20 de janeiro de 2010 às 9h00
Wander Wildner e o espírito do produtor
Segunda feira saiu na Zero Hora uma pequena porém bastante simbólica entrevista com o Wander. O motivo era o lançamento do DVD Rodando El Mundo que rolou no opinião, mas a conversa com o Bissigo (como o DVD) acabou funcionando como uma espécie de revisão da carreira solo do nosso bardo punk brega.
O que eu queria sublinhar a respeito da conversa dos dois é o fato da maior parte dela não versar sobre composição, inspiração ou outros falatórios do tipo. O foco da fala do Wander é o seu lado produtor que, segundo ele, é o eixo do trabalho artístico que ele vem botando (literalmente) na estrada há tantos anos.
De certa forma, esse discurso espontâneo vem consolidar algo que o fim dos anos 90 cultivou com discrição e que nos últimos anos vem germinando com força pra, provavelmente, se estabelecer nos anos 10: a cultura do produtor, do cara que bota a mão na massa e faz festivais, casas noturnas, DVDs, sites, projetos culturais, acontecerem de fato. Em em muitos casos com uma senhora sensibilidade artística, mais do que a de alguns supostos artistas.
Algumas vezes, essa figura está dentro de uma banda. Em outras, está dentro de um músico. Mas cada vez mais, me parece, o produtor é um ser completo em si, que não precisa carregar o rótulo de coadjuvante. Se um dia produtor foi o cara que não sabia tocar mas queria estar envolvido na parada toda, isso parece estar ficando pra trás. O que é muito bem vindo pelo mercado e também por pessoas como eu, preguiçosas e inaptas para esse tipo de função.
Longa vida à alma e à atividade do produtor, talvez o eixo do cenário artístico na década vindoura.






Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
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