27 de novembro de 2008 às 15h38
Entrelinhas
Mais uma coluna – atenção para o nome, explica a coisa toda – Histórias (Inventadas) da Televisão, que sai na última da revista MONET.
Quando Fernando Collor de Melo ganhou a eleição em 1989 muitos estranharam que um sujeito evidentemente perturbado tivesse iludido 33 milhões de eleitores. Também várias pessoas até hoje tentam entender como a novela “Carrossel” conseguiu audiência considerável quando foi exibida pelo SBT. Mas o que ninguém sabe é que a explicação desses dois fenômenos é a mesma: mensagens subliminares.
Ninguém, a não ser talvez adeptos de teorias da conspiração, leva a sério o tema. Mas as mensagens subliminares existem, têm um importante papel na história da TV brasileira e explicam muita coisa. A passividade do brasileiro, por exemplo: durante a última entrevista coletiva com o Dunga para definir a escalação da seleção brasileira, os televisores exibiram em intervalos regulares de microsegundos – imperceptíveis para o olho humano, mas registráveis pelo cérebro – a legenda “CALMA”. E, eventualmente, o conselho “NÃO FAÇA NADA DE QUE POSSA SE ARREPENDER DEPOIS”.
Se em 1964 ninguém pegou em armas para tentar impedir o golpe militar em curso foi porque – entre outras particularidades da conjuntura nacional – programas de TV favoráveis ao levante, como o de Hebe Camargo, Flávio Cavalcanti e do Palhaço Carequinha fizeram passar o letreiro piscante “JÁ ERA, COMUNAS” durante suas transmissões. Muitos militantes de esquerda e simpatizantes do governo João Goulart lembram de uma leve sensação de desânimo e da perda temporária de suas convicções políticas. Quando se recuperaram do torpor, a TV já exibia a leitura do Ato Institucional número 2 (acompanhado da mensagem nas entrelinhas “É ISSO AÍ MESMO”) e era melhor correr e se esconder.
E há vários outros exemplos da interferência do tubo catódico no curso da História. Por exemplo, muitos recordam um certo sentimento de esperança idiotizada na época da eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. A explicação está no vencimento da concessão dos militares para governar o Brasil junto às redes de televisão, que repassaram o direito de exploração de imagem para a Frente Liberal, coligação dos partidos de oposição com os dissidentes dos partidos da situação. A legenda mais exibida na época nos aparelhos televisores era “ESPERANÇA”, daí a crença desmedida em tudo, inclusive na versão de que a doença do presidente recém-eleito era uma bobaginha qualquer no divertículo de Merkel.
Sobrou esperança infundada até para o governo Sarney. Lembrar que um dos slogans da época era “EU ACREDITO NA NOVA REPÚBLICA”, e nem era mensagem subliminar nem nada.
9 Comentários








27 de novembro de 2008 às 16h15
Arnaldo, eu realmente acredito em mensagens subliminares! Será que eu sou maluca e/ou paranóica???
Beijos
Sally
http://desfavor.blogspot.com/
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27 de novembro de 2008 às 18h35
Hahahaha fiquei até pensando em outras, provavelmente na copa de 2006 ficava piscando “Quarteto mágico”, e nos filmes da Julia Roberts então, é um bombardeio de “ELA É BONITA E BOA ATRIZ”, porque eu não sei o que as pessoas vêem nela
(sim, Sally, você é)
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27 de novembro de 2008 às 22h04
Tudo faz sentido agora.
Mas… até Carrossel? Eu era criança, não vale!
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28 de novembro de 2008 às 7h24
Acredito em mensagens subliminares, porem a internet ta cheia de “seguidores” que veem a letra B e ja vem pinto nele… Eh serio…
Abraçao!!!
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28 de novembro de 2008 às 10h36
Achava que só eu lembrava do divertículo de Merkel.
E quando o Figueiredo foi operado em Cleveland? Fizeram uma marchinha assim: Cineangiocoronariografia, um moderno exame de cardiologia, quem é rico vai fazer lá nos States, quem é pobre faz aqui de qualquer “jeitis”.
Desculpa, viajei.
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28 de novembro de 2008 às 10h39
Nada, cara, lembro também. A primeira coisa que disse quando saiu da operação é que devia estar bem porque estava com vontade de bater em alguém. O Verissimo fez a piada que devia estar ótimo então, pq estava com vontade de bater até em convalescente…
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28 de novembro de 2008 às 12h38
Quando eu saí do hospital também fiquei assim.
Mas ninguém nem fez piada comigo, droga.
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28 de novembro de 2008 às 14h42
boa a do verissimo hahaha
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30 de novembro de 2008 às 19h29
33 milhões de eleitores de alfabetizados? Quem dera…
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