16 de junho de 2008 às 11h08
Coward new world
Texto que escrevi para o broda Ronaldo Evangelista – imagino que possa publicar aqui, é da época em que o Dunga escalava o Afonso – éramos menos infelizes e não sabíamos.
Jovem Guarda
“Don’t clap too loudly. This is a very old world” – Tom Stoppard
Há uma diferença entre a importância da renovação e a necessidade de inventar. Quem acompanhou o aproveitamento do Afonso na seleção do Dunga está seguindo meu raciocínio.
Digo isso porque vivemos hoje um frenesi da novidade. Imagino que nem o executivo de gravadora que recusou os Beatles deve ter experimentado o grau de nóia que nossos cool hunters amadores enfrentam toda vez que sai uma lista da NME. É a síndrome de Herodes, o medo de deixar passar batido algum novo messias…
A necessidade de se prestar atenção no novo é um pouco como o voto obrigatório, que tem uma lógica difusa e você não entende a implicação moral. Toda vez ouço alguém defendendo, em geral em causa própria, a premência de se dar espaço para o novo, lembro de todas os consertos adiados na minha casa. Ajuda na perpectiva e a estabelecer prioridades.
Sendo um torcedor do Flamengo criado na Era Zico, tive bastante tempo para desenvolver minha capacidade de relativização e aprender sobre os ciclos da natureza – se todo time vive uma má fase, por que não a humanidade? Dizem que talento pula uma geração, e está aí toda a nova MPB pra provar – quem sabe não vivemos um fenômeno mundial e simultâneo?
Como quase ninguém tem tempo para absorver todas as novidades, boa parte do interesse em acompanhar os últimos lançamentos tem a ver com ostentação intelectual. Muito da graça está em ser visto sendo antenado, mesmo que daqui a um mês o hype tenha se esvaziado e ter caído nele seja motivo de vergonha alheia – mas quem se lembra de um mês atrás? Qualquer coisa você pode dizer que era consumo irônico.
Tem também o fator idade. É perdoável num adolescente a dificuldade em distinguir onde está o ouro em toda aquela produção cultural que ele perdeu enquanto não existia, ainda mais com tantos hormônios atrapalhando. Mas fica feio em gente mais velha e com visão mais ampla, e em alguns casos cansada, do panorama. Tiozão up to date, mal do pós-pós-modernismo.
6 Comentários








17 de junho de 2008 às 4h17
poisé, o talento do nosso futebol pulou uma geração
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17 de junho de 2008 às 10h14
É, meu caro. Me lembro de uma amiga que era amiga de algum integrante dos Hermanos, e ela um dia quis me apresentar e eu me neguei, já que em algum momento ele iria falar de música e eu iria ter que falar que a músia dele era uma merda.
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17 de junho de 2008 às 14h09
Arnaldo,
há tempos escrevi no meu blog algo sobre o mesmo assunto. Dá um confere lá em http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2007/12/03/nao-tenho-mais-paciencia
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18 de junho de 2008 às 15h31
A culpa é das artes plástica, as usual. A crítica execrou fortemente o impressionismo, e 30 anos depois, os críticos foram os execrados. Assim ocorreu com os outros ismos até comecinho do séc. XX. Depois disto, a crítica perdeu a coragem de recusar as coisas em primeira mão.
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19 de junho de 2008 às 5h59
Lindo blog, delícia de ver e de sentir.
Parabéns! o resto é fácil. Abraço.
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20 de junho de 2008 às 23h02
Contra-revolução. Esse é o termo.
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