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Arquivo: Minimalismo

Não-lugares

Augé entrevistado pelo programa Milênio, da Globo News.

Alguns meses atrás eu comentei no Minimalismo e aqui no blog sobre o efeito que os aeroportos têm sobre nós, de fazer a gente se sentir numa espécie de limbo, num lugar entre lugares. Uma pessoa nos comentários me alertou que o antropólogo francês Marc Augé tem toda uma teoria sobre o assunto. Ou seja, eu estava de metido no assunto.

Augé criou o conceito de não-lugares, espaços ambivalentes, de passagem, que não causam naturalmente a sensação de você fazer parte daquele lugar. Outros exemplos de não-lugares, além dos aeroportos, são os supermercados, os metrôs e os quartos de hotéis. É um conceito interessante porque é derivado e parente próximo da noção de exclusão que permeia a visão urbanista contemporânea. Na ânsia de excluir-se o diferente, o velho, o sujo e o tédio, em alguns casos acaba-se excluindo a si mesmo dos lugares. E os transformando em não-lugares.

Um outro efeito colateral é transformar lugares familiares, como a nossa casa e o nosso trabalho, em não-lugares. Mas isso é assunto pra oooutro post…

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Tempo compartilhado

Os computadores na década de 60 tinham como característica executar apenas um tipo de tarefa por vez. Mas logo surgiu o conceito de tempo compartilhado que permitia às máquinas processar as tarefas de vários usuários simultaneamente. O desenvolvimento dessa capacidade foi revolucionário na história da computação e curiosamente também influenciou o comportamento humano.

Hoje, como os computadores podem fazer várias tarefas ao mesmo tempo, a gente acha que também tem a mesma capacidade. Mas tem um problema: a indústria como um todo tem muito mais habilidade pra resolver problemas de um processador sobrecarregado do que de uma pessoa sobrecarregada.

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Texto inspirado num dos programetes Minimalismo que eu faço pra Oi FM.
Imagem daqui.

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Técnicos

Existe uma antiga expressão no futebol que diz que o Brasil é um país com 190 milhões de técnicos de tanto que brasileiro gosta de palpitar. Com a internet, essa expressão extrapolou o âmbito do futebol e o próprio Brasil.

Hoje, como todo mundo pode dar sua opinião na rede sobre qualquer assunto e ainda virar uma autoridade em pequenas comunidades, podemos dizer que a Terra virou um planeta com bilhões de técnicos de futebol, críticos de cinema, entendidos em vinho, comentarista de gastronomia, mestres em segurança público e por aí vai.

A democracia da internet transformou o mundo numa grande mesa de bar. E, como toda mesa de bar, ela está lotada de especialistas.

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Post inspirado num dos programas Minimalismo que eu fiz pra Oi FM.
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Fantasmas

Até alguns anos atrás, os fantasmas eram figura freqüentes no imaginário popular. As histórias sobre fantasmas e aparições eram parte de conversas entre amigos e familiares. Hoje, as histórias de fantasma contadas em primeira pessoa estão sendo substituídas por algumas poucas reportagens de televisão ou vídeos na internet, geralmente seguidas de investigações pretensamente científicas. Uma pena, porque bem ou mal, antigamente as pessoas conviviam com as aparições enquanto que hoje a nossa cultura procura fazer algo não muito saudável: manter nossos fantasmas distantes de nós.

Como se isso fosse possível.

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Post inspirado num dos programas Minimalismo que eu fiz pra Oi FM.
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Foto daqui.
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Conteúdo

Os debates em torno do futuro do consumo de conteúdo têm tomado páginas e mais páginas de blogs, portais, jornais e revistas. Todo mundo tá querendo saber se o livro vai terminar, como vamos ler e qual será o formato vencedor. Mas pouca gente está pensando no outro lado da questão: qual vai ser a cara do conteúdo que vai dentro desses dispositivos? O que a gente ler e com que tipo de histórias e informações a gente vai interagir nos novos tablets e e-readers? Quando a poeira da confusão sobre formatos e aparelhos baixar, talvez o que surja é um aparelho vencedor com a tela vazia.

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Post inspirado num dos programas Minimalismo que eu fiz pra Oi FM.
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Aeroportos

Aeroportos são lugares de ninguém. Isso não é uma crítica às companhias aéreas ou às agências federais. É só uma constatação conceitual. Fora os funcionários, pra todo o resto da população flutuante dos aeroportos, a relação com tempo e espaço é muito diferente. Porque o aeroporto é um lugar entre lugares.

Todo mundo que passa uma, duas, três, cinco, seis horas esperando vôos está passando um tempo em lugar nenhum. É daí que vem aquela sensação esquisita quando você faz muitas conexões em um mesmo dia. O problema não é você. O problema é que estar no aeroporto é estar a caminho e estar parado ao mesmo tempo.

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A imagem que eu escolhi pra ilustrar o post quase rende outro post. Ela mostra  a parede luminescente do Terminal 5 do aeroporto de Heatrhow, Londres, criada pelo estúdio Troika. O horário de Londres aparece como eixo central do relógio e é ladeado pelos horários de regiões ou locais interessantes do mundo como o Museu Guggenhein, o Everest, o Canal do Panamá e a Torre Eiffel. Uma leve e divertida subversão dos tradicionais relógios de aeroporto que trazem o horário em diversas capitais financeiras ou políticas do mundo.

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O post e esse assunto todo são inspirados num dos programas Minimalismo que eu fiz pra Oi FM.

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Descartáveis Permanentes

Esse monte de oferta de notícias rápidas com que a gente convive na internet costuma dar a idéia de que estamos cercados de uma massa de informação instantânea e descartável. Mas, por outro lado, muitos fragmentos em texto, foto ou vídeo que passam batidos numa época podem acabar voltando como relevantes nos anos seguintes, dependendo do contexto em que ressurgem.

(As “mais lida”s da Folha, por exemplo, volta e meia são freqüentadas por notícias bem antigas que sucumbem a alguma onda de interesse bizarra. Teve um caso bem célebre disso esses tempos, mas não estou conseguindo lembrar qual é – que ironia.)

O ponto mais curioso disso tudo é que, diferente de notícias em papel ou na televisão, que têm arquivos difíceis de serem acessados, na internet mesmo o jornalismo mais raso acaba virando biblioteca. E criando mais um paradoxo dos nossos tempos: as notícias instantâneas e aparentemente descartáveis se tornam bem mais duráveis do que se esperava ou se queria pra elas.

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.
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Foto bacana daqui.

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Exatamente humano

Nas conversas do dia a dia, a tecnologia é tratada como um assunto das ciências exatas. Mas se a gente olhar com atenção, vai perceber que na verdade ela sempre foi da área de humanas. Inventos como um chip ultra veloz, um e-reader ou um GPS são humanos porque nasceram de desejos bastante humanos, seja um desejo por conforto, por companhia ou por poder. Quanto mais moderna e mais incrível for a tecnologia, mais humana ela é porque provavelmente veio da parte obscura da mente de um visionário. E não existe nada mais humano e tão pouco exato do que a mente obscura de um visionário.

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Postos

Os postos de gasolina são lugares marcantes na cultura contemporânea. Primeiro, nos reunimos em torno deles pra abastecer e fazer a manutenção dos nossos veículos. Depois, começamos a passar por lá também pra ouvir música alto, tomar cerveja, comer porcaria, comprar remédios ou alugar filmes.

É irônico, interessante e talvez meio triste que tudo que encontremos nos postos de gasolina hoje possa ser classificado de combustível. E como tudo está mudando com rapidez, fica aí uma questão interessante: o que será considerado combustível pra nós nos próximos dez, vinte ou cinqüenta anos? Respostas no posto de gasolina mais próximo.

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Carteiras

Primeiro, o dinheiro de papel começou a ser substituído pelos cartões de plástico. Agora, os cartões estão disputando espaço com novas formas de pagamento digital feitos diretamente no computador ou no celular. Se os cartões de plástico forem mesmo substituídos por senhas digitais, isso vai levar a uma mudança social no uso da… carteira.

Com menos dinheiro físico pra levar, as nossas carteiras serão meros depósitos de bilhetes, fotos e outras quinquilharias, enquanto nossos celulares se tornarão o nosso centro financeiro por permitirem a conexão com bancos e sistemas de pagamento digital. Vivem avisando as empresas de mídia e entretenimento, mas alguém aí esqueceu de dar um toque sobre a revolução para os fabricantes de carteira.

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E o corpo nisso tudo?

Um dos grandes desafios para os novos aparelhos como smartphones, e-readers e o iPad é a ergonomia, ou seja, o comportamento e a posição do corpo enquanto estamos interagindo com conteúdos digitais. A nossa história com esses aparelhos é recente e o corpo de quem fica horas e horas em cima do smartphone ou de um e-reader deve estranhar.

Com o tempo, a tendência é que naturalmente a gente vá encontrando posições e momentos adequados e sadios pro uso de cada aparelho. Ou a conta do celular no uso de dados não vai ser nada perto da conta que o corpo vai cobrar.

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Esse texto foi inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM. (Pra ver todos os textos, vá por aqui.) Mas eu já toquei nesse assunto (frequentemente negligenciado) nesse post aqui.

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Multi

Hoje, quando se fala em conteúdo multimídia, logo a gente lembra de coisas como as notícias na internet, aquelas que trazem texto junto com vídeos, fotos, gráficos em 3D, áudios, essas coisas. Mas não é só o mundo da informação que está assim. As relações pessoais também estão se tornando mais… multimídia.

As amizades, os amores e os laços familiares hoje contam com uma série de anexos como fotos de celular, vídeos de câmeras digitais, mensagens de SMS, emoticons do MSN, perfis no Orkut, enfim, toda uma variedade de expressões digitais brilhantes, pulsantes e feitas de pixels, que já estão ajudando a contar e enriquecer a nossa biblioteca sentimental.

Haja HD pra tanta coisa…

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Internet = urbanização

O grande sonho de quem navega na internet é ter uma conexão rápida e encontrar sites fáceis de explorar.  No dia-a-dia, a rotina é bem diferente, recheada de serviços lentos, sites complicados e links quebrados. O vale que existe entre vontade e experiência acaba gerando um acúmulo de pequenos momentos estressantes com novas tecnologias. Mas talvez uma parte considerável dos desencantos cotidianos que acompanham interações digitais seja fruto, simplesmente, de idealizações.

A evolução da internet em países como o Brasil segue mais ou menos as regras da urbanização. Existem muitos planos e muitos desejos, mas, no fundo, por muito tempo a gente vai ter que conviver com a versão digital dos engarrafamentos, das calçadas imperfeitas, das ruas esburacadas e dos bairros degradados.

A vida digital, queiramos ou não, também é vida.

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.

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Essa van bacana aí eu achei aqui.

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Scanners

O scanner é um dos grandes responsáveis pela tradução de trilhões e trilhões de documentos físicos pra linguagem dos softwares. Ele é hoje um tipo de diplomata entre o mundo analógico e digital. Mas esse momento de estrelato do scanner não vai durar pra sempre.

Ao longo das próximas décadas a necessidade de escanear documentos talvez diminua lentamente. Ou porque muitos documentos já terão sido escaneados ou porque muitos já virão em formato digital. Não é que o scanner vá sumir. Mas como acontece com aparelhos e celebridades em uma época de tecnologia acelerada, não é realista ficar se achando por muito tempo.

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi  FM.

Pra ver todos os textos, <a href=”http://www.oesquema.com.br/conector/category/minimalismo”>vá por  aqui.</a>

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Impressões

A tecnologia de touchscreen, como todo mundo já sabe, é uma das grandes apostas (confirmada!) na área de interfaces. Cada vez mais a gente vai dialogar com aparelhos tocando direto na tela. Hoje esse recurso é novidade e parece muito bonitinho, mas dentro de alguns anos ele vai se tornar mais comum e perder parte do encanto.

Um dos grandes desafios na popularização das telas sensíveis ao toque é quando elas estiverem presentes em locais públicos. Além de precisarem ser bem menos frágeis, elas vão disputar espaço com a poluição visual e um tipo de sujeira cotidiana do ambiente urbano que vai exigir bem mais do que as atuais telas com tratamento oleofóbico…

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Mobilidade mesmo??

A evolução dos telefones celulares está criando novos paradoxos pro nosso dia-a-dia. Por exemplo, a gente costuma pensar que o celular nos dá mais mobilidade ao permitir que a gente acesse os emails ou a internet de qualquer lugar. Mas, na verdade, essas novas funcionalidades também fazem com que a gente tenha que parar o que está fazendo pra dar atenção constante pro aparelho. Desse jeito, o celular cria dezenas ou centenas de pequenas pausas nos nossos movimentos do dia. Então, pode ser que o celular nos deixe bem menos móvel do que a gente imagina…

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Nonsense planet

Não cheguei a ler esse livro, mas a premissa é muito atraente, não é? Autêntico representante dessa leva de livros de ciência pop, o “13 Coisas que Não Fazem Sentido” ressalta anomalias ainda não explicadas pela ciência como sinais vindos do espaço em 1977, a fusão a frio (que na teoria é impossível mas que funciona em laboratório), o efeito placebo e certos gases em Marte que parecem ter sido produzidos por formas de vida semelhantes à nossa. (Confira um pouco mais na resenha do Guardian.)

Mas, vamos combinar… pra sacar qual é o maior mistério do livro, não precisa ler: é o próprio livro! Como é que o jornalista de ciência Michael Brooks conseguiu encontrar só 13 anomalias que não fazem sentido quando a gente sabe que deve existir pelo menos um bilhão de coisas absolutamente nonsense no nosso planeta?!

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.

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Inteligência Artificial

A maior parte das mudanças culturais que a gente está vivendo hoje são, de certa forma, parentes da revolução industrial do século 19. No livro o Zen e a Psicanálise, de 1960, o professor zen budista DT Suzuki comenta que uma das diferenças fundamentais entre homens e máquinas surgidas no século XIX é o objetivo ao executar tarefas.

A finalidade de uma máquina é sempre terminar uma tarefa enquanto nós, humanos, frequentemente encontramos significado no próprio processo, não só no resultado. Isso é um bom parâmetro pra evolução da inteligência artificial. Um computador (ou um software) só terá atitudes humanas no dia em que ele conseguir executar uma tarefa com o mero objetivo de executar – e não de terminar.

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.

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Ah: um bom pedaço do livro citado acima está disponível em inglês no Google Books. Parece simples de ler, mas ele é profundo. Eu li umas dez páginas e estou há quase um mês pensando nelas.

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Pode sair dando autógrafos

O número de câmeras que estão nos filmando está crescendo ano a ano, sejam as câmeras digitais dos nossos amigos ou as onipresentes câmeras de seguranças em supermercados, bancos ou prédios. Todo mundo hoje está em alguma tela em algum momento do dia, o que vem gerando muita discussão sobre privacidade mas também está fazendo a felicidade de muita gente vaidosa e que gosta de aparecer – mesmo que seja nas tvzinhas dos seguranças.

Portanto, se você algum dia sonhou em celebridade de TV, seu sonho já se realizou porque nos dias de hoje você é muito mais filmado e gravado do que muitos atores da década de 70.

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Post inspirado num dos Minimalismos que eu faço pra Oi FM.

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As novas cidades fantasma

Geralmente quando alguém fala em cidades fantasma, a gente logo associa o termo a regiões abandonadas pela falta de dinheiro. Mas, na China, acontece o contrário. O governo de lá liberou incentivos de bilhões de dólares pra construção civil e pro setor imobiliário, gerando absurdos como Ordos, uma cidade feita para um milhão de pessoas mas habitada só por algumas centenas. O motivo disso é fazer bonito no PIB com grandes números de investimento. Mas, como temos visto ultimamente, números não são bons para habitar cidades. Eles são bons mesmo em criar bolhas econômicas.

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Escrevi esse comentário pro Minimalismo da Oi FM, inspirado nesse artigo da Foreign Policy e nesse do Gizmodo, que tem vídeo.

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Foco

Segundo o pesquisador americano David Dalrymple, a capacidade de ser focado em um mundo cheio de distrações é mais importante do que acumular conhecimento. Vale ler o artigo todo do Dalrynple, porque ele meio que quebra alguns conceitos solidifcados que flutuam nas nossas conversas de churrasco e mesa de bar.

Qualé o ponto dele? É assim: vivemos num período em que as instituições educacionais e as empresas ainda valorizam, ensinam e se estruturam em torno do acúmulo de conhecimento, a habilidade de você simplesmente SABER coisas. Mas, hoje, com tanta informação à disposição de forma rápida e barata, o que conta são as mentes capazes de navegar com clareza nos oceanos de dados, que não se afogam mas que conseguem dar um sentido maior e mais profundo a eles. Em outras palavras, saber qualquer um sabe. Mas e coordenar tudo de acordo com cada situação necessária?

Daqui pra frente, vamos provavelmente assistir a uma valorização cada vez maior da faculdade natural da mente humana para se focar e ligar os pontos. O mais curioso disso é que a tecnologia, indo contra o que muitas vozes apocalípticos pregam, não está matando o nosso lado mais mágico e intuitivo, mas tornando-o, isso sim, um artigo essencial.

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Post inspirado num dos Minimalismos que eu faço pra Oi FM.

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Identidade

A pesquisadora e jornalista inglesa Aleks Krotoski está investigando a relação entre a identidade das pessoas dentro e fora da internet. O mito que se criou em torno disso é que muita gente inventa um personagem quando cria um perfil digital, aumentando algumas qualidades e reduzindo defeitos. Mas o que o estudo da Aleks está descobrindo é que cada vez mais as identidades digitais refletem a identidade da pessoa fora da rede.

Ou seja, lentamente estamos amadurecendo na construção das nossas relações online, e descobrindo que não podemos fugir de quem realmente somos nem mesmo no tal “mundo digital”. A fuga não esconde nossos traços. Apenas, de um jeito indireto mas geralmente flagrante para olhos atentos, os reforça.

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A imagem acima é do set do Flickr de desenhos feitos no iPhone pelo incrível José Carlos Lollo.

E o texto do post é inspirado num dos Minimalismos que eu faço pra Oi FM.

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Blippy

O Blippy é daqueles sites que surgem e levantam três questões clássicas relacionadas à tecnologia hoje: 1) Pra que serve esse troço? 2) Tá, mas pra que serve MESMO esse troço? 3) Santo cristo, onde é que isso vai parar?

Vamos às respostas.

1) No Blippy, que está em testes ainda, você cadastra seu cartão de crédito e seus perfis na internet e o programa mostra pra todos seus amigos da suas redes sociais seus gastos em detalhes e em tempo real, na hora em que você acabou de passar o cartão na maquininha.

2) Quem é que vai querer ser controlado e comentado pelos outros dessa forma, eu não sei. Mas, vamos combinar que tem um uso excelente pro Blippy: cadastrar todos os cartões de crédito de todos os políticos brasileiros no site e fazer aparecer no Orkutão.

#ficadica.

Ah: a pergunta 3 não é comigo, é no guichê seguinte.

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A cor do som

Os celulares são aparelhos difíceis de serem customizados por fora, na sua estrutura física, a grande maioria deles, pelo menos. Ainda assim, todo mundo dá um jeito de deixar o telefone com a sua cara. Uma vez que papéis de parede e fotinhos são limitadas pra um raio de ação mais amplo, o som é que é, hoje, um dos grande fatores de diferenciação do aparelho. É por isso que os ringtones são tão importantes e geram tanto dinheiro no mundo todo pra operadoras e gravadoras. É o toque pessoal de cada um, seja uma música, uma voz gravada ou uma piadinha qualquer que faz dois aparelhos iguais parecerem de donos tão diferentes.

Em resumo, o som é hoje a cara do celular.

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Post inspirado num texto que gravei pro Minimalismo da Oi FM.

Ilustra: daqui

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Quebrando coisas & conceitos

Os artistas europeus Ronnie Yarisal e Katja Kublitz tiveram uma idéia interessante pra quem gosta de descontar suas frustrações quebrando coisas. Eles inventaram uma vending machines, essas máquinas que vendem refrigerantes, só que colocaram ali dentro objetos de porcelana. Então você chega na máquina, coloca a moeda e escolhe o objeto, ele cai na gaveta e quebra na hora.

No fundo, a máquina funciona bem como uma dupla crítica: sobre a tendência atual de transformar tudo em compras, e também sobre a digitalização das nossas vidas, de não tocarmos diretamente naquilo que estamos envolvidos emocionalmente. Ou seja: a máquina de quebrar coisas não serve só pra lidar com a raiva (um subterfúgio controverso de acordo com algumas correntes psicológicas, diga-se de passagem), mas também com outras questões mais profundas do mundo contemporâneo.

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Post inspirado num texto que gravei pro Minimalismo da Oi FM.

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