A câmera fotográfica é um objeto que mudou muito de status nos últimos anos. Ela surgiu na vida de nós, não-fotógrafos, como um simples capturador de momentos especiais. E as imagens que elas produziam eram guardadas com toda pompa e circunstância em álbuns super bem cuidados.
Hoje, a câmera, em sua encarnação digital, está à disposição de muito mais gente. Ela se tornou um objeto mais comum que captura momentos também mais comuns. Ficou mais fácil registrar o dia-a-dia e ficou mais difícil selecionar (e desfrutar d’) os momentos realmente especiais no meio de tantos gigas de imagens
Esse é mais um dos paradoxos da cultura digital que não serão resolvidos por aparelhos mas pela mentalidade do usuário.
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Post inspirado num texto que gravei pro Minimalismo da Oi FM.
Imagem: “Stairway to Nothing”, Centro Cultural Martin Cererê em Goiânia.
Um dos efeitos colaterais da disseminação de novas tecnologias, curiosamente, é o retorno a velhos hábitos. Por exemplo, já foi dito que o mp3 trouxe de volta a era dos singles e que o email também trouxe de volta o diálogo escrito entre as pessoas depois de um longo declínio na troca de cartas.
(Embora alguns hoje decretem a morte do email, eu não acredito. Pra mim, é que nem a morte do cinema, do rádio, da televisão…)
Bom, mas a questão é que o celular também é responsável por um desses fenômenos. No século passado, antes da criação do relógio de pulso, era comum alguém puxar um aparelho do bolso pra saber as horas. Hoje, tu vê só, é igualzinho. Pra se situar e não ficar perdidão, a maior parte das pessoas precisa ir no bolso em busca das horas, consultando o celular.
Pobre pulso: perdeu status no que diz respeito a nos conectar com o fluxo do tempo. E pro bolso, que nem parte do corpo é!!!
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Leia também A volta dos que não foram - 1.
Post inspirado num texto que gravei para o Minimalismo na Oi FM.
Imagem daqui.
O economista e prêmio Nobel Herbert Simon escreveu em 1971 que um mundo com riqueza de informação provoca naturalmente a escassez daquilo que a informação consome: atenção. Resumindo, riqueza de informação produz pobreza de atenção. É um fenômeno que estamos claramente vivendo hoje, quando não temos atenção suficiente pra dar a tudo que aparece ao nosso redor.
Quando uma marca faz uma campanha publicitária, ela está justamente querendo comprar a nossa atenção, seja com a repetição de uma mensagem sem graça, seja sendo apelativa pra impactar ou usando uma moeda mais digna, a criatividade.
Sim, é isso mesmo. Os investimentos milionários em televisão, rádio, jornal, internet e celular servem só pra chamar a sua atenção. Na verdade, o poder de prestar ou não prestar atenção na campanha é seu.
Quem é dono da sua atenção, é mais poderoso do que qualquer uma dessas grandes empresas.
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Post inspirado num texto que gravei para o Minimalismo na Oi FM.

O Tiago Dória recentemente comentou que estamos vivendo na era do desmanche do conteúdo. Adorei essa expressão que resume bem um jeito de viver contemporâneo. É aquela coisa: em vez de ouvir discos inteiros, estamos preferindo músicas individuais que coletamos e selecionamos de acordo com a nossa preferência. Ou então, em vez de ler todo o conteúdo de um só portal de notícias, escolhemos matérias específicas de diferentes fontes de informação na internet.
Isso me lembra um assunto freqüente que vi no “Twitter” há alguns meses: pessoas de mau humor reclamando do mau humor do “Twitter”. As aspas são propositais: não faz sentido reclamar do Twitter, mas talvez sim do “Twitter”. O primeiro, sem aspas, é a ferramenta, algo neutro, cujo usuário decide como vai utilizar. O segundo, com aspas, é o consolidado. Aquela telinha com um conteúdo de pessoas que EU decido seguir (e não o programador da rádio), onde EU sou o editor (e não o diretor de programação do SBT), onde EU fiz a escolha (e não o chefe de redação da Folha). Se o MEU “Twitter”, com o grupo de seguidores que EU montei, está chato ou repetitivo ou insosso ou irrelevante, a responsabilidade é toda minha (e não do editor da Veja). É mais ou menos como brigar com o shuffle do mp3 player por ele estar tocando só música ruim.
A questão toda é que o desmanche do conteúdo coloca nas mãos de nós, ouvintes, leitores, espectadores, a responsabilidade de editar obras artísticas e informações. Todos nós - e não apenas os “formadores de opinião” ou os “curadores” - estamos nos tornando de fato editores e cada vez mais temos duas coisas: primeiro, a liberdade de escolha. E em segundo lugar, a responsabilidade. Porque se nós é que estamos escolhendo e selecionando, também não podemos mais botar a culpa em ninguém da má qualidade do que consumimos em termos de informação e entretenimento.
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Ilustração roubada do blog do Guy Deslile.
Post inspirado num texto que gravei para o Minimalismo na Oi FM.
Gente amiga: a partir de hoje estou em rede nacional na OI FM duas vezes por dia com comentários de um minuto sobre todas essas coisas que eu escrevo no Conector. O programete se chama Minimalismo e veicula às 13h45min e às 20h30min.
Além da felicidade de voltar pro rádio (depois de uma temporada do Ligado, Plugado, Amplificado na Ipanema FM há dois anos), ainda me sinto privilegiado de estar tão bem acompanhado no ar: na Oi tem programa de gente da estirpe do Reverendo Fábio Massari, Maurício Valladares e o Moby (sim, ele mesmo), além de um monte de amigos e conhecidos como o Guilherme Dable, a Juli Baldi, o Cardoso, o Ferla (que é o diretor da Oi aqui em Porto Alegre e me colocou na empreitada), o Leo Felipe, entre outros tantos.
À medida em que os programas forem pro ar, vou colando aqui o texto ou o áudio deles. Fique no aguardo e, se você é de Porto Alegre, comece a sintonizar o 90.3. Pra outras cidades, dá uma olhada aqui no site da Oi.
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