OEsquema

Legendas

Por conta desse quadrinho da Classe Média Apavorada, recebi uma série de comentários e e-mails de gente com síndrome de déficit de atenção. As pessoas não entendem nem quando você desenha, e deve ser o cúmulo do fracasso em comunicar uma idéia ser obrigado a botar legenda em cartum, imagino o drama diário do Chico Caruso. Então:

Não posso dizer que sou exatamente contra a pena de morte porque, apesar de ontem ter assistido “O Homem Errado” do Hitchcock e pensado em como o filme terminaria se a trama se passasse no Brasil, tenho a tendência darwinista de acreditar que quem escolhe viver pela violência merece morrer. Só acho ela uma bobagem porque 1) não serve como intimidação (quem está no crime sabe que está pela bola sete – seria mesmo como dizer: “homens-bomba! Esses canalhas tem que morrer!”) e 2) não resolve a questão da relação candidato-vaga (mata um, entram dois).

O que me motivou a desenhar o quadrinho foi uma constatação: boa parte dos sujeitos que querem um Rio mais pacífico através do assassinato em massa de bandidos são uns molóides que não conseguiriam extrair uma confissão de uma mosca. Para saber se podem posar de justiceiros, gostaria de antes vê-los desossar um frango. São tão machos como, bem, um comentarista anônimo de blog – é o que são na essência.

Toda vez que vejo um cidadão de bem defendendo o faroeste, lembro daquela cena do Woody Allen em “A última noite de Boris Grushenko”, em que ele, de óculos e sem o menor jeito para a coisa, tenta empunhar uma pistola com duas vezes o seu tamanho.

E aproveito para dizer de público: Dahmer, seu gênio.

18 Comentários
por: Arnaldo Branco postado em: Coluna tags: ,

18 Comentários

Comentário por mauro
2 de fevereiro de 2007 às 11h20

sou contra a pena de morte, pelos seus motivos, e também porque é um absurdo conceder ao estado o direito de tirar vidas, sem que este, o estado, tenha dado, ao longo da vida do “cidadão”, oportunidade para que este, o bandido, se torne outra coisa senão bandido. e esse papo de queria ver se fosse sua mãe, irmão, pai, etc, é papo de cagão que, ao invés de ele mesmo ir atrás de sua vingança, fica pedindo pro estado fazer sua vendeta. matou sua mãe? vai lá e mata o assassino, não fica pedindo pro governo fazer isso por você. mas faz o serviço bem feito, sem deixar rabo.

é isso.

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Comentário por The Body Electric
2 de fevereiro de 2007 às 12h58

Deveria adicionar tb que a maioria dos que são contra a pena de morte são uns molóides como o cara de cima, que acham que o cara vira bandido só pq é pobre. O Guilherme de Pádua era favelado, né?

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Comentário por Arnaldo
2 de fevereiro de 2007 às 13h25

É, tb acho que bandidagem tem menos a ver com classe social do que com vocação. Mas os caras que são pacifistas e molóides pelo menos não caem em contradição, não é? ;)

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Comentário por mauro
2 de fevereiro de 2007 às 13h50

que se fodam

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Comentário por mauro
2 de fevereiro de 2007 às 14h08

arnaldo, a questão candidato-vaga está desse jeito no brasil por causa da vocação? então, por algum motivo, não sei, nosso país tem mais pessoas com vocação que em outros países. por que será?
é claro que o cara não vira bandido porque é pobre simplesmente, senão seríamos um país de 100 milhões de bandidos. mas, estatisticamente, bandido é pobre, em sua maioria. e guilhemre de pádua é a exceção que confirma a regra.
e molóide é o seu reto, body eletric.

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Comentário por Arnaldo
2 de fevereiro de 2007 às 14h42

Bem, OK, estamos falando dos caras que apertam o gatilho, ganhaste. Mas no sentido maior do termo criminalidade… boa parte dos caras mais nocivos ao país tem segundo grau completo and shit.

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Comentário por mauro
2 de fevereiro de 2007 às 14h55

ah, mas aí é oooutra história.

nesses casos, a pena de morte deve ser considerada.

abraços

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Comentário por The Body Electric
2 de fevereiro de 2007 às 16h48

Ok, digamos que um dia erradicássemos a pobreza, por algum milagre. Ainda sobrariam os PM’s de grupos de extermínio, o deputado da moto-serra, o ex-editor do Estadão, a Suzane von Richthofen, o Champinha e tantos outros que cometeram seus crimes não por pobreza, mas por certeza da impunidade, e esses não são de maneira alguma “exceção”. Sou 100% a favor da pena de morte pra esses.

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Comentário por andré maleronka
2 de fevereiro de 2007 às 20h12

o quadrinho e o rio body count são mais que geniais, são necessários. postei o selo no meu blog. abs

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Comentário por Chico Barney
2 de fevereiro de 2007 às 20h53

“São tão machos como, bem, um comentarista anônimo de blog – é o que são na essência.”

HAhaha, sensacional!

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Comentário por Leandro Robles
3 de fevereiro de 2007 às 16h57

Você usou “confissão de uma mosca” como analogia para algo fácil?? Cacete!! Imagina só. 1) Pegar a mosca, 2) ameaçar a mosca (ela vive na merda e tem um tempo de vida curtíssimo, que grande ameaça você pode fazer?), 3) ela começar a falar!!
Eu acho impossível!! Torço pra não ser chamado de molóide nesse blog por isso.

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Comentário por Reacionário?
3 de fevereiro de 2007 às 17h38

Psicopatas e facínoras só têm um direito: “viagem” só de ida para o inferno!!!

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Comentário por Daval
3 de fevereiro de 2007 às 19h03

Porra Arnaldo eu prefiro quando tu é mais Andy Kaufman e menos Mainardi. Pára de dar satisfação caralho!
Parece o colibri explicando pro elefante que está fazendo a sua parte, ainda de forma indireta e inteligente.
Não há saída.

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Comentário por Arlindo
4 de fevereiro de 2007 às 0h50

Se a justiça e a polícia fossem boas e competentes, até daria pra pensar em pena de morte. Se nos EUA morre um monte de inocentes com a pena de morte, imagine aqui!

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Comentário por Arnaldo
4 de fevereiro de 2007 às 6h59

Nunca tive a intenção de ser Andy Kauffman – pelo menos desde que li o Marcos Mion dizer que o cara é uma grande influência para ele…

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Comentário por Elton
6 de fevereiro de 2007 às 8h37

Os suecos têm menor vocação para o crime que os brasileiros, ou são muito menos pobres u muito mais bem educados? Pena de morte seria apenas um instrumento oficial de matar pobre. Ricos genocidas, como o cel Ubiratam, não param na cadeia, se elegem deputado (com os votos da classe média apavorada) e, no máximo, morrem de crime passional.

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Comentário por Daniel Amin Tanure Benício
8 de fevereiro de 2007 às 9h59

Quanto ao Andy Kauffman, quantos diretores de merda se declaram grandes influenciados por Alfred Hitchcock, Martin Scorce e Tarkovsky? O Andy Kauffman não é pior humorista só porque um inseto do calibre do Marcos Mión disse que gosta do cara.

Eu concordo que explicar piada é muito broxante para o leitor. Os caras só ficam enraivecidos porque ninguém tolera ter sua inteligência desafiada. É a maior ofensa possível a um ser humano. Mas no fundo, todos esses sabem que estão é errados mesmo.

Se todos os bandidos do Rio fossem mortos, a classe média ia começar a se matar, porque brasileiro não consegue viver sem assassinato. A única solução que consigo imaginar é uma reeducação social em massa pra todas as 200 milhões de pessoas que vivem nesse lugar (e não estou dizendo que não me incluo nesses porque já fiz muita merda também).

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Comentário por bic azul
8 de fevereiro de 2007 às 15h34

Sou contra a pena de morte. Se a impunidade impera já é outra questão. O estado já decide demais sobre nossas vidas, agora também vai ter poder de decidir quando ela acaba? Não. Lembrem-se também do deficiente sistema judiciário deste país e pensem se vale a pena correr o risco de punir um inocente na ânsia de punir todos os culpados. Aliás, olho por olho é coisa de quem vive na pré-história ou na ignorância, como os EUA. Pra encerrar também vou falar de um diretor: Lars Von Trier e do seu ótimo Dançando no Escuro.

Agora, podem jogar os tomates.

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