5 de agosto de 2011 às 9h00
Lesão Mental por Esforço Aleatório
“Na última década, vem sendo muito comum que as empresas contratem serviços de ginástica laboral pra evitar lesões associadas ao computador em seus funcionários. Todo mundo sempre lembra de cuidar dos dedos, das mãos, dos ombros e das costas. Mas pouca gente se dá conta que a mente também está sendo submetida a estímulos novos e mais intensos nos ambientes de trabalho.
A cabeça também precisa de ginástica e descanso pra dar conta de tanta informação. Se o seu pulso sofre com tantos cliques do mouse, a sua mente deve sofrer com a enxurrada de emails, tabelas, relatórios e documentos que você esta abrindo com esse mouse. Mesmo um vendedor que passe o dia inteiro na rua pode estar sendo impactado negativamente com o fluxo constante de emails e mensagens que recebe no celular.
Falar em despoluir e cuidar da mente no ambiente de trabalho ainda é um assunto novo e um pouco esquisito. Mas tomara que não seja preciso surgir um tipo de tendinite mental pra gente prestar mais atenção nisso.”
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O texto acima foi meu programete Minimalismo de 3 de agosto na Oi FM. Quando fui colar o roteiro do programa aqui, me lembrei dessa iniciativa da ONG britânica Mental Health Foundation de divulgar a prática de “mindfulness” como uma ferramenta de redução de stress e como profilaxia no que diz respeito a outras condições, que vão de ansiedade crônica a depressão. A imagem acima é um dos cartazes da campanha.
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No Brasil, mindfulness é frequentemente traduzido como “atenção plena” ou “presença mental”. Eu conheci a prática de atenção plena através do budismo, mas ela é absolutamente isenta de adesão religiosa. Inclusive, já encontrei o mesmo princípio em aulas de Yoga, alongamento e no relato de esportistas. A prática em si é muito simples. Sabe aquela música do Titãs “Tudo Ao Mesmo Tempo Agora”? Pois então, atenção plena é justamente um outro verso da canção: “Uma coisa de cada vez”. Para aprender, existem certas técnicas: focar a atenção na respiração, fazer contagens, sentar com a coluna ereta, andar prestando atenção nos passos… mas a essência é não se perder no tsunami de estímulos que o mundo sensorial oferece usando algo como eixo (geralmente o corpo). Vale sublinhar que não se trata de NEGAR os estímulos, pelo contrário. Com a prática de atenção plena, se aproveita melhor cada um deles – na sua vez.
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Uma vez, lembro que li no ex-blog do Eduf um termo interessantíssimo que me grudou na mente: mindless browsing. Traduzindo, vamos dizer que seria “ficar browseando a esmo, sem presença mental”. Que é quando a gente fica na internet pulando de um site pra outro, abrindo um monte de abas, passando um pouco de tempo em cada uma…enfim, praticando o tal do mindless browsing. Se você parar pra perceber, o mindless browsing agita a mente e, na repetição, deixa o cara meio zonzo, meio abobalhado. Mindless browsing é a condição básica de navegação da maior parte de nós. Mas só porque ela é a forma corrente de uso do computador, não quer dizer que seja a mais saudável.
A prática de atenção plena seria justamente o antídoto para o mindless browsing: parar, respirar, fazer uma coisa de cada vez. Eu não estou dizendo que é fácil (muito menos que eu seja bom nisso…). Na verdade não é, porque parece que ficar a esmo, essa sim é o nosso funcionamento natural. Mas, iniciativas como a da Mental Heatlh Foundation estão jogando luz sobre uma outra possibilidade: a presença mental, a atenção no momento presente, é que seria a nossa condição básicas de sanidade e operação.
Para mais argumentos, dados e até um curso online de prática de mindfulness,visite o site da campanha.
Se alguém quiser dicas de onde encontrar esse tipo de treinamento, falamos nos comentários.





















Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
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