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Arquivo: Nova Iorque

Um brinde ao líquido

A linguagem humana é uma coisa engraçada. A gente tem mania de construir alfabetos inteiros usando conceitos que se mantém cristalizados e inquestionados por décadas e que acabam se transformando em dogmas laicos. Por exemplo, você consideraria a ação de alugar um apartamento um ato revolucionário? Certamente não. Quando se fala em alugar um apartamento, é provável que a sua mente abra gavetas e escaninhos ligados a ideias como burocracia, complicação e pequeno aburguesamento. Muito raramente, senão nunca, alguém diz “vou alugar um apartamento” e você lembra, digamos, da geração beat e de tudo que ela significou para a cultura dos últimos 60 anos.

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Acontece, curiosamente, que o fato de Joan Vollner ter alugado um apartamento no número 412 da W118 Street em Nova Iorque foi fundamental para a explosão beat na década 50. Esse foi o endereço que Joan dividiu com Edie Parker, mulher de Jack Kerouac, e cujas portas estavam sempre abertas pra receber gente fina como William Burroughs, Lucien Carr e Allen Gisnberg – além do proprio Kerouac, claro. Nesse pequeno apartamento alugado, madrugadas agitadas por anfetaminas e jazz bebop funcionaram como uma espécie de líquido amniótico para o feto da turma que logo depois colocaria o pé na estrada e aprontaria tremendas confusões. Talvez o contrato de locação desse imóvel tenha sido, de fato, a obra escrita que inaugurou o legado beat.

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Em seu livro mais recente, De Onde Vem as Boas Ideias, o escritor de “ciências pop” Steve Johnson fala sobre a importância desse tipo de lugar, que ele define como tendo propriedades líquidas. Johnson lembra que a maior parte das teorias relacionadas à criação de vida na terra são baseadas em água. E não só porque hidrogênio e oxigênio sejam elementos fundamentais em muitos compostos orgânicos, mas também porque H2O em estado líquido é simplesmente um excelente apartamento para interações químicas. O carbono, a base da vida terráquea, é um excelente conector (como era Allen Gisnberg), ou seja, tem a capacidade de se ligar a uma grande variedade de outros elementos. Mas sem um meio que permitisse numerosas colisões randômicas desse conector com outros parceiros, não haveria a exploração – e a posterior efetivação – dessas possibilidades. Ou seja: líquido é o estado da criação. No gasoso, há muita distância entre as partículas, nada vai a lugar algum. Congelado é paradão demais.

Acredito que muitos que lêem essa revista já estiveram, mesmo que por algumas poucas horas, em um lugar assim. Puxe da memória e certamente você vai se lembrar da atmosfera: uma noite movimentada, com gente entrando e saindo, os copos e cigarros passando de mão em mão, os grupos se fazendo e se desfazendo, os assuntos pulando de pessoa em pessoa, a informação fluindo e as ideias, mesmo que disparatadas e desestruturadas, sendo exploradas, retorcidas – moeda intelectual trocando de carteira e tendo sabe-se lá que destino.

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Nem sempre são apartamentos. Às vezes são ruas que concentram bares ou centros culturais. Uma esquina, uma quebrada. Não precisa ser à noite. Pode ser um campinho de futebol com goleiras nuas e, no lugar da grama, areião. Ou uma feijoada semanal num bairro longe do centro. Pode ser um escritório de portas abertas para a peregrinação de talentos complementares. Ou um ateliê que sirva de imã pra gente que compartilha curiosidades – mas não necessariamente o mesmo segmento artístico ou filosofia de vida. Pode ser qualquer lugar, desde que seja líquido. E, claro, desde que tenha uma Joan Vollner e uma Edie Parker pra bancar a parada e abrir as portas pras moléculas colidirem e se experimentatem como pares.

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Na história da cultura, muitos são lembrados, comemorados e seguidos por revolucionarem modelos e condutas. Mas poucos levam o devido crédito por criar, fomentar e manter ativo o ambiente onde essas viradas acontecem com toda a carga de energia e interação que necessitam. Essa gente pode até se manter anônima. Só não pode deixar de existir.

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Essa foi minha coluna pra revista Soma#26. Não deixe de dar uma boa olhada em toda a revista aqui.

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American Widow

Esses dias a Época publicou uma matéria reunindo obras no que poderia se configurar uma certa onda de literatura dedicada ao luto. Podiam ter incluído o trabalho da Alissa Torres, viúva cujo marido morreu no World Trade Center no 9 de setembro e que transformou seu luto em uma graphic novel. Não li ainda, mas parece promissor.

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De onde vem…

O vídeo acima é uma edição de imagens bem descompromissada da vidinha no Lower East Side de Manhattan, Nova Iorque, no fim dos anos 60. A região era historicamente um reduto de imigrantes e de vida boêmia, mas, diz-se, acabou descaracterizada pela especulação imobiliária e a gentrificação. Ainda assim, é uma área interessante, com a rua indie Ludlow (onde fica a Cake Shop), a tradicional deli judaica Katz (onde a Sally simulou um orgasmo) e o sempre interessante New Museum, entre muitas outras coisitas curiosas (não sou exatamente um especialista, só um flaneur distraído.)

Mas nem é disso que eu queria falar. O que me chamou a atenção nessas imagens é que fica bem claro de onde vem toda essa estética do Hipstamatic e do Instagram

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Mais posts sobre Nova Iorque… vá por aqui.

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Escadas

Uma das coisas que mais me encanta em Nova Iorque: as escadas de incêndio que “decoram” os prédios com uma espécie de exoesqueleto urbano.

Elas realmente me hipnotizam, pois são estruturas muito gráficas, exatas, repetitivas. Além do mais, como bom brasileiro, ficava pensando o tempo todo que é uma mamata pra arrombadores.

Por um motivo ou por outro, sempre que olhava pros prédios era tomado por uma sensação intrigante acompanhada de uma curiosidade da origem do meu próprio fetiche.

Até que me lembrei: essas escadas foram personagens coadjuvantes de histórias que li durante décadas.

É meio ridículo, mas quando eu vi elas ao vivo entendi a alegria das crianças que tiram foto com pessoas fantasiadas de Mickey ou Pateta.

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Conector em Gotham parte 12: jesus é véio

… já a Liu Chuang, diferente do Sang Dong (sonoro esse início de post, não?) escolheu uma abordagem diferente pra questionar noções de identidade e falar da relação das pessoas com seus objetos e sentimentos. Ela simplesmente chegou em algumas pessoas aleatoriamente na rua e comprou TUDO que a pessoa estava usando e portando no momento, INCLUINDO chicletes, cuecas e documentos. TUDO. Depois, ajeitou as coisas numa bancada do New Museum e chamou a parada de “Buying Everything On You”. Eu olhei e comprei a idéia na hora. Foi mal aí o trocadilho, mas eu realmente me conectei com o trabalho da Liu Cheung por mais óbvio e direto que ele seja. Se um grande pintor pode, em pleno museu, despir uma pessoa com um quadro intenso, por que negar a outro artista a oportunidade de fazer isso literalmente e no meio da rua? E depois trazer pra dentro do museu não a pessoa prestes a ser despida mas tudo aquilo do que ela foi despida? Você vai negar? Hein? Hein? Eu não.

E se outro chinês, o Chu Yun, quiser criar uma escultura usando uma pessoa? E se a única forma de convencer essa pessoa a fazer parte de uma escultura viva for emboletar a querida com Dormonid (ou outra dessas substâncias que as pessoas usam pra se anestesiar) e colocá-la pra dormir dentro do museu (quem nunca “dormiu” dentro de um museu?), em uma cama branca, com lençóis brancos, como são as paredes da maior parte dos museus? Quem vai dizer que talvez ela seja a pessoa mais concentrada que está lá dentro? Não me meto nessas coisas. Cada um com seus problemas.

E o que você me diria se aparecesse mais um desse hoje ubíquo país pra botar alguns pingos nos is e outros embaixo do ponto de interrogação quando falamo da cultura cosplay, congelando imagens de cosplayers em situações absolutamente cotidianas, dando a real não apenas para eles, mas também para quem não entende qualé, borrando os limites e mostrando que está tudo certo como está, não há qualquer dissonância de realidade no cosplay? O que você me diria?

E, quando, cansado de chineses, você se deparasse com desenhos aparentemente infantis de objetos domésticos? E descobrisse que são desenhos da vó da Katerina Seda, a qual, nos seus últimos anos de vida, foi convencida a desenhar o que a rodeava, fazendo você pensar na degradação do corpo e da mente ao mesmo tempo em que tenta lhe convencer do valor do mundo cotidiano? E se isso tudo lembrasse a pequena distância que existe entre a infância e a velhice, lembrando que quando crianças desenhamos para conhecer um mundo que vamos explorar e que a senhora ali está desenhando infantilmente um mundo do qual está prestes a se despedir? Você ia sacanear a senhora e dizer que os desenhos dela não prestam?

E se você chegasse ao fim de um post cheio de pontos de interrogação e descobrisse que isso foi só uma gambiarra pra encobrir o fato de que o blogueiro amigo não sabia direito por onde começar o seu texto, estava com preguiça de consolidar um raciocínio decente então tacou-lhe o conteúdo fazendo pergunta atrás de pergunta para um leitor aleatório, puro fruto da imaginação hiperativa de alguém que queria, de alguma forma, por mais estúpida que fosse, dividir um pouco da fascinação que lhe causou a exposição Younger Than Jesus que estava rolando no New Museum?

Hein? Hein?

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Conector em Gotham parte 11: não gaste, meu filho

A senhora Zhao Xiangyuan nasceu em 1938, algum tempo antes da revolução de Mao. Ela tinha 11 anos quando o caldo entornou, o que a colocou automaticamente dentro de uma geração marcada pra sempre pelas dificuldades de uma guerra civil, de medidas econômicas duras e de uma intensa revolução cultural. Não bastasse essa bagunça, o pai da senhora Xiangyuan ainda foi acusado de ser um espião anti-comunista e perdeu todo seu patrimônio. Mais tarde, já casada, a senhora Xiangyuan teve seu marido também acusado de atividades contra-revolucionárias, sendo obrigado a cumprir sete anos de trabalhos forçados.

E eu acho que tenho problemas.

Um dos legados mais fortes desse período, que a senhora Xiangyaun levou para toda sua vida, foi a filosofia do “Wu jin qi young”, traduzido pro inglês como “waste not” ou, em português razoável, “não gaste”. Diante da escassez de bens e recursos, o hábito de guardar embalagens e objetos velhos na garagem para um possível uso posterior se entranhou nela (e em seus amiguinhos) de tal forma que, mesmo quando em melhores condições, o hábito de juntar tralha permaneceu na cultura depois do período de dureza.

(Quem leu Maus do Art Spiegelman? O mesmo acontece com o pai do autor depois de passar por Aschwitz e acho que todo mundo tem em seus pais algo assim em menor escala.)

Em 2002, a senhora Xiangyaun estava lá, ainda juntando suas valiosas quinquilharias de forma agora extravagante e desnecessária diante de certas melhorias econômicas quando o senhor Xiangyaun… morreu. Seguiram-se, então, três anos de depressão e desespero, até que seu filho resolveu propôr uma forma interessante de trabalhar o luto. O filho da senhora Xiangyaun não é psicólgoco, mas um respeitado artista conceitual chinês. O nome dele é Sang Dong.

Bom nome. Sonoro.

Desistindo de convencer a senhora Xiangyaun a se mudar e se livrar do lixo seco, Sang Dong pediu à mãe que trabalhasse com ele em um novo projeto: expôr tudo aquilo que ela acumulou em décadas de “Wu jin qi young” ou “waste not”. Dessa forma, argumentou, ela conseguiria ir em frente e abrir mão do peso daqueles pertences acumulados mas dando um significado e um uso para tudo aquilo que, por tanto tempo, estava esperando… um uso.

Vai dizer: o cara é bom hein?

Waste not é uma das instalações mais lindas e emocionantes que eu já vi. É uma piada pronta em termos de arte contemporânea, porque basicamente é composta de lixo seco. Coisas que, pelo senso comum, deveriam ir pra reciclagem. Surpresa: elas foram pra reciclagem.

Como disse uma vez o Jorge Furtado, lixo é só uma coisa fora do lugar. Me desculpe se eu explico demais e tiro a poesia da situação, mas o que era inútil na casa da senhora Xiangyaun se tornou útil em uma série de âmbitos: ao se tranformar em obra de arte (embora muita gente não coloque isso na categoria de utilidade), ao ocupar espaço em um museu, ao servir de plataforma pra reflexões do público.

Quer mais ironia? Toma-lhe: a China é hoje, provavelmente, o maior produtor de quinquilharias da história da humanidade. Mais uma? Esse lixo todo deve ter viajado em containers e depositado sem dó nem piedade no meio do MoMA (o nosso lixo de container não é tão sofisticados conceitualmente). Outra? Os objetos estão todos dispostos de forma organizada, classificados e agrupados de acordo com suas antigas utilidades. Raramente os sentimentos dentro de nós têm esse privilégio. Raramente podemos olhar para nossa quinquilharia interna disposta de maneira tão clara e objetiva.

Ok, menos. A útima então.

Depois de esvaziar a garagem, a senhora Xiangyaun concordou finalmente em deixar sua velha casa e se mudar para um apartamento mais aprazível em Pequim, próximo a um parque. Lá ela morreu em janeiro último ao cair de uma escada depois de tentar salvar um passarinho.

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Aos links.

Roubei essas boas fotos da instalação desse blog. As minhas não tavam lá essas coisas.
E tem um texto interessante, de onde tirei mais dados da história, aqui.

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Conector em Gotham parte 8: high line

É engraçado. A série Gotham na verdade começou há um anos e pouco, quando passei dez dias com minha mulher em Nova Iorque. Como você pode ler aqui, eu fiquei bastante impressionado com minha primeira vez nos Estados Unidos. Da mesma foma que a maior parte das pessoas de classe média no Brasil, cerca de 70% da minha formação cultural se deu por intermédio de produtos americanos (de todas as qualidades). Fora isso, tenho algumas ligações sentimentais com a língua e o jeito como os americanos organizam sua sociedade.

Essa segunda viagem a Nova Iorque só veio confirmar as sensações misturadas da primeira: adoro o lado cosmopolita e cultural da cidade, mas aquela correria e aquela ansiedade no ar definitivamente não me fazem tão bem. De modo que meus dois lugares prediletos são o Central Park (como achei no ano passado) e a recém inaugurada High Line. O Central Park você conhece bem de todos aqueles filmes que já viu. Mas a High Line é uma jóia fresca, foi inaugurada há algumas semanas, uma alternativa de passeio poética e inteligente em uma cidade cravada de pequenos prédios e arranha céus que parece ter se tornado o novo orgulho dos novaiorquinos (ou ao menos os representados pela mídia…).

A idéia tem mais de dez anos e foi declinada pelo prefeito da tolerância zero, Rudolph Giuliani. Basicamente, o que se pretendia era pegar uma linha de trem “aérea” e transformá-la em um… parque. Parte da linha original foi derrubada muito antes, mas o que sobrou recebeu um redesenho completo, com passeio, uma vegetação que simula o verde selvagem que cresce em torno de ferrovias e facilidades como bancos, telefones de emergência, escadas de acesso e um curiosíssimo anfiteatro com uma enorme vitrine que dá para a rua.

Passear na High Line foi certamente uma das coisas mais especiais que fizemos. Ela literalmente eleva o seu passeio, o coloca em um outro nível numa cidade onde a maior parte das caminhadas do circuitomais turístico (a não ser aquelas na orla da ilha de Manhattan) são sufocadas por prédios por todos os lados. Ok, os prédios ainda estão lá, mas o pedestre parece ganhar um outro status, ao menos ao conseguir enxergar a rua de cima e o segundo ou terceiro andares dos prédios ao redor olho no olho. Pra completar, a High Line fica a poucos quarteirões da orla do Rio Hudson, o que oferece algumas vistas incríveis quando a prediarada (coletivo para prédios) dá um tempo.

Aqui em Porto Alegre temos um projeto chamado Aeromóvel que chegou a ser construído mas nunca foi utilizado comercialmente. O projeto piloto foi instalado próximo ao centro da cidade e até hoje está lá, jogado às moscas. Daria uma boa High Line para nós.

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Curiosidade: fui pesquisar sobre o Aeromóvel e descobri que ele é uma tecnologia brasileira. Existe apenas uma outra linha operando no mundo em Jakarta.

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A série sobre Nova Iorque continua nos próximos dias.

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Aretha Franklin enquanto eu não volto

Estou de volta ao Brasil, de volta ao trabalho, mas ainda não consegui retomar o Conector. Pode vir aqui de novo amanhã, freguês, que eu prometo que começo a contar. Entre os assuntos, um pouco mais de Cannes, Sonic Youth em Nova Iorque, algumas coisas bem legais que eu vi no New Museum e no MoMA, fotos, comidas, não sei bem mais o quê…

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De Cannes e Nova Iorque para voce, leitor

Pois entao. Antes de vir a Cannes, passei uns dias em Nova Iorque e o apartamento da pessoa que me hospedou fica nessa rua absurdamente agradavel, Woody Allen Style, no West Village ou Greenwich Village, que eh um lugar que tem toda uma aura cultural/intelectual, uma historia.

E todo dia eu saindo pra rua e olhando essa plaquinha nesse predio, nao ultrapasse. Pensei que tinha acontecido um crime, as pessoas toda hora tirando fotos. E pergunei pra Ann, que estava me hospedando, qualera dessa plaquinha e ela disse: “Ah, esse era o apartamento de Carri do Sex and The City durante a serie. Eles filmavam aih. Eh um problema pros moradores, por isso a plaquinha.” 

E esse cartazinho aih? O que esse cara aprontou??

Meu carro.

As ruazinhas de Cannes sao perfeitas praquele passeio de fim de tarde estressado porque o wireless do hotel nao tah funcionando e voce precisa postar a cobertura do festival logo de uma vez. Correria em Cannes eh outra coisa!

Agora, sem duvida nenhuma, bom mesmo eh passear de retroescavadeira na praia. E o povo no Brasil reclama de quem anda de carro na areia. Esse cara tava com o porta malas da retro aberto, tocando o maior funk carioca e mexendo toda a areia pra fazer um travesseirinho onde ele pudesse colocar a  cabeca pra tomar banho de sol no dia seguinte. O pessoal se puxa pelo conforto aqui.

E essas cadeirinhas aih hein? Acredite, ainda nao consegui sentar nelas. Mas amanha rola. Ah rola!

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E o segundo post sobe o Festival de Cannes tah lah no blog da Escala.

Ateh outra hora.

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