4 de janeiro de 2010 às 13h47
Taí uma cena que não veremos mais
Esses dias estava relendo a matéria do Telegraph sobre as 50 coisas que estão sendo mortas pela internet e, na calada da noite, horas depois de ler, me veio a imagem de uma coisa que faltou incluir na lista: apresentadores no topo de montanhas de cartas.
Essa imagem foi, por muitas décadas, um dos maiores símbolos da interatividade entre os programas de TV e seu público. Era o data visualization versão analógica. A popularidade de um programa ou de um sorteio era inquestionável diante da abundância de envelopes com garranchos de pessoas de todas as idades e de todos os lugares do Brasil. Dava uma sensação interessante, de ser parte de uma grande comunidade. Ainda que parte daquilo fosse material cenográfico, vai saber.
Não assisto TV aberta o suficiente pra atestar se as montanhas de cartas efetivamente sumiram da inconografia do meio. Mas suspeito que, se ainda existem, elas devem estar em vias de extinção graças à erosão causada pelo SMS e pela internet.
Talvez falte um pouco de imaginação aos produtores, pois seria interessante ver os apresentadores metidos numas roupinhas Tron navegando em um cenário virtual que mostra todos os emails e SMS enviados pelos telespectadores. Referências de data visualization pra isso não faltam. É meio trash? É muito anos 90, muito çáiberpânque? Não. É algo bem hoje mesmo. E se tem um lugar pra fazer esse tipo de coisa, vamos convir que é na TV. E, de preferência, aberta. Bem aberta.




Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
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