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Arquivo: Opinião

Little Joy estréia turnê em Porto Alegre

 Há pouco mais de 2 horas terminou o primeiro show da turnê brasileira do Little Joy, parceria do hermano Rodrigo Amarante, do Stroke Fabrizio Moretti e a mina-de-nome-cool Binki Shapiro. Como era de se esperar, apesar de eu realmente não ter lembrado disso, o bar Opinião foi absolutamente lotado por fãs de Los Hermanos. Essa é a única explicação para o fato de não haver disponível espaço para coisas básicas como respirar durante a bela apresentação de 50 minutos do trio que ao vivo vira sexteto.

Amarante estava emocionado, fazendo suas dancinhas clássicas. Fabrizio Moretti ensaiou um português alegre e Shapiro tem a presença de palco de um vaso ming, mas fecha total com o que se espera do conjunto. A galera na platéia simplesmente estava FELIZ. O show foi inspirado, descontraído e querido. Amarante fez questão de frisar sua escolha por Porto Alegre como início da turnê por motivos emocionais. Moretti disse que era a primeira vez que tocavam se sentindo em casa, apesar de terem feito vários outros shows ao redor do mundo. Na platéia, alguns representantes da clássica ironia portoalegrense gritavam pedindo Ana Júlia. Mas 99% do público estava lá para curtir qualquer suspiro de Amarante, que cumpriu as expectativas do povo.

O clima era muito parecido com um show dos Los Hermanos (idolatria), com um detalhe: a despretensão era clara no ar. O rock, em geral, funciona em uma espécie de régua de extremos. As bandas mais legais são as absurdamente pretensiosas ou as absurdamente despretensiosas – desde que a despretensão ou a pretensão sejam combinadas com talento. No caso do Little Joy, o fator despretensão toma a frente da parceria com talento. Como no disco, o show soa um encontro de amigos num fim de tarde na praia. O que você quer mais?

O detalhe é que esses amigos tem referências relevantes e sabem o que fazer com meia dúzia de notas, um tecladinho e uma guitarra semi-acústica. O resultado é muito simples e independe da platéia paga-pau: rock com influências cinquentistas/sessentistas, praiano, alto astral e relaxado, sem pedir mais do que a simples curtição. Poucas vezes o nome de uma banda foi tão adequado. Little joy, um pequeno prazer, é tudo que precisamos em uma era de cultura multifacetada, complexa e cheia de barroquismos digitais.

Tomara que os caras não compliquem.

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Foto roubada do Danilo, que tem mais a falar sobre o show.

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