Materinha que não saiu - a Bizz acabou antes - sobre os 30 anos da morte do Rei, em 2007. A premissa: levar a sério a teoria de que Elvis não morreu.

Matéria encomendada por Elvis
CURTINDO A MORTE ADOIDADO
30 anos de quê? Elvis Presley está vivo, e não apenas em nossos corações. Desde que se encheu das pressões do sucesso e resolveu simular sua morte em 16 de agosto de 1977, é um observador privilegiado do crescimento de seu Mito - participando de um jogo de esconde-esconde em que só perde na habilidade para o verdadeiro assassino de JFK. Deve ser uma piada interessante para o Rei do Rock´n´Roll acompanhar na imprensa musical a reabilitação de sua carreira - inclusive a fase de crooner gordo em Las Vegas. Dá mesmo para imaginar que tenha participado de concursos de sósias ao longo desses anos só pela ironia da coisa.
Aos 72 anos, tendo visto de tudo na vida, inclusive sua filha casar com o Michael Jackson, Elvis enfrenta o tédio de morar em uma ilha tropical (as apostas apontam as Bahamas) ou, segundo alguns (suspeita-se, agentes de turismo), em bibocas inabitáveis no interior dos Estados Unidos. É tarde para voltar atrás em sua decisão e, em uma ação legal inédita, tirar Lisa Marie Presley de seu testamento - mas bem que poderia, como Mark Twain e o sósia do Paul McCartney que substituiu o original falecido, vir a público declarar que as notÃcias sobre a sua morte têm sido um tanto exageradas.
Um morto muito louco
O timing seria perfeito. As comemorações da data redonda prometem, e é possÃvel que a farsa seja descoberta, de qualquer maneira: há dois anos O cineasta Adam Muskiewicz vem oferecendo uma recompensa de três milhões de dólares por uma pista sólida que o leve até o paradeiro de Elvis. O material que recebeu e julgou aproveitável, usou no documentário “The truth about Elvis” um trabalho alegadamente sério - embora realizado pelo “produtor de American Pie” - e supostamente imparcial. Nele, Adam juntou as declarações de gente como o funcionário do Burger King em Kalamazoo, Michigan, que jura ter servido um Whopper com queijo e sem cebolas para o cantor foragido, a depoimentos do legista que fez a autópsia e do guarda-costas que viu o rockstar morto no banheiro de Graceland.
O que tem feito nesse seu perÃodo de recolhimento é tema para especulação, mas em favor do anonimato deve ter abandonado seu hobby de atirar em televisores (sorte não ter conhecido a programação da nossa TV aberta), ou adotado um silenciador. Mas se são férias remuneradas, e alguém estiver lhe repassando os direitos sobre a venda de seus discos, Elvis está vivendo uma vida de acordo com seu tÃtulo de nobreza: de 1977 até hoje, vendeu mais de um bilhão e meio de unidades. Sua Lenda ainda é uma das maiores Unidades de Negócios na área musical.
Elvis faz parte da constelação de artistas que resolveram sair de cena para o anonimato, como Jim Morrison e Glenn Miller (hoje na flor dos 103 anos de idade e com 63 de desaparecimento), e que não conseguem ficar em paz nem sendo considerados oficialmente mortos - deve doer especialmente em Jim ver a bagunça no seu túmulo em Père Lachaise, em oposição à manutenção sempre alerta no cemitério de Forest Hill.
Eis o mistério da fé
Quem é vivo sempre aparece, Elvis só é a exceção que confirma a regra. Ou não: ver Elvis na rua é um esporte tipicamente americano, como o baseball ou a prática de tiro em universidades. Quando sondei alguns fã-clubes brasileiros sobre a incidência de observadores de Elvis em suas fileiras, a reação foi de revolta: “com certeza você vai receber respostas de muita gente que quer se promover, mas com todo respeito, acho ridÃcula a razão da matéria” alertou Léovis, do We Want Elvis. “Esta lenda sobre a qual o sr. pretende galgar (sic) sua matéria está morta e enterrada assim como o próprio Elvis” respondeu Marcelo Costa, cidadão Honorário de Tupelo, Mississipi, cidade natal do Rei.
Algumas explicações para sua aposentadoria, vá lá, precoce, desafiam a fé dos Elvistas mais crédulos. A que diz respeito a escolha da data através da numerologia bate recordes de forçação de barra. Ei-la: 16 de agosto (oitavo mês) de 1977 = 16 + 8 + 1977= 2001. Bem, “2001″ era o filme favorito de Elvis que, segundo a teoria reproduzida na Wikipedia, “é um filme sobre um cara que planeja sua imortalidade no banheiro” (sinopse controversa), notoriamente o lounge favorito do Rei, onde construiu uma privada reclinável para maior conforto.
Verdades e mentiras
Uma das teorias furadas explica o sumiço de Elvis porque “ele não queria que os fãs testemunhassem sua decadência”, o que deixaria sem explicação algumas escolhas de repertório, locais de apresentação e figurino nos anos 70. E nem vou entrar no mérito da tese do caixão com ar-condicionado para preservar a réplica de cera em seu interior, embora muitos jurem que o ar em torno do corpo estivesse frio e o ataúde pesasse 400 quilos, demais até para as célebres sobras de Sua Majestade.
Aliás, peso é um dos fatores que fazem a balança da verdade pender para o postulado do falso óbito. O atestado registra que Elvis morreu com apenas 75 quilos, o que constituiria no único caso no mundo de viciado que definhou pelo uso de barbitúricos - e em tempo recorde, em sua última aparição pesava algo em torno de 110 kg. Outra evidência: o nome do cantor está gravado errado no túmulo: “Elvis Aaron Presley” ao invés do correto “Elvis Aron Presley” - o que pode ser só uma tentativa tardia de consertar a barbeiragem de um tabelião, mas mesmo assim, estranho.
Estranho também foi seu comportamento nos dias que precederam sua “morte”. Mandou mensagens cifradas para namoradas e se despediu no último show com um inédito “AdÃos” - justo o performer que tornou famosa a frase “Elvis has left the building” (”Elvis já deixou o recinto”), que dispersava as platéias ansiosas pelo bis. Se não fosse sua rotina diária mais bizarra, seria de se estranhar também suas ativdades algumas horas antes da morte anunciada - voltou para Graceland à meia-noite do dentista (!), encomendou analgésicos à s duas e meia da madrugada e acordou seu primo Billy à s quatro para uma partida de racquetball, uma espécie de squash.
Elvis has left the grave
Muitos não se conformam apenas em acreditar que Elvis imitou Jesus; querem, como o apóstolo São Tomé, ver para crer. Em 29 de agosto do ano da Desgraça, 1977, três homens foram capturados tentando entrar em Forest Hill. Carregavam pistolas, granadas e usavam coletes - entre eles, Ronnie Lee Adkins, entrevistado por Adam Muskiewicz em seu documentário. Os invasores foram acusados de tentar sequestrar o cadáver de Elvis para exigir um milhão de dólares de resgate, mas ganhou a tese de que estavam apenas querendo descobrir a verdade. Para ajudar a corroborar aquilo que injustamente se acredita ser uma Lenda Urbana, Ronnie era informante da polÃcia e até recentemente estava sob o serviço de proteção à testemunha.
xxxxxxx
Quando as comemorações pela data terminarem, e se o Rei ainda estiver preferindo o anonimato, fique atento. Embora o Brasil não seja cotado como destino final de nosso viajante (o ET de Varginha tem mais aparições registradas), talvez o paÃs que é famoso por ser o fim da linha das principais rotas de fuga tenha abrigado o visitante ilustre. Tomaso Buschetta, Mengele e Ronald Biggs (esse nem tão famoso pela discrição) que o digam.
Hemeterio em 9 de julho, 2009 Ã s
12:52 pm
Atesto e dou fé. Veja que ELVIS é um anagrama para LIVES, Portanto, PRESLEY LIVES! Claro como uma garrafa de vodca.
Bluesman em 9 de julho, 2009 Ã s
1:04 pm
Viadelvis era um racista de merda que só deu sucesso porque regrava canções de blues e rebolava para uma geração de adolescentes fúteis. O VERDADEIRO PAI DO ROCK É CHUCK BERRY!!! Elvis copiava, Berry CRIAVA!!!!!
Bluesman em 9 de julho, 2009 Ã s
1:05 pm
E NÃO ADIANTA CENSURAR!!!!!!!!!
Arnaldo Branco em 9 de julho, 2009 Ã s
1:10 pm
Chuck Berry era outro racista escroto e argentário. Censurar pq? Seu comentário vai mudar o cânon da civilização ocidental? Gosto dos dois, mongol.
edmilson em 9 de julho, 2009 Ã s
1:22 pm
nada a ver mas, vc joga hattrick arnaldo?
Arnaldo Branco em 9 de julho, 2009 Ã s
1:24 pm
Nem, é legal?
Edu/ Cabron em 9 de julho, 2009 Ã s
3:17 pm
Deve haver algum clube secreto dos desaparecidos: Hitler, Elvis, Andy Kaufman…
Marsiglia em 9 de julho, 2009 Ã s
4:44 pm
Pior é que a Bizz também não morreu.
Lucas Ajuz em 9 de julho, 2009 Ã s
6:21 pm
Fala Arnaldo!?
Cara tenho um blog sobre música aqui em Curitiba, o Hora Sonora. Acompanho suas tirinhas do Mundo Animal e tam,bém seu ótimo blog…
O que vc acha de publicar suas tirinhas que tem alguma coisa de música no Hora Sonora?
Se vc tiver interesse entra em contato…tentei te escrever um e-mail mas não achei por aqui…
Grande abraço!
http://www.horasonora.com.br
edmilson em 9 de julho, 2009 Ã s
9:54 pm
eu acho, mas aà é questão de gosto, perguntei só por curiosidade
Luiz Gustavo Vilela em 10 de julho, 2009 Ã s
10:56 am
Arnaldo,
é impressão minha, ou você vem escrevendo para a PiauÃ, na seção “esquina”?
Sinto ecos do seu estilo de texto por lá… e como é anônimo… sei lá, né?
Em uma resposta a uma carta que questionava o fato de aquele espaço não ser assinado, a redação respondia que aquele era o espaço mais disputado da revista e onde as verdadeiras feras escreviam.
Para mim faz sentido que você esteja entre esse, digamos, panteão… Arrisco, ainda, dizer que foi você quem escreveu a do kelvin total…hehe.
Abraços!
Corba em 11 de julho, 2009 Ã s
11:05 pm
E alguém sente falta da Bizz?
numb em 13 de julho, 2009 Ã s
10:23 pm
Agora falta a resenha do Satanique Samba Trio, muito divertida também. Desculpem a minha falha, mas o arnaldo ja publicou aqui a matéria sobre os Raimundos? Rachei o bico quando a li…
Fique por dentro Drogas » Blog Archive » Necrofilia, drogas e rock'n'roll - Mau Humor - OESQUEMA em 16 de julho, 2009 Ã s
4:51 pm
[...] Sujo), Arnaldo Branco (Mau Humor), Bruno Natal (URBe) e Gustavo Mini (Conector) fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
Fique por dentro Drogas » Blog Archive » Necrofilia, drogas e rock'n'roll - Mau Humor - OESQUEMA em 25 de julho, 2009 Ã s
6:58 pm
[...] a sério a teoria de que Elvis não morreu. Matéria encomendada por Elvis … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
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