OEsquema

Arquivo: Mallu Magalhães

Comercial curioso da Vivo

O interessante aqui não é que o comercial tenha sido feito com fotos de “pessoas reais”, mas que tenha que ser legendado rapidamente explicando o processo, quando o mais interessante é acompanhar o processo, fazer parte dele e não ser informado por uma legenda no fim de um filme de TV.

Mas, definitivamente, do alto do meu telhado de vidro não condeno a agência por isso: são as confusões do momento de transição que vivemos. Meter os pés pelas mãos é a regra no atual mundo da comunicação, apesar de poucas declarações oficiais admitirem isso. A coisa toda tem sua beleza. Um dia vamos olhar pra trás e, se formos honestos, vamos rir com certa intensidade da nossa suposta modernidade, já que somos hoje os toscos uga-buga do amanhã.

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Rock & doença em Porto Alegre

E o show da Publica no Gig Rock sábado passado? É injusto eu dizer que foi o melhor show da noite, uma vez que cheguei já quando a Mallu estava entrando no palco e fui embora antes de ver o Superguidis, perdendo grande parte do line up. Ainda assim, é flagrante os degraus que a Pública galgou ao longo de 2008, a ponto de fazer o público deixar de lado a concorrida pista de dança de uma dupla símbolo da geração Beco (Schutz & Machuca). O objetivo: se amontoar na frente do palco e fazer coro pras sempre cantáveis músicas do primeiro disco e começar já a acompanhar as ainda melhores canções do disco novo. Eu não estava propriamente embolado na frente do palco, mas fiz questão de ajudar no coro de Long Plays, Polaris e Lugar Qualquer.

No que diz respeito às músicas novas: algumas delas estão no MySpace. Vai lá. É lindo ver o que os caras estão fazendo com a música deles (com a força do Fruet, produtor de mão cheia que fez o segundo disco do Flu). Elaboraram um pouco mais os arranjos mas conseguiram manter o fator “cantável” e fugir da complicação exagerada, também mantendo a esquisita ponte entre o cenário urbano contemporâneo de Porto Alegre e o rock inglês que forjaram em Polaris. É i-na-cre-di-tá-vel que os caras consigam soar ao mesmo tempo Nei Lisboa e Supergrass. E fica bom! Fazer isso sem soar pastiche não é pra qualquer um. A Pública consegue. Conte nos dedos quem tem essa habilidade!

A música da Pública é pra ouvir, ouvir de novo, ouvir mais uma vez e então cantar junto ao vivo. Fiquem ligados nas notícias do disco novo. Ele sai no ano que vem com um DVD com um pequeno documentário.

E a Mallu Magalhães? Confirmou o que se esperava: o carisma, a habilidade/naturalidade no palco e o bom gosto. Mallu estava feliz, cantando e tocando bem, dizendo que tentou comprar o CD em uma loja mas que estava tudo fechado por conta do feriado. A galera curtiu e celebrou, mas alguma coisa me fez gostar mais do primeiro show no Porão do Beco no meio do ano, com mais cara de improvisação, lotado.

Cedo pra qualquer julgamento apressado. Pode ser só implicância minha. Na real, pra usar expressões mais ténicas, mais uma vez ficou claro que a mina é “massa” e tem a “manha”. Apesar de (me disseram) estar citando Nietzche no backstage. Vamos em frente.

Um dia antes, eu estava sentado na estilosa sala de aula da Perestroika, uma escola de publicidade/criatividade fundada há pouco por alguns publicitários portoalegrinos a fim de largar a agência e inventar algum outro esquema. Mas, não, não voltei a estudar, ainda mais sexta à noite. Na real, fui assistir à segunda ou terceira noite da Balalaika, a sessão de stand-up comedy da Perestroika com três aspirantes locais: Felipe Agnoni (um dos donos da Perestroika e ex-redator publicitário), o Daniel Martins (meu grande amigo, fotógrafo, redator, viajante quase profissional) e o Léo Prestes (também redator, ex-colega de Escala, hoje bandeado pros lados da internet na W3Haus).

Era 15 patacas com direito a uma long neck (Bohemia!) valendo três sessões de meia hora/20 minutos e um intervalinho entre elas. De certa forma, me senti no Garagem Hermética em 93 vendo o nascer, espero, de uma nova cena, amparada belo bom momento do stand-up no país, que começa a transferir pra “vida real” a boa audiência que vem angariando com os vídeos no YouTube de gente como o Rafinha Bastos e o Danilo Gentili (só pra citar os mais conhecidos).

Foi uma noite feliz. Longa vida e tudo mais.

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ESQUEMEANDO!

O Matias fez uma bela análise a respeito da Mallu Magalhães. O gancho foi o último show dela com 15 anos, mas a questão não é essa e sim que ainda está por ser entendido o que é ser artista, o que é ser celebridade e o que é ser indie (existe ainda?) hojimdia. Bom ponto do Matias: o que interessa é olhar a Mallu fenômeno e não a Mallu pessoa. A segunda realmente não é problema meu (é seu?), já a primeira é uma das coisas mais interessantes que já surgiu nos últimos tempos por derrubar tantas paredes feitas de vento – mas que alguns insistem em dizer que são de concreto.

 

Ensaio sobre a Cegueira, Fernando Meirelles pra cá, Saramago pra lá e o Arnaldo me veio com esse cartum… muito bom, muito bom…

 

O Bruno vem fazendo uma série de posts dividindo com a gente sua saudade de Londres. Aí eu me lembrei uma coisa que me deixou saudoso nas vezes que voltei de lá: o design das placas de sinalização em tudo que é lugar. Pode parecer uma bobagem, mas eu continuo achando que em alguns casos isso contribui pra qualidade de vida, senão pela real eficiência de sinalização, então ao menos pela mera organização visual em um mundo cada vez mais caótico nesse sentido. Virginiano é virginiano né…

Na busca por imagens pra ilustrar esse comentário, esbarrei nesse site de um professor de design, que comenta “public letterings” em uma caminhada no centro de Londres. Vai lá.

Bom fim de semana, só sento na frente da tela na segunda agora…


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OESQUEMA

Matias vislumbra o que será de Mallu.

Bruno acompanha os desdobramentos do João Brasil via OESQUEMA.

Arnado consegue enxergar milhas adiante.

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Publicidade Indie

E a trilha do último comercial da Vivo que estreou ontem na TV? Mallu Magalhães… agora sim, vamos ver onde vai dar tudo isso…

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Mallu Magalhães em Porto Alegre

Eu ia dizer que tive a impressão de estar vivendo um momento especial. Mas me recuso: na verdade eu tenho certeza de que vivi um momento muito especial. Tudo ali parecia ter sido pinçado cuidadosamente para construir um cenário bastante específico e totalmente contemporâneo.

***

A começar pelo lugar do show, o Porão do Beco, terceiro bem-sucedido empreendimento das “organizações Beco”. A casa que hoje traz o carimbo “Beco” atravessou quatro décadas como Encouraçado Butikin recebendo desde Roberto Carlos e Elizete Cardoso até a revolução disco. Hoje, é o lar simbólico (porque há outros) e factual (porque é o que ficou marcado) do underground portoalegrense. Há pelo menos 4 anos, nas suas sucessivas versões, o Beco vem funcionando (ao lado das extintas festas da antiga Funhouse e segundas no Jeckyll) como eixo do resgate do rock na cidade e da criação de novos pilares construídos por bandas como Superguidis, Pata de Elefante, Pública, Damn Laser Vampires e por aí vai. Sobre esses pilares, toda uma cena se criou, agregando ao palco uma pista de dança e os hoje célebres DJ’s de rock.

Apesar de fazer todo sentido do mundo que “a tal da Mallu Magalhães” fizesse sua estréia gaudéria no Porão do Beco, a sincronia com essa linhagem histórica que eu descrevi termina por aqui. E então começo a sublinhar os elementos de ruptura: um show às nove e meia da noite, com a galera praticamente sóbria e calma (tem se cheirado muito em Porto Alegre) e uma atmosfera leve, sem aquela espessa nuvem de fumaça e energia pesada que costuma tomar conta do ar lá pela uma e meia manhã – horário normal de entrada no palco da primeira banda.

De repente, depois de enfrentar uma fila de 400 metros em nosso primeiro sábado frio e chuvoso, a menina entra no palco. Menina mesmo. Quinze anos, metida num terno não muito apertado, mais para David Byrne do que para Strokes. Não é tímida, se comunica bastante com a platéia. Mas é duas. Quando começa a cantar, interpreta, se entrega, se mistura ao violão, às sequências de notas bem colocadas, às boas letras de psicodelia infantil (um pleonasmo?) em inglês e português, às referências bem pescadas (Beatles, Dylan, Johnny Cash). Nos intervalos, gagueja, pontua as frases com “né?” e “meu”, ri e conta histórias. Às vezes mistura as duas coisas.

Cada detalhe é sorvido por um Porão do Beco lotado de pessoas e de uma alegria sincera. “Mallu, casa comigo” grita uma menina. Sim, o cinismo está presente. Mas a naturalidade de Mallu vence o cinismo e pode-se notar isso no ar. Todo mundo presta atenção no show inteiro, se envolve com as brincadeiras infantis, entra no clima. Porque Mallu é a antítese do que se convencionou como o indie nacional. Ela é serelepe e saltitante, algo que combina mais com meninas de 15 anos do que com meninos de 27 anos (deixemos a Lovefoxxx fora disso). Ela foi na Globo e no programa do Lucio Ribeiro da mesma forma. Ela parece vir de outro planeta (a infância) sem se esforçar pra isso. Ela gosta de platéia (!!!!) mas conversa de igual pra igual e não com aquele surrado diálogo de estádio tipo “boa noooooite portooo alegreeeee” ou “estou muito feliz que vocês estão aqui, beijo no coração de vocês”, essas coisas.

Penso que se o show rolasse às 2 da madrugada com todo mundo bêbado, chapado e cheirado, a coisa seria bem diferente. Mas percebo que aí também reside parte do encanto. Mallu fez cerca de 600 indies saírem de casa mais cedo, beeeeem mais cedo, e participarem de uma experiência diferente das suas vidas.

Ok, ela não fez isso sozinha. Teve ajuda forte. Da internet. Do hype do momento disparado por blogueiros influentes. Da curiosidade em torno de sua história pitoresca. Bem como do estado atual das coisas, tendendo fortemente ao folk. Tudo bem. Fomos até lá também por causa disso. Mas ficamos, assistimos e degustamos o show porque o show é bom. Porque o repertório é bem montado, as músicas são bem interpretadas e a menina consegue o que muito marmanjo não tem condições (eu não tenho): segurar uma platéia só na voz e viola, com bom humor e coração aberto, sem maldade.

***

A Mallu, então, é tudo isso? Não, é o contrário: tudo isso é que é a Mallu.

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Às vezes sempre

Postei esse video aqui inspirado no comentário do Secco, que comparou a Mallu Magalhães ao Mazzy Star. Na época eu achava o Mazzy Star meio chato, mas agora bateu, eu realmente ando curtindo vocalistas mulheres que não sejam muito histéricas.

No passado, eu curtia mais a parceria da Hope Sandoval (vocalista do Mazzy Star, discreta musa indie dos anos 90) com o Jesus and Mary Chain? Outra ótima cançoneta.

O que eu acho incrível nessa Sometimes Always é a simplicidade: apenas duas notas o tempo inteiro, duas notas ingênuas e que poderiam ficar pobrinhas nas mãos de outras pessoas. Aqui tem uma versão ao vivo.

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Quitutes pro finde


O nome chique é “outtake”. Pois é: em 2005 gravamos duas músicas a mais para o álbum mais recente dos Walverdes, “Playback”. Uma delas foi para uma coletânea em CD-R da Mono e agora ela também está disponível no nosso MySpace. O “outtake” se chama Again e é uma regravação com letra nova da Again que está no nosso primeiro disco, “Walverdes” – esgotado e ainda bem porque é um disco meio esquisito. No entanto, Again é massa, ainda mais nessa nova gravação, com todo o peso que faltava na outra.

PS: essa foto aí eu roubei do set do incrível Eugênio Vieira.


Believe the hype: o som da Mallu Magalhães é realmente legal! A guria tem só 14 anos (e daí?) mas já conquistou o coração do mundo indie: o Lucio Ribeiro e o Matias assinaram embaixo nos seus blogs. O Du Ramos, ex-empresário do Cansei de Ser Sexy e pensando na vida enquanto faz drum and bass demente com o Sérgio do Debate, também. Como disse o Fabrício Nobre, na mesma noite em que o Du me falou da Mallu: “Mini, é música bem feita, cheia de partes, não é que nem as nossas toscas”. Pois é, Walverdes não tem nem refrão às vezes, quanto mais bridge.

Confere lá e tira tuas próprias conclusões.


Eu adoro nuvens. Uma vez escrevi um enorme conto de ficção científica envolvendo nuvens. Não sei onde foi parar. Pois bem, o Tatu fez umas fotos de nuvens e colocou .

Falando em Tatu, foi ele que me deu a dica: a biblioteca do Congresso Americano tá colocando três mil fotos no Flickr. Ele tirou a dica de outro blog interessante, o The Year in Pictures.

Começou que caiu no meu email um link com o vídeo novo do Supergrass: os caras se autodenominando Diamond Hoo Hoo Men e tocando sem o baixista Mick Quinn. Ué, brigas numa banda que sempre pareceu tão parceria?

Não! É que o baixista quase ficou paraplégico num acidente doméstico: saiu da cama pra ir ao banheiro durante férias com a família, não acendeu a luz, errou o caminho e caiu de uma janela do primeiro andar, machucando seriamente as costas.

Os outros membros da banda, enquanto esperam a recuperação de Mick, então andam fazendo show sob o nome de Diamond Hoo Hoo Men, também o nome do novo single do trio. Que doença.

Bom finde!

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