OEsquema

“Minha vida é um livro aberto que conta histórias de um deserto”*

Respostas a uma entrevista do Diego Assis para a revista da Volkswagen. A matéria é sobre humor na internet e ficou excelente. As perguntas estavam em um e-mail separado e fiquei com preguiça de copiar, mas dá pra sacar do que estou falando.

34 anos, Rio de Janeiro, sou formado em jornalismo mas só trabalhei com internet (webmaster, hoje inclusive trabalho dentro de uma redação) e em vários subempregos: balconista, vendedor, estagiário – que é um escravo com status de boy).

Publico o Mau Humor desde o final de 2002. A de audiência é de 700 visitantes por dia, média que acho baixa se comparada com a do Dahmer ou a do Allan, for instance.

Mais de um cara já comentou que eu sou tipo o “humorista dos humoristas”, pq outros quadrin(h?)istas estão sempre falando de mim mas meio que continuo um segredo bem guardado. O que me lembra o que o Larry David disse uma vez sobre quando fazia stand up comedy e tinha essa fama, de só ter outros cômicos na platéia: “isso quer dizer que eu era uma merda”.

Eu só gosto de humor com algum grau de inteligência, um dos motivos porque nunca gostei de palhaços é que quando moleque pensava: “cair de bunda no chão… essa merda eu também sei fazer”. É, eu era um moleque chato assim.

Dito isso, acho Hermes e Renato, South Park, irmãos Farrelly – caras que a princípio parecem só apelativos – sagazes pra caralho. E, claro, Allan Sieber, Leonardo (meus parceiros de F.), André Dahmer, Bennett, Chiquinha, Rafael Sica – só ficando com a nem tão nova geração de quadrin(h?)istas.

O Capitão Presença foi meio como descobrir plutônio por acaso. Em uma conversa com o Allan Sieber ele chamou um amigo nosso, a mítica figura de Matias Maxx, de Capitão Ganja – porque o cara parece estar abastecido mesmo em situações que nem os falcões ousariam, if you know what i mean. Na hora bolei o personagem, com a cara do Matias e o poder de ter sempre uma presença em cima, “salvando” o povo despossuído desse meu Brasil.

E, como sou uma péssima Mãe Dinah, fiz duas tiras e disse: “Ok, esse personagem já cumpriu o seu ciclo – é IMPOSSÍVEL fazer mais piadas sobre um sujeito com um uniforme verde e uma capa que leva bagulho para gente pra quem o produto está em falta”. Botei essas tiras no meu site www.gardenal.org/mauhumor e saí de férias. Quando voltei, vários cartunistas tinham desenhado histórias com o Capitão e me enviado por e-mail. Foi aí que percebi que carisma não se compra em farmácia e que o personagem ia render muito ainda.

Vai sair um álbum pela Conrad, está na boca (no bom sentido) de sair. Tem tiras inéditas, textos, jogos e passatempos.

Joe Pimp foi apelação total. Eu queria fazer um personagem que fosse total na contramão desses personagens que foram criados para gigolar a crise da mulher de trinta anos, da Radical Chic à Maitena. Queria um monstro machista que batesse (literalmente) de frente com esse tipo de humor a favor que a Maitena faz em causa própria e o Miguel Paiva provavelmente pra ganhar minas na base da bajulação. Aí foi só me inspirar nos clips cheios de mulheres gostosas de rappers dessa geração bling-bling pra quem a revolução sexual e o feminismo vingaram tanto quanto o comunismo ou a escova de dente elétrica. Fiz o cara como cafetão pra deixar claro que sexo é o nome do jogo.

Não sei desenhar, claro que gostaria, mas para parecer que estou acima dessas questões mundanas, digo que pincel, ecoline, gramatura, essas porras, são coisa de metrossexual. Ademais, sempre gostei mais do texto do que da arte. Você não gasta muito tempo apreciando o desenho do Wolinski (cartunista francês tosco – na real subproduz seu traço, porque sabe desenhar bem), por exemplo, mas guarda as piadas pra sempre.

Estou publicando na Tarja (Capitão Presença e Tarja Preta, os remédios do mal), editando a F. (Futebol-Força Futebol Clube, Entrevistas em Quadrinhos, Joe Pimp e Presença também), fazendo uma tira pro Diário da Manhã de Goiânia (de nome “Mau Humor”, com todas essas séries que citei + Mundinho Animal, que sai também no site www.tonto.com.br), publicando uma coluna na Bizz (“O mau humor de Arnaldo Branco”) e fazendo a série “A Ilha de Sexy” – paródia para a revista Sexy da “Ilha de Caras” – dividindo os pincéis (no meu caso a caneta Futura) com o Allan Sieber e o Leonardo, meus parceiros de F.

* – Pra homenagear o Guilherme de Brito, vai nessa véinho.

21 Comentários
por: Arnaldo Branco postado em: Entrevista, Pessoal tags:

21 Comentários

Comentário por sica
28 de abril de 2006 às 14h19

hahahaha. que magrão.
e eu daria pra ter a essa tua memória incrível. não o rabo, é claro.

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Comentário por Arnaldo
28 de abril de 2006 às 14h38

Minha memória é uma merda, Sica, Google é o meu pastor…

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Comentário por Chico Barney
28 de abril de 2006 às 14h47

No aguardo do album do Capitao Presença! Vai ser o presente de fim de ano ideal na firma.

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Comentário por Vlad
28 de abril de 2006 às 16h56

Fim de ano é o cacete, já estou pensando no álbum do Preza para o dia das mães…

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Comentário por Marcelo Melgaço
28 de abril de 2006 às 17h01

Muito boa a matéria, Arnaldo! Só não me conformo de não encontrar a F. aqui em Goiânia. Procurei na Laselva no aeroporto de Congonhas e também não achei a danada…

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Comentário por adriana
28 de abril de 2006 às 17h12

mentira q tua memória é ruim, arnaldo, não desfaz o mito, todos nós sabemos! haha

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Comentário por Fer
28 de abril de 2006 às 17h21

Ah… eu vira e mexe to vendo o blog aqui, e eu gosto! Não é só pra quadrin(h?)istas, não. :)

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Comentário por Arnaldo
28 de abril de 2006 às 17h43

“suspeito, no entanto, que não era muito capaz de pensar. Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair. No abarrotado mundo de Fumes não havia senão detalhes, quase imediatos”

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Comentário por Insone
28 de abril de 2006 às 17h51

Porra Arna, que coisa mais Jerry Maguire. Crise de meia idade véião? Tem gente indo pior que você – eu sei, fodam-se. Isso nunca serve de consolo.
Se liga, faz o livro do preza com umas páginas a mais em branco com picote e tudo, if ya’ know what i mean…

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Comentário por Arnaldo
28 de abril de 2006 às 18h03

Crise, que crise? Pô, cara, acho que vc só leu o título…

Marcelo, se a F. pela Conrad vingar acho q eles vão relançar as 3 primeiras em um pacote.

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Comentário por Coke
28 de abril de 2006 às 18h49

É nóis, que bom que produz super, procuro tudo que vc, e essa galera,produz!
o número 1 do tarja preta fumei e li, inesquecível!

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Comentário por renata
29 de abril de 2006 às 1h43

essa revista é a “V”?
até q não é má; uma revista para homens, definitivamente, mas para homens-não-idiotas.
Tem uma aqui no banheiro da minha casa há quase um ano, e ainda não foi jogada fora hehehe

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Comentário por Walter Carrilho
29 de abril de 2006 às 8h40

Pois é, ainda bem que tem o blog, a Sexy e a Bizz, pois para encontrar a F. eu preciso subornar alguém.

Quanto a admiradores humoristas: não deve ser visto como problema. As reuniões pelo menos ficam engraçadas. Vou finjir que eu não tento ser humorista para você ver que tem fãs de outro tipo. Quer dizer, não sou humorista. Só sou meio imbecil. Mas uma coisa leva à outras, às vezes…
abs

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Comentário por Persegonha
29 de abril de 2006 às 17h58

Grande Guilherme de Brito!!! Nunca é demais!!!

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Comentário por Jules
29 de abril de 2006 às 18h16

Álbum? Tem lançamento? Em SP?

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Comentário por Arnaldo
30 de abril de 2006 às 15h16

Deve haver, Miss, a editora tem sede aí…

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Comentário por seesaw
1 de maio de 2006 às 1h14

lançamento?

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Comentário por Menezes
3 de maio de 2006 às 1h24

Cúmulo da preguiça!

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Comentário por Deni
4 de maio de 2006 às 15h28

“digo que pincel, ecoline, gramatura, essas porras, são coisa de metrossexual”
homens rústicos fazem falta.

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Comentário por Abelardo Martins
7 de julho de 2006 às 18h50

O album da Conrad saiu? Está meio desatualizado,hein?

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Comentário por Sthefanhie
21 de junho de 2010 às 19h29

oohh euu keruu o tosco naum issooo pode ser

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