Monthly Archives: November 2013

OQuadro chega com seu primeiro disco, produzido por Buguinha Dub


OQuadro disponibilizou na rede seu primeiro disco, com produção de Buguinha Dub.

O Diginois conheceu essa rapaziada bacana no final do ano passado lá em Ilhéus-Ba e chapou com a maneira com os caras versão seus raps em cima de bases de outros universos musicais.

Destaques para “Seja Bem vindo ao meu lar”(participação de Lourdes da Luz), “Sapoca uma de cem”,  ”Ta amarado” e o hit “Valor de X”.

Entrevista Maga Bo

E por falar em entrevistas prometidas……ai vai a que o Maga Bo concedeu ao Esquema/Diginois.

Em pauta seu novo disco Quilombo do Futuro(disponível no facebook), aparelhagem sonora, imigração e suas andanças mundo afora….

1- porque vc escolheu o rio de janeiro para ser uma das suas casas? voce tambem tem reisdencia fixa em outras cidades?

é minha unica casa. não tenho outra residencia – nem temporaria, nem fixa. quando estou viajando e digo que eu tô com saudades de casa, tô dizendo que estou com saudades da minha casa no rio. ;-)

Escolhí o Rio depois de viajar bastante para lugares que eram tropicais, cidades grandes, com cenas de música legais, onde eu podia trabalhar pra me sustentar e pagar as contas, com floresta, praia, e uma cultura liberal…realmente, não tem muitos lugares assim no mundo. Me sinto muitissimo previligiado morando no Rio.

Agora, conseguer a minha residencia permanente no Brasil, já foi outra história….um dos maiores desafios da minha vida que levou muitos anos para resolver e que me fez pensar MUITO sobre imigração, o que significa para o bem das pessoas, para o bem alheio e para o bem da vida cultural. Acho interessante quanto esse novo mundo nosso (tô falando das americas), que é baseado na imigração tem ficado extremamente xenophobico e intolerante. Especialmente, tomando em conta que quase TODOS nossos ancestrais eram imigrantes de alguma forma ou outra. Como eu sou um músico que trabalha com sons de todos os cantos do mundo e que tambem viaja na função da música, é interessante pensar na importancia do direito de ir e vir pro artista (e pro mundo todo). Músicos sempre foram itinerantes e essa circulação de ideias músicais tem sido extremamente importante não só pra saúde da música, mas tambem para circular ideias, abrir as cabeças das pessoas, sustentar tradições, ensinar sabedoria e história.

Com a globalização, tem sido mais facil viajar pro outro lado do mundo em termos de planejar uma viagem ou communicar com uma pessoa no outro lado do mundo, mas tô vendo que ao mesmo tempo está uma consolidação de poder que está limitando o acesso das pessoas a viajar, conhecer coisas novas. Os sucessos do mercado estão tirando o lugar da tradição, do underground. Está ficando cada vez mais dificil para certas nacionalidades viajar para certos lugares. Provavalmente, os brasileiros vão pensar nos EUA como lugar fechado (e tem razão), mas o próprio Brasil tambem está ficando cada vez mais dificil entrar.

2- quais artistas participaram do seu ultimo disco e porque voce os escolheu?

Estou extremamente agradecido aos artistas que participaram no disco – Bnegão, Gaspar, Biguli, Speed Freaks, Rosângela Macedo, Marcelo Yuka, MC Zulu, Jahdan Blakkamoore, Lucas Santtana(!), Mestre Camaleão, as Sambadeiras do Reconca Rio, João Hermeto, Funkero…tomara que eu não estou esquecendo alguem! chamei eles porque admiro o trabalho de todos eles e porque as contribuições deles encaixavam na visão que eu tinha pro disco.

3- fale um pouco do disco novo, o nome sugeri um album conceitual, voce teve isso em mente? ou foi fazendo o disco e no final essa ideia de Quilombo do Futuro apareceu como sintese do que voce estava produzindo?

O conceito no inicio foi apenas fazer um disco juntando ritmos afro-brasileiros com elementos de dub, ragga e hip hop. Queria fazer um disco que agradava os ouvidos e a cabeça tanto quanto a pista de dança. Queria fazer um disco que soava bem num sistema de som grande, mas que ainda tinha sutilezas que dava pra reparar só ouvindo com fone de ouvido. Quanto as letras, queria que tratavam de resistencia cultural, a realidade da rua, poesia.

O titulo do disco veio bem depois – já sabia o que eu queria dizer, mas não sabia como dizer-lo…. Durante o processo de produzir o primeiro video clipe (No Balanço da Canoa feat. Rosângela Macedo and Marcelo Yuka), reparei que eu sempre descrevia o lugar onde as pessoas tocavam música como o “quilombo do futuro.” Esse titulo sintetizava varios elementos que eu estava querendo passar no disco.

A riqueza das americas é baseada na escravidão. Depois de abolição, esse sistema de exploração simplesmente se adaptou. Virou outra coisa com outro nome, mas continuava mais ou menos a mesma coisa. Agora, alem de “escravizar” pessoas, esse sistema tambem escraviza o meio ambiente. Ficou fora de controle. Apavorante. E continua crescendo, tomando conta de tudo, explorando tudo.

O William Gibson, no livro “Neuromancer,” fala sobre uma communidade de rastafaris que vivem num aeronave espacial. Todos os capitulos falando dos Rastas abriram com alguma coisa do tipo, “e as ondulações doss grave permiaram o aeronave espacial…” Aí, fiquei pensando, o que vai acontecer com outras culturas de resistencia? o que vai acontecer com o coco? com o jongo?

Acho que o quilombo de hoje em dia (mesmo que continuam muitos quilombos nos mesmo lugares, e vamo lutar pra manter o direto dessas pessoas ficar neles!), de alguma forma se adaptou para essa nova epoca de globalização. A resistencia reside na informação e na comunicação entre as pessoas.

O quilombo foi um dos unicos lugares onde as pessoas podiam viver numa sociedade justa, igalitária e pluralista (sim, sei que é uma visão romantica). Foram nos quilombos que os ritmos que eu tô trabalhando nasceram e esses ritmos são simbolos de resistencia cultural.

Me lembro de uma vez conversando com uma amiga senegalesa sobre as filhas dela. Ela falou, “elas falam varias idiomas dos opressores – o melhor lutar contra eles!”

O titulo “Quilombo do Futuro” faz referencia a todas essas coisas.

4- qual set up voce utilizou para as gravacoes do disco e o que voce usa nos shows?

O disco foi gravado com um sistema bem simples – laptop, placa de som, microfone e fone de ouvido. Para apresentações ao vivo, trabalho com Ableton Live, um controlador de MIDI e um Ipad (para controlar o live). Dependendo do evento tenho convidados – MCs (BNegão ou Jahdan Blakkamoore) e percussionistas.

5- fale um pouco das suas coloboracoes com artistas africanos. o que voce indentifica de diferente neles e no modo de producao que voce encontrou nesses paises?

É tudo a mesma coisa – só com sotaque/geografia/sabor diferente. Todo mundo quer amar e ser amado, ter uma vida tranquila, segura e feliz. São artistas – arriscam coisas, chegam atrasados (kkkk), pensam diferentemente do que a maioria das pessoas, tem excentricidades, tentam manifestar e expressar os sentimentos pra que outros podem entender, etc. – como qualquer lugar do mundo.

Em termos do modo de produção, a situação lá é mais precário, dificil, tem menos acesso a tecnologia (depende muito de onde estamos falando – ao mesmo tempo existem alguns dos estudios mais bacanas do mundo lá), mas o processo é o mesmo na hora de gravar.

Mas, é tudo muito diferente. Idiomas diferentes, estilos musicais diferentes, tempos diferentes. Acho muitissimo bonito. E, eu faço questão de dizer, que encontrei umas das pessoas mais simpaticas, abertas, sinceras e gente boa do munod todo lá.

6- quais sao os planos para 2012? quando vai ter show no rio?

Vai ter festa de lançamento no dia 2 de junho com Digitaldubs, Marcelinho da Lua, DJ MBGroove, Ras Schack, Leo Justi, Funkero e os VJS Eduardo, Fernando Salis e [montano] no Arco do Teles.

Seria um sonho poder apresentar o show no Rio, já que quase todo mundo está aqui. Ainda não sei quando vai rolar, mas vai rolar!!

7- como voce esta vendo a cena musical no Rio?

uma pergunta dupla-facetada – é muito bom e é ruinzão ao mesmo tempo. Tem uma falta de lugares de pequeno e medio porte. Fica dificil pros artistas ganhar experiencia, mostrar o trabalho e para o publico conhecer coisas novas. Acaba sendo os mesmos artistas de sempre apresentando coisas já provadas a ser bem sucedidas. Aí, quem quer fazer algo diferente vai ter que sobreviver sendo muito mal remunerado (e frequentemente sair no prejuizo) enquanto os donos dos bares e as produtoras ganham o dinheiro. Essas não são condições favoraveis a inovação e crescimento da música.

MAS, ao mesmo tempo, tem músicos fantasticos, antenados, cheios de ideias interessantes. Para mim, é essa riqueza que salve tudo.

Entrevista Curumin

Conforme prometido, segue a entrevista que o Curumin deu para o Esquema/Diginois sobre seu disco novo.

1- Porque esse título “Arrocha”? Há alguma mensagem nele?

Bom, num dá pra falar do titulo sem falar do ritmo baiano né? Num tem nda a ver musicalmente, mas a idéia de dançar bem agarrado, q faz parte desse estilo, acho q faz conexão com o disco.
“arrocha” quer dizer apertar com força. E eu acho q essa é a busca desse disco, envolver o ouvinte com pressão, com pegada.

Além disso essa palavra tem essa som forte do “A rocha”. Sei lá, esse negocio de titulo é dificil. Eu sempre vou desconbrindo um monte de outros significados possiveis e me perco na hora de explicar.

2- No disco tem vários menções ao universo do Candomblé, seja em trechos de letras ou em alguns ritmos. Isso rolou naturalmente durante a produção ou foi algo que você buscava, pesquisava, quis falar, etc. Fala um pouco sobre isso.

Olha, qdo eu tava começando a fazer, compondo e tal, eu tinha uma ansia de falar sobre natureza. Senti q era preciso falar disso, q num tinha como escapar.Só q esse tema é uma enrrascada, pq eu num queria o discurso do “salve o planeta” nem do “fudeu!”. Eu queria mesmo é q ele tivesse um clima de mato.

Bom, na época eu tava lendo loucamente o “grande sertão veredas”, q é meio isso ai.Mas pra fazer as letras eu pesquisei sobre o candomblé, pq era onde eu poderia encontrar a origem desse tema. Onde eu podia falar dos elementos da natureza pelas historias mais antigas, pelos mitos.E o candomblé tem tb um lance q eu sinto qdo to no meio do mato. Um misterio, sei lá.

3- Existem participações no disco, poderia falar delas?

No disco anterior, eu chamei uma galera q eu adimirava mto e queria q estivesse junto pra fazer o disco. Nesse já foi bem mais pontual.

Agente fez ele quase todo e, vendo oq tava faltando, foi chamando as pessoas certas pra suprir essa falta. E como fizemos eu, o Zé Nigro, que é baixista, e o Lucas Martins, que tb é baixista, tinha essa coisa das melodias, das harmonias q ficava faltando.

Daí chamamos o Jeneci, Ceu, Gui Amabis, Hertz e Edy Trombone. E, claro, o Russo q foi um cara q eu conheci e fiquei mto impressionado com o talento dele pra fazer musica. Além disso o cara virou um parceirão e tava na sintonia pra participar do disco com agente.

4- No disco passado você produziu a bolacha junto com o Gustavo Lenza e o Lucas Martins. Nesse só o Lucas assina contigo, porque o Lenza não produziu esse também?

Fizemos o disco numa época q o Lenza tava com bastante trampo e não poderia estar presente 100%. Fazer um album é foda! Pq vc fica um, dois meses na função de faze-lo e a grana não justifica. E é super importante todos q estão envolvidos estarem com a cabeça nisso total.

5- Esse disco veio com uma pegada bem mais eletrônica e pesada que os outros. Um pouco mais pop também em relação ao Japan Pop Show. Você já tinha essa intenção quando começou a compor o disco ou isso foi acontecendo a medida que as músicas estavam sendo produzidas?

Uma das intenções q eu tinha, e talvez por isso tenha ficado mais pop, era fazer um disco legal pra fazer show. Esse foi um dos motivos dos beats eletronicos: pra soar na linguagem dos P.A.’s de hj em dia. E com as letras simples, com repetições, pra galera cantar fácil.

Varias vezes nos shows, qdo eu tocava “magrela fever”, por exemplo, q é uma musica q as pessoas q vão no show esperam por ela, eu olhava pra plateia louca pra cantar mas num conseguia, pq a letra é enorme. Ficavam mexendo a boca mas falando qq coisa saca? Hahaha!!

6- Porque a escolha de gravar “Vestido de Prata”, um hit na Bahia, mas pouco conhecida no resto do país? Um golaço por sinal.

Esse chegou no finalzinho do disco. Tinhamos o disco quase pronto. Tinhamos feita até a ordem, inclusive. Mas ai, ouvindo dava essa sensação q faltava alguma coisa. E as musicas tava mto serias, tudo harmonia menor e tal.

Eu tava escutando mto disco e numa dessas, coloquei uma coletanea de sambarock. A primeira era vestido de prata. Deu aquele estalo: é essa! Vai cai direitinho no esquema do disco.

7- Uma das preferidas da casa é “Passarinho”, fala um pouco sobre ela?

Legal até esse pergunta na sequencia, pq depois q gravamos o “vestido”, além do disco tá curto, ainda tinha essa sensação de tá faltando alguma coisa.

E tinha essa música do Russo, q ele tinha me mostrado, cheguei até a gravar batera no som esquema dele. E qdo ele me mandou eu fiquei louco, tocava toda hora, achava lindona. Uma canção das boas. E um tipo q eu nunca faria, pq eu num tenho esse flow.

Fiquei meio bolado, queria gravar, mas a musica era do cara, iria entrar no disco dele e tal. QDo eu falei com o Russo ele foi totalmente receptivo, falou q num queria gravar, q ela num teria a ver com o disco q ele queria fazer. Ai foi q foi.

8- Ainda aproveitando “Passarinho”, ela é bastante pop e radiofônica. Sempre penso nesse “gap” que a rádio no Brasil está provocando. Várias canções como essa poderiam virar hit e passar a figurar no subconsciente coletivo, como as músicas do Caetano, Gil, Milton, Chico, etc. Mas por conta da rádio hoje ser tão comercialmente gerida, essa renovação de músicas não ocorre. O que você acha disso? Você pensa sobre isso?

Putz, ainda mais em São Paulo!! É impressionante!!

Pq o dial aqui é lotado, num tem vaga pra mais nda. No entanto, elas tocam a mesma coisa!!

Eu num sei, num entendo tb. Pq, claro q o forró sertanejo tem um publico gigante, q o pop mundial tb, mas com tanta opção no dial, pq todas precisam tocar a mesma coisa? Num tem espaço pra uma radinho q seja tocar umas coisas diferentes?

Eu acho lamentavel e num consigo ouvir rádio. Até na tv, q tem mto mais interesse comercial envolvido, agente consegue tocar um pouquinho mais.

9- Muitos amigos reclamam que você deveria doar mais tempo a sua própria carreira, mas todos entendem também que por ser um músico muito requisitado acaba não sobrando muito tempo. O que você tem a nos dizer sobre isso?

Preciso trabalhar dedé!

E não só isso, eu gosto de trabalhar e acharia chato se tudo q eu fizesse fosse pra promover o meu trampo, o meu nome, o meu disco, a minha musica, tudo girando em torno de vc mesmo.

Eu gosto mto de ficar só tocando, foco principal a musica, q é oq o musico faz.

Ainda mais qdo se compartilha isso com excelentes musicos como o Scandurra, Jeneci, Ceu, Catatau, Rian, Regis, Betão, Gui Held, Mauricio Alves, Criolo e por ai vai.

10- Quais são os planos para o Arrocha em 2012?

Quero tocar!!!

Simples assim.

De mãe para filho

Minha mãe mandou essas imagens por email para meu filho e aproveitei para postá-las aqui também.

Paredes de Thor – “As portas do calabouço”, em Cape Perpetua, Oregon

Dubai. A vista dos arranha-céus BurjKhalifa. A altura dos edifícios é de 828 metros.

Estas árvores nasceram em uma floresta próxima a Gryfino, na Polônia.

A estátua, criada por Bruno Catalano, está localizada na França.

Loja de informática em Paris.. Na verdade, o piso é completamente plano.