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‘Edukators’, a peça, de volta ao Rio

edukators

Depois da tragédia de Santa Maria, o que mais se viu no Rio foi a correria desenfreada das autoridades pra enfim fiscalizar (um dos maiores problemas do Brasil, aliás) os espaços culturais, mas infelizmente isso levou ao fechamento também desenfreado de diversas casas, muitas delas, conforme se constatou depois, em plenas condições de operar. Outras precisavam de pequenos ajustes e outras de fato não tinham a menor condição de estarem funcionando, claro, mas nem todos os empresários prejudicados mereciam a punição.

Um dos espaços fechados pela prefeitura (não sei se justa ou injustamente, que fique claro) foi o Oi Futuro, centro cultural bacanudo da mega telefônica no Flamengo. Tinha acabado de assistir à estreia da versão teatral de “Edukators” e, quando vi (e ia indicar), não tinha mais. Eis que o espaço acabou de ser reaberto. Com isso, a peça voltou a ser encenada por lá. Você, querido transeunte carioca, já deve ter dado de cara com esculturas enormes de móveis empilhados, espalhadas pela cidade. Então, fazem parte da promoção do espetáculo.

Como o nome entrega, a peça é baseada no filme cult do alemão Hans Weingartner (aquele com o fofo do Daniel Brühl) e sua primeira encenação é essa versão brasileira, devidamente autorizada pelo autor, adaptada por Rafael Gomes, dirigida por João Fonseca e (muito bem) defendida por Natália Lage, Edmilson Barros, Pablo Sanábio e Fabrício Belsoff. O legal é que o espetáculo usa bem a arquitetura do local, se dividindo entre a cafeteria e o teatro propriamente dito.

A história é aquela que todo mundo conhece: três jovens autointitulados “Os Educadores” recorrem à desobediência civil pra avisar aos ricos concentradores de renda que “seus dias de fartura estão contados”. Até que dá ruim. E contar mais que isso é spoiler, vai que alguém não viu o filme?

SERVIÇO
Edukators
Até 31 de março
De quinta a domingo, às 20h
R$ 20

Efêmero Cuisine

efemero_cuisine

O conceito de “home restaurant” ou “jantar a portas fechadas” ou “sejalácomosuapublicaçãogastronômicafavoritachama” ainda não pegou dicumforça no Brasil, mas já tem gente tirando coisas beeeem legais disso aí. Não tá familiarizado com o esquema? Eu explico. São eventos (almoços ou jantares) feitos em casa, com todo capricho, como se fosse um restaurante “de verdade”. Os participantes (em número restrito) pagam um valor específico e degustam um menu fechado, com direito a bebida. Geralmente os convidados são amigos ou amigos dos amigos dos organizadores, o que promove uma interação bacana com gente que você ainda não conhecia.

Inspirado nesse modelo, o Efêmero Cuisine foi uma das experiências gastronômicas mais encantadoras que eu tive em 2012 (olha que não foram poucas) e sua lembrança contraria o próprio nome dado ao evento, capitaneado pelos meus amados Bruno Correia, Ana Monte e o chef Bruno Fiuza, criadores do Chef Mob, (que um dia eu explico aqui). Em um domingo de dezembro, nos reunimos em uma casa incrível em Santa Teresa, comemos e bebemos maravilhosamente bem em um lugar lindo e ainda conhecemos outros três casais, em uma noite super agradável.

No menu de cinco etapas (surpresa para os convidados até a hora de servir), pão caseiro, consomê de shitake, camarões com lulas falsas, flores desidratadas e basilicão, vitela ao molho de ostra com vagem francesa, nirá, castanha de caju e cebolas caramelizadas e, pra fechar, tortinha de framboesa com farinha de amêndoas e sorvete de chá verde. Pra beber, vinho branco. Tudo maravilhoso como a descrição (e a imagem ali em cima) indica.

Depois de fazer alguns testes juntando amigos de várias procedências (adorei ser cobaia), o Efêmero abre suas portas itinerantes para quem quiser participar da experiência (e comer bem) no próximo domingo, dia 13. O almoço rola às 15h em uma casa em Botafogo (cujo endereço só é revelado após a confirmação da reserva) e custa R$ 100, com bebida inclusa. Como só tem vaga para dez pessoas (e se eu não viajar no fim de semana duas são minhas, tira o olho!), é bom se apressar pra garantir o lugar. Mais informações no site oficial, página do Facebook ou na própria página do próximo evento.

Quem é do Méier não bobéier…

… mas quem não for ao show do Tame Impala, quinta, no Imperator, vai marcar uma touca danada (pra usar outra expressão velha).

Isto posto, senta que lá vem história

Semana passada, fui ao Imperator ver de perto a reforma do espaço com um belíssimo show de Ron Carter. Era minha primeira vez no centro cultural do Méier, desde sua reabertura, em junho desse ano. Apesar de nunca ter frequentado a casa por não ter idade suficiente pra tal, o Imperator marcou minha infância. Minha saudosa avó Dalva (que Deus a tenha) morava ali pertinho e a gente sempre passava por lá quando eu vinha ao Rio visitar minha família. Já adolescente, fiz cursinho pré-vestibular no mesmo (e aprazível) bairro e suspirava todas as vezes que dava de cara com a feirinha “de Petrópolis” que se instalou no prédio desativado do Imperator. Naquela época, já estava ciente de que a casa tinha abrigado shows históricos de Beastie Boys, Bob Dylan e outros tantos, e a única música que tocava ali era do rádio que embalava a venda de malhas.

Enfim, nostalgia do que não vivi à parte, o Imperator foi dignamente reformado e reaberto e, na semana passada, me dirigi até o prestigioso local, de carona com um amigo. Saímos de casa atrasados e, por consequência, acabamos chegando atrasados, meia hora depois. Como manda a praxe, não nos deixaram entrar no show de cara, pois Ron Carter já estava no palco. Como acontece em shows desse tipo e em espetáculos de artes cênicas, depois que a apresentação começa, já era, ninguém mais entra. Os funcionários da casa foram até bacanas, estavam esperando um momento de pausa (difícil em shows do tipo) pra deixar a galera do fundão enfim ocupar seus lugares. Eu e meu amigo pacientemente aguardávamos o momento em que poderíamos entrar, quando um fulano, também a esperar, solta um “palhaçada”. Retruquei lembrando a ele que nós é que estávamos errados. Outra perua loira começou a querer se exaltar e levantou a carta do “O Méier é longe”. ‘Tava demorando. Até por que o mesmo mimimi veio à tona quando o Queremos resolveu marcar o show do Tame Impala pro Imperator, em vez do tradicional Circo Voador.

O que acontece é que os cariocas são muito mal acostumados. A área nobre (e a efervescência cultural) se materializa na Zona Sul do Rio, que é pequenininha. Pra quem habita a região, ir pra Tijuca ou pra Barra da Tijuca já é exceção, uma escapada gigantesca da área de conforto, que as pessoas fazem parecer um suplício. Imagine ir até o Méier, meldels, que horror? Ok que não temos uma malha metrôviária decente como nossa cidade merece, mas chegar no Méier é não é tão difícil quanto os resmungões querem fazer parecer: tem ônibus à beça, dá pra pegar carona de carro com os amigos porque tem estacionamentos perto, dá pra dividir um táxi com a galera (dependendo do lugar, não dá nem R$ 40, dividindo por quatro sai a R$ 20 por cabeça ida e volta. Caro?). O Queremos até fez um GUIA pra ninguém ter motivo pra dizer que não sabia chegar na Dias da Cruz.

Dá também para mexer o traseiro gordo e deixar de preguiça e desculpinha esfarrapada. Se quando tem show bacana na Arena ou no Citibank Hall a gente se vira pra ir, por que não o Méier? E quantas vezes nós, jovens adultos, que acompanham bandas por aí, não nos despencamos pra outras cidades pra ver shows e festivais? O Imperator tá incrível, o lugar é bom, espaçoso, a acústica é bacana. Só o bar que ainda não aceita cartão, mas pra isso existe caixa eletrônico. O que não dá é pra perder o show de uma das melhores bandas da nova safra tocando músicas do disco novo, que ainda nem saiu, por bobeira. Tá dado o recado.

[Este post nasceu de um desabafo que publiquei em meu Facebook e é inspirado nas quantidades astronômicas de mimimi que eu vi por aí]

Entrevista com Kevin Barnes, do Of Montreal

Vídeo da passagem de som da banda antes do show de São Paulo

O Of Montreal toca hoje no Rio (tocou em São Paulo na terça) e entrevistei o vocalista Kevin Barnes pra falar sobre o show que eles apresentarão no Circo Voador, a cargo do disco “Paralytic stalks”, muito mais soturno e deprê que seus antecessores que espirravam glitter por aí. A matéria foi publicada no Segundo Caderno de hoje, mas você pode ler no site d’O Globo.

No bate-papo, Barnes – um moço pacato, caseiro, casado, pai de uma filha e dono de um cão – relembrou momentos da primeira passagem da banda no Brasil, no Planeta Terra de 2010 (quando ele perdeu a linha, chutou o balde e escreveu uma música sobre); falou sobre o travestismo que assume em cima do palco; contou da barra pesada que passou na época da gravação do disco mais recente e ainda se derreteu em elogios aos Mutantes, sua banda favorita de todos os tempos.

 

Final do Concurso de cantores do Karaokê Indie

Pois é. Eis que, aos 45 do segundo tempo, Liv Brandão é convocada para se aquecer, deixar o banco e assumir o lugar de Lia Novello, vencedora do I Concurso de Cantores do Karaokê Indie, que seria jurada na final da segunda edição do supracitado. O eventinho – um dos mais divertidos da cidade, vai por mim – rola esta noite na boa e velha Casa da Matriz.

Na eliminatória em que fiz o Simon Cowell meets Paula Abdul o nível já foi altíssimo, coisa de escorrer lagriminha, então quero nem ver nessa final. Quer dizer, quero sim. A brincadeira começa às 20h, pra dar tempo de todo mundo (participante ou não) soltar o gogó à vontade. Dona Pilar Garcez, a organizadora da bagunça, ainda avisa que os bravos guerreiros a chegarem antes das 22h ganham um Hi-Fi de cortesia.

Só pra sentir o drama, o vencedor do concurso vai levar 1 ano de VIP no Karaokê Indie + 1 mês de entrada grátis em qualquer evento aberto ao público do Grupo Matriz com um drink grátis + 1 garrafa de Ballantines 12 anos + 1 garrafa de Absolut + gravação profissional de 3 músicas no Estúdio Dharma. Maneiro, né? A responsa é grande!

E por último, mas não menos importante, dessa vez divido a bancada do júri com Ricardo Abrahin (do Estúdio Dharma), Carlos André Cruz (idealizador e curador do Karaokê Indie), Daniel Koslinski (Rei do Grupo Matriz) e Yan Guimarães (também do Estúdio Dharma). Tá bom, né? Pra confirmar presença, se joga aqui.

Como diria o Pica-Pau, e lá vamos nós…

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E pra não perder o hábito, playlistzinha com tudo o que vai rolar hoje à noite :)

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Mais concurso no Karaokê Indie

Quarta-feira é dia de Karaokê Indie na Casa da Matriz e, desta vez, a quarta será especial. Por quê? Porque vai rolar mais uma eliminatória do II Concurso de Cantores da empreitada de Pilar Garcez e Carlos André Cruz, o Chacal, e, mais uma vez, serei jurada. Ao lado da baixista Eliza Schinner, do DJ Kleber Tuma e do jornalista e DJ Felipe Varne, vou dar meus pitacos sobre os concorrentes das categorias Rock/Indie Rock e Duplas, com aquele jeitinho de cruza Simon Cowell com Paula Abdul (na real, meu sonho é ser a Britney no “X Factor) que me é característico.

E como a festa acontece logo depois do Dia dos Namorados, Pilar manda avisar que quem quiser pode estender as comemorações no especial Passion. Aqueles que trajarem o vermelho da paixão pagam o menor valor da entrada a noite toda, mas vale chegar cedo (até às 22h) pra ganhar um welcome drink coloridinho, além de conferir o farto lançamento de pétalas de rosa aos ares, a decoração temática e o correio do amor (que pode acabar anunciado nos microfones da casa, pra todo mundo ouvir). Isso sem falar, é claro, no concurso propriamente dito, que começa às 23h (e, portanto, a partir das 20h você tem muito tempo pra cantar).

O Karaokê Indie rola na Casa da Matriz (Rua Henrique de Novais, 107, Botafogo), todas as quartas, a partir das 20h. Para confirmar seu nome na lista amiga, clique aqui e, para confirmar presença no evento no Facebook (e xeretar quem mais vai, afinal, é pra isso que a ferramenta serve), clique aqui.

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SPOILER! Pra esquentar os tambores, o setlist dos destemidos concorrentes dessa noite, cheio de pérolas do cancioneiro rock’n'roll. Neguinho vai ter que suar.

Quinta edição do Rock & Totem começa hoje

 

Se o In-Edit (Festival Internacional do Documentário Musical) faz uma versão mais enxuta no Rio, deixando o filé pra São Paulo, os cariocas podemos (e devemos) comemorar a existência do Rock & Totem. Em sua quinta edição (gente, parece que foi ontem que postei sobre a primeira em uma encarnação anterior do blog), a mostra produzida pelo Fred D’Orey, cabeça da marca e paladino do roquenrou, vai promover uma semana de sessões de docs bacanas no Estação Ipanema. E com entrada franca (mas leva um livro infantil pra doar, tá, muquirana?).

A programação é aberta com “Ray Charles America”, considerado o registro definitivo sobre o músico (hoje, às 21h). Amanhã é dia do IMPERDÍVEL (assim mesmo, em caps) e premiadíssimo “Anvil! The story of Anvil“, que narra da trajetória da banda de metal canadense que quaaaase estourou, mas nunca chegou lá. Vocês viram o “Some kind of monster”, festival de lavagem de roupa suja documentário do Metallica? Então, o filme do Anvil é um “SKOM” de pobre. Bem nessas. Se em alguns momentos você acha que está vendo alguma espécie de laboratório pra “This is Spinal Tap”, em outros bate uma vontade de chorar copiosamente.

Até o dia 23 ainda rola exibição de doc sobre o histórico Glastonbury, um dos principais festivais de música do mundo, que completa 42 anos com corpinho de 20 (“Glastonbury – The mud, the music, the madness”, dia 18, às 21h), a história de Harry Nilson (“Who is Harry Nilson”, dia 20, 21h) e registro de turnê lendária do Alice Cooper (“Good to see you again”, dia 21, às 19h). Pra quem é de outras praias, tem show de James Brown (“James Brown, Live at the Olympia Theatre”, dia 18, às 19h) e a história de Glenn Gould, um dos pianistas mais aclamados do último século.

A programação completa você vê no site do evento.

Lançamento de ‘Sete [cruz]‘

Pra uns falta  só ter filho, pra outros, basta plantar uma árvore. É que hoje um monte de gente querida lança seu primeiro livro, enchendo meu coraçãozinho de orgulho. Falo do ”Se7e [cruz]“, coletânea de contos escritos por Tatiana ContreirasRicardo CalazansEusébio GalvãoGustal e grande elenco, baseados nas sete frases ditas por Jesus Cristo em seu calvário.

O evento rola a partir das sete (claro!), no espaço Gabinete (Rua do Senado, 53, entre Lavradio e Gomes Freire), na Lapa. O livro em capa dura sai a R$ 29,90 e o e-book custa R$ 9,90.  Haja folha de rosto e post-it pra tanta dedicatória. Nos vemos lá?