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Miss Teoria da Conspiração

Minha coluna para a revista Monet do mês passado, Histórias (Inventadas) da Televisão.

Ilustração: Fernando de Almeida

Muitos se lembram, ou ouviram falar, da Miss Brasil Martha Rocha e de seu vice-campeonato no concurso de Miss Universo, em 1954, evento que mobilizava emissoras do mundo inteiro. Mas ninguém conhece a história por trás da decisão dos jurados de negar o merecido primeiro lugar ao Brasil.

A desculpa oficial para a derrota também é conhecida. A brasileira teria perdido por ter duas indesejáveis polegadas a mais – balela que rendeu até marchinha de carnaval (“por duas polegadas a mais nos quadris / tenha dó seu juiz”) – embora tenha sempre sustentado que ninguém da produção do concurso tirou suas medidas ou explicou porque centimentragem das ancas era critério de desempate. Hoje em dia, com o advento da Mulher Melancia, parece até mais surreal.

Esse verdadeiro Marcanazzo da celulite calou fundo na alma brasileira, mas a verdade é que os motivos tinham menos a ver com estética e mais com razões de Estado. Vejamos.

Para começar, havia a ameaça comunista pairando, e desde o fim da segunda guerra mundial o governo americano adotava uma política de boa vizinhança para parecer para o resto do mundo que era a facção gente boa da guerra fria. A premiação de Miss Universo obedecia a um complicado sistema de rodízio para agradar países sob risco de revolução socialista, e em 54 a prioridade era da Colômbia – se a miss deles não fosse feia de doer. Como sempre acontecia em edições em que era impossível premiar a nação com situação política mais turbulenta, deram o cetro para a Miss América mesmo. Também é preciso lembrar que os Estados Unidos viviam o auge do Marcathismo, e pela ótica distorcida do Comitê de Investigação de Atividades Antiamericanas, eram um país em vias de adotar o comunismo.

Havia também a questão da inclinação ideológica da nossa representante. No questionário preparado pela CIA e que os membros do júri chamavam com falsa inocência de “Teste de conhecimentos gerais”, Martha Rocha respondeu que sua cor predileta era rosa, seu livro de cabeceira Pollyana e que seu maior desejo era “a paz mundial”. Podem parecer respostas banais, mas o cruzamento dessas informações pelo processador IBM da Inteligência Americana apontou uma “simpatia residual à utopismos exóticos”.

No fim das contas foi bom para Martha Rocha: voltou pro Brasil com status de musa martirizada, virou garota-propaganda do surto desenvolvimentista e sobreviveu ao Macarthismo e à guerra fria – e para testemunhar o surgimento da Mulher Melancia.

2 Comentários
por: Arnaldo Branco postado em: Coluna tags:

2 Comentários

Comentário por bozo
17 de maio de 2009 às 11h11

macarthismo*

texto engraçado

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Comentário por pedro
18 de maio de 2009 às 1h12

não saquei também o que irritou sobre o Jaguar. Pior é o Sérgio Cabral cagar regra sobre o estilo do cara e dizer que aquilo era uma bobagem que não contribuiu nada pra música brasileira e não deu cria.

Alguém devia responder: “Falando em cria, Sérgio Cabral, que cria de merda, hein, meu chapa?”

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