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Arquivo: Social Media

Interfaces

Poucos profissionais são tão fundamentais à nossa sanidade mental hoje quanto os designers de interface. É papel deles mediar nosso entendimento com os gadgets através de soluções que não nos obriguem a fazer um curso toda vez que trocamos de telefone ou atualizamos um software – embora seja isso que quase sempre acontece…

Mas, enfim.. na ficção o trabalho dos designers de interface também é necessário. Afinal, aquela tela de computador que aparece durante 4 segundos nos escritórios do FBI precisa ser ao mesmo tempo críveis e facilmente compreendida. Um dos caras que faz esse trabalho é o Mark Coleran, responsável por “Fantasy User Interfaces” de filmes como Children of Men, Missão Impossível 3 e O Ultimato Bourne.

A Fast Company recentemente fez um profilezinho e uma entrevista com o cara e revela que os talentos do Sr. Coleran estão sendo requisitados para interfaces “do mundo real”. O que obviamente é um trampo bem diferente em termos de funcionalidade.

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Falando em interfaces, esse foi justamente o assunto um Minimalismo ontem na Oi FM. Esses tempos, me assaltou a idéia de que pouco o futuro da televisão (ligada à internet, provavelmente com algumas funções “sociais”) depende muito dos designers de interface. Você pode ler (ou ouvir o texto) aqui.

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Sempre elas, as redes sociais

Essa semana o novo caderno Its Mais do Correio do Povo trouxe pedaços de uma entrevista comigo sobre o nosso querido e disputado assunto que está aí no título. Um dos tópicos bacanas da conversa foi o questionamento sobre os profissionais que trabalham com redes sociais – será o analista de redes o novo DJ? Pra ler a reportagem inteira, que inclui também a visão do Leo Prestes e da Rosana Hermann, você precisa ir na edição digital do Correio do Povo do dia 15 de setembro e folhear até a página 32/33. Colei aqui embaixo a íntegra do papo comigo.

Its Mais: Qual o perfil do usuário das redes sociais conhecidas? Por exemplo, o Orkut está mais relacionado com as classes C/D, o Twitter tem média de idade mais alta etc. Como este universo vai se movimentar, quais tuas próximas apostas em termos de sites de relacionamento?

Gustavo Mini: Eu acho que o Orkut vai permanecer durante muito tempo como a grande rede social brasileira. O brasileiro gosta de grandes movimentos mainstream, de ir atrás de um grande bolo. O Facebook vem crescendo, mas não acho que a curto prazo ele tome o lugar do Orkut. Diversos estudos falam sobre a demografia do Facebook, Twitter e Orkut, mas eu acho que isso é muito móvel. Daqui a pouco surge uma nova geração que redefine tudo. Então eu sempre acredito que qualquer regra é passageira. O que eu acredito que vai continuar acontecendo é um aprofundamento do uso de redes sociais, um refinamento de acordo com a necessidade de cada público e não em bloco: algumas pessoas vão se focar nos jogos sociais como Farmville, outras não vão estar nem aí. Fala-se na tendência de Social Commerce, de comprar estando dentro da rede social em vez de ir ao site de uma empresa. Mas o sucesso do Social Commerce é mais complexo do que o sucesso dos jogos sociais, porque exige que as empresas adaptem o seu modelo para o ambiente das redes sociais e falo de modelo de negócios, de modelo mental, modelo de operação, da comprar, estocar, vender e divulgar. Muitas coisas vão começar a acontecer dentro das redes sociais, mas isso depende muito da forma como elas vão facilitar a vida das pessoas. O Facebook ainda tem um funcionamento meio chatinho e complexo. O Orkut é mais basicão e direto. Eles fizeram algumas modificações agora, vamos ver como isso repercute com o tempo.

Its Mais: Qual o futuro do blog? Ele sobrevive ao meios mais instantâneos?
Gustavo Mini: Eu acho que como ferramenta de publicação ele pode se modificar, pode ir até pra dentro de redes sociais. Mas o que me interessa mais é o blog como modelo de reflexão, uma espécie de crônica da era digital, que permite explorar a fundo assuntos verticais, especializados, com uma certa informalidade. Eu acho que esse conceito de blog veio para ficar, seja em ferramentas de blogagem (como WordPress ou Blogger), seja em qualquer outro formato. Agora, o conceito de blog particular, de diário pessoal, esse foi substituído pelas redes sociais. E faz todo o sentido do mundo que isso tenha acontecido.

Its Mais: Quais, na sua opinião, são os atributos necessários para atuar nas redes sociais com sucesso?
Gustavo Mini: Depende muito do objetivo da pessoa ou da marca. Mas, no geral, eu diria que uma marca precisa saber que não é e nunca vai ser uma pessoa, que ela é uma marca, e que é melhor ela ser honesta quanto a ser uma marca e descobrir a sua voz de marca nas redes sociais do que fingir que é uma pessoa. As redes sociais são lugares de trocas, simbólicas ou concretas, e é bom que a marca tenha o que trocar, que ela não finja que seus valores simbólicos são concretos e vice-versa.

Its Mais: O Analista de Redes Sociais é o novo DJ? Qualquer um pode ser, é mais intuitivo ou devem ser seguidas algumas técnicas?
Gustavo Mini:
O problema do cargo de Analista de Redes Sociais é que ele é muito novo pra poder definir exatamente o que ele é. Tem que ter um pouco de intuição, mas definitivamente a pessoa precisa de um bom conhecimento técnico do funcionamento das redes sociais, dos sistemas de mensuração e de como construir diferentes estratégias para diferentes clientes. Só porque o cara fez um perfil muito engraçado que bombou no Facebook não quer dizer que ele saiba como replicar isso em outras situações.

Its Mais: Como você avalia a interação e atuação dos Analistas de Redes Sociais em Porto Alegre? Já é uma profissão consolidada?
Gustavo Mini:
Conheço poucos mas bons profissionais que estão se consolidando. Não é uma profissão consolidada, ainda não teve tempo pra isso. Mas tem pessoas bem bacanas que estão procurando ser mais do que “um jovem que passa bastante tempo no Orkut”. A pessoa tem que ter visão estratégica e conhecimento técnico, além de uma boa rede de relacionamento. Por exemplo, apesar de acompanhar este mundo de perto, eu sei que eu não poderia fazer isso pois não tenho a manha do relacionamento digital como algumas pessoas com quem trabalhamos. Não dá pra achar que qualquer mané com um perfil popular no Orkut pode trabalhar como Analista de Redes Sociais.

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Sindicato dos Usuários do Facebook

Grande parte das ferramentas online gratuitas, como Facebook, o Google e afins, não são gratuitas à toa. Na verdade, a gente paga pelo uso com nossos dados e hábitos de navegação, que vão sendo colhidos à medida em que usamos a ferramenta e são valiosíssimos na venda de anúncios e links patrocinados. Por exemplo, cada vez que você faz uma busca no Google, você ajuda o buscador a refinar o seu motor e a entregar: a) resultados mais relevantes pra todo mundo b) um alvo mais certeiro para os compradores dos serviços pagos do Google, como links patrocinados. Eu usei o exemplo do Google porque é o mais fácil, mas com o Facebook é a mesma coisa.

Daí que o usuário do Facebook Richard Buchanam tirou a interessante idéia de que essa relação entre usuário e grandes corporações de tecnologia é desequilibrada. Segundo ele, a gente deveria seja pago pelos dados que as grandes companhias online usam, que talvez o serviço gratuito seja uma compensação abaixo do que valeríamos. Pra lutar por isso, Buchanam criou o Sindicato de Usuários do Facebook. Por enquanto, o Sindicato é mais uma idéia utópica do que uma organização, um conceito pra prestar atenção. Há dez dias, quando a matéria do Guardian foi publicada, o grupo tinha só 19 membros, hoje já tem mais de 1.000. Não vamos esquecer, então, que os gigantes da Internet também começaram assim, mais como um conceito, mais como uma idéia utópica do que como uma organização.

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Meus amigos do Club Penguin

No post anterior, se você não leu, eu estava comentando sobre um certo bug que deu no meu cérebro quando comecei a ter que classificar meus amigos no Facebook. Depois de escrito, segui pensando no assunto e me lembrei de um caso bem interessante que adiciona um pouco de complexidade ao cenário.

Você conhece o Club Penguin? É uma mistura de MMPORG e rede social da Disney onde você cria um avatar de pinguim e sai por ilhas geladas jogando e interagindo com outros pinguins. Tudo dentro do padrão de segurança Disney para os pais não se preocuparem com possíveis pedófilos ou outros malandros do tipo. Interagir com o Club Penguin depois dos, sei lá, 25 anos, é um case study em si. Uma vez lá dentro (e eu tenho meu próprio pinguim, Mr. Walverde, embora não o use com frequência), você passa a fazer parte de um universo de socialização, diversão e compras. Pra comprar, você precisa de moedas. Pra ganhar moedas, você precisa jogar. Pra jogar, você acaba se engajando com outros pinguins-avatares.

Bimestralmente sai um catálogo com novas roupinhas, acessórios ou móveis para iglu, que você compra com as moedas que ganha fazendo pizzas, deslizando montanha abaixo em corridas na neve ou vencendo o Desafio Ninja. Quanto mais você jogar, mais pode comprar. (Não vou entrar aqui na questão do consumismo. No início achei esquisito a história dos catálogos, depois achei um bom gancho pra educar uma criança a não ficar comprando coisa o tempo todo).

O interessante é como a Disney trata a mídia do Club Penguin. Outro dia, estava assistindo TV com a minha enteada de 9 anos e de repente passou (não lembro em que canal infantil) um comercial sobre uma festa que ia acontecer em uma ilha dentro do ambiente do jogo. E em outra ocasião, um sobre a chegada do novo catálogo do Club Penguin. A interação on/off é simples mas interessantíssima e faz todo o sentido do mundo. A maior parte das crianças pula de uma tela pra outra sem quebra-molas.

Mas o mais legal que eu ia contar aqui é do dia que ajudei minha enteada a fazer o pinguim dela. Logo que você cria o seu avatar, o sistema gera um nome automático alfanumérico, que no caso da Stella foi PSTH1. A primeira coisa que eu lembrei quando vi PSTH1 foi o THX1138 do George Lucas e achei bacana. Mas pensei: “ela não vai querer isso, ela vai querer um nome fofo”. Aí, falei: “bom, depois a gente troca esse nome pra Tobi, Fifi ou Picolino”. E ela retrucou na hora: “Não, não, eu quero assim. Todo mundo na aula tem nome assim”.

Fiquei lá, com cara de bobo depois de tropeçar no generation gap. Nomes alfanuméricos só são frios e lembram filmes esquisitos de ficção científica pra quem tem essas referências. Pra quem mora no Club Penguin, PSTH1 é tão querido e fofinho quando Picolino.

Como diz o Frank Jorge: TÓIM.

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Meus amigos do Facebook

No momento em que escrevo esse post, eu tenho exatos mil cento e catorze amigos no Facebook. No meio dessa turma, tem de tudo: gente realmente próxima, gente que eu conheço de vista, gente que eu conheço de email, gente que eu nunca vi na vida e que nunca me viu, gente que me viu (com os Walverdes, em alguma palestra), me leu (no Conector ou em outros sites) ou ouviu (na Oi FM), mas que eu nunca vi, ouvi ou li. Pra quem mexe com música, cultura digital, mídia, essas coisas, é o tipo de configuração normal. Mas acontece que eu ainda não tinha parado pra pensar e olhar com calma o assunto em termos de Facebook, que é onde mantenho alguns canais de comunicação pessoal. Perfil de ferreiro, espeto de pau.

O que pegou pra mim é algo que já é no máximo tangenciado em análises críticas de redes sociais: a nomenclatura de “amigo”. O conceito de amigo é bem debatido, mas a nomenclatura nem tanto. Quem chama essas pessoas de amigo não sou eu, nunca fui eu: é o Facebook, que não me deixa mudar essa configuração (ou eu não achei o botão certo??). Se fosse eu, chamava tudo de contato e deixara a palavra “amigo” pra algumas pessoas especiais.

Uma certa consertada na situação pode rolar com a criação das listas. Pra poder acompanhar o newsfeed dos meus amigos de fato, sentei como quem escolhe feijão e comecei a separar os amigos dos “amigos”. E é aí que a coisa começou a ficar curiosa.

Listar os amigos não é difícil. Ao contrário do Facebook, que chama todo mundo de amigo, eu tenho bem noção de quem são meus amigos. Mas, saindo desse grupo seleto, tive que começar a inventar categorias. Os conhecidos. Os contatos do rock. Os conhecidões (aquelas pessoas de quem você não é amigo, mas seguido encontra e troca uma idéia). Os mais ou menos conhecidos. O pessoal da publicidade. Os totais desconhecidos. Os nadaver. E por aí vai.

Não é que essas classificações não aconteçam, de alguma forma, na minha mente. Sim, elas ocorrem. Mas quando eu preciso criar nomes tão específicos de grupos numa rede social que possa refletir em termos objetivos e quase matemáticos o que sinto por essas pessoas, tudo fica um pouco engraçado. Uma coisa é você entrar numa nova empresa ou fazer parte de uma nova turma e ao longo do tempo ir encontrando seu espaço, suas afinidades, colocando as pessoas em flutuantes prateleiras mentais. Outra, bem diferente, é fazer isso sentado na frente de uma tela, teclando, classificando, encontrando lugares objetivos para cenários totalmente subjetivos em um curto espaço de tempo.

E o mais interessante: não tem saída a curto prazo. Provavelmente vamos fazer isso cada vez mais nos próximos anos, não apenas nas redes sociais, mas em qualquer meio que exija a entrada de nossos dados particulares que tenhamos gerenciar. A lógica de classificação digital ainda é toda baseada em formulários, listas, caixas de diálogos, colunas, tabelas. E esse raciocínio está migrando para nossas interações pessoais. É uma necessidade de protocolos comuns para o bom diálogo entre sistemas que contamina um pouquinho a busca do bom diálogo pelos humanos.

Nada disso é motivo pra coisas como suicídio coletivo. Escrevo mais como um lembrete, uma nota, um post-it, uma passada de marca texto em uma questão que acaba despercebida muitas vezes (a da nomenclatura!). Em outras palavras, é só uma paradinha de dois minutos pra lembrar que é na tentativa de classificar as pessoas que mora a maior parte dos nossos problemas.

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Biblioteca Conector para Estudo de Mídias Variáveis – Go Viral: The Social Metropolis

Houve um tempo em que o maior patrimônio de uma empresa de comunicação era sua metodologia de trabalho e suas ferramentas. Nessa era distante (será?), ir a público explicar detalhadamente como você fazia para resolver o problema do seu cliente era considerado suicídio. Afinal, os concorrentes podiam copiar seu esquema, replicá-lo e roubar seus clientes. Pois bem. Nada como o tempo para clarear certas questões. Falar disso hoje parece contar sobre povos antigos que tinham medo que a fotografia lhes roubasse a alma, nénão?

A Go Viral, uma empresa européia de disseminação online de conteúdo, vem representando no Festival de Cannes o oposto dessa idéia anacrônica. Em 2007 e 2008, eles não só fizeram palestras no principal auditório do evento contando sua visão de negócio e sua metodologia como distribuem no final livros aprofundando a questão. Aprofundando é pouco. Eles explicam o passo a passo de como disseminam alções globais como a do lançamento do Cavaleiro das Trevas, o Lost Experience ou o viral do Ronaldinho metendo 9 bolas na trave consecutivas. Basicamente, se você quer montar uma empresa de disseminação de conteúdo, pode usar o primeiro livro como base teórica sobre o contexto atual da comunicação e o segundo, The Social Metropolis, sobre o funcionamento dos canais de distribuição e suas peculiaridades.

Mas por que é que os caras entregam todo o jogo assim, de mão beijada? Bom, primeiro porque não sabemos o que mais eles têm escondido no cofre. Segundo porque essa é uma forma de trocar informação e de se vender. Mas o terceiro aspecto, e mais importante, é que não é difícil imaginar e descobrir o “como” das coisas. O grande negócio é conseguir FAZER, colocar em PRÁTICA. De teorias, as palestras estão cheias.

Quer saber um pouco mais sobre o livro? Dá uma olhada no post “Vai, Viral“, do ano passado. Além de comentar o conteúdo dele, também botei ali os links pra tu ler o livro online ou baixar em PDF, além de uma palestra em vídeo com um dos donos da Go Viral.

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Pra saber mais sobre a Biblioteca Conector para Estudo de Mídias Variáveis, leia a introdução.

Pra ver todos os livros, clique aqui.

Se você tem uma dica de livro interessante sobre o assunto, resenhe e publique nos comentários.

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