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Arquivo: Sustentabilidade

O bom e velho menos é mais

Essa idéia não é nova, mas sempre vale o remix. O curioso, nesse caso, o que chama a atenção nessa fala, é aquele olhar americano: os caras tem o talento de pegar qualquer coisa e transformar no pacote método + slogan. Chega a parecer um dos números do McDonalds. Ainda assim, vale o recado.

Outra nota: para quem já ganha pouco, não tem muito e mora apertado por conjunção econômica, esse papo deve soar estranho. No fundo, claro, é uma reação urbana de países desenvolvidos. Mas alguma coisa podemos aprender com o colapso econômico/psicológico dos EUA.

Tinha aquela frase, né, do William Blake: “O caminho do excesso conduz ao palácio da sabedoria”. Mas, pelo jeito, não é bem assim. Com frequência, o caminho do excesso simplesmente alimenta os excessos do palácio.

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Aproveito o gancho pra resgatar um post de 2008, Menos é menos e tudo bem! Eu sou meio incomodado com essa frase “Menos é mais”, porque no fim das contas ela valoriza o “mais”, né?

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A verdadeira publicidade sustentável

A máxima é conhecida e, hoje, bastante divulgada: todo ato relacionado ao consumo causa impacto ambiental. Todos nós já concordamos com isso e estamos cientes de que a saída é uma abordagem sustentável, o que significa a revisão de processos econômicos, sociais e culturais, não apenas o uso racional de recursos naturais. No universo do marketing e da publicidade, a sustentabilidade pegou. E propagou-se feito viral em milhares de campanhas mundo afora. Algumas de forma bastante supérfluas, outras tantas, felizmente, acompanhadas do esforço sincero de indivíduos e organizações realmente preocupadas em não deixar o assunto virar um eterno habitante do planeta Power Point.

Porém, talvez seja o momento de aprofundar um pouco mais o conceito de sustentabilidade na publicidade, lembrando que o efeito causado por nosso trabalho vai além do resultado de nossos clientes ou dos copinhos de plástico de café usados na agência. Nós mesmos, como produtores de uma quantidade incrível de mensagens diárias, somos em parte responsáveis pela manutenção da ecologia da informação. Nos últimos dez anos, testemunhamos boquiabertos a explosão dos pontos de contato que podem ser utilizados por uma marca para se conectar ao seu público. As comportas foram abertas e entramos na era em que Qualquer Coisa pode virar publicidade. Uma delícia para quem gosta de experimentar. Uma complicação para quem precisa tomar decisões diárias sobre budget. Um pesadelo para a poluição informacional.

Como vantagens desse período, temos a possibilidade de gerar melhores expressões de nossas estratégias. Tornar Qualquer Coisa publicidade pede escolhas mais inteligentes. O exercício da escolha com rigor e poesia em meio a um mar de opções refina o produto publicitário e poupa o ambiente onde a informação circula (a mente de todos nós) pois quanto mais certeiros, menos precisamos gritar, menos precisamos poluir. Este é o ponto mais delicado de uma publicidade sustentável: precisamos, mais do que nunca, incrementar nossa capacidade de escolha. É bom para todos. Para a agência, que trabalha mais focada. Para o cliente, que vê seu dinheiro melhor investido. E para o consumidor, que não é cercado de publicidade irrelevante e meramente poluidora.

Olhando desse ponto de vista, parece não haver dilema algum. As soluções brilhantes propostas pela publicidade sempre foram baseadas no que o pensamento estratégico pode oferecer de melhor. Mas, do jeito maluco que a informação circula hoje, é preciso uma atitude um pouco mais ousada do que simplesmente levantar a sobrancelha e declarar que “sempre foi assim”. Se vivemos cada vez mais soterrados (pessoal e profissionalmente) em informação, os ninjas da hora não são os que fazem escolhas, mas os que sabem criar espaços lúcidos para que, aí sim, sejam feitas as escolhas.

Ambientes de trabalho saudáveis e lúcidos são a base de uma publicidade sustentável. E pedem mais do que refeições grátis, sofás para descanso e videogames para a diversão. Pedem respeito à saúde física e mental das pessoas que fazem e que dão suporte à atividade estratégica de fazer escolhas. Em atividades intensas como a publicidade, essa noção de respeito precisa ser constantemente relembrada para não se tornar um mero conceito bonitinho. Não é um compromisso apenas dos líderes, mas também dos liderados.

As estratégias desenvolvidas dentro de um espaço lúcido serão automaticamente lúcidas. E, portanto, sustentáveis. A alguns este pode parecer um raciocínio esquisito. Mas ele é lógico e direto. Somos mais do que o resultado de nossas escolhas. Somos o resultado da forma como fazemos nossas escolhas. Portanto, se a atitude mais importante na publicidade atual é escolher, precisamos pensar seriamente não apenas nas escolhas que fazemos, mas em que condições de temperatura e pressão as estamos fazendo.

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Artigo publicado no jornal do Festival de Gramado.

Ainda estou pensando no que escrevi…

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