OEsquema

A culpa é do Jaguar

Quem lê a Veja sabe que a esquerda é a culpada de tudo que aconteceu de ruim no Brasil, apesar de ter bem menos tempo de posse de bola – se formos considerar, digamos, Getúlio, JK, Jango e Lula como os representantes de esquerda na presidência e todos outros a direita.

Mais uma oportunidade para verificar esse truísmo é o excelente documentário sobre Wilson Simonal “Ninguém sabe o duro que dei”. Você deve conhecer a história: o cantor, um monstro de talento, carisma e popularidade, caiu em desgraça quando foi injustamente acusado de ser delator durante a ditadura militar.

O documentário mostra tudo: que Simonal pagou para vacilar (comentário da Liv: “ninguém sabe o mole que ele deu”) quando se envolveu com gente do DOPS para resolver uma questão pessoal e que toda a imprensa adotou a versão de dedo-duro quando o cantor insinuou que trabalhava para o governo. Mas o ônus da falsa acusação, pelo menos para vários sabe-tudo por aí, sobrou exclusivamente para o pessoal do Pasquim, que na época comprou caro a tese do crooner-informante.

Por coincidência, os dois acusados são apenas os beneficiados pela tal bolsa-ditadura que aparecem no documentário, Jaguar e Ziraldo. Poupam o Sérgio Cabral, que também dá seu depoimento, e mais gente como Paulo Francis, Ivan Lessa e Millôr, que também estavam na turma dos delatores do suposto delator.

OK. Mas é engraçado como hoje há uma multidão pronta para apontar o absurdo da campanha contra um indivíduo, mas não sabem dizer o que fizeram de 1974 até 2000 pra deixar o cara se afogar sozinho. Atribuem seu silêncio ao poder oculto das Patrulhas Ideológicas, o que dá o que pensar sobre os métodos das ditas: prendiam? Mandavam torturar?

Nelson Rodrigues, Roberto Campos e Gustavo Corção nunca se deixaram intimidar por elas. Por que o Nelson Motta, que no documentário é só indignação pelo que aconteceu com o Rei da Pilantragem não fez nada? Chico Anysio, tão revoltado com o tratamento que o Simonal recebeu, não podia dar um trabalho pro cara nem na Escolinha do Professor Raimundo, o cabide de emprego com que seus filhos sempre puderam contar? Pelé? Quem estava morando no Brasil nessa época?

E impressionante como o brasileiro é subserviente até retroativamente. Ninguém flagrou o Boni, que foi o cara mais poderoso do país, lavando as mãos como Pôncio Pilatos para afirmar que o boicote dos programas de TV ao Simonal foi “coisa de diretores”. Para ele, nossa condescendência; pau no Ziraldo.

Enfim, como ia dizendo, todos sabem que a culpa é da esquerda – e que as Patrulhas Ideológicas sempre mandaram mais do que a Rede Globo.

98 Comentários
por: Arnaldo Branco postado em: Coluna

98 Comentários

Comentário por kelly
20 de maio de 2009 às 10h06

getúlio vargas na esquerda? populista vc quis dizer, né? seguido de JK e Jango.

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Comentário por Arnaldo Branco
20 de maio de 2009 às 10h10

Por isso, o “digamos”. Sem eles, quem mais? Itamar Franco? See my point?

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Comentário por Putzgrila
20 de maio de 2009 às 10h21

“entre ser um canalha da esquerda ou ser um canalha da direita, prefiro ser apenas um canalha” (Nelson Rodrigues). A culpa é do canalha, ora!

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Comentário por kelly
20 de maio de 2009 às 10h23

now i see it! :D

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Comentário por Fausto
20 de maio de 2009 às 10h34

Convenhamos que contratar um grupo de policiais para torturar um antigo empregado que o está processando numa causa trabalhista não é o tipo de coisa que Martin Luther King faria. Mas Simonal realmente pagou bem mais caro do que muita gente por aí, que aprontou coisas bem piores e se beneficiou do habeas corpus da nossa falta de memória.

Ainda não vi o documentário, mas acho que o fato de Simonal ser um negro topetudo pesou muito nesse ostracismo, num ambiente “artístico” em que ninguém aceita bater de frente com ninguém. A memorável participação do Simonal no programa do Jô mostra como ele subvertia. Há um momento em que ele reclama da edição dos programas de TV e o Jô diz que no programa dele não há edição. “Ah, é, então como no final da entrevista você vai me pedir para cantar e eu já gravei a apresentação?”. Tem essa cena no filme?

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Comentário por Jules
20 de maio de 2009 às 10h37

Lindo.

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Comentário por Arnaldo Branco
20 de maio de 2009 às 10h38

100% apoiado. Não tem essa cena, mas seria do caralho.

Responder

Comentário por Pattoli
20 de maio de 2009 às 10h48

Matou a pau. Belo texto!

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Comentário por Carlos
20 de maio de 2009 às 10h53

Bóris Casoy em chamas no jornal da Band de ontem… “Esse livro do Allan Sieber é uma vergonha!” .. comunidade pentecostal brasileira prepara as tochas para incinerar os 10 mil livros de putaria futebolística que aterrorizaram as bibliotecárias das escolas de Sumpaulo…. Comentarista do Jornal do SBT, José Dêumanomeu Pinto, pede CPI para investigar ligação entre Allan e Zé Serra… a seguir cenas dos próximos capítulos… hahaha

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Comentário por Pablo Peixoto
20 de maio de 2009 às 11h14

A culpa é do Caetano.

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Comentário por vitor
20 de maio de 2009 às 11h28

Essa cena do programa do Jo estava no filme, mas ele não autorizou. Wonder why…

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Comentário por Sol Moras Segabinaze
20 de maio de 2009 às 11h41

Tadinha da esquerda festiva, eles só queriam a democracia e a liberdade que a gente vê em Cuba, não é mesmo?

O problema é que, desde a ditadura militar, que o monopólio da virtude está nas mãos da esquerda e é ela e os seus representantes nos governos e na mídia que determinam o que é de bom tom e o que é legal ou não.

Os liberais e os direitistas (não são a mesma coisa) viraram o cocô do cavalo do bandido.

Então dá-lhe um milhão e pensão vitalícia pro Jaguar e pro Ziraldo (a resistência no Zeppelin era investimento, né?), homem do século pro Niemeyer e fru-frus intermináveis pra Chico Buarque e associados.

A esquerda ganhou a guerra cultural e o Simonal foi só mais um que pagou o pato (mesmo que tenha feito uma cagada colossal também).

Responder

Comentário por Arnaldo Branco
20 de maio de 2009 às 11h49

Claro, Sol, claro. A Veja, a Folha Ditabranda de São Paulo e… pretty much todos os órgãos de comunicação estão aí para mostrar que o monopólio da virtude está nas mãos da esquerda.

Responder

Comentário por Sol Moras Segabinaze
20 de maio de 2009 às 12h01

Well, me diga então, Arnaldo: se a Globo é da direita malvadona e “manda mais que as patrulhas ideológicas”, como é que a sua redação elege o stalinista Niemeyer como “o homem do século”?

E falar que a Folha não engloba essa visão de mundo esquerdizante nos seus cadernos de cultura “frankfurtianos” e é malvadona só porque chamou a ditadura militar de “ditabranda”, e foi branda mesmo se comparada com outras ditaduras, é ignorar todos os outros os seus articulistas vassalos do PT.

Ab

Responder

Comentário por Gabriel
20 de maio de 2009 às 12h02

Sol Moras fora do país?
Tá mais por fora que chinelo de dedo…

Responder

Comentário por LP
20 de maio de 2009 às 12h08

Mas você não acha que ele cairia no ostracismo de qualquer forma, por desinteresse do público e das gravadoras? Claro que ele era muito talentoso, carismático, etc., mas aconteceu com Tony Tornado, com a maioria dos cantores populares da época, provavelmente aconteceria com ele também. Pelo menos o motivo que o tirou do sucesso fez ele virar mito, com direito a documentário e tudo.
Better to burn out than to fade away.

Responder

Comentário por Arnaldo Branco
20 de maio de 2009 às 12h11

Pelo que vi, vc concede que a Veja não faz parte da grande conspiração de esquerda para reconhecer que o Niemeyer é comuna, mas seus prédios, monumentos e catedrais apreciados no mundo inteiro não. Ufa.

Articulistas VASSALOS? Discutir com jargão, de esquerda ou direita, é foda, mas vamos lá: name names, tou por fora.

Responder

Comentário por Sol Moras Segabinaze
20 de maio de 2009 às 12h11

Gabriel, vc também é de esquerda?

Parabéns, cara.

Mas deixa pra lá, eu devia mesmo me policiar pra não entrar nessas discussões. Sempre me arrependo.

Ab

Responder

Comentário por Gabriel
20 de maio de 2009 às 12h20

Sol, eu sou do centro (estou aqui no São Bento Oito).
Quanto a esse papo aí de “policiar”… é bem típico da extrema direita mesmo.
;)

Responder

Comentário por Sol Moras Segabinaze
20 de maio de 2009 às 12h21

Talvez vc não enxergue isso, Arnaldo, porque simpatiza com essa visão de mundo e acha que a babação em cima do Niemeyer tem a ver apenas com a sua arquitetura.

A VEJA não é de esquerda, realmente, e por isso recebe a saraivada de críticas que recebe.

Clóvis Rossi, Eliane Cantanhêde, Kennedy Alencar são de esquerda. O Veríssimo não escreve lá, mas não é mais de esquerda por falta de espaço, eleitor da Heloísa Helena. Nem vou elencar os do O Globo aqui. O Caderno Mais é um festival de marxismo cultural, por exemplo.

Você se considera de esquerda, Arnaldo? Pergunto isso na boa, sem malícia, até porque te considero um cara bacana independente de divergências ideológicas.

Responder

Comentário por hector lima
20 de maio de 2009 às 12h27

eu tava pronto pra postar ‘pô, arnaldo, tá defendendo os caras só porque são cartunistas?’, hahaha. mas vamos combinar que se de um lado tinha a ditadura pitbull capitão-nascimento do outro tinha o ‘ministério da verdade’ da ‘turma da canhota’ que era bem intolerante, como falou no documentário acho que o arthur da távola.

faltaram sim no filme as pessoas que ajudaram de verdade o simonal na época: jair rodrigues, ronnie von [praticamente um tio dos filhos dele], mas parece que já tinha gente demais levantando a bola do cantor e quando conseguiram o depoimento do contador que apanhou pararam de captar e foram editar o filme, porque ali era o momento divisor da coisa. fora as pessoas que cobraram pra falar. isso o claudio manuel disse na exibição em sp no evento da folha documenta. acho que caê foi citado tb como um dos que se absteram de falar, mas posso estar errado.

o filme também deixa claro que o pasquim pegou o que já se falava na grande imprensa e foi repetindo do jeito dele. aliás, bem curioso no meio de uma ditadura militar que censurava jornais um infeliz ter grande destaque por supostamente ser ligado aos órgãos de repressão. por que isso não foi censurado? acho que foi um lance meio de bode na sala, depois bode expiatório mesmo. parece que ajudou a criar a cortina de fumaça que os meganhas precisavam.

sobre racismo, dá uma lida no texto do cara do mpb4 que tah no blog do filme. parece que na época foi um componente forte no ódio que a galerinha ‘vem, vamos embora’ e outros tinham por ele, da mesma forma que isso ajudou a ferrar o erlon chaves e o toni tornado, de formas diferentes mas com o mesmo princípio.

a merda no fim mesmo é a polarização extrema das coisas: intolerância de ambos os lados; truculência física de um, ideológica de outro. a ‘turma da canhota’ também sabe gerenciar sua própria ditadura. o totalitarismo nem sempre vem das famílias que dominam a grande imprensa, mas de guerrilha do pensamento, patrulha ideológica feita pelos pequenos, mas influentes.

mas na boa, jaguar e ziraldo com essas pensões não me descem até hoje. sei que soa escroto isso, mas bem que podiam doar parte dessa bolada pros leitores que parecem ter ficado com assinatura paga e sem os exemplares do pasquim quando ele parou de circular, ou quem sabe pra uma instituição em prol da memória dos injustiçados da época.

o simonal era falso informante, se dizia filho querido do paizão, mas quem recolhe mesada do homem são os meninos rebeldes? patriarcado injusto esse.

Responder

Comentário por Sol Moras Segabinaze
20 de maio de 2009 às 12h34

Gabriel, o policiamento bacana só vale quando vem do “centro” ou da esquerda, não é verdade?

Quando um liberal vem questionar alguma coisa da metafísica socialista, não pode, é censura, é “extrema-direita” pô!

Responder

Comentário por Gabriel
20 de maio de 2009 às 12h35

Discordo.
A babação em cima do Niemeyer não tem a ver apenas com a sua arquitetura.
Tem a ver também com o tempo em que foi lateral (esquerda, naturalmente) do time nos tempos de colégio. Ouvi dizer também que é cozinheiro de mão cheia (creches e orfanatos tremiam só de ouvir o nome dele)

Enfim… são várias particularidades pouco conhecidas, porém de igual importância.

Responder

Comentário por Sol Moras Segabinaze
20 de maio de 2009 às 12h44

Very funny, dude.

Responder

Comentário por Paulo Witalo
20 de maio de 2009 às 12h50

simonal, simonal, nem em pó te deixam em paz. até essa bostinha de arnaldo branco resolveu pegar uma carona na tua maldição. comprar um cdzinho do negão (série o melhor de… pelo menos!) nem na pedra! ele baixass tudos na netsss. cambada de viado!

Responder

Comentário por Arnaldo Branco
20 de maio de 2009 às 12h51

Sou de esquerda, que é o crime do dia – haja visto sua reação, Sol; porque do contrário seria desnecessário fazer a ressalva de que está perguntando isso na boa. Mas não compro todo o pacote, e sou contra teorias da conspiração – de direita e de esquerda.

Hector, defender o Ziraldo, que chamei de caloteiro e chapa-branca na primeira edição da F. – o que gerou um recado em capítulos na secretária eletrônica do Leonardo? Só acho que esse documentário devia mostrar que a sanha em apontar culpados só leva ao tipo de julgamento sumário que fudeu com o Simonal. Uma lição perdida.

Sobre a pensão do Jaguar e Ziraldo: não é mais produtivo fazer campanha contra a lei? Essa bolsa-ditadura é mais uma das leis injustas que beneficiam poucos – como, por exemplo, a que garante cela especial para quem tem diploma (para surpresa de ninguém, poucos beneficiados se levantam contra esta). Aqui a gente prefere xingar quem se aproveita da injustiça em vez de fazer algo efetivo para acabar com ela.

Responder

Comentário por Arnaldo Branco
20 de maio de 2009 às 12h55

Ah, essas viúvas recentes do Simonal. Paulo, não sabia que cuzão comentarista de blog podia legislar sobre as cinzas do cara.

Responder

Comentário por Gabriel
20 de maio de 2009 às 12h59

Policiamento bacana mesmo é se sentir intimidado a entrar em discussões com “esquerdistas” ou “direitistas” ou “whatever the fuck istas”… a tal ponto de enxergar a direita hoje como vítima.

Fico imaginando esse tipo de revisionismo ideológico nos botequins… “ahh mas você não sabe o quanto sofreu a família do Somoza quando teve o exílio negado nos EUA!”

Responder

Comentário por hector lima
20 de maio de 2009 às 13h03

legal, arnaldo, não sabia desse caso da revista f. também acho produtivo protestar contra a lei injusta – é que nesse momento especificamente ficou mal pros tios conseguirem a bolsa. não é sanha de acusá-los de nada além da hipocrisia, que é bem mais branda que a traição da qual acusaram o ziraldo [ainda mais nesses tempos em que moralidade é bem fluída como notou o próprio pai do menino maluquinho]. vamos dizer que eu não queria acertar pernada em nenhum dos velhinhos mas eles se plantaram pra mim.

Responder

Comentário por Arnaldo Branco
20 de maio de 2009 às 13h06

Sim, Hector, mas o foda é que o Ziraldo, macaco velho, tira de letra a sua pernada. Seria bem mais doído se você acertasse o bolso dele, única parte sensível do corpo do cara pelo que dizem…

Responder

Comentário por Sol Moras Segabinaze
20 de maio de 2009 às 13h12

Ser de esquerda não é “crime”. Fiz a ressalva porque eu consigo separar bem as coisas, mas nem todo mundo é civilizado assim como eu e vc.

Não sabia das suas opiniões e cheguei aqui via twitter. Não concordei com o que vc escreveu. Podia ter ficado calado, mas acho que o debate é bom e dei a minha posição.

Concordamos em discordar e vida que segue.

Ab

PS – A pelada continua segunda-feira. Seu irmão tem ido direto.

Responder

Comentário por Liv
20 de maio de 2009 às 13h16

Paulo revoltado, sugiro dar uma olhada na coleção de cds do Arnaldo. Simonal está lá desde muito antes do oba-oba.

Responder

Comentário por Arnaldo Branco
20 de maio de 2009 às 13h19

Sol: tranks, dude. Concordar é mesmo overrated, discutir é melhor. Pretendo voltar pra pelada assim que desafogar uns trabalhos…

Responder

Comentário por tiago da lua
20 de maio de 2009 às 14h02

a pessoa dizer que “a ditadura no Brasil foi tranquila ou foi branda, porque em outros países teve açôes piores (será?), é um dos tipos de argumentos mais rasteiros já formulados nos últimos tempos.
tenho uma preguiça de quem tenta formular opinião propagando isso….

é como dizer: ah não, no brasil a míséria nem é tão grande, no zaire é muito pior. a poluição em sp nem é lá essas coisas, no méxico é bem pior, o atacate do flamengo não é medíocre, o do….ih fudeu, todo mundo já fez gol no brasileirão :)

Responder

Comentário por Arnaldo Branco
20 de maio de 2009 às 14h04

Ah, pra comentar o que o LP disse: talvez vc tenha razão, mas não deram ao cara nem a possibilidade de desparecer. Aposto que ele trocaria mais um tempo de sucesso em vida por toda a posteridade.

Responder

Comentário por Sol Moras Segabinaze
20 de maio de 2009 às 14h14

Faça o seguinte, Tiago da Lua – sim, ainda estou aqui acompanhando – deixe a preguiça de lado e me demonstre que 500 mortes é a mesma coisa que 100 mil mortes.

Tarefa inglória que, se não chega a justificar a morte de uma só pessoa que seja, pode te ensinar um pouco sobre senso de proporção, a essência mesma da justiça.

Responder

Comentário por Arnaldo Branco
20 de maio de 2009 às 14h26

Opa, sobre a Ditabranda para mim o problema é outro: o jornal perde moral para fazer críticas sempre que a Constituição é desrespeitada, ou quando um governo começa a atuar praticamente só na base da Medida Provisória.

Responder

Comentário por Edu/ Cabron
20 de maio de 2009 às 14h28

Putz, esse lance de “Se vc for de direita eu vou ficar de malzinho” é o papo mais século XX do mundo, estamos em 2009 e nada mais disso importa, por isso tendo a ignorar militantes da P(UC)STU em geral.

Isso me lembra um pouco que na Alemanha, o tabu é chegar prum velho e perguntar “Onde vc estava entre 1933 e 1945?”. Todas as empresas alemãs tiveram mão-de-obra escrava e toda família rica alemã já teve um escravo russo. Depois que o povo se fudeu na guerra, ninguém mais tem saco pra ficar puto quando aparece alguém famoso e diz “é, eu era da SS, mas fazer o que”. Resumindo: Quem se fudeu, se fudeu, e bola pra frente.

Responder

Comentário por Arnaldo Branco
20 de maio de 2009 às 14h38

A Calabocracia. Manjo.

Responder

Comentário por nunes
20 de maio de 2009 às 14h58

“Ninguém sabe o mole que eu dei” é ótimo

Responder

Comentário por LP
20 de maio de 2009 às 16h12

Concordo, não acho que tenha sido nem um pouco jogo para ele o que ele passou. Só acho um pouco forçada a idéia de que não fosse a perseguição que ele sofreu e ele continuaria sendo um cantor de grande sucesso, topo das paradas, etc. Só anteciparam o inevitável. E esse interesse repentino da mídia em cima da música dele se deve ao que ele passou, já que muitos caras da mesma época, e tão talentosos quanto, morrem e continuam sendo ignorados do mesmo jeito. Não que esse sucesso pós-morte seja jogo para ele, já que ele tá morto.

Responder

Comentário por Edu/ Cabron
20 de maio de 2009 às 16h50

Pelo mesmo critério, vou matar geral, já que vai todo mundo morrer mesmo…

Responder

Comentário por Raquel Gariani
20 de maio de 2009 às 17h25

eta arnaldo, nunca ia te reconhecer com esses oculões!!!! bj

Responder

Comentário por Ilo Aguiar
20 de maio de 2009 às 17h29

Guilherme Cardoso tocou no mesmo ponto em texto publicado no Observatório da Imprensa. Também vale a pena.
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=538FDS004

Responder

Comentário por Arnaldo Branco
20 de maio de 2009 às 18h28

Na buena, achei uma merda. Pra sustentar toda essa razão, essa raivinha, tinha que ter feito algo para se destacar dos linchadores. Se esse cara provar que fez alguma coisa na época, mostrar uma carta que tenha mandado aos órgãos de imprensa ou algo assim, beleza. Senão, fez parte da turba.

Vou fazer um cartum com um desses palmatórias do mundo dizendo: “como assim eu não fiz nada? Eu estava assistindo!”

Responder

Comentário por Henrique
20 de maio de 2009 às 20h38

Claro que a omissão de uns e a covardia de outros tiveram parte na jogada mas a arrogância fica mais na conta do Jaguar não?

Não se discute o contexto, o monento de “guerra”, a tensão e a participação de outros setores na jogada. Tudo isso diminui um pouco a coisa mas não tira do povo do Pasquim a intransigência, a truculência, o humor (sem graça) negro e os comentários infelizes (quarenta anos depois).

Nada de fechar os olhos para os erros e ingenuidade (burrice?) do Simonal e, muioto menos de demonizar a esquerda. Mas não me diga que agora Jaguar e cia passaram a ser vítimas? Os caras pisaram na bola. Fato. O resto é debate político tardio.

Responder

Comentário por Nunes
20 de maio de 2009 às 20h53

Qualificar como ditabranda pelo número inferior de mortes e meio falta de visão, Sol. Ainda que tenham matado menos, os caras matavam melhro, o que demonstra uma certa competência. Pode ter morrido muito menos gente, mas não ficou um líder de guerrilha desses com conexão internacional vivo, coisa que aconteceu no Chile, por exemplo.

Responder

Comentário por Arnaldo Branco
20 de maio de 2009 às 21h06

Henrique, escrevi esse texto pra dizer que o Boni devia fazer o mesmo, entonces. O Jaguar não quis vestir a carapuça sozinho, entendo.

Responder

Comentário por Arthur K
20 de maio de 2009 às 21h22

Não vi o doc ainda, estou pra ver. Mas indo contra a corrente totalmente nos comentários, fora tb da discussão esquerda x direita contraprodutiva (quem matou mais? quem manda na imprensa?), será que é totalmente fora de cogitação se pensar na hipótese que Simonal tenha realmente colaborado com a ditadura como informante?

Afinal, o cara tinha mesmo, como já é ponto pacífico, contato com gente da repressão e era um puta sucesso. Será que não seria conveniente para os gestores da repressão manter um cara influente do meio musical como informante, isso no auge da ditadura, com o início da ação da esquerda armada e com a paranóia militar nas alturas?

Sei não…

Responder

Comentário por Carlos
20 de maio de 2009 às 21h30

Só para o bem da verdade histórica a respeito da família Somoza, citada num post acima. O sofrimento por não conseguir asilo nos EUA foi abreviado por um tiro de bazuca, quando ele estava em Asunción, capital del Paraguay…

Responder

Comentário por Henrique
20 de maio de 2009 às 21h34

Está certo Arnaldo. Um Jaguar sozinho, acho eu, não seria capaz de jogar o cara naquela fogueira. Muita gente deu seu empurrão.

Responder

Comentário por tiago da lua
20 de maio de 2009 às 22h02

“Tarefa inglória que, se não chega a justificar a morte de uma só pessoa que seja, pode te ensinar um pouco sobre senso de proporção”

Interessante, seu ponto de vista relativiza vidas humanas, genial!
Então “senso de proporção” é o seu argumento para repetir essa bobagem?
Agora se quer falar em números, pelo menos pesquise para não fazer feio…ninguém ainda teve acesso aos documentos oficiais daquele período, como vc vai conseguir argumentar com “senso de proporção” às cegas?

Agora comece sua pequena pesquisa:
1 – Comece com um bom dicionario.Procure o significado da palavra “brando”.
É importante ter noção que estamos falando de ditadura, de regime pesado, compreende a gravidade do problema?

Tente entender que não existe ditadura melhor ou pior, mais leve ou mais dura que outra.
Assim você não insulta a memória das pessoas perseguidas, torturadas, assassinadas, arrancadas de casa…não insulte a memória do seu país.

Podemos sair da esfera policial e entrar no campo político/economico: vc aprova n votar para presidente? e a transamazonica as obras faraônicas do período? vc sabia que nossa divida externa internacional explodiu com os militares? vc sabe de quem é a conta da inflação dos anos 80? Imagine a quantidade de pessoas que enriqueceu no período..

Um pequeno caso “light”:
Antônio Henrique Pereira Neto, sociólogo e professor, que desenvolvia atividades junto ao então Arcebispo de Olinda e Recife Dom Helder Câmara,foi assassinado aos 28 anos de idade. Sequestrado pelo Comando de Caça aos Comunistas, teve o seu corpo encontrado em um matagal na Cidade Universitária de Recife, pendurado de cabeça para baixo, em uma árvore, com marcas evidentes de tortura: espancamento, queimaduras de cigarro, cortes profundos por todo o corpo, castração, 3 balas na cabeça. Seu crime? Ter celebrado uma missa em memória do estudante Edson Luiz de Lima Souto, outro assassinado pela ditadura.
http://www.torturanuncamais-rj.org.br/md.asp?Refresh=2009030621335096181468&tipo=0

Deixa a preguiça de lado e pesquisa um pouco da memória do seu país……

Responder

Comentário por Marcos Lauro
20 de maio de 2009 às 23h22

Arnaldo, na história de Simonal errou, na época, quem falou de menos (a favor) e de mais (contra). Não houve debate, só embate. Sendo que o lado “pró-simonal” pesava 60kg e o contra 110kg. No boxe, isso é morte.

A culpa não foi só do Jaguar. Aliás, nem chamaria de culpa. Ele comprou uma ideia, julgou como verdade absoluta e abriu fogo, assim como seus colegas de Pasquim e muita gente da grande imprensa. O que está pegando agora é em relação ao seu comportamento no filme. Não se ri de uma história dessa… e nem é por questões “politicamente corretas”, que eu não suporto… é questão de consciência. E hombridade para reconhecer erros e pedir desculpas.

Responder

Comentário por Arnaldo Branco
20 de maio de 2009 às 23h30

Claro, e a conduta e a hombridade do Jaguar só podem ser julgadas por esse episódio – e por você, creio.

Responder

Pingback por a culpa é do Sarney «
21 de maio de 2009 às 0h54

[...] Aqui o mesmo Arnaldo Branco escreve sobre o Simonal. Como os malas gostam de dizer, o texto é meio “enviesado”. I don’t give a shit. Bom de ler e sem frescurebas. Nos comentários, o Sol discorda disso e daquilo, vai ao ponto; Arnaldo, também. Nenhum acordo. Lindo. No final tudo acaba na pelada, como deve ser. [...]

Comentário por Sol Moras Segabinaze
21 de maio de 2009 às 10h11

Tirei esses dados daqui, Tiago da Lua, do livro do petista Nilmário Miranda “Dos filhos deste solo”. Uma publicação insuspeita de “direitismo”, eu suspeito. Está lá: 424 pessoas que morreram ou desapareceram por causa do regime militar brasileiro.

Os 100 mil mortos que mencionei eram do regime cubano, o favorito da esquerda festiva. Está lá no “Livro negro do comunismo” – escrito por ex-comunistas, aliás – 100 mil mortes causadas pelo regime daquela linda e poética figura, ídolo máximo dos esquerdossauros, que é o Fidel Castro.

Faça a proporção, olha ela aí de novo, entre o número de habitantes de Cuba e Brasil e veja quem matou “melhor”.

Responder

Pingback por Revista Zé Pereira» Arquivo do Blog » A propósito da estreia do filme do Simonal
21 de maio de 2009 às 13h03

[...] do R.: tem outro texto muito bom sobre o filme no blog do Arnaldo Branco. Leia aqui. [...]

Pingback por Simonal não era assunto pra ninguém « O blog do Guaciara
21 de maio de 2009 às 13h26

[...] Arnaldo Branco, por outro lado, escreveu um texto muito bom sobre como gente que não fez nada para ajudar o cantor na época, agora se levanta em protesto à [...]

Comentário por Arnaldo Branco
21 de maio de 2009 às 13h59

Bem, Sol, mas se vc acha que 500 mortos é pouco, por que então se importar com o emprego de um cantor de MPB dos anos 70? Os perigos da relativização.

Responder

Comentário por Sol Moras Segabinaze
21 de maio de 2009 às 15h05

Não é pouco, Arnaldo, mas 500 é menos do que 100 mil, concorda?

E Cuba era o modelo defendido pelo Pasquim e pela esquerda que pegou em armas e hoje diz que lutava pela “liberdade e democracia”. Bullshit!

Os que sobreviveram, a imensa maioria que inclusive era livre pra sair do país (coisa que não acontece ATÉ HOJE em Cuba), hoje está no poder e recebe as indenizações vitalícias.

Sim, existem merdas piores do que as outras.

O Simonal é só um exemplo.

Responder

Comentário por Gabriel
21 de maio de 2009 às 16h26

A direita sempre se travestiu de esquerda no quesito demagogia. E a esquerda… sempre tão bem “organizada”, né?

Mas hoje em dia fica difícil discursar sobre esquerda/direita aqui dentro… quase anacrônico.

Responder

Comentário por tiago da lua
21 de maio de 2009 às 16h28

Sol, eu volto a afirmar: você continua na loucura de querer relativisar vidas humanas para justificar esse trocadilho ridiculo…

Você não tirou seus dados do blog do Reinaldo Azevedoi? hehe http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2006/11/os-mortos-da-ditadura-mito-e-realidade.html

brincadeira. como tem acesso ao livro, por favor, me informe o número da “contabilidade” das pessoas que morreram por sequelas de tortura é algo que tenho interesse em saber.

qualquer regime militar tem suas caracteristicas próprias, mas nenhum é mais “brando” do que o outro. todos são regimes autoritários que não respeitam os direitos humanos, matam, torturam, deixam pessoas invalidas ,viuvas(os), orfãos…

Sol,poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi ‘doce’ se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala (prof.Maria Victoria Benevides) ?
para quem quiser entender melhor a respeito das diferenças entre os regimes do cone sul, é interessante procurar os trabalhos do cientista político Anthony Pereira, estudioso da história da América do Sul.
ele explicar sem

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Comentário por tiago da lua
21 de maio de 2009 às 16h32

…tomar partido, ou fazer trocadilhos infames.

Responder

Comentário por João
21 de maio de 2009 às 16h40

“Quem lê a Veja sabe que a esquerda é a culpada de tudo que aconteceu de ruim no Brasil, apesar de ter bem menos tempo de posse de bola – se formos considerar, digamos, Getúlio, JK, Jango e Lula como os representantes de esquerda na presidência e todos outros a direita.”

Se formos, Arnaldo, mas não vamos. Quer dizer, eu não vou. Porque não é. Dos tempos coloniais, com seu quinto do ouro, ao confisco de Collor e o “tudo pelo social” de Sarney, passando pela proteção à indústria nacional tão cara aos milicos – e aos consumidores, que não podiam entrar no Brasil com uma mera calculadora –, este país esteve sempre repleto de estatismo – receita predileta da esquerda – no Governo.

Aí, algumas medidas liberalizantes na gestão Itamar/FHC foram pintadas como o próprio inferno, como a privatização – chamada de “privataria” – da telefonia, que permitiu que pobres passassem a ter telefone, quando antes até a classe média alta esperava, às vezes 10 anos por um nos planos de expansão da Telerj e da Vale, que pulou de 13 mil para 41 mil empregados, só para citar dois exemplos.

Foi a mesma hegemonia cultural da esquerda que perdurou mesmo durante a ditadura militar – o que a história do Wilson Simonal só confirma –, e não a Veja, que tachou como “direita” tudo o que de ruim aconteceu neste país, “tudo isso que está aí”, ao mesmo tempo em que impunha como “vontade popular”, através de seus intelectuais orgânicos, seus parâmetros “sociais” aos Collores e Sarneys – e, inclusive FHC – muitas vezes fazendo seus secretários de cultura etc. Muito fácil. Enquanto o caldo cultural esquerdista esquentava, os problemas seguiam – e seguem – sendo jogados na conta da “direita”.

Quanto à Folha, não inventou o termo “ditabranda” (foi Manuel de Juano, ex-reitor da Universidad de Rosaria, na Argentina), não o encampou (pôs entre aspas e como “chamadas”) e, ainda assim, pediu desculpas e assumiu que havia usado um mau termo (já o Jaguar = tô nem aí se fudi injustamente um cara). Mas os pseudoindignados como Fábio Konder Comparato, que queriam pô-la de joelhos em praça pública (grande democrata…), não tão nem aí. Eles inventaram o pecado e jamais vão se lembrar de inventar o perdão – só o paredão…

Quanto ao Sol, ele mesmo escreveu que ditadura nenhuma “não chega a justificar a morte de uma só pessoa que seja”. Agora, quem inventou manifestação (aliás, intimidação) em frente à Folha chamou de “doce” a ditadura cubana, que matou muito mais. Quem não tem moral?

Abs

Responder

Comentário por Gabriel
21 de maio de 2009 às 16h51

Sol, tomei a liberdade de visitar o seu blog… por sinal muito bem escrito. Senti até vontade de homenagear o túmulo de Adam Smith, não fosse a baixa credibilidade de seu legado doutrinário nowadays…

Percebi que seus amigos/leitores também usam de cautela (aquela coisa de “se policiar”); visto que não há comentarios justamente nos posts de cunho ideológico.
=/

Responder

Comentário por Gabriel
21 de maio de 2009 às 17h06

Isso aqui ta ficando chato…

Arnaldo, vc que fala com o Dahmer direto… pede pra ele fazer mais uns quadrinhos do Monsueto!

Responder

Comentário por Bruno
21 de maio de 2009 às 17h24

“E Cuba era o modelo defendido pelo Pasquim e pela esquerda que pegou em armas e hoje diz que lutava pela “liberdade e democracia”. Bullshit! ”

Discordo. Recomendo o livro È Pau Puro do Jaguar onde narra a aventura dele na Terra do Fidel. E tem uma entrevista do Millôr onde ele satiriza aqueles que receberam o bolsa-ditdura ( “Então não era uma revolução, e sim um investimento”). Essa entrevista se encontra na Playboy da Eloah alguma coisa de 2007.

Responder

Comentário por Douglas
22 de maio de 2009 às 0h00

Jaguar e pro Ziraldo são 2 FdP entre vários da turma deles, eles sim tinha que tomar uma surra e passar o resto da vida apodrecendo numa cama, não pelo que fizeram no passado, é pelo que estão fazendo hoje. Para aproveitar o ensejo, também acho o Niemeyer e as obras dele um monte de M…. Douglas

Responder

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22 de maio de 2009 às 0h14

[...] Musicais B@belturbo Os Dias e As Horas Kriola Coluna Extra Impostor Urbe Pau Na Mesa Mau Humor Capitão [...]

Comentário por Arnaldo Branco
22 de maio de 2009 às 4h56

Então vai lá, Douglas. Vivo esbarrando com o Jaguar no Leblon, é mole de achar o sujeito, quebra as pernas dele mesmo e depois me conta, campeão.

E sobre o Niemeyer, também não sou fã, mas nosso desagrado não tem muito peso para desautorizar o sucesso do trabalho dele. Sorry.

Responder

Comentário por Douglas
22 de maio de 2009 às 11h27

Caro Arnaldo, acho muito trabalhoso ir até o Leblon só para quebrar o velhinho, fora o risco de ser assaltado ou vitima de uma bala perdida. Quanto ao Niemeyer, nas minhas caminhadas diárias no Parque Ibirapuera, sou obrigado a conviver com aquelas construções sem pé nem cabeça e infiltração por todos os lados, um purgante para os olhos. Abraços e se cuide.

Douglas

Responder

Comentário por Bruno
22 de maio de 2009 às 13h20

Ah, o paulistano, sempre temeroso ao Rio de Janeiro. Ô raça. ; )

Responder

Comentário por cfagundes
22 de maio de 2009 às 14h13

Arnaldo, o velho vício de jogar pedra é clássico, concordo que tem gente que tasca no Ziraldo e no Jaguar por esporte.. nem entro no mérito do flaflu ideológico. Mas é preciso dar valor ao que o Arthur da Távola diz logo em seguida a um depoimento do Zira, sobre o grande problema da imprensa. Não é só um grande problema por se tratar de um mal comum — como ele diz, “não só no Brasil, mas no mundo todo”– mas por se tratar do pecado mais grave que um jornalista pode cometer, a leviandade, a falta de fundamento, a pressa irresponsável. Isso foi feito no Pasquim, e a repercussão desse veículo era enorme…e como diz o homem-aranha, grandes poderes requerem grandes responsabilidades. O pasquim foi, sim, irresponsável. Cabia um “mea-culpa”, porque sabemos que foram indivíduos que tomaram a decisão de chamar o Simonal de dedo duro, que fizeram charges ofensivas, que tripudiaram. Não foram posições ideológicas, foram indivíduos. No filme, jaguar e Ziraldo tiveram a chance de passar isso a limpo, e não o fizeram. O resto dos entrevistados, os salafrários, todos sabemos que são moralmente frouxos, como diria o outro puto, e para eles cagamos. Mas que eu acharia admirável ver o Ziraldo reconhecer que como profissional de Imprensa errou, isso eu gostaria.

Responder

Comentário por Gustavo S.
22 de maio de 2009 às 18h11

Caguei pro Ziraldo, pro Jaguar e pra toda a patota do pasquim.

Quanto ao Simonal, fica bem claro que ele gostava do bom e do melhor. Assim, como se vê no filme, quando foi comprar carros, comprou mercedes, quando foi pra jogar bola se juntou ao Santos e a Seleção de 70, quando foi pra cantar, cantou com a Sarah Vaughan, quando foi pra bater, pediu pros camaradas do Dops.Tudo muito natural…

Mas putaqueopariu, como cantava!

Responder

Comentário por Arnaldo Branco
22 de maio de 2009 às 18h40

Bem, Fagundes, se vc prestou atenção no documentário, toda a imprensa comprou a história. Mas a diferença é que o Pasquim tinha a cara – para bater, inclusive – dos colaboradores. Como já disse acima, entendo o Jaguar não querer passar recibo sozinho quando todos os outros também tiraram o corpo fora.

Sobre o Henfil, Simonal não foi o único que ele enterrou no cemitério dos mortos-vivos, que podia ser uma puta de uma patrulha mas era engraçado para caralho. Nelson Rodrigues, Elis Regina (essa também injustamente), vários foram para a vala, mas o único que teve fim triste foi o Rei da Pilantragem. Negro no Brasil ou é Pelé ou só entra para a História como figura trágica.

Responder

Comentário por cfagundes
22 de maio de 2009 às 19h38

É, o Pasquim tinha cara, um privilégio ou não, mas isso muda alguma coisa? No filme também mostram como era grande -ai meu deus como era grande- a repercussão do Pasquim. Eu também entendo, Arnaldo. Só acho que seria admirável se o Jaguar, Ziraldo e cia. se destacassem assumindo suas partes no que aconteceu com o Simona. Mas também não vou molhar as calcinhas por causa disso.
Quanto ao racismo, concordo que houve para caralho, mas não sei se censuraram mais o ‘negão metido a besta’ ou o ‘pilantra’ mor. Que o contraste entre o antes e depois no trajeto do Simonal é brutal, não há dúvida, até por causa do carisma brilhante, mas tenho a impressão que a society brasileira é estúpida e subserviente o bastante pra esquecer a cor do homem que fica famoso. Lembra do trecho da sauna com o Miele, Simonal paparicado, lembrando que a mãe tinha sido empregada no recinto?

Responder

Comentário por Jonas
23 de maio de 2009 às 12h16

cara, continua desenhando teus bichinhos de merda e escrevendo teu besteirol, mas deixa o Simonal em paz.

Responder

Comentário por Arnaldo Branco
23 de maio de 2009 às 12h19

Vai tomar no cu, viúva do Simonal. Falo do que quiser, comentarista de blog metido a censor de merda.

Responder

Comentário por re
23 de maio de 2009 às 14h49

fiquei a fim de ver o filme!
o melhor é a manchete “rei do pa-tro-pi” vê o sol nascer qua-dra”
hahahahahahhahaha

Responder

Comentário por Douglas
23 de maio de 2009 às 16h27

Caro Arnaldo Branco, não vamos perder o foco, você e seu blog são legais e falamos de um filme maravilhoso que foi muito alem da simples história do cantor . O grande lance do filme é que ele questiona algo que nunca foi questionado, questionou aquela geração, a “esquerda” os intelectuais Cariocas, os artista, jornalista militantes etc. Até que ponto aquilo tudo era ideologia, business ou um bando de esperto querendo se arrumar?.
Não existe viúva do Simonal, o que existe é viúva da ditadura, muita gente daquela turma viveu (e ainda vive) em função da ditadura, do prestigio que tem por ter sido “exilado político”. O pior é que eles ainda estão aí, com pensões vergonhosas, pendurados em cargos públicos ou simplesmente mamando no erário.
Vamos lá Arnaldo, encabece este movimento, vamos botar aquela turma do Pasquim na lata do lixo da história, abaixo todas as coisas que o Niemeyer fez, começando pelo disco voador de Niterói e o Ibirapuera inteiro.

Responder

Comentário por cfagundes
23 de maio de 2009 às 18h01

É, vai tomar no cu, viuva do Simonal.

Responder

Comentário por Cardoso
25 de maio de 2009 às 22h14

É, mas bom MESMO é mulher.

PRINCIPALMENTE se for SAFADA.

Responder

Comentário por Sávio Vilela
26 de maio de 2009 às 18h03

Maravilha de texto, bicho!

Responder

Comentário por André Dahmer
29 de maio de 2009 às 12h53

Não vou entrar em nenhum outro mérito. Também não adianta me chamar de comunista, sou mais inteligente do que isso (sei muito bem do sofrimento que causaram as tantas ditaduras de esquerda). Quero deixar apenas um texto e um link para os que acham que a ditadura “não foi tão dura assim”. Do livro Brasil Nunca Mais::

(..) que em determinada oportunidade foi-lhe introduzido no ânus pelas autoridades policiais um objeto parecido com um limpador de garrafas; que em outra oportunidade essas mes­mas autoridades determinaram que o interrogado permaneces­se em pé sobre latas, posição em que vez por outra recebia além de murros, queimaduras de cigarros; que a isto as auto­ridades davam o nome de Viet Nan; que o interrogado mos­trou a este Conselho uma marca a altura do abdômem como tendo sido lesão que fora produzida pelas autoridades policiais (gilete); (…)

(…) o interrogado sofreu espancamento com um cassetete de alumínio nas nádegas, até deixá-lo, naquele local, em carne viva, (…) o colocaram sobre duas latas abertas, que se re­corda bem, eram de massa de tomates, para que ali se equi­librasse, descalço, e, toda vez em que ia perdendo o equilíbrio acionavam uma máquina que produzia choque elétricos, o que obrigava ao interrogado à recuperação do equilíbrio; (…) Amarraram-no numa forquilha com as mãos para trás e começaram a bater em todo corpo e colocaram-no, durante duas horas, em pé com os pés em cima de duas latas de leite condensado e dois tições de fogo debaixo dos pés. (…)

(..) obrigaram o acusado a colocar os testículos espaldados na cadeira; que Miranda e o Escrivão Holanda com a palma­tória procuravam acertar os testículos do interrogado; (…) o acusado sofreu o castigo chamado “telefone”, que consiste em tapas dados nos dois ouvidos ao mesmo tempo sem que a pes­soa esteja esperando; que, em virtude deste castigo, o acusado passou uma série de dias sem estar ouvindo; que três dias após o acusado ao limpar o ouvido notou que este havia san­grado; (…)

(..) foi o interrogado tirado do hospital, tendo sido nova­mente pendurado em uma grade, com os braços para cima, tendo sido lhe arrancada sua perna mecânica, colocado um capuz na cabeça, amarrado seu pênis com uma corda, para impedir a urina; (…) Que, ao chegar o interrogado à sala de investigações, foi mandado amarrar seus testículos, tendo sido arrastado pelo meio da sala e pendurado para cima, amarrado pelos testículos; (…).

Vou deixar o link, mas não recomendo a leitura para pessoas de estômago fraco. Li Brasil Nunca Mais aos 19 anos, fiquei sem dormir por uma semana: http://www.dhnet.org.br/dados/projetos/dh/br/tnmais/index.html

Responder

Comentário por Sol Moras Segabinaze
29 de maio de 2009 às 14h39

Então partindo da premissa de que ninguém aqui aprova a morte de uma só pessoa que seja, o que deixa o debate civilizado e reconhece a boa-fé das pessoas, resta entender o que se está em jogo na disputa pelo poder. Claro, todos queremos a paz, a liberdade, a justiça e todas essas coisas fáceis de evocar em palavras e difíceis de alcançar na realidade. Por quê? Ora, porque há discordância em relação aos meios de se perseguir essas coisas. Não há debate sobre os fins, há discussão sobre os meios. O meu ponto é esse: os fins que a esquerda defende são aparentemente ótimos, os meios que ela utiliza pra atingi-los é que são nefastos. E, além disso, não funcionam. Mesmo que os fins justificassem os meios (e não justificam) e com esses meios se alcançasse os tais fins, o debate seria, digamos, mais parelho. Mas não, a luta pela “justiça social” através da mão pesada do estado não funcionou, não funciona e não funcionará jamais. Caso discordem, me dêem um exemplo de sucesso nessa estratégia?

Vejam o caso da Venezuela. Mises demonstrou na teoria que o socialismo não funciona ainda em 1922. E os países que entraram nessa o deram razão na prática e temos agora um país aqui do lado dando mais um exemplo. Um proto-ditador aliado do nosso presidente que, fosse o Brasil frágil institucionalmente como a Venezuela, estaria enveredando pelo mesmo caminho. Continuem votando no PT pra ver o que acontece.

Desculpe a insistência, mas não vejo debate mais importante do que esse neste momento.

Ab

Responder

Comentário por Arnaldo Branco
30 de maio de 2009 às 9h16

Então ser de esquerda = socialista. Ser de direita = liberal. Não existe governo democrático de esquerda. O PT (imagino que toda a esquerda, por extensão) é a favor de um golpe para instituir uma ditadura (e nem sei o que estão esperando tanto).

Não sei se viu esses twitts, mas eram pra pessoas que pensam como vc:

1) http://twitter.com/arnaldobranco/status/1892582220

2) http://twitter.com/arnaldobranco/status/1892608507

Responder

Comentário por Antonio
30 de maio de 2009 às 12h11

Algumas observações sobre os comentários do Sol:

1. Reduzir a complexidade do posicionamento político a uma generalidade quase abstrata — e que o Arnaldo captou bem quando colocou “Então ser de esquerda = socialista. Ser de direita = liberal” — é um equívoco que fazia algum sentido nos 60. Mas hoje em dia… Tenha paciência. Há esquerdas e esquerdas, direitas e direitas, isso para não falar em “cruzamentos” esquisitos entre elas (reaças que defendem o Estado mínimo mas repudiam o aborto ou a descriminalização da maconha, por exemplo).

2. É curiosa esta mania que os conservadores mais radicais têm de achar que a grande mídia caiu toda nas garras da esquerda, que deteria portanto o “monopólio da virtude”. A maior revista semana do Brasil não é apenas “de direita”: ela tem o projeto claro de aniquilar o pensamento de esquerda no Brasil, e às vezes beira o mau caratismo pra conseguir fazer isso. (Dou exemplos concretos, basta pedir.) O maior jornal do Rio, braço do maior conglomerado de mídia do Brasil, segue uma linha editorial muito mais próxima da direita do que da esquerda. “Ah, mas o Veríssimo, a Miriam Leitão e o Cristóvão Buarque são articulistas lá”. Grandes merdas. E as manchetes? E as reportagens? Isso para não falar dos outros articulistas — Demétrio Magnolli, Paulo Guedes, Cora Ronai (ok, ela é café com leite), Ali Kamel… E quanto aos EUA, ah, já sei — a Fox é Obama desde criancinha, né?

3. Sol Moras: “a luta pela “justiça social” através da mão pesada do estado não funcionou, não funciona e não funcionará jamais. Caso discordem, me dêem um exemplo de sucesso nessa estratégia?”. Eu discordo, Sol, e posso lhe dar alguns exemplos. Aliás, os melhores de que dispomos até aqui: países escandinavos. São os que têm os melhores indíceis de qualidade de vida do mundo — e, pasme, todos seguem o werlfare state! O Estado intervém pesadamente na economia (mas não é dono dos meios de produção, claro), fica com um naco enorme do que as pessoas ganham, mas devolve serviços públicos de qualidade. Fale em “estado mínimo” para um norueguês e ele provavelmente vai fazer cara de horror.

4. Julgar o grau de maldade de um regime ou instituição política em função *basicamente* do números de mortos pressupõe que o sentimento de perda humana possa ser apreendido em termos quantitativos. Mas isto é, por si só, um ato de barbárie: pois reduzir a experiência daqueles que encontraram a morte (ou que sobreviveram, sabe-se lá como) a números é desconsiderar a dimensão de crueldade, dor e humilhação que lhe dá forma.

Responder

Comentário por Sol Moras Segabinaze
1 de junho de 2009 às 10h23

Arnaldo,

“Por que quando vc diz que é de esquerda jogam na sua cara: Cuba, Stálin, estatais, Chávez e Niemeyer? Não curto nada disso.”

O conceito de esquerda X direita é falho, prefiro o individualismo X coletivismo que é mais amplo. Em todo caso, mesmo o esquerdista mais moderado consegue ver méritos em Cuba. Eu não vejo mérito nenhum num regime que proíbe a oposição, proíbe a saída do país, proíbe a liberdade de expressão e a tão cantada educação cubana não passa de uma doutrinação braba. Stálin é um grande ídolo do “brasileiro do século”, nem adiantou aquele mea culpa do Kruchev. As estatais, as jóias da coroa, são defendidas com unhas e dentes por todos os partidos de esquerda (inclusive o PSDB). Então, há diferenças claras entre um socialista e um liberal que quer separar o estado da economia. Se vc é de um tipo diferente de esquerda que não defende essas coisas, eu teria interesse em saber como isso funcionaria. Sobre Chávez, ainda não está óbvia a aliança entre ele e o Lula e o PT?

“Não seria o mesmo que alguém dizer que é liberal e eu falar da Namíbia, Hitler, Enron, Fujimori e sei lá, Roberto Justus?”

EITCHA! O que a Namíbia tem a ver com o liberalismo? Hitler?! O partido de Hitler era o Nacional-SOCIALISTA e se vc tiver interesse posso passar um lik demonstrando que o programa nazista e o petista são quase idênticos. Não há NADA de liberal no nazismo. Essa é uma acusação grave e seria bom vc sustentá-la com dados e evidências. Inclusive os grandes liberais austríacos Hayek e Mises foram obrigados a se exilarem na Inglaterra e nos EUA, tendo os seus livros queimados pelos nazistas. Os nazistas são primos dos comunistas, aprenderam muito com eles como exterminar os adversários e, não sei se vc lembra, assinaram inclusive um pacto de não agressão, quebrado, naturalmente, pelos nazistas. Primos também brigam, sabia?

Enron? Então qualquer fraude é culpa do liberalismo? Fraude tem que ser punida e ponto. Justus? Tá falando sério?

Me diga, Arnaldo, por favor, pra eu saber que tipo de esquerdista vc é: qual é o papel do estado, na sua opinião?

Só assim a gente pode chegar numa conclusão e parar com essas acusações escalafobéticas.

Responder

Comentário por Sol Moras Segabinaze
1 de junho de 2009 às 10h50

Antônio,

“1. Reduzir a complexidade do posicionamento político a uma generalidade quase abstrata — e que o Arnaldo captou bem quando colocou “Então ser de esquerda = socialista. Ser de direita = liberal” — é um equívoco que fazia algum sentido nos 60. Mas hoje em dia… Tenha paciência. Há esquerdas e esquerdas, direitas e direitas, isso para não falar em “cruzamentos” esquisitos entre elas (reaças que defendem o Estado mínimo mas repudiam o aborto ou a descriminalização da maconha, por exemplo).”

Uma das grandes estratégias do mal é fingir que não existe, “coisa do passado”, como se a concentração de poder e o totalitarismo tivessem acabado junto com o muro de Berlim. O aborto não é um debate tão simples e defendo ativamente a legalização de todas as drogas há mais de 10 anos.

“2. É curiosa esta mania que os conservadores mais radicais têm de achar que a grande mídia caiu toda nas garras da esquerda, que deteria portanto o “monopólio da virtude”. A maior revista semana do Brasil não é apenas “de direita”: ela tem o projeto claro de aniquilar o pensamento de esquerda no Brasil, e às vezes beira o mau caratismo pra conseguir fazer isso. (Dou exemplos concretos, basta pedir.) O maior jornal do Rio, braço do maior conglomerado de mídia do Brasil, segue uma linha editorial muito mais próxima da direita do que da esquerda. “Ah, mas o Veríssimo, a Miriam Leitão e o Cristóvão Buarque são articulistas lá”. Grandes merdas. E as manchetes? E as reportagens? Isso para não falar dos outros articulistas — Demétrio Magnolli, Paulo Guedes, Cora Ronai (ok, ela é café com leite), Ali Kamel… E quanto aos EUA, ah, já sei — a Fox é Obama desde criancinha, né?”

Vc é claramente de esquerda, de uma esquerda bem informada, mas ainda assim de esquerda. A VEJA é a revista mais vendida do Brasil, mas, pra mim, vem pegando leve demais com o governo do Brasil. Eles também têm os seus interesses e não querem brigar com o maior anunciante do país, não é verdade? O Globo tenta ser mais equilibrado e a leitura que vc faz da coisa me parece razoável. Sobre o Obama, não sei como ele ainda não foi ungido com o título de santo ou coisa parecida, tamanha a babação politicamente correta em cima dele. Vai ver porque ele vem distribuindo trilhões de dólares criados do nada aos seus grupos de interesse favoritos, amigos e doadores de campanha. Um ótima maneira de mandar o dólar pro beleléu. Não é isso o que a esquerda hidrófoba quer, “a destruição do Império”? E daí que a FOX não é Obama? Lá nos EUA a imprensa ainda é livre e os órgãos chiques como o New York Times, retransmitidos aqui pelo O Globo com artigos do Krugman e outros, não são mais Obama por falta de espaço.

“3. Sol Moras: “a luta pela “justiça social” através da mão pesada do estado não funcionou, não funciona e não funcionará jamais. Caso discordem, me dêem um exemplo de sucesso nessa estratégia?”. Eu discordo, Sol, e posso lhe dar alguns exemplos. Aliás, os melhores de que dispomos até aqui: países escandinavos. São os que têm os melhores indíceis de qualidade de vida do mundo — e, pasme, todos seguem o werlfare state! O Estado intervém pesadamente na economia (mas não é dono dos meios de produção, claro), fica com um naco enorme do que as pessoas ganham, mas devolve serviços públicos de qualidade. Fale em “estado mínimo” para um norueguês e ele provavelmente vai fazer cara de horror.”

Escrevi um texto já prevendo esse tipo de resposta. Se houver interesse:

A dinâmica do welfare state

http://sol-moras-segabinaze.blogspot.com/2009/05/dinamica-do-welfare-state.html

Resumindo: os escandinavos partiram de uma base próspera, criaram riqueza e agora gastam. Mas, ainda contam com enorme liberdade econômica e controlam com mão de ferro as suas fronteiras, se protegendo da entrada de pessoas que vão atrás desses benefícios todos. A tendência do welfare é o país que o adota se fechar e criar uma certa xenofobia. Leia o meu textinho, por favor.

“4. Julgar o grau de maldade de um regime ou instituição política em função *basicamente* do números de mortos pressupõe que o sentimento de perda humana possa ser apreendido em termos quantitativos. Mas isto é, por si só, um ato de barbárie: pois reduzir a experiência daqueles que encontraram a morte (ou que sobreviveram, sabe-se lá como) a números é desconsiderar a dimensão de crueldade, dor e humilhação que lhe dá forma.”

Vcs vão insistir nisso? 100 mil mortes em Cuba é “a mesma coisa” que 424 mortes no Brasil?

Falem sério, por favor.

Responder

Comentário por maria
1 de junho de 2009 às 16h17

Bom, enquanto concordo que não faz sentido agora culpar apenas dois indivíduos, o Chico Anysio já havia se manifestado muitos anos antes do documentário, quando da morte do Simonal:

http://www.literario.com.br/chicoanisio/chico16.htm

Oportunista ele não foi- pelo contrário. Foi corajoso.

E você não sabe até que ponto e quantas pessoas o ajudaram nesse tempo entre o seu ‘linchamento’ e sua morte. Mas mesmo para estes, um Pelé ou Chico Anysio: realmente fica muito difícil lutar contra um patrulhamento tão violento- uma ditadura ideológica de ideologia mal-explicada, com Simonal para Judas.

Responder

Comentário por Arnaldo Branco
1 de junho de 2009 às 16h27

O Sol eu respondo ao vivo.

Chico Anysio puxava o saco do pessoal do Pasquim, onde publicou seus textos numas de quero ser cool também. Legal ser corajoso em 2000, a uma distância razoável do calor da batalha. O que parece é que foi o Chico quem esperou o Simonal morrer para mandar “eu não disse”?

Responder

Comentário por Antonio
1 de junho de 2009 às 18h34

Sol

Obrigado pela resposta. Minhas considerações:

1. Ninguém aqui está fingindo que o mal não existe. É claro que há idéias políticas equivocadas à solta por aí, que servem de lastro a regimes perigosos, tanto à esquerda quanto à direita. O que eu quis fazer foi chamar a atenção para a sua maneira de colocar os termos do debate, e nisso mantenho minha posição: você parte de uma generalização tosca, que iguala a posição de esquerda ao socialismo (o velho truque de estereotipagem), e voilá, eis a legitimidade de sua crítica. Só que o maniqueísmo rudimentar, meu caro, só serve aos interesses de quem não quer enxergar o mundo em toda a sua complexidade. Quem são estas pessoas? Em geral, extremistas políticos e fundamentalistas religiosos.

2. Não sou contra a Veja por ela fazer oposição ao governo. Ao contrário, como todo bom defensor da democracia, eu acho não apenas saudável mas indispensável que a imprensa esteja lá, vigiando o poder e denunciando seus podres. Mas Veja não quer apenas apurar fatos e denunciar escândalos, que é a função do jornalismo. Veja quer derrotar o pensamento de esquerda no Brasil, custe o que custar. Isto não é fazer jornalismo: é fazer propaganda travestida de jornalismo. E, perdoe, mas eu não sou relativista: propaganda travestida de jornalismo é simplesmente errado, seja de que espectro político for.

3. Sobre Obama: aonde vc vê “babação de ovo politicamente correta” eu vejo a aposta numa liderança capaz de recolocar os EUA no rumo certo, após 8 anos de um governo desastroso. Isto é necessariamente ruim? Penso que não. Aliás, uma das coisas que mais admiro na cultura norte-americana é o otimismo inabalável deles. Em seguida, vc diz: “Vai ver porque ele vem distribuindo trilhões de dólares criados do nada aos seus grupos de interesse favoritos, amigos e doadores de campanha. Um ótima maneira de mandar o dólar pro beleléu.” Você escreve como se Obama (e todo o partido democrata, que, diga-se, é bastante diverso em sua composição, assim como são os republicanos) estejam intervindo massivamente na economia apenas para garantir a graninha de uns poucos compadres — e não porque há uma equipe de economistas (muitos dos quais republicanos) dizendo a eles que isto é o melhor a se fazer para mitigar os efeitos da crise, e superá-la! Me perdoe mais uma vez, mas isto não é apenas “economês de butiquim”: é teoria da conspiração da braba. Ou, em outras palavras, não é mais matéria de fato, é matéria de fé — mais ou menos como a astrologia, por exemplo. E aí, simplesmente não há mais o que debater…

4. Li seu texto sobre o welfare state. É claro que, para distribuir a riqueza, primeiro ela tem que ter sido gerada. É claro que a geração de riqueza é maior numa economia de mercado liberal. A história não nos autoriza a pensar diferente, e isso é óbvio. Mas o ponto é que vc afirmou que “a luta pela justiça social através da mão pesada do estado não funcionou, não funciona e não funcionará jamais” — e eu lhe retruquei dizendo que sim, a luta por justiça social através do Estado funcionou sim. Ok, os países escandinavos se valeram de políticas liberais, partiram de uma base acumulada de riqueza — mas na hora de promover de fato a justiça social, não foi o mercado auto-regulado o ator responsável. Foi o Estado. (Sobre a questão da xenofobia: taí um relação interessante, sobre a qual eu nunca havia refletido. Confesso que teria que estudar mais o tema para formar uma opinião. Agradeço a dica.)

5. Vc fez uma leitura apressada de meu argumento sobre o número de mortes, e por isso não captou todas as suas implicações. Então, vou explicar melhor:

Em primeiro lugar, repare que há uma ênfase: “Julgar o grau de maldade de um regime ou instituição política em função *basicamente* do números de mortos pressupõe que o sentimento de perda humana possa ser apreendido em termos quantitativos.” Estas estrelinhas no “basicamente” não estão ali à toa: se vc tomar a medida de crueldade *exclusivamente* em função do número de mortos, será obrigado a dizer que os nazistas teriam sido menos cruéis se tivessem matado 4 milhões de judeus, ao invés de 5 ou 6 milhões. Vc se imagina colocando um raciocínio destes numa mesa de jantar de uma família de judeus que fugiu do holocausto? Tenho certeza que não.

No entanto,a diferença que vc aponta persiste: é difícil nos livrarmos da idéia de que um genocídio de uma tribo de mil pessoas equivalha ao genocídio de uma etnia de 10 milhões. Isto não pode ser relativizado. Concordo que há uma distância aí — e eu jamais afirmei que eles são “a mesma coisa”. O que eu afirmei, e continuo afirmando pelos motivos que coloquei acima, é que os números, apesar de serem importantes na mensuração, não são e nem podem ser o único critério de apreensão da barbárie, justamente (e paradoxalmente) porque são “apenas” números, incapazes portanto de dar conta de toda a experiência de humilhação e dor humana. Há uma distância incomensurável, talvez um abismo, entre a frieza dos números e a sua capacidade de representar uma tragédia.

Repito: a olharmos somente para os números, seremos obrigados — por coerência de princípios — a dizer que nazistas teriam sido menos “maus” se tivessem deixado de matar alguns milhares de judeus. Só que, meu caro Sol, se fizermos isso, já estaremos sendo um pouquinho menos humanos, não acha?

Abraço,

Responder

Comentário por Antonio
1 de junho de 2009 às 19h27

E Sol, um breve comentário sobre seu debate com o Arnaldo.

Vc diz que comunismo e fascismo são “primos”, e que o pacto Ribbentrop-Molotov é um dos capítulos desta história de proximidade. Mas não é bem assim.

Seria tosco dizer que nazismo = direita tal qual a concebemos hoje. No entanto, esta sua tentativa de “colar” o nazismo na esquerda também não é apropriada. Tanto o nazismo quanto o comunismo são obviamente anti-democráticos, totalitários. Mas perceba:

O projeto ditatorial nazista é carismático (no sentido weberiano), particularista (ênfase no estado-nação) e permanente; o projeto ditatorial comunista é racional-legal, internacionalista e provisório (pelo menos em tese…).

A classe dominante, no nazismo, era industrial e pregava a defesa do capital. A classe dominante, no comunismo, era agrária e pregava a destruição do capital ( e até a divisão em classes).

A ideologia nazista tinha como um de seus pilares o racismo: era, portanto, restritiva. A ideologia comunista tinha como um dos seus pilares a incorporação de povos diferentes sog a égide do comunismo; era, portanto, expansiva.

E o pacto Ribbentrop-Molotov não prova que nazismo e comunismo são “primos”. Prova que Hitler era um ditador sedento por poder que, apesar de odiar Stalin e os Russos (a quem considerava inferiores), sabia que não podia vencer uma guerra em duas frentes simultâneas. E, por outro lado, prova que Stalin era também um ditador sedento por poder, que vislumbrou no movimento militar alemão uma oportunidade de expandir seus tentáculos vermelhos continente adentro.

abs,

ps – Misses era judeu.

Responder

Comentário por Sol Moras Segabinaze
2 de junho de 2009 às 11h04

Antônio, a VEJA “querer derrotar o pensamento de esquerda no Brasil” não é antidemocrático. Liberalismo e socialismo são ideologias contraditórias e a batalha pela opinião pública é diária. Assim como a VEJA é contra o socialismo, a Caros Amigos, a Carta Capital e a Le Monde Diplomatique são contra o liberalismo. Não existe imparcialidade jornalística, isso é um mito. Só que, atente pra este ponto, nos países modelo dos José Arbexs da vida, não existe liberdade de expressão. Nos países modelo dos Diogo Mainardis da vida, existe liberdade de expressão. Então os países liberais aceitam a oposição enquanto os países socialistas (aqueles hardcore, os escandinavos têm uma economia predominantemente de mercado) não. Entende o meu ponto? Enquanto nos EUA o David Letterman podia esculhambar o Bush todas as noites, quem se atreve em Cuba a fazer uma piadinha sobre o feitor é enjaulado. Percebe a diferença? Sim, Cuba é um modelo pras esquerdas. Ou não é?

Não quero estereotipar nada, quero ir nos fundamentos de cada ideologia e tirar dali conclusões a partir da lógica e das experiências históricas. Claro que não existe um país 100% liberal ou 100% socialista, mas podemos usar os exemplos que se mais se aproximam da teoria. Quando eu falo que o nazismo tem muito mais a ver com o socialismo do que com o liberalismo, é por causa das coisas que eles têm em comum. O nazismo é coletivista, coloca o indivíduo como um meio sacrificável a um projeto de poder. No liberalismo, o indivíduo é um fim em si mesmo. Por isso que prefiro falar em coletivismo X individualismo. Fascismo, nazismo e socialismo, tudo coletivismo.

Os economistas do Obama, os Krugman da vida, não são os donos da verdade, são, na verdade, keynesianos e as suas receitas pra crise são as mesmas que causaram a própria crise. Ou seja, crédito fácil, juros abaixo do nível de mercado, impressão desenfreada de dinheiro e resgate de empresas falidas. O tal “estímulo” vai prolongar a crise e, se bobear, levar os EUA a uma espiral inflacionária. Claro que, quando isso acontecer, a culpa vai recair novamente no “mercado desregulado” mais regulado do mundo. Sabe como é, a propaganda é mesmo a alma do negócio e a ignorância sobre um assunto um tanto complexo como a economia é disseminada. Mas não torço contra, quero os EUA bem, mas as evidências são muito fortes, estão hiper-endividados e consumindo muito mais do que produzindo. A sorte deles é que o mundo ainda usa o dólar como lastro, mas isso já está mudando.

Ab

Responder

Comentário por Antonio
2 de junho de 2009 às 19h53

Sol,

O fato da Veja querer derrotar o pensamento de esquerda no Brasil é antidemocrático sim — assim como fato da caros amigos querer derrotar o de direita também é.

Tanto os radicais de direita quanto os de esquerda acreditam ter o direito – na verdade o dever – de ganhar todas as discussões, de forma incontestável e irrecorrível. Quando questionados, evocam uma espécie de “argumento da Cruzada”: trata-se da luta do bem contra o mal, e tudo se justifica a partir daí. Mas esta maneira de colocar as coisas – “apenas a defesa dos interesses justos” – não esconde a inclinação que está por trás: a vontade de obter o triunfo absoluto, a vitória final, a imposição definitiva de um modo de ser; a anulação radical da diferença e, portanto, a supressão da necessidade futura de negociação.

Veja não faz questão alguma de esconder o projeto de derrotar por completo o pensamento de esquerda no Brasil. Basta reparar no vocabulário: as páginas da revista estão recheadas de termos como “esquerdopata”, “infecção esquerdista”, “petralha” e que tais. Como se a esquerda fosse um tumor maligno a ser extirpado; como se o fato de acreditar que o mercado auto-regulável não seja A Única Solução transformasse automaticamente a pessoa em um doente ou canalha. Creio que o mesmo se poderia dizer, no inverso, em relação a Caros Amigos.

No fundo, o sonho da Veja (e da Caros Amigos) é nunca mais ter que argumentar ou negociar com o espelho de sua diferença, aquilo que lhe é diametralmente oposto. Em outras palavras: para a Veja, o melhor dos mundos é aquele onde não haveria qualquer resquício da mentalidade de esquerda. Mas aí — suprema contradição — já não seria mais o mundo realmente democrático que ela tanto diz defender. Capice?

Vc diz que “Não existe imparcialidade jornalística, isso é um mito”. Tem razão. Mas isto só confirma o meu argumento. Clifford Geertz (que não era jornalista, mas antropólogo), resumiu bem a questão: não é porque um ambiente 100% asséptico é impossível que iremos realizar cirurgias no esgoto. A imparcialidade total é uma impossibilidade? Claro que é. Então devemos mandar às favas os fatos e publicar somente aquilo que gostaríamos que nossos leitores pensassem? Claro que não. Esta é a diferença entre o bom e o mau jornalismo. O bom jornalismo é motivado pela preocupação genuína de entender os fatos e apresentá-los aos leitores com a maior gama de complexidade e honestidade possível. O mau jornalismo, ao contrário, preocupa-se mais em julgar do que em pesquisar, procura o conforto enganador de clichês generalizantes, ao invés de sair à cata de especificidades e surpresas, e está mais interessado em vender uma visão de mundo previamente elaborada do que em apresentar visões de mundo diferentes, conflitantes.

Veja pode fazer bem aos seus olhos, Sol, dado que vcs comungam da mesma ideologia. Mas faz uma bosta de jornalismo.

Bem, a esta altura do nosso debate, eu esperaria que vc já houvesse se dado conta de certas coisas a meu respeito. Isto é para dizer que é absolutamente desnecessário de sua parte lembrar a mim que a liberdade de expressão é um valor do qual não podemos abrir mão, que está na base de uma sociedade aberta e democrática. Aí, logo depois, vc me sai com a velha cantilena de que “Cuba é um modelo pras esquerdas”.

Então vc não “quer estereotipar nada”? Imagina se quisesse! Houvesse dito “Cuba é um modelo para uma parte da esquerda” e eu teria apenas respondido “é sim, vc tem razão; e é uma pena”. Mas quando vc fala em “esquerdas”, no plural, vc abrange uma porrada de posições de esquerda. Aí fica uma coisa meio difusa, sem forma: um estereótipo. E, na boa, não quero voltar a este ponto. Eu já disse antes que você parte de uma generalização tosca, que iguala a posição de esquerda ao socialismo — viu? vc acabou de me dar razão — para construir a legitimidade de sua crítica. Quer continuar achando que estamos nos ano 60, que esquerdista é tudo stalinista que come criancinha e quer um jabá nas tetas do governo? Beleza meu chapa, o problema é seu… Só acrescentaria uma coisa: seu lugar é debatendo com gente que pensa que direita é tudo redneck bushiano imperialista sanguinário — e não com gente como eu.

Quanto à economia, bem, conheço uma pá de economistas que dizem justo o oposto do que vc afirma. Mas como vc deve conhecer bem os argumentos, me pouparei o trabalho de resumi-los aqui. O que quero dizer apenas é: ok, esta é a sua crença. Eu tenho outra. Só o tempo dirá quem tem razão.

Até.

Responder

Comentário por Barata
6 de junho de 2009 às 15h27

Juro que tentei, mas não aguentei ler tudo não ._.’

Mas, gente, opinião humilde, de caráter reflexivo, de quem não viveu a ditadura:

A morte de qualquer pessoa é, ou deveria ser, relevante. Tortura, qualquer que seja, é invasiva, dolorosa. Para aqueles torturados ou afetados de alguma forma por regimes bizarros, o fato de outras pessoas ‘sofrerem mais’ não diminui a sua dor. É ser insensível pensar uma coisa dessas. Claro que alguns povos perderam mais ou menos cidadãos para certos regimes, mas cada vida tem o seu valor. A banalização da violência nos põe em um patamar meio distante, frio, para se discutir esses assuntos. Hoje – agora, por exemplo -, estamos perdendo centenas de pessoas para um regime de nome indefinido, torturador – mas que tortura, principalmente, acredito, indireta e lentamente. Entretanto, ignoramos isso na maior parte do tempo.

Quanto aos hipócritas, ou não – que existiram, ou que ainda existem – e que vivenciaram o regime, prefiro não julgar – por não conhecer suas histórias e por não ter feito parte do desespero coletivo. Mas penso que é preciso cuidado ao julgá-los (para o bem ou para o mal) pois, numa época assombrosa como aquela, o medo e a paranóia tomam conta das pessoas. O estado de alerta constante e o receio pela própria vida podem obscurecer certas decisões. Algumas pessoas são/foram realmente ruins, mas num contexto de interesses e manipulações, quem irá saber?

E, por último, penso que não existe noção de direita, esquerda, whatever. Todo sistema tem pontos positivos e negativos – daí excluindo ditaduras e totalitarismos que acho serem ruins por natureza, embora pessoas inocentes os apóiem às vezes. O que existem são pessoas. O mundo é feito de pessoas, pessoas. A nomenclatura não é o que faz a real diferença. Cabe o que vai na cabeça de cada um – individualmente ou em grupo. O obscurantismo não está no nome; está no coração.

Perdão pelo gigacomentário.

Abraços aos que participaram do debate – isso é bacana.

Responder

Comentário por César
21 de junho de 2009 às 21h09

Extremamente interessante o debate travado nesse espaço. Sinceramente, não esperava tanto.
Bom, sem ter muito o que acrescentar, gostaria apenas de dizer para o Sol que procure enxergar além dos estereótipos medíocres. Do modo contrário, nenhum argumento pode ser encarado como sendo digno de repeito, por mais que seja bem escrito, O reconhecimento da alteridade deve sempre estar presente em qualquer tipo de reflexão. A ignorância não é filiada a nenhum partido.

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Pingback por É Simonal! « Freakções
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