimento é ainda mais forte porque, diferente de países como Estados Unidos e Inglaterra, nunca fomos muito uma cultura de consumo de nicho e sim de consumo mainstream, de grandes levas, de um grande mercado unificado.

Hoje o nicho vai se tornando a regra e quem trabalha com cultura independente tem uma inclinação natural para se comunicar bem com segmentos específicos, domina o alfabeto da convivência em pequenas comunidades, o que não é verdade para a maior parte dos profissionais de marketing e publicidade, especialmente os que se formaram com a cultura publicitária dos anos 80 e 90. Esse é o primeiro grande valor dos artistas independentes: eles têm uma disposição natural para se ligarem em rede, um ativo valiosíssimo na década que vem por aí.

Em segundo lugar, eu passei meus 17 anos de publicidade vendo grandes marcas querendo se comunicar como se fossem pequenas bandas: de forma próxima, verdadeira e intensa, ligando-se diretamente a seu público. Se um artista não se cuidar, ele pode fazer o caminho inverso. De posse das infinitas possibilidades da comunicação digital, pode se embevecer e começar a se comunicar como se fosse uma marca dos anos 80, dando tiro de canhão pra atingir o maior número possível de pessoas. O que não é um bom negócio em todos os casos: nem todas as bandas são sabonete.

Nas salas de reuniões de departamentos de marketing e agências de publicidade, fala-se frequentemente em colocar alma nas marcas – porque a maior parte delas realmente não tem e nunca vai ter. Você, que tem uma na sua música, cuidado para não perdê-la por distração, por ficar tempo demais no Facebook.

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Walverdes discotecando nessa quarta


Lá no Complexo Master no lançamento da útlima +Soma.

Com animações do Otto Guerra na telas + live painting de Lidia Brancher e Renan Santos.
É agora, quarta, 14 de abril, a partir das 19h.
Entrada R$ 10 consumíveis (2 cervejas)

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Walverdes: tênis, Billboard, Mais Soma, Noize

Lembra que eu comentei aqui que customizei um Converse lá no Goiânia Noise? Pois então. Não era tinta direto no tênis, e sim na matriz que vai pra fábrica. Essa semana recebi o pacote com o tênis propriamente dito. O primeiro e único Converse dos Walverdes. Já que nenhuma empresa quer fazer, eu mesmo fiz!

Também na semana passada saiu a Mais Soma 16, com capa do Gary Baseman e uma entrevista que o Mateus fez comigo e com o Nobre sobre as conexões Walverdes + MQN ao longos dos últimos dez ou quinze anos. Além de falar das nossas bandas, eu e o Fabrício damos uma geral sobre o cenário independente brasileiro e como a gente vem participando disso desde o meio dos anos 90.

Tu pode baixar a revista inteira (tem entrevista também com nosso conterrâneo Otto Guerra) aqui.

E, por fim, o recorte aí de cima é de uma pequena entrevista que o Marcelo Costa fez comigo pra Billboard desse mês. Com o The Who na capa. Nós e Who na Billboard, que beleza, hein? Pra completar, na mesma seção temos o Wado acima, as meninas do T.A.T.U. à direita e o Filipe Catto à esquerda. Excelente companhia.

Olha…


… como nós somos…

… bonitos.

Essas fotos são do Marco Chaparro pra Noize 31 que já tá online também com as imagens e uma rápida entrevista comigo e com o Patrick. Essa semana ainda sai a de papel, distribuição gratuita.

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A Saga de João – Epílogo

João nasceu de uma intenção. Seus pais não chegaram a se conhecer, se amar, se tocar, que dirá fazer sexo. Ainda assim, em 1979 brotou no ar a possibilidade que os dois se cruzassem e dali nasceu João.

Jairo, o pai de João, tocava escaleta na banda do colégio. Mariana, mãe de João, era baliza. Os dois viajariam juntos para um torneio de bandas marciais em Três Cachoeiras, mas
Mariana teve cachumba e ficou em casa, sofrendo muito, lendo um pouco e descobrindo o tarô. Jairo, por sua vez, passou a viagem toda de ônibus desenhando homens com capa e espada ao lado da guria que anos depois seria sua esposa e com quem teria três filhos. Nenhum deles era João.

Mariana não teria filhos. Dedicaria parte de sua vida ao tarô e outra à mãe, doente crônica desde sempre e para sempre. Jairo, mesmo sem conhecer Mariana, vivia irritado com a excessiva dedicação dela à mãe e a certa altura declarou não ter condições de sustentar a relação. Então partiu, deixando Mariana, a mãe e a possibilidade de João nascer em suspenso.

Mariana e Jairo não se conheceram, não se casaram, não trepararam, não se amaram, mas se divorciaram. João, ora, nasceu de uma possibilidade. Apareceu com oito anos de idade, nu, envolto em uma cortina de fumaça no campo do terreno baldio ao lado do colégio e foi adotado por uma freira. É considerado, até hoje, o primero filho dos chamados divórcios quânticos, as rupturas de meras possibilidades amorosas, onda endêmica nos anos 90 e que até hoje persiste sem explicação científica.

Pergunto a João como ele se sente.

“Como qualquer pessoa normal.”

Pergunto de seus planos para a vida.

“Viver e construir meu caminho.”

Peço que seja mais específico.

“Me tornar bom em escaleta e no tarô.”

Comento que eram as habilidades de seus pais quânticos.

“Coincidência.”

João não é amargo. É ingênuo. Peço que toque uma canção na escaleta.

“Neil Young? Ou Roberto Carlos?”

Esse é João. O primeiro filho dos divórcios quânticos da primeira onda. Diga adeus para nossa platéia, João.

“Fuen.”

Tire a escaleta da boca, João. Seus pais não lhe ensinaram bons modos?

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E assim termina a saga de João, que contei esse ano na MaisSoma.

Epílogo saiu na Mais Soma #14. Tu acha o download da revista inteira em PDF aqui.

A primeira parte da saga dele é Tarô & Escaleta. A segunda é Bloquinhos. A terceira é Cosmos. A quarta é A Bandeira Laranja.

A ilustração (veja grande na revista!) é do Guilherme Dable.

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Videosábado

Temporal, A Arte de Stephan Doitschinoff, dica do Pedro Damásio. Microdocumentário de 13 minutos que conta a passagem do artista brasileiro por uma pequena cidade do interior da Bahia onde ele misturou os murais e pinturas dele com a vida da comunidade. Destaque pra parte da pintura da capela, onde o cara voluntariamente “amacia” o estilo crítico dos seus murais em respeito à fé dos locais. Bastante inspirador, especialmente pela disposição do cara de ir e ficar por lá. Pra retirar dividendos, é preciso investir. Ou, como diz o ditado, não existe almoço grátis. Fiado só amanhã. A preguiça não é mãe da invenção. A trilha é do Hurtmold.

Ah: o Stephan Doitschinoff foi entrevistado na MaisSoma #2, que está pra download gratuito em PDF aqui.

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Quitutes para o finde – ênfase conectorices


Tá rolando aqui em Porto Alegre na Mundo Arte Global uma exposição com trocentas caixas de leite customizadas por gente de música, design, arte, publicidade e tudo mais. Independente das caixinhas, vale uma visita lá porque em cima da galeria tem uma lojinha preza cheia de coisas desenhadas por gente ótima a preços módicos.

A caixinha aí em cima é a minha.

Saiu a INCREÍBLE +Soma número 3 com uma coluna minha, já tradicionalmente fechando a revista. A edição é especial, mais grossinha, perfeita pra levar pra praia, REPLETA de quitutes visuais. Sério, dá gosto de ficar olhar as figurinhas, nem percam tempo com o meu texto. Vou guarda pra olhar com atenção na praia, se tudo der certo.

Outra coisa: a primeira e a segunda edição estão inteiras pra download no site da revista!

Pontos de exclamação!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Tem uma entrevista comigo na edição impressa da revista Noize. Na pauta, música, walverdes, publicitário indie, essas coisas.

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Legal esse clipe:

E legal também os caras tocando ao vivo. Bem escandinava a história:

No MySpace, eles citam Stone Roses como uma das influencias (e se tu prestar atenção vai ver que os arpejos – são arpejos? – iniciais da cançoneta parecem os dedilhados do John Squire, de fato).

O que nos leva aos próprios. Olha essa lindeza:

Ano passado não tinha chongas deles no You Tube, agora é recheado de coisas. A desafinação do Ian Brown é algo incrível. Como alguém conseguiu ser tão cool e influente não sabendo cantar? Em compensação, a química entre os quatro (especialmente entre os 3 instrumentistas) ainda permanece como algo lendário, um dos pilares mais fortes de toda a música pop inglesa feita após – e nem vamos entrar no assunto new rave:

Esse clip aí em cima é todo feito com imagens de um show clássico dos Roses em 89, em Blackpool, um lugar de veraneio próximo a Manchester que reuniu milhares de figuraças em plena explosão da cultura rave/baggy/E e tudo mais.

Bom fim de semana, amigles.

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