9 de maio de 2012 às 14h34
Milagre
1 de maio de 2012 às 10h55
O especialista
Achei essas três entrevistas no meu gmail, todas sobre humor – meio que virei setorista do assunto na época do afastamento do Rafinha Bastos do CQC… de qualquer forma acho que vale a publicação.
1) Para Milton Ribeiro:
1. No passado, muitas vezes o editorial dizia uma coisa e chargista outra, isto acabou?
O chargista, enquanto pobre vocacional, costuma ter uma visão de mundo diferente da do dono do jornal: pra ele o capitalismo é um jogo onde é um derrotado. Acho que ainda há espaço para o chargista ser a voz divergente no jornal, mas por um motivo triste: a charge já não tem a força de antigamente, talvez porque se esgotou como linguagem. É muito tempo usando as mesmas metáforas para os mesmos problemas. Para o patrão é conveniente ter alguém de idéias destoantes no staff, dá a impressão de imparcialidade.
2. O humor é melhor quando é de oposição?
Não, o humor de oposição costuma cair muitas vezes na armadilha do panfletarismo.
3. O programa Zorra Total seria o mais ingênuo de todos os gêneros de humor do país — com tipos como a gostosa burra, a muito feia horrorosa, etc. — e Millôr Fernandes a forma mais alta? Onde colocar a truculência e a encheção de saco (se concordas com estas expressões) do CQC e congêneres? E os outros?
Não tem nada de ingênuo no Zorra Total, é um programa que sabe exatamente pra quem está falando. Se é mais apelativo, pode ser – mas só lá você pode ver um gigante do humor físico atuando, Paulo Silvino; ademais, tanto o humor popular quanto o erudito se valem de arquétipos, e alguns dos clichês do Zorra são ecos distantes da commedia dell’arte. O Millôr tem um texto realmente sofisticado, mas boa parte das vezes não está nem tentando ser engraçado. O CQC só é truculento com quem não sabe se defender, toda vez que topam com o Maluf viram escada do cara.
4. A truculência e a encheção de saco de celebridades já é um gênero humorístico de nosso país?
No mundo todo, só que em alguns lugares esse humor é engraçado e corajoso. Aqui não é engraçado – é só a velha fórmula de perguntas capciosas na base do trocadilho e pegadinhas – e nem corajoso, os caras só vão nas subcelebridades (e às vezes perdem em sagacidade para elas). Celebridade mesmo, com poder, revida – como descobriu agora o Rafinha.
5. Há uma marca humorística nossa ou as pessoas atuam em faixa própria? Pergunto porque a CQC é uma franquia argentina.
Não conheço a versão argentina, mas esse tipo de humor de abordagem franca é tendência mundial. Mas vamos pegar os Estados Unidos, por exemplo: lá tem gente realmente testando os limites, o Stephen Colbert dizendo barbaridades na cara do Bush, o Ricky Gervais (que é inglês) apresentando o Globo de Ouro em estilo kamikaze. Aqui se o patrocinador chiar, demitem todo mundo.
6. O escracho é contra os desfavorecidos de um modo geral?
As minorias viraram saco de pancada porque o humorista se sente instantaneamente desbravador, pisando em terreno sagrado – quando na verdade está só experimentando um caminho seguro: além de ter vários colegas fazendo a mesma coisa, é mais fácil ser cruel com os desfavorecidos do que com os poderosos.
7. Há uma infantilização do humor?
Sim, principalmente porque você sente os caras se comprazendo com a molecagem, com a própria “ousadia” – mais do que sentindo orgulho autoral de uma piada bem elaborada.
8. E a canastrice dos caras? Era melhor qdo os humoristas eram gente como Jô ou Chico Anísio, que ao menos eram atores?
Vários excelentes humoristas também não tiveram formação dramática e se saem bem. O problema é mesmo a qualidade do texto.
2) Para Gabriel Gabardo:
1. Uma quantidade enorme de vídeos, fotos e outros tipos de conteúdos produzidos de forma amadora viram hits na internet. Por que tu achas que as pessoas se interessam por esse tipo de conteúdo?
Porque são ou genuinamente engraçados (e/ou involuntariamente engraçados). Acho que a internet ajudou a reformular o conceito de amador, porque muita coisa feita profissionalmente no Brasil, envolvendo equipe, estrutura e orçamento, olhando de perto é amadorismo disfarçado. Quantos esquetes com elenco gigantesco feitos para as grandes emissoras não passam de fórmulas requentadas de humor radiofônico? Já vi dramatizações em seminários de escola mais bem estruturados que muito programa de TV. Nos quadrinhos, por exemplo: antigamente muitas tiras eram rejeitadas pelo diretor de arte dos jornais por conta do desenho tosco. Hoje, com a internet, boa parte dos quadrinhos que todo mundo curte são feitos por gente que não sabe desenhar.
2. Espaços como o Kibe Loco, Não Salvo e Ñ Intendo utilizam essas produções em montagens, colagens ou simplesmente as reproduzem, com o intuito de fazer rir. Existe aí a elaboração necessária pra que isso seja considerado um gênero de humor?
Mas falta de elaboração também é gênero: o pastelão taí firme e forte. Acho que você pode chamar um certo humor de internet, baseado em memes, trollagens e fotos de gatinhos de subgênero. Mas acho que boa parte desse material tem prazo de validade curto, em breve as piadas vão precisar de verbete na wikipedia para explicar o contexto histórico. Na verdade várias já ganharam.
3. A facilidade com que se pesquisa, publica e edita conteúdo na internet torna o humor mais raso (qualquer um vira “humorista”) ou pode torná-lo mais sagaz? (Ou a ferramenta não tem influência?)
Agiliza a coisa toda, não? Se preciso de uma imagem para um cartum, de uma citação ou mesmo se quero roubar uma idéia (a cópia está virando quase um gênero a parte do humorismo). Mas é aquilo, a internet é só o meio. Imagino que a humanidade desde sempre produza uma percentagem x de gente com talento no mundo, mas antigamente tínhamos pouco recursos para ter acesso ao trabalho dessas pessoas. Hoje é mais fácil, mas tem gente demais produzindo (e muita porcaria), a velha história do cara perdido na ilha deserta X o cara perdido na multidão.
4. Como tu achas que esse tipo de piada da internet, mais imediata e sem roteiro, pode influenciar o humor em uma mídia mais tradicional, como a televisão?
Ajudando os produtores a tentar coisas diferentes. O humor é perecível, sempre foi, mas a internet acelerou o processo, toda hora tem um tumblr ou um quadro bacana do Funny or Die mostrando formas alternativas de fazer rir. É claro que as fórmulas tradicionais tem um grande apelo de massa ainda, mas em breve as pessoas vão ter que se adaptar a um público que foi criado com as possibilidades mais amplas da internet, em vez do universo mais limitado do rádio e da TV.
3) Para Rodrigo Levino:
1. A que você acha que se deve essa discussão recente sobre humor no Brasil? Em pouco tempo me parece que a coisa tomou um rumo diverso que foi da consagração dessa nova geração de comediantes que saíram so stand up para a TV para um clima de cobrança permanente, como se o público estivesse reavaliando quem ele consagrou.
Talvez as pessoas tenham percebido que a maior parte desses novos humoristas não tem talento nem inteligência para negociar com os limites de sua própria platéia. Tanto é que a saída desses caras quando laçam uma piada mal-sucedida é culpar a caretice do público brasileiro ou xingar os jornalistas que os procuram – quando podiam aproveitar a oportunidade para tentar defender sua intenções cômicas, sei lá. O politicamente correto está virando uma ótima desculpa para humorista ruim – qual dessas últimas polêmicas foi em torno de uma piada realmente aproveitável?
2. Se olharmos um pouco mais para trás, é provável que nem a Escolinha do Professor Raimundo ou as esquetes dos Trapalhões passasse por esse crivo recente. O que, na sua opinião, mudou no jeito do brasileiro rir?
Não sei se mudou, é uma questão de deslocamento. Quando a Sarah Silverman fala que sente pena das crianças etíopes subnutridas (mas com barrigões de vermes) porque são crianças de um ano grávidas de nove meses, está fazendo um personagem se fazendo de idiota para criar um jogo de palavras e uma associação de idéias inteligente – você ri no limite do prazer culpado. Os nossos amigos stand ups não trabalham com camadas, na hora de imitar seus colegas gringos acham que só precisam de um microfone, uma roupa casual e as bobagens que entendem por insight – fica tudo parecendo a opinião deles, pura e simples. Quando essa opinião reflete o senso comum, tudo bem, a platéia acha graça. Quando fala em sexo com bebês, peraí.
É possível que os Trapalhões fossem patrulhados, mas eles estavam ali vestidos de palhaços, e o Mussum ouvia os impropérios racistas sendo negro. Acho que são universos distintos. De qualquer forma, o que mudou mesmo foi a capacidade de intervenção do público – antes o desagrado com algum estereótipo gerava apenas um pequeno ruído. Hoje, com a internet, o mundo é uma grande seção de cartas dos leitores.
3. Quando tu e o Allan entraram no Casseta, a ideia era de renovação ou isso não foi tratado explicitamente?
A idéia era dar um gás, e gente de fora, principalmente saída de outro meio (no nosso caso, quadrinhos), sempre vem com alguma coisa nova. Os Cassetas falaram mais em arejar, não nos sentimos com uma missão ou algo assim – e eles e os outros roteiristas têm talento de sobra para mudar a “linha editorial” do programa sozinhos, se fosse o caso.
4. Óbvio que o programa andava pelas tabelas na audiência, mas levando em consideração o tempo que ficou no ar isso é até inevitável. Como foi chegar com o seu trabalho que tem uma pegava mais arejada e trabalhar isso com os caras que estão nisso há 30 anos?
A audiência não era um problema, tanto é que o C & P ainda era um dos líderes da programação da Globo, atrás só das novelas. Mas é claro que não mantinham os números do auge do programa, como nenhuma outra atração de qualquer canal que tenha durado tempo suficiente para ver a audiência ser fragmentada pelo aumento do número de opções (novos canais, programas) e pela concorrência com outros meios – internet inclusive, às vezes eu mesmo só tinha tempo de ver alguns quadros no site do programa. E claro que a gente trouxe contribuições – desde o timing diferente (em quadrinhos às vezes trabalhamos com humor de impacto concentrado em vez da construção em diálogos dos meios audiovisuais) até o nosso gosto maior por humor de comportamento, em vez do político. De qualquer forma, só tivemos a recomendação de fazer humor que todo mundo entendesse – natural, porque a meta é entreter e manter os índices – o que pra mim é um latifúndio. Gosto de ser eficiente E compreendido – de ser retwittado, enfim, hehe.
5. Renovação de humor na TV é algo demorado. Pensa que pra nossa geração pegamos um pouco de Chico Anysio, Trapalhões, Casseta, Sai de baixo e findamos em Zorra Total. A que você acha que se deve essa dificuldade de inovar em linguagem e manter a verve fresca?
É um processo demorado por conta dos meios de comunicação e das estruturas dentro das emissoras mais do que por qualquer outra coisa. O humor é dinâmico, a internet ajuda a mostrar isso: é só ver os memes, que são as piadas internas com o maior público participante da história; os vários grupos de humor que tentam surfar a onda das visualizações no youtube – alguns com muito talento. O que é engessada é a noção do que o público vai entender e gostar dentro dos departamentos de criação das emissoras, mas vivemos recebendo lições. Quando vejo o Freddy Mercury prateado, do Pânico, penso: que ácido tomou o sujeito que acreditou que isso podia dar certo? E no entanto, taí.
6. Você está envolvido nos projetos futuros do Casseta?
Adoraria estar. Esses caras são meus ídolos, tenho tudo do Planeta Diário e da Casseta Popular encadernado. Mas eu também ia querer férias prolongadas depois de trinta e tantos anos de atividade.
7. Se pensarmos em gente nova fazendo humor [não falemos de stand up paulistano constrangimento velocidade cinco] os nomes mais fáceis são de adnet e do bruno mazzeo. É nesses caras que a tv vai ou deve se apoiar pra renovar o humor ou os vícios de certa forma são os mesmos?
Curto muito o Adnet. A MTV serviu de laboratório pra muita gente boa, como Hermes & Renato, que continuam fazendo absurdos sensacionais nos poucos minutos que têm no programa do Mion. O Bruno Mazzeo trabalha com humor desde os 16 anos, na gíria do futebol o cara é gato, não? Tem muita gente boa por aí, mas tem muita gente também. Às vezes fazer buscas na internet parece muito folhear a lista telefônica.
19 de abril de 2012 às 13h07
Confessin’ the blues
Cartum para o jornal literário Cândido.

3 de abril de 2012 às 13h22
Who loves the sun
Matéria que fiz pra Billboard de março sobre o Weezer Cruise, evento marítimo com 16 bandas (Weezer entre elas, claro).

Foto Liv Brandão
De19 a23 de janeiro aconteceu o Weezer Cruise, evento em que a banda anfitriã se juntou a mais quinze atrações musicais no transatlântico Carnival Destiny para fazer um cruzeiro entre Miami e Cozumel. Com shows quase emendados e atividades a bordo típicas dessa modalidade de passeio (bingo, karaokê, pegação), todas capitaneadas pelos músicos convidados, a viagem foi um grande sonho molhado para os apreciadores do rock indie.
A idéia de fazer shows em um cruzeiro tem um certo ranço de Las Vegas, de fim de carreira, mas os promotores contornaram essa noção enchendo o elenco de bandas novas (Wavves, Free Energy, Sleeper Agent) e arrumando um excelente pretexto: o Weezer tocaria na íntegra seus dois primeiros discos, aqueles que colocaram o quarteto de Los Angeles no mapa e tornaram possíveis para Rivers Cuomo, Brian Bell, Patrick Wilson e Scott Shriner coisas como lotar um transatlântico.
Foi uma jornada até bastante comportada para um lugar onde se serve muito álcool e o pessoal circula de roupão – e praticamente sem a válvula de escape da internet, muito cara e compreensivelmente instável. Acompanhe os pontos altos em nosso diário de bordo.
Dia 1
17:30 – Os passageiros receberam as boas-vindas a bordo e apavorantes instruções de segurança para depois correr ate o deck principal para o primeiro show do Weezer. Depois de uma sessão de embaixadinhas do líder Rivers Cuomo, um viciado em futebol que repetiu o ritual antes de todos os shows, a banda abriu os trabalhos tocando sucessos como “Photograph” e “Pork and Beans”, fazendo um breve intervalo para executar na ordem e na íntegra seu disco de estréia, o “Blue Album”. Muita gente chorou, o belo pôr do sol deve ter ajudado.
22:45 – Foi muito bonito ver o Dinosaur Jr. em ação com Lou Barlow e J Mascis, protagonistas de um divórcio litigioso em 1989, só sanado em 2005 com uma turnê de reunião. Lou, aliás, seria o recordista de shows a bordo: além de tocar com o seu velho companheiro e com sua banda Sebadoh, fez um set acústico solo cheio de músicas tocantes, como a que fez para um gatinho adotado e piadas, boa parte delas sobre as dificuldades de pais com filhos pequenos terem algo parecido com uma vida sexual. Falando nisso, circulou a história de que um casal, arrebatado pelo poder da música, o alimento da alma, tentou resolver as necessidades da carne ali mesmo no Palladium Lounge, sendo contido pelos seguranças – o que é um tremendo elogio ao poder de concentração do rapaz, já que o Dinosaur Jr. toca alto pra cacete.
O show dos dinossauros foi prestigiado pelo baterista do Weezer, Patrick Wilson, que posava com muito boa vontade para fotos (parecia ser a empolgação do primeiro dia, mas o sujeito manteve o padrão até o fim da viagem) e garantiu que a banda quer conhecer o que o Brasil tem para oferecer além de Curitiba, único lugar onde tocaram no país, em 2004.
24:00 – O dia foi encerrado com uma noite do pijama com cinema (no programa, “Jovem Frankenstein”, de Mel Brooks) comandada pelo guitarrista Brian Bell, garboso com seu robe de chambre e chapéu de comandante de navio (o adereço mais usado na viagem, vinte dólares na lojinha do Carnival Destiny). Impossível não lembrar de Roberto Carlos no videoclipe de “Baleias”.
Dia 2
12:00 – As passagens para o cruzeiro davam direito a uma sessão de fotos com o Weezer, oportunidade que deve ter gerado fantasias de intimidade entre os fãs mais delirantes, mas que a dura realidade tratou de estraçalhar: cada grupo tinha poucos segundos com os integrantes da banda, que permaneciam sentados em fila enquanto os fãs se esgueiravam alguns palmos atrás para caber no enquadramento. Com certeza os participantes do cruzeiro tiveram mais tempo para ensaiar a pose quando tiraram retrato para o passaporte.
13:00 – No deck da popa, os caras do duo eletrônico The Knocks coordenaram um concurso de flip cup, um drinking game parecido com os que brasileiros fazem usando bolachas de chopp nos botecos: consiste em beber cerveja em um copo de plástico, pousá-lo na mesa e tentar girar o tal no ar de modo que caia de cabeça para baixo. Sim, é bem desse jeito, sem graça como na descrição acima.
13:30 – No deck principal, show do Yacht Rock Revue, banda tributo de músicas estilo prazer culpado, como “What a fool believes” e “Africa”. Com roupas retrô e bigodes lamentáveis, fizeram um bom fundo musical para quem queria brincar no tobogã ou jogar minigolfe – um feito e tanto, diga-se de passagem, com o vento forte constante típico de um rolé em alto mar.
15:00 – Rivers aproveitou o cruzeiro para lançar “The Pinkerton Diaries” uma espécie de livro de rascunho com recordações (manuscritos, polaróides) das sessões de gravação de Pinkerton, o segundo disco do Weezer que sobreviveu ao fracasso de crítica e a rejeição inicial do público para entrar gloriosamente nas listas de álbuns obrigatórios dos anos noventa. Apenas alguns passageiros do Weezer Cruise tiveram acesso ao evento, nenhum deles integrante da equipe da Billboard :(
15:00 – Para quem não pôde assistir Rivers tentando ler seus próprios garranchos, o lance era acompanhar o quiz show com o resto do quarteto, com todo aparato de uma atração desse tipo, como as clássicas bancadas munidas de campainha e placar para marcar os pontos dos concorrentes – Pat, Brian e Scott acompanhados de alguns fãs em êxtase selecionados na platéia. Durante a brincadeira o público pôde aprender que os dois únicos animais que não desenvolvem câncer são o tubarão e a arraia e que a primeira mulher a ter uma canção no primeiro lugar da parada americana (dica do apresentador: “ela teve um ligeiro problema com drogas”) foi Whitney Houston. Uma das escolhidas para participar do quiz estava em avançado estado de embriaguez e tentou seguir Brian Bell até os camarins enganchada em seu braço; a segurança quase precisou de uma espátula para separar o casal.
17:30 – Destoando do clima geral de energia positiva, o Wavves representou o espírito punk no cruzeiro. O guitarrista e vocalista Nathan Williams desceu do palco para apertar a mão de um fã que havia ajudado a carregá-lo de volta para seu quarto na noite anterior (algumas meninas suspiraram de inveja) e perguntou para o público se era verdade o rumor de que haviam prostitutas embarcadas – um jornalista da concorrência jurou ter apurado a questão a fundo e registrado a ação em fotos, aguardemos.
22:00 – O primeiro dos shows fechados do Weezer (os dois no Palladium Lounge), com lados B (como “Mykel and Carli”) e o Pinkerton inteiro. Outra apresentação emocionante, embora Rivers parecesse bastante mareado com o balanço do navio, bem forte nesse ponto da travessia.
24:00 – Mais gente compareceu ao karaokê organizado pelos integrantes do Keepaway do que aos shows da banda. Teve patricinha fazendo gestual rapper para cantar “Gin and juice” (Snoop Dogg) e brasileiro zoando “Do ya think I`m sexy”, de Rod Stewart, talvez em vingança pelo plágio descarado de “Taj Mahal”, de Jorge Benjor. Mas nem tudo foi celebração: o baterista do Wavves, Jacob Cooper, foi retirado do palco sob protestos – do próprio Jacob, que tentou voltar algumas vezes, bêbado como um velho lobo do mar. E assim caiu a noite.
Dia 3
7:00 – O Carnival Destiny parou em Cozumel e os participantes do cruzeiro se dispersaram em vários grupos para aproveitar atividades (snorkel, trilhas) pela praia mexicana. No passeio de barco, um guia fanfarrão explica que no México não se diz “bebado”, e sim “confuso”, para em seguida liberar um open bar de cerveja e margaritas e largar todo mundo um pouco confuso e se achando rico em um centro comercial especializado em sombreros e maracas, uma espécie de parque temático cujo tema é “armadilha para turista”. Impressionante como alguns setores da economia mexicana se ajudam.
18:00 – A parada em Cozumel foi uma maldade com as bandas que se apresentaram em seguida, quase se podia ouvir o ronco em uníssono vindo das cabines. Devem ter sido os shows com menor quorum, mas foi impossível encontrar uma testemunha que estivesse acordada para confirmar.
22:00 – O Weezer pegou o pessoal levantando da cama e tocou mais lados B, destaque para a performance a la Freddie Mercury de Rivers em “The greatest man that ever lived”, com socos no ar e camisa regata do Kiss. E, claro, o Pinkerton outra vez.
24:00 – O dia fechou com a prom night, um típico baile de formatura com temática anos oitenta. Apesar dos figurinos baseados na década em que Cindy Lauper era um referencial para a indústria da moda serem facilmente reconhecíveis em qualquer continente, os brasileiros a bordo (trinta ao todo) se sentiram presos em uma grande piada interna americana. Por algum motivo os DJs (os caras do Yacht Rock Revue) decidiram que tocar oito músicas do Michael Jackson em menos de uma hora era o suficiente para mostrar serviço. O Karaokê com os integrantes do Ozma estava bem mais divertido, mas acabou cedo.
Dia 4
11:30 – O evento mais simpático: Scott Shriner deu uma de pastor e comandou uma renovação coletiva o de votos dos casais do cruzeiro. E aquele único casal gay a comparecer era mesmo formado por integrantes do Yuck?
13:00 – Falando na banda inglesa, ela foi uma das únicas a quebrar o dress code tropical do deck principal, todos seus membros se apresentaram de calcas compridas e camisas quentes mesmo sob um sol de derreter transatlânticos. Menção honrosa também para The Nervous Wreckwords, que não so não abriu mão da indumentária rock como todo mundo tocou de preto.
24:00 – Uma festa do bigode (verdadeiros e fajutos) deu números finais ao evento.
O cruzeiro teve saldo positivo para algumas bandas, como o Free Energy, que ganhou público (era só comparar a minguada platéia do show que fez no primeiro dia com a pequena multidão que cantou junto no último) e o Ozma, que encerrou o festival com um show arrasador e levou o público a sugerir: “Ozma Cruise!”. O baixista e vocalista Daniel Brummel agradeceu e ressaltou o clima de confraternização no Carnival Destiny: “não ouvi ninguém falar uma palavra negativa nesses dias”. Melvin Ribeiro, baixista multitarefa de bandas como Carbona e Lafayette e os Tremendões, arriscou um palpite: “é porque não tinha internet”.
27 de março de 2012 às 7h56
My back pages
Cartum sobre os 50 anos de carreira do Bob Dylan que fiz pra Folha (acabou não saindo).

23 de março de 2012 às 13h54
O que andei fazendo 4
A tira Mundinho Animal vai virar animação no programa Tosco TV, que conta também com personagens dos feras Allan Sieber, Fabio Zimbres, MZK e Schiavon. É um timaço, do qual sou o Negueba. Olha a página do face. Mais detalhes perto da estreia.

22 de março de 2012 às 14h15
O que andei fazendo 3

Seis roteiros para um desenho animado do Capitão Presença. Abaixo, um trecho:
AS AVENTURAS DO CAPITÃO PRESENÇA – EPISÓDIO 3 – “PRODUTO LOCAL”
19 de março de 2012 às 16h17
O que andei fazendo 2
Esse aqui foi uma pilha errada do bem: quando dia desses anunciaram uma comédia parodiando filme de favela, lembrei que já tinha bolado algo assim (Not another favela movie) e o Ronald Rios me deu uma força pra escrever pra Alta Cúpula produzir. Daí que saiu uma superproduçao que só seria viável por crowdfunding, quem sabe um dia. Escrevi dois episódios, esse é o primeiro:
16 de março de 2012 às 15h09
O que andei fazendo 1
Vou mandar alguns posts meio que pra mostrar porque andei postando pouco. Hoje aproveito para agradecer a todo mundo que participou da gravação de Rock’n'roll, um piloto de programa pra MTV que escrevi e dirigi (com o auxílio luxuoso da melhor equipe do mundo, constatei pessoalmente que a tal Teoria do Autor é uma furada) e que talvez vire série – por isso recomendo para quem mandou currículo que não esmoreça porque existe a possibilidade de mais episódios.
Rock’n'roll fala sobre uma banda de garagem de caras que vivem em uma garagem e segue a vida dos sujeitos até sua gloriosa venda ao sistema. Falando nisso, a continuação do programa vai depender de votação popular, vamos disputar com mais cinco concorrentes. Na época certa volto aqui para mendigar seu voto.
Abaixo Daniel Furlan, Gabriel Labanca e Juliano Enrico (O Estado Maior da Revista Quase) quebrando tudo.

























