• Arquitetura da Vertigem

    O novo clipe do China, feito no Ocupe Estelita! “Arquitetura de Vertigem” é do novo disco, “Telemática”. Direção de Pedro Escobar e Pedro Vitor Ferraz

  • Gogó

    Só no gogó, fala sério.

  • Foi válido o caralho

    A vida do sujeito era nada. Quando morreu, deixou em testamento um único desejo, a frase para seu epitáfio: “foi válido”.

    Quando uma pessoa diz que alguma coisa foi válida – e essa pessoa, às vezes, sou eu – no fundo está querendo dizer que… Foi uma merda, uma porcaria bem grande. Como posso ter perdido meu tempo com isso? Mas fazer o que? Ser complacente com a existência medíocre. Então, foi válido. Quem garante que existe algo melhor para mim no mundo?

    Dia destes fui em uma peça de teatro com sucesso retumbante, atores internacionais, público hipster e ingressos bem caros. Odiei profundamente. E adivinhem qual foi meu covarde comentário? Sim, tinha sido válido! Ir de táxi, na chuva, para um bairro distante perder meu tempo pagando muito por isso. Patinar de meias pela casa teria sido totalmente melhor.

    Depois de uma noite de sexo, os amantes se entreolham e um pergunta: “Foi bom pra você?”. E o outro sussurra: “foi válido”.

    Válido o caralho! Ou, justamente, a falta dele!

  • Ninjas do Arrocha: como não amar?


  • Atrás das cortinas

    Antigamente era assim: você queria uma coisa e tinha que ir lá na loja. E depois na outra. E na outra, na outra, na outra. Aí, depois de passar um dia caminhando suada, você finalmente tomava uma decisão e voltava para a loja escolhida. E comprava. Dava um trabalho enorme. Aí veio o processo civilizatório e criou os shoppings. Basicamente, continuou a mesma coisa, mas  com a diferença de que você ficava andando em círculos e tinha ar condicionado. Mas aí o processo civilizatório veio de novo. E hoje, você só precisa apertar uns botões e um dia  toca a campainha e tem uma pessoa na porta da sua casa com um sofá. Com uma geladeira. Com um livro. Com sementes  dos Andes que emagrecem. Obrigada, processo civilizatório.

    Os problemas são os anúncios. Os anúncios que começam a te perseguir. E os algoritmos. Se eles descobrem que você procurou por uma fruteira, você estará condenado pelo resto de sua vida. Condenado a ser uma pessoa em busca de uma fruteira.
    Não importa o que você faça. Não importa que você esteja lendo um artigo sobre a pós-modernidade emancipada da falsa consciência produto da secularização. Vão te oferecer uma fruteira. Não importa que você esteja assistindo um clipe de uma banda eletrônica-folk que vive numa caverna na Nova Zelândia influenciada pelo estilo afro-peruano. Vão te oferecer uma fruteira. Não importa que você esteja só em busca de algo simplório e baixo, vasculhar a vida dos outros na rede social. Vão te oferecer uma fruteira. Fruteira fruteira fruteira. Um ótimo investimento para organizar as frutas em sua casa. Maçã, mamão, melão vão às ruas e exigem fruteira. Fruteira.

    Dizem que os algoritmos vivem no sótão da sua casa vendo tudo que você faz. Se não tiver sótão, ficam no porão. Mas como hoje em dia todo mundo só vive em apartamento – que não tem sotão, nem porão, um sinal de franca decadência do processo civilizatório – os algoritmos costumam se esconder atrás das cortinas mesmo. É de lá que observam todos os nossos movimentos.

    Pôxa, é que eu gostava quando era variado. Um dia estavam te oferecendo o travesseiro da Nasa e, no outro, salgadinhos em forma de panda sabor churrasco americano. Era uma época parecia que eu tinha muitos motivos para ser feliz.

    Agora, só uma fruteira preencherá este enorme vazio da existência.

  • Astronauta glaciar

    Eles me chamaram dizendo que eu tinha que ir lá correndo.
    Fazê-lo mudar de ideia. Foi então que eu vi a redoma. Dentro dela, o glaciar avançava. Tudo era gelado e ele estava vestido como um astronauta. Caminhar parecia impossível e ele, quase que em câmera lenta, avançava. Insistir era coisa de louco. Era para eu entrar logo e resolver a parada. Um fino véu cobria tudo aquilo mas, antes que eu entrasse ou dissesse qualquer coisa, ele tombou. O rosto afundou na neve. Tipo desenho animado, saca? Os braços estirados. Morto? O interfone tocou, entrega do supermercado, eu atrasadíssima, me arrastando de pijamas até a porta, como fui perder hora logo hoje.

    E ele continuou lá.
    Cara afundada no gelo. Para sempre.
    Problema seu.

  • Carnaval

/ Defeito
por Jô Hallack
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