16 de julho de 2008 às 8h30
Atrás das linhas inimigas
Opa, texto que escrevi para uma animação em Flash que saiu no G1 durante a São Paulo Fashion Week. Leigo total pagando de insider.

Em toda edição da SPFW essas figuras marcam presença. Veja se a carapuça serve, e se o caimento está correto e orna com o conjunto.
As Atrizes deslocadas – Essas vão ao SPFW pela necessidade de estar em evidência mas também por instinto de vingança – para roubar um pouco de atenção das modelos assim como estas vêm roubando papéis em novelas. Na verdade, depois que se descobriu que tanto atrizes podem ter sucesso na passarela sem treinamento específico como modelos podem fazer carreira na TV sem abraçar árvores em aulas de expressão corporal, hoje em dia não existe muita diferença se você faz o curso do Antunes Filho ou da Socila.
Roupas: Por causa da falta de restrições de peso, atrizes podem usar decotes e saias curtas sem parecer que estão vestindo um jaleco de hospital, então é o que experimentam para ofuscar as top models, que são na verdade cabides ambulantes. É claro que devem evitar a rua Augusta em certos horários se não quiserem convites para montar… não exatamente Shakespeare.
A Estudante que quer trabalhar com Moda – Embora as pessoas que realmente importam estejam protegidas dela por uma parede de seguranças, a Estudante que quer trabalhar com Moda acha que a SPFW é uma oportunidade de ouro para se misturar com elas. Para isso, tenta parecer blasé e chamar a atenção por sua, ahn, produção – geralmente superposições de acessórios e roupas que justamente por não combinarem acabam chamando mesmo atenção. No mínimo espera virar personagem da coluna da Monica Bergamo como uma das vítimas da moda habituais do evento.
Roupas: optam geralmente por um look que varia entre a descontração estudada e a roupa para dormir pura e simples. Seu lema é “faça você mesma”, embora seja geralmente sustentada pela mãe.
A Rica com alma de pobre – Não importa quanto dinheiro tenha – ela está nessa FW pelos brindes, e vai usar recursos físicos desleais que nem um Somali faminto arriscaria para alcançar víveres distribuídos pela ONU antes da multidão de miseráveis em torno de si. É possível que esse traço de sua personalidade venha de antepassados que conheceram a pobreza, ou do convívio (em tribunais) com ex-maridos depenados, mas o fato é que ela não está nem aí para as aparências, por mais paradoxal que pareça.
Roupas: Casual-guerrilheira. O mais importante é o tamanho da bolsa, a resistência das roupas e a letalidade dos acessórios.
Os Jornalistas mortos de fome – Boa parte deles é deslocada de outras editorias para o SPFW, portanto acreditam que têm direito de ser recompensados com o maior número de peças do buffet e drinks de cortesia que puderem carregar. Também se aventurariam atrás de brindes, mas foram condicionados por anos de humilhação na redação e não têm a disposição férrea da Rica de alma pobre para disputar os itens.
Roupas: jornalistas se vestem de duas maneiras: em lojas de departamento ou em butiques que mostram os preços na vitrine, porque de outro modo não se arriscariam nem a entrar. Tem também os que fazem questão de cobrir o envento ostensivamente fora de moda para mostrar que não compactuam do clima de futilidade do evento – mas a verdade é que esses sabem tão pouco sobre o que está na moda que é capaz de acertarem no figurino.
Os Fashionistas inadimplentes – São a escória. Caçadores de autógrafo, tiradores de foto, geralmente entregam a origem humilde superpondo imitações baratas de peças de vestuário e acessórios de grife, e não adianta tirar as etiquetas geralmente enormes de marcas de araque com nomes tipo GUTTI e PRADA’S. O exemplo mais clássico é a bicha pobre vintage, mas o fashionismo de comunidade desconhece a barreira da opção sexual – heteros metros também são craques na modalidade.
Roupas: Tudo o que as grifes piratas entendem por estar na moda: calças de duzentos bolsos, bonés com lantejoulas e camisetas com aplique, um misto do que os estilistas viram em novelas ou em suas bandas de pagode favoritas.
5 Comentários








16 de julho de 2008 às 15h18
hahahha, bem isso mesmo. Ainda bem que não faço parte disso ai… ta ficando “cafona” … PArece que o IN fashion eh colocar tudo quanto é roupa que não combina, junto… eu hein
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16 de julho de 2008 às 22h55
HAHAHAHAHAHAHAHAHA!!! pqp!!!
Esses tipos são reconhecíveis à metros de distância.
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17 de julho de 2008 às 11h56
Você se enquadrou em algum perfil?
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19 de julho de 2008 às 2h01
Bem gay esse texto, hein?
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19 de julho de 2008 às 10h33
É que eu sou gay ativo, pergunta pro seu pai.
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