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Arquivo: The Clash

Apolônio em Porto Alegre

Eu não costumo publicar flyers e avisar de shows aqui senão viro agenda de tanto que me mandam coisas. Mas vou abrir uma honrosa exceção não apenas pela amizade, mas porque quero muito ver essa banda tocando bastante. Gostaria muito que você fosse conferir ao vivo o que já é mega astral em mp3. O Apolônio vem pra Porto Alegre (e depois segue pro Macondo em Santa Maria) esquentar um pouco as noites gaudérias.

Mas que diabos faz esse Apolônio? Bom, tu pode baixar o disco inteiro aqui (clica com o botão direito, salvar arquivo como) ou então dar uma prévia no Myspace dos caras. Eu não ia falar que eles fazem um sonzinho bem macio, com discretas batidas quebradas, vozes simpáticas e guitarrias viajantes, mas aí vou ter que citar o gaita, o que é um saco porque acaba que ficam taxados como a banda da gaita. A função foi criada pelo Mairena (proprietário do Clube Praga) e o parceiro Albo. Depois foram se juntando mais uns figuras, como o Malásia (ex-percussionista da Ultramen, morando em SP) e a atriz gaúcha Tainá Muller.

Ah: se liga na versão dengosa de Train in Vain do Clash. Um primor do dengo.

1 Comentário

The Good The Good and The Good

Falar sobre esse disco pra mim é falar de todo um jeito de produzir cultura pop que vem amadurecendo nos últimos dez anos. Damon Albarn sabe fazer essas coisas, sabe mexer no caldeirão pop. Sem querer puxar o saco, ele tem a manha. Quem mais consegue chamar o guitarrista Verve, o baixista do Clash, o baterista do Fela Kuti e o produtor que levou a cultura mash-up às massas pra um mesmo disco? E dar um jeito disso tudo fazer sentido? Só quem conseguiu ir a Mali e fazer um disco com músicos africanos sem fazer estardalhaço sentimentalóide por causa da fome… só quem conseguiu criar uma banda de desenho animado com mais consistência musical e sucesso comercial do que muitas bandas de verdade… só quem conseguiu cair fora do britpop antes que ele virasse piada.

The Good The Bad and The Queen é maior do que a soma das parte. As partes são muito claras: a voz aguda e Albarn, acompanhada por um divertido piano, as guitarras cheias de ecos e efeitos psicodélicos gelados de Simon Tong; os baixos gordos e exatos do Paul Simonon … a bateria percussiva, ao mesmo tempo relaxante e nervosa de Tony Allen. A soma, por sua vez, é indefinível. Em boa parte graças à mão do produtor Danger Mouse, responsável dois dos discos mais inteligentes, dançantes e criativos do pop da última década (Demon Days do Gorillaz e St. Elsewhere do Gnarls Barkley). É o cara que levou a cultura mash-up às massas de uma maneira não óbvia, sem precisar juntar duas faixas como no playlist da Joven Pan.

Música ampla, fluída, repleta de camadas, melodias espaciais, baixos gordos marcados, batidas ricas mas ainda assim marcadas, dançantes: a trilha sonora de um mundo em um processo de cotidiana desconstrução e reconstrução.

Esse disco fala muito sobre nossos tempos. Tem um monte de respostas curiosas aqui. E um outro punhado de perguntas ainda mais interessantes. E não é nas letras. Não é no encarte. Não é no som. É na experiência. É nas camadas. É na falta aparente de foco.

Eu não estou viajando. Estou falando bem sério.

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