Tag: Seth Godin


quinta-feira, 16 de outubro, 2008

Gladwell Live Tonigh Sold Out!

E que tal esse cartaz q o Will me mandou direto do celular lá de Londres? Esses caras, Gladwell, Russel Davies, Seth Godin, Merlin Mann… consigo ver claramente como eles estão se tornando uma espécie de rockstars do pensamento de mídia e comportamento contemporâneos. Dá pra botar vários outros nomes aí, foram os que me ocorreram agora…. alguém me ajuda?

Postado por Gustavo Mini às 12:36 | 6 Comentários | Permalink

terça-feira, 11 de março, 2008

Free por Chris Anderson por Marcelo Bôscoli e por Seth Godin por Conector


“Estou de saco cheio do Chris Anderson. O que ele está descobrindo? O mecenato? O mecenato tem um trilhão de anos. Nada é novo nessa visão de internet. O que a gente descobriu agora?

Que as pessoas gostam de ganhar coisas de graça, que os artistas gostam de dinheiro e que existe o mecenato. O que viabilizou o Bach? Foi a igreja […] Sempre tem alguém que paga a conta”.

Vi a frase do Marcelo Bôscoli, presidente da Trama, no Tiago Dória. Comentei lá no blog do Dória e replico aqui: entendo quem se entedia com os rótulos do Anderson, mas eu acho que o que a visão de Anderson coloca (formatada de um jeito interessante, ainda que seu pensamento não seja original) é o fato de que estamos vivendo uma era na qual o mecenato é possível de ser pulverizado entre milhares de pessoas conectadas em computadores. Se a Igreja viabilizou Bach, são os membros de uma comunidade digital que acabam viabilizando-se mutuamente, mesmo que não diretamente ou financeiramente, como eu coloquei no caso do Conector.

Vamos a exemplos mais claros: a Mallu Magalhães, por exemplo, está sendo mecenatada (acho que inventei essa também…) pelas milhares de visitas diárias no seu MySpace, o que dá suporte numérico ao hype criado por jornalistas especializados, produtores e interessados em geral. Isso também é viabilização. Foi assim, de certa forma, que se formou a base de fãs do Cansei de Ser Sexy. Se o assunto é arrumar grana, isso também é uma forma de começar a gerá-la. E é uma forma nova.

O Seth Godin, por sua vez, comenta em seu blog uma crítica ao fato dele ter pedido um depósito para seu futuro estagiário de verão (que será retornado ao fim do estágio). A justificativa:

“Quando você traz dinheiro pra equação, tudo muda (pergunte ao governador de Nova Iorque). Chris Anderson está certo quando ele escreve sobre o poder do grátis no marketing. Isso aumenta dramaticamente a experimentação e oferece a você o direito de atenção, ao menos por algum tempo. Eu acho que o Google é a exceção que prova a regra: as marcas mais poderosas são aquelas que ganham o direito de fazer uma transação (com seu público).”

Quem sou eu pra questionar o Seth Godin, mas escrevi um email pra ele dizendo o seguinte:

“Não acho que comprometimento esteja sempre ligado a dinheiro. Às vezes, ele pode vir de um sentimento de comunidade. A música ‘grátis’ que as pessoas consomem são diferente dos salgadinhos grátis da palestra do TED que você comentou.”

Em seu post de hoje, Seth contou que no seminário TED Talks, os salgadinhos grátis acabavam sendo desprezados, com muitos pacotes pela metade jogados no chão do auditório.

“Os fãs de música são um ótimo laboratório para ver como certas coisas funcionam, tenho certeza de não estar falando nada de novo para você. O fato de hoje podermos encontrar tudo que quiserem de música de graça não fez a música menos importante para os apaixonados por ela. Na verdade, os apaixonados ficaram ainda mais apaixonados. O que está acontecendo na indústria musical é que uma das partes que eram incluídas no compromisso está mudando de “gravadoras” para outro tipo de players (como empresas de shows ou os artistas diretamente) porque as gravadoras não compreenderam a importância do lado não-business da música: paixão.

As pessoas pras quais música não é nada demais, por sua vez, ainda se relacionam com música da mesma forma que antes. Não acho que eles estejam gastando menos porque eles são exatamente o tipo de pessoa que precisa de ajuda pra consumir música.”

Meu ponto aqui é: as pessoas que não são apaixonadas por música, se não pagarem por shows ou edições especiais, vão acabar pagando por serviços que facilitem escolher o que comprar.

“Então, Seth, eu concordo com você que as marcas mais poderosas são aquelas que ganham o direito de fazer uma transação com seu público, mas a moeda dessa transação nem sempre é dinheiro.”

***

Gente, um esclarecimento: não estou construindo aqui um libelo anti-monetarista. Só corrigindo o foco do que eu acho que seja a base de alguns negócios baseados no conceito “Free”.

Postado por Gustavo Mini às 16:08 | 4 Comentários | Permalink

segunda-feira, 10 de março, 2008

Parte 2 do Free por Chris Anderson por Contector

Recentemente a NET iniciou um agressivo plano de expansão da sua base de clientes oferecendo combos mais baratos para a classe C, o recorte demográfico que se tornou a menina dos olhos da economia mundial (mundial se considerarmos que os mercados emergentes são a classe C da globalização).

Se você não acompanha o noticiário de marketing e economia, eu vou dar uma palhinha: está todo mundo de olho na “classe C”, essas galera que ganhou a possibilidade de COMPRAR MUITO através da imensa oferta de crédito que temos no país devido à estabilização econômica iniciada pelo FHC e perpetuada pelo Lula (a que custo, num dia veremos…). É o fato do país ter se tornando atraente para os investidores estrangeiros (a BOVESPA vive um verdadeiro frenesi, investir em ações é até pop) que permitiu que muito mais gente comprasse geladeiras modernas, que o DVD chegasse a custar menos de cem reais, que a venda de computadores no ano passado superasse a de televisão, que a base de internautas cresça em consideráveis saltos anuais, enfim, que a casa de periferia fosse transformada em um depósito de eletrodomésticos novinhos em folha, bem como de carnês de pagamento parcelado. É assim: no tampo a TV de 28 polegadas com DVD, na gaveta o carnê.

Agora você adicione nessa equação um combo da NET com TV à cabo (por enquanto, só os canais abertos no plano mais básico), internet banda larga e telefone. De posse de banda larga e do computador comprado no ano passado com o subsídio do PAC, por que essa imensa nova base de clientes da NET, impulsionada por um hábito que já existe no país, vai assinar o pacote mais caro se pode baixar filmes, seriados e música na internet?

Entenderam? Esse vai ser o golpe final na indústria de conteúdo pago. Milhões de novos consumidores loucos para se divertir e, na medida do possível, pagar o mínimo possível por isso. Vou repetir: todos os seriados, filmes e músicas DO MUNDO, disponíveis em milhões de novos lares, DE GRAÇA através de programas de compartilhamento de arquivos, de uma banda larga mais democratizada. Tudo na mão de milhões e milhões de garotos sem grandes apegos à forma antiga de consumir conteúdo.

Ok, qual é a novidade aí? É que até então estávamos falando de um grupo social restrito que tinha acesso à banda larga. Agora estamos falando de muito, mas muito mais gente. Se isso não vai ter um impacto profundo (ainda que lento) no jeito como se consome informação e entretenimento, eu mudo meu nome pra José Guga de Arimatéia.

Qual é a saída para quem gera conteúdo? De novo aqui, caímos na velha discussão de sempre e eu tenho uma resposta pronta para isso: vão proliferar os modelos de remuneração. Cada vez mais você vai receber de jeitos esquisitos para gerar conteúdo. E vou dar como exemplo o meu blog.

***

O conteúdo do Conector é relevante para um certo número de pessoas. Tenho em média 100 visitantes únicas por dia que vêm aqui se alimentar de graça. Eu não recebo nada para fazer uma espécie curadoria de conteúdo e trazer alguma reflexão. Passei minha vida lendo, ouvindo música, indo ao cinema, pensando, estudando, trabalhando, pra agora entregar alguns insights e dicas de graça pra vocês. Não só eu, gente até mais consistente, relevante e profissional do que eu faz a memsa coisa.

Bem, não é totalmente de graça, sabia?

***

Se você não me paga pra ler isso, o fato de você me dar atenção faz com que alguém me pague indiretamente por isso.

Primeiro: os aumentos e promoções que eu recebi no meu dayjob nos últimos anos foram todos relacionados em algum nível à atividade que mantenho no blog, seja o raciocinar escrevendo, seja na pesquisa para postar, seja no networking formado ao me relacionar com leitores e outros blogueiros.

Segundo: a melhor proposta de emprego que eu recebi na vida (não cabe aqui explicar por que não aceitei…) aconteceu porque a pessoa que me chamou leu o blog. Não foi por causa do meu portfolio com anúncios, comerciais e spots de rádio. Só aí todo o tempo investido no blog já se pagou. Esse blog (e suas atividades relacionadas) tem sido, sem querer, meu melhor portfolio

E por que diabos eu não entro num processo de monetização do blog? Por que não coloco AdWords nele?

Primeiro: acho mais divertido trabalhar dessa forma. O descomprometimento com um retorno financeiro direto mantém um certo frescor no processo de blogar. Eu não blogo e nunca bloguei por dinheiro e as duas justificativas acima são conseqüência de uma vontade mais premente de simplesmente escrever.

Segundo: talvez eu pudesse fazer alguns reais (centavos?) a mais no mês com AdWords, mas eu acho que geralmente as páginas ficam muito feias com eles e o mundo já está cheio demais de anúncios. Gosto da idéia de que o Conector seja, dessa forma, “ad-free”. Acho saudável. Posso até mudar de idéia no futuro, mas hoje gosto que seja assim.

***

Até porque, digamos que eu “monetizasse” o blog e que (hipótese remota) eu desse um jeito de ganhar dinheiro diretamente dele… tenho certeza que em poucos meses eu arrumaria um outro blog ou projeto parecido que eu fizesse “de graça”.

***

Porque não adianta, me desculpem a breguice: ele é necessário, eu gosto dele, eu preciso dele, ele fornece subsídios, mas as melhores coisas da vida não envolvem ele - o dinheiro.

Postado por Gustavo Mini às 12:31 | 2 Comentários | Permalink

sexta-feira, 7 de março, 2008

Free por Chris Anderson por Conector


Mais uma bola dentro da Wired: depois de traduzir a lógica do comércio digital com a teoria de Long Tail e consolidar o jeito DDA como estamos consumido informação e entretenimento com o rótulo Snack Culture, agora é a vez da cultura da distribuição gratuita ser digerida e cuspida de volta sob a forma de um agradável viés pop.

Free é o artigo da última Wired que vai dar origem ao próximo livro de Chris Anderson, editor-em-chefe da revista e autor também da história toda do Long Tail. Ao lado do Malcom Gladwell, talvez o Anderson venha se firmando como um dos nomes mais interessantes do mundo do marketing e da comunicação ao fazer a ponte entre ciências exatas (e seu mundo de tabelas e dados) e a cultura pop (com seus rótulos amigáveis e de fácil compreensão). O desafio de unir conceitos econômicos com códigos de conduta contemporâneos utilizando exemplos e uma linguagem acessível pode ser meio comparado à boa música pop: em três minutos é possível divertir e prender a atenção com ganchos ao mesmo tempo em que se traz consistência, compreensão e um pouco de alimento para o coração. Se uma música faz isso abrindo vias sentimentais por meio de ritmo e melodia, esses artigos e livros abrem certas caixas de pandora atuais, tentando explicar como está funcionando um mundo que, me perdoem o clichê, muda com tamanha velocidade e profundidade. E isso é sempre útil.

***

É importante frisar que Free (como Long Tail ou Snack Culture) não traz nada de novo. Mas oferece um olhar panorâmico a mais um fenômeno da economia que se multiplicou e se evidenciou com o advento da digitalização de quase tudo. O ponto central de Free é o processo de “gratização” do comércio. Anderson busca lá atrás, no exemplo do empresário americano King Gilette que iniciou seu pequeno império oferecendo uma parte de um produto de graça (lâminas) para depois vender outra (barbeadores). Segundo Anderson (e qualquer um de bom senso…) hoje, esse subterfúgio está se tornando regra: você ganha o celular se comprar o plano, você compra um videogame barato mas os jogos são caros, você ganha uma máquina de café expresso na sua empresa mas tem que pagar pelo sachet do pó. Anderson segue o artigo fazendo uma rápida análise do impacto desse esquema nos hábitos do consumidor e coloca as grandes empresas da web como expoentes da “freeconomy”.

O exemplo do Google é inevitável: uma empresa que oferece todos os seus serviços de graça para os usuários. Todos. Serviços valiosos, como busca de dados, email, postagem de dados, programas baseados na web, analisadores de dados, blablablá. E quem paga a conta disso tudo? Os próprios usuários. Não com dinheiro, mas com o bem mais valioso e disputado do mundo atual: atenção.

***

O parágrafo que, pra mim, resume a essência do artigo ressalta que “A palavra chave é externalidade, um conceito que diz que o dinheiro não é o único bem escasso no mundo. Primeiro, temos tempo e respeito em falta, dois fatores que sempre foram reconhecidos como valiosos, mas que só há pouco tempo pudemos medir. A economia da atenção e a economia da reputação são muito nebulosas para ganhar um departamento acadêmico, mas há algo de sólido em sua essência. Graças ao Google, hoje temos um jeito simples de converter reputação (PageRank) em atenção (tráfego) e esta em dinheiro (AdWords). Qualquer coisa que você possa transformar em dinheiro é uma moeda em si e o Google se tornou o banco central da nova economia.”

Oferecer serviços e produtos de graça, portanto, nunca é de graça. Mas isso não quer dizer que você esteja pagando com dinheiro a barbada. A sua atenção, sua fidelidade e sua capacidade de falar bem de uma marca ou produto são muito mais valiosos que seus merrequentos reais na fatura do fim do mês. Porque com a sua atenção, se eu fizer tudo direitinho, eu posso manter sua fidelidade. Com a sua fidelidade, você vai não apenas gastar mais comigo como também vai sugerir que outras pessoas invistam sua atenção em mim - pois está valendo a pena. O ciclo viral se inicia.

Se as empresas sabem como fazer isso decentemente, são outros quinhentos.

***

Só um exemplo pra mostrar como funciona a economia da atenção. Vamos pegar a revista da Gol Linhas Aéreas. Uma revista com um conteúdo bem razoável que você leva de graça pra casa, se quiser. Ou lê tudo no avião, sei lá. O fato é que a revista é uma espécie de comercial da empresa. Um comercial com conteúdo, com entretenimento, com informação. Mas um comercial. Se você demora 40 minutos com a revista, eles estão oferecendo algumas matérias e fotos em troca de 40 minutos da sua vida, pra você passar com a marca deles, com um conteúdo curado a partir do conteúdo de marca da Gol.

Entendeu?

Continua na segunda-feira.

Bom finde.

Postado por Gustavo Mini às 14:38 | Sem comentários | Permalink


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