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Arquivo: Oi FM

Minimalismo

Como sempre, eu lembro: clicando aqui ou no banner ali do lado, você vai para a tag do meu programete no site da Oi FM sobre cultura digital. Lá tem o Minimalismo em áudio e texto pra re-ouvir ou ler.

Nos últimos tempos, eu venho falando sobre o quanto nós somos mais do que a soma de nossas conexões digitais, sobre a noção de buffet na hora de comprar aparelhos digitais, sobre o futuro da blogagem por voz, sobre a origem da hashtag, sobre Pittsburgh disputando atenção com o Vale do Silício, entre muitas outras coisas.

Aparece lá…

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Nunca esqueça da TORNEIRA

Pós-ruminando o post do último domingo, sobre o Dia de Desconectar, me lembrei de dois Minimalismos que fiz pra Oi num passado recente.

Num deles, eu trouxe à tona uma metáfora bastante comum hoje quando se discute mídias digitais, que é essa história de comparar informação à água. Não sei bem quem começou com isso, mas um dos caras que costuma usar esse comparativo é o futurista Gerd Leonhard. Também me lembro de um livro (que não li) chamado The Future of Music (o Matias comenta sobre ele nesse debate), no qual o futuro consumo de música é comparado com o consumo de água. É uma forma de explicar os modelos de assinatura, nos quais você paga uma mensalidade e tem acesso à música quando quiser no seu computador ou celular – que, preste atenção, deixam de ser garrafinhas pra se tornarem torneiras.

Digo isso, porque essa história de água, garrafinhas e torneiras é um excelente gancho pra quem se sente sobrecarregado com tanta informação que chega pelos meios digitais. Assim como nós somos cercados por informação, nós também somos cercados por água. Tem água correndo por canos nas paredes, no teto e no chão – inclusive na rua. A gente só não enxerga, mas somos rodeados de água encanada.

Se não existissem as torneiras, a água encanada ficaria o tempo todo jorrando, faria a maior molhaçada e seria uma incomodação do cacete. Então, inventaram essa maravilha que é a torneira. Quando a gente precisa, abre a torneira, usa a água. Parou de usar, fecha a torneira.

Com o excesso de informação, tem que ser a mesma coisa. Não é porque existe um fluxo constante de informação chegando que a torneira precisa ficar aberta o tempo todo. Ou, para ser mais direto, não é porque ficam vendendo o conceito de “always on” e que o email pode ser configurado no celular que você vai deixar ele aberto, atualizando o tempo todo.

O email, o Facebook, o Twitter, o Orkut, a rede de SMS são como canos por onde passa água. Cabe a cada um abrir e fechar a torneira adequadamente se não quiser se afogar.

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Minimalismo – de 3 a 14 de junho

Nas últimas duas semanas, eu não tenho postado muito aqui. Mas tenho falado diariamente, como sempre, na Oi FM sobre…

- Os mitos da usabilidade. Pra ouvir, clique aqui.

- Os expansivos da internet. Pra ouvir, clique aqui.

- A confusão entre  passado, presente e fututo. Pra ouvir, clique aqui.

- Quem tem o poder do tempo real? Pra ouvir, clique aqui.

- De novo ele: o futuro! Pra ouvir, clique aqui.

- Democracia digital. Pra ouvir, clique aqui.

- Tecnostress! Pra ouvir, clique aqui.

- Crowdsourcing na publicidade. Pra ouvir, clique aqui.

Beleza?

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Interatividade?

A empresa de monitoramento de redes sociais Sysomos estudou o efeito das mensagens no Twitter durante dois meses pra descobrir o que acontece com elas. Segundo o estudo, apenas 29% dos twits gera algum tipo de interação, como um reply ou um retwitt. Dos 71% restantes nós não temos como saber quais são ao menos lidos!

Ou seja, que só porque hoje todo mundo pode se expressar, isso não quer dizer que todas as opiniões sejam ouvidas – ou lidas. Pra quem gosta de grandes platéias, a realidade dos números das redes sociais talvez seja um pouco dura. A popularidade no meio digital é uma equação com parâmetros ainda em construção. Vai demorar mais um pouco pra gente saber ao certo como atribuir pesos e valores às diferentes noções de audiência. Enquanto isso, é melhor manter os pés no chão.

O trabalho tem uma série de outros insights, como a influência da rapidez de interação no número de RTs e Replys (o que aparece no gráfico acima). Mas um ponto continua em aberto na maior parte das pesquisas, que é a importância de tweets de tuiteiros altamente influentes em relação a tuiteiros altamente populares. Clareando um pouco mais, quero dizer que sempre existiu – e vai existir – uma camada de influenciadores que fica descoberta por estudos numéricos de popularidade, porque o efeitos dos seus twitts não é quantitativo, mas qualitativo.

Esses, valiosos em alguns segmentos (não pra publicidade, mas pra cultura digital) só com algumas escavações à mão pra descobrir quem são.

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Texto inspirado num dos programetes Minimalismo que eu faço pra Oi FM.

O Minimalismo vai ao ar todos os dias às 9h30 e às 13h45 nas cidades onde tem Oi FM ou na webradio.

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Tempo compartilhado

Os computadores na década de 60 tinham como característica executar apenas um tipo de tarefa por vez. Mas logo surgiu o conceito de tempo compartilhado que permitia às máquinas processar as tarefas de vários usuários simultaneamente. O desenvolvimento dessa capacidade foi revolucionário na história da computação e curiosamente também influenciou o comportamento humano.

Hoje, como os computadores podem fazer várias tarefas ao mesmo tempo, a gente acha que também tem a mesma capacidade. Mas tem um problema: a indústria como um todo tem muito mais habilidade pra resolver problemas de um processador sobrecarregado do que de uma pessoa sobrecarregada.

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Texto inspirado num dos programetes Minimalismo que eu faço pra Oi FM.
Imagem daqui.

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E o corpo nisso tudo?

Um dos grandes desafios para os novos aparelhos como smartphones, e-readers e o iPad é a ergonomia, ou seja, o comportamento e a posição do corpo enquanto estamos interagindo com conteúdos digitais. A nossa história com esses aparelhos é recente e o corpo de quem fica horas e horas em cima do smartphone ou de um e-reader deve estranhar.

Com o tempo, a tendência é que naturalmente a gente vá encontrando posições e momentos adequados e sadios pro uso de cada aparelho. Ou a conta do celular no uso de dados não vai ser nada perto da conta que o corpo vai cobrar.

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Esse texto foi inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM. (Pra ver todos os textos, vá por aqui.) Mas eu já toquei nesse assunto (frequentemente negligenciado) nesse post aqui.

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Câmeras

A câmera fotográfica é um objeto que mudou muito de status nos últimos anos. Ela surgiu na vida de nós, não-fotógrafos, como um simples capturador de momentos especiais. E as imagens que elas produziam eram guardadas com toda pompa e circunstância em álbuns super bem cuidados.

Hoje, a câmera, em sua encarnação digital, está à disposição de muito mais gente. Ela se tornou um objeto mais comum  que captura momentos também mais comuns. Ficou mais fácil registrar o dia-a-dia e ficou mais difícil selecionar (e desfrutar d’) os momentos realmente especiais no meio de tantos gigas de imagens

Esse é mais um dos paradoxos da cultura digital que não serão resolvidos por aparelhos mas pela mentalidade do usuário.

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Post inspirado num texto que gravei pro Minimalismo da Oi FM.

Imagem: “Stairway to Nothing”, Centro Cultural Martin Cererê em Goiânia.

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A volta dos que não foram – 2

Um dos efeitos colaterais da disseminação de novas tecnologias, curiosamente, é o retorno a velhos hábitos. Por exemplo, já foi dito que o mp3 trouxe de volta a era dos singles e que o email também trouxe de volta o diálogo escrito entre as pessoas depois de um longo declínio na troca de cartas.

(Embora alguns hoje decretem a morte do email, eu não acredito. Pra mim, é que nem a morte do cinema, do rádio, da televisão…)

Bom, mas a questão é que o celular também é responsável por um desses fenômenos. No século passado, antes da criação do relógio de pulso, era comum alguém puxar um aparelho do bolso pra saber as horas. Hoje, tu vê só, é igualzinho. Pra se situar e não ficar perdidão, a maior parte das pessoas precisa ir no bolso em busca das horas, consultando o celular.

Pobre pulso: perdeu status no que diz respeito a nos conectar com o fluxo do tempo. E pro bolso, que nem parte do corpo é!!!

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Leia também A volta dos que não foram – 1.

Post inspirado num texto que gravei para o Minimalismo na Oi FM.

Imagem daqui.

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O valor da nossa atenção

O economista e prêmio Nobel Herbert Simon escreveu em 1971 que um mundo com riqueza de informação provoca naturalmente a escassez daquilo que a informação consome: atenção. Resumindo, riqueza de informação produz pobreza de atenção. É um fenômeno que estamos claramente vivendo hoje, quando não temos atenção suficiente pra dar a tudo que aparece ao nosso redor.

Quando uma marca faz uma campanha publicitária, ela está justamente querendo comprar a nossa atenção, seja com a repetição de uma mensagem sem graça, seja sendo apelativa pra impactar ou usando uma moeda mais digna, a criatividade.

Sim, é isso mesmo. Os investimentos milionários em televisão, rádio, jornal, internet e celular servem só pra chamar a sua atenção. Na verdade, o poder de prestar ou não prestar atenção na campanha é seu.

Quem é dono da sua atenção, é mais poderoso do que qualquer uma dessas grandes empresas.

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Post inspirado num texto que gravei para o Minimalismo na Oi FM.

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Sobre liberdade & edição

O Tiago Dória recentemente comentou que estamos vivendo na era do desmanche do conteúdo. Adorei essa expressão que resume bem um jeito de viver contemporâneo. É aquela coisa: em vez de ouvir discos inteiros, estamos preferindo músicas individuais que coletamos e selecionamos de acordo com a nossa preferência. Ou então, em vez de ler todo o conteúdo de um só portal de notícias, escolhemos matérias específicas de diferentes fontes de informação na internet.

Isso me lembra um assunto freqüente que vi no “Twitter” há alguns meses: pessoas de mau humor reclamando do mau humor do “Twitter”. As aspas são propositais: não faz sentido reclamar do Twitter, mas talvez sim do “Twitter”. O primeiro, sem aspas, é a ferramenta, algo neutro, cujo usuário decide como vai utilizar. O segundo, com aspas, é o consolidado. Aquela telinha com um conteúdo de pessoas que EU decido seguir (e não o programador da rádio), onde EU sou o editor (e não o diretor de programação do SBT), onde EU fiz a escolha (e não o chefe de redação da Folha). Se o MEU “Twitter”, com o grupo de seguidores que EU montei, está chato ou repetitivo ou insosso ou irrelevante, a responsabilidade é toda minha (e não do editor da Veja). É mais ou menos como brigar com o shuffle do mp3 player por ele estar tocando só música ruim.

A questão toda é que o desmanche do conteúdo coloca nas mãos de nós, ouvintes, leitores, espectadores, a responsabilidade de editar obras artísticas e informações. Todos nós – e não apenas os “formadores de opinião” ou os “curadores” – estamos nos tornando de fato editores e cada vez mais temos duas coisas: primeiro, a liberdade de escolha. E em segundo lugar, a responsabilidade. Porque se nós é que estamos escolhendo e selecionando, também não podemos mais botar a culpa em ninguém da má qualidade do que consumimos em termos de informação e entretenimento.

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Ilustração roubada do blog do Guy Deslile.

Post inspirado num texto que gravei para o Minimalismo na Oi FM.

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Conector: agora também no rádio

Gente amiga: a partir de hoje estou em rede nacional na OI FM duas vezes por dia com comentários de um minuto sobre todas essas coisas que eu escrevo no Conector. O programete se chama Minimalismo e veicula às 13h45min e às 20h30min.

Além da felicidade de voltar pro rádio (depois de uma temporada do Ligado, Plugado, Amplificado na Ipanema FM há dois anos), ainda me sinto privilegiado de estar tão bem acompanhado no ar: na Oi tem programa de gente da estirpe do Reverendo Fábio Massari, Maurício Valladares e o Moby (sim, ele mesmo), além de um monte de amigos e conhecidos como o Guilherme Dable, a Juli Baldi, o Cardoso, o Ferla (que é o diretor da Oi aqui em Porto Alegre e me colocou na empreitada), o Leo Felipe, entre outros tantos.

À medida em que os programas forem pro ar, vou colando aqui o texto ou o áudio deles. Fique no aguardo e, se você é de Porto Alegre, comece a sintonizar o 90.3. Pra outras cidades, dá uma olhada aqui no site da Oi.

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