OEsquema

A ficção como ela é

Pensando nessas novelas da Globo com nomes tipo “Laços de Família”, “Algemas da paixão”, imaginei uma chamada “Vínculos Empregatícios”, e a trama seria exatamente sobre a produção de uma novela da Globo. Sei que a idéia é antiga (“Espelho Mágico”, acho), mas minha história teria um plus, um twist: todos os núcleos temáticos estariam ligados por uma espécie de organograma de um grande cabide de emprego, como na vida real.

Tipo: o personagem principal, Léo Cunha, diretor da novela, escala para o papel da mocinha sua filha, a péssima atriz Dalma Farnsworth (nome artístico) apesar da cicatriz no pescoço que tem que esconder com um cachecol até nas cenas de praia – e do estrabismo, que o obriga a filmá-la sempre de lado. O namorado de Dalma na vida real, Ricardo Drjzemberhg (nome real), faz o galã, embora nunca tenha atuado antes a não ser como policial 2 em uma reconstituição de crime e seu contrato seja de risco – o fim do namoro implicaria na morte de seu personagem e em um período pré-estipulado de geladeira.

O núcleo pobre (formado por suburbanos que pegam três horas de ônibus e duas de fila pra fazer figuração na novela de Cunha) nunca perde o bom humor mesmo quando as melhores cenas de aparição-relâmpago são designadas para Ritinha, a prima vagabunda de uma das assistentes de direção, a recalcada Maria Aussiliadora (sic). Os momentos de lazer e descontração dos pobres se dão na Gafieira Elitista, de propriedade do marido de Maria, Zênicles, que mantém um caso com Ritinha bem como o apartamento onde se encontram quando ela não está trabalhando como figurante.

O núcleo de amigos do diretor Cunha é formado por camaradas da classe artística, todos lançando filmes, peças ou pousadinhas que são o tema das conversas no Restaurante do Nilo´s (o cara se chama Nilo´s mesmo), onde têm mesa cativa e sistema de permuta. Um dos principais frequentadores é o autor da novela, Fabio Fellonio, que escreveu para seu namorado Marcos, a pedidos, o papel de transformista que dubla Marilyn em uma boate – e na verdade é só isso o que ele faz, sem função aparente na trama, todos os dias, repetindo as músicas porque são 234 capítulos.

E daí iria a trama. No desfecho, pensei em algo como a proverbial carta de fim de novela, aquela que revela ser um determinado personagem filho de outro personagem – só ao contrário: a carta anônima (e-mail, vá) revelaria que determinado personagem não é filho de quem se pensava. O que daria em demissão.

15 Comentários
por: Arnaldo Branco postado em: Televisão

15 Comentários

Comentário por Bruno Correia
4 de junho de 2007 às 23h51

faltou a filha do grande dramaturgo que paga de puta e escreve um livro descrevendo sua miserável vida de rica.

leia fugalaça (roubado om emprestado), a vergonha alheia do ano e lápide da falência do jornalismo cultural carioca — ela foi capa do 2 caderno, numa matéria chapa branca escrota até doer feita pelo teu xará bloch.

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Comentário por chiphead
5 de junho de 2007 às 2h57

“a carta anônima (e-mail, vá) revelaria que determinado personagem não é filho de quem se pensava. O que daria em demissão.”

Pure fucking genius.

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Comentário por janjão
5 de junho de 2007 às 10h54

huhuhuhuhuhu

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Comentário por Lazarento
5 de junho de 2007 às 12h59

Desculpe mudar de assunto, Arnaldo, mas o Sieber mandou muito bem nessa: http://talktohimselfshow.zip.net/images/superCMdisney2.jpg

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Comentário por Vigilänte
5 de junho de 2007 às 13h20

hahahahaha!

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Comentário por Arnaldo
5 de junho de 2007 às 15h11

Lazarento, me conta uma novidade. Allan comanda, oras.

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Comentário por olavo r.
5 de junho de 2007 às 20h33

“o cara se chama Nilo´s mesmo”. hahaha, queria ter tido esse “inside” – como diz uma amiga que fala um inglês mais solto…

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Comentário por muricio
6 de junho de 2007 às 11h14

‘se fuder, Arnaldo
tu é gênio!

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Comentário por Curi
6 de junho de 2007 às 14h27

Arnaldo ,
tu não acha q nessas novela … nesse negoço de artista… é tudo mitido ?

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Comentário por Vinicius
6 de junho de 2007 às 15h47

Merece um quadrinho?

Vocês anunciaram que o Los Hermanos daria “um tempo”. Agora, no próximo final de semana, vão tocar no Rio de Janeiro. Você acha que os fãs estão enxergando isso como um show de despedida definitiva? E será mesmo um show de despedida?

Marcelo Camelo – Não, cara. Definitivo é uma data determinada, né? A gente está num recesso por tempo indeterminado. Acho que cada um vê de um jeito. Pra gente é claro o que é. Mesmo sendo um coisa turva, é claro que é um recesso por tempo indeterminado, sacou? A gente vai voltar quando a gente estiver afim.

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Comentário por Arnaldo
6 de junho de 2007 às 16h47

Somehow não me sinto inspirado por Los Hermanos. E parece que no presente momento nem eles.

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Comentário por Lia
7 de junho de 2007 às 13h51

Arnie, se liga que esse ano estive numa oficina de roteiro de novela.

Estranhamente, a trama proposta pela professora (Maria Carmem Barbosa) começava EXATAMENTE com uma carta declarando a paternidade desconhecida – no caso, ao pai, escrita pela mãe à beira da morte.

Coisa de louco, bicho. Tu tem futuro nessa área, boto a maior fé.

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Comentário por Arnaldo
7 de junho de 2007 às 16h53

Teste.

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Comentário por anônimo
26 de junho de 2007 às 23h56

ia ser genial se uma novela dessa fosse ao ar. de preferência na rede tv.

e fugalaça é só mais um produto com o selo fernanda young de qualidade (y)

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Pingback por Revista Zé Pereira» Arquivo do Blog » Teoria do autor
16 de fevereiro de 2009 às 17h51

[...] é claro que tudo isso é inveja do sucesso da Gloria Perez e seus colegas. Eu mesmo já escrevi a sinopse de uma novela. Só falta estudar pro tal teste do sofá. [...]

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