quinta-feira, 9 de julho, 2009

Necrofilia, drogas e rock’n'roll

Materinha que não saiu - a Bizz acabou antes - sobre os 30 anos da morte do Rei, em 2007. A premissa: levar a sério a teoria de que Elvis não morreu.

Matéria encomendada por Elvis

CURTINDO A MORTE ADOIDADO

30 anos de quê? Elvis Presley está vivo, e não apenas em nossos corações. Desde que se encheu das pressões do sucesso e resolveu simular sua morte em 16 de agosto de 1977, é um observador privilegiado do crescimento de seu Mito - participando de um jogo de esconde-esconde em que só perde na habilidade para o verdadeiro assassino de JFK. Deve ser uma piada interessante para o Rei do Rock´n´Roll acompanhar na imprensa musical a reabilitação de sua carreira - inclusive a fase de crooner gordo em Las Vegas. Dá mesmo para imaginar que tenha participado de concursos de sósias ao longo desses anos só pela ironia da coisa.

Aos 72 anos, tendo visto de tudo na vida, inclusive sua filha casar com o Michael Jackson, Elvis enfrenta o tédio de morar em uma ilha tropical (as apostas apontam as Bahamas) ou, segundo alguns (suspeita-se, agentes de turismo), em bibocas inabitáveis no interior dos Estados Unidos. É tarde para voltar atrás em sua decisão e, em uma ação legal inédita, tirar Lisa Marie Presley de seu testamento - mas bem que poderia, como Mark Twain e o sósia do Paul McCartney que substituiu o original falecido, vir a público declarar que as notícias sobre a sua morte têm sido um tanto exageradas.

Um morto muito louco

O timing seria perfeito. As comemorações da data redonda prometem, e é possível que a farsa seja descoberta, de qualquer maneira: há dois anos O cineasta Adam Muskiewicz vem oferecendo uma recompensa de três milhões de dólares por uma pista sólida que o leve até o paradeiro de Elvis. O material que recebeu e julgou aproveitável, usou no documentário “The truth about Elvis” um trabalho alegadamente sério - embora realizado pelo “produtor de American Pie” - e supostamente imparcial. Nele, Adam juntou as declarações de gente como o funcionário do Burger King em Kalamazoo, Michigan, que jura ter servido um Whopper com queijo e sem cebolas para o cantor foragido, a depoimentos do legista que fez a autópsia e do guarda-costas que viu o rockstar morto no banheiro de Graceland.

O que tem feito nesse seu período de recolhimento é tema para especulação, mas em favor do anonimato deve ter abandonado seu hobby de atirar em televisores (sorte não ter conhecido a programação da nossa TV aberta), ou adotado um silenciador. Mas se são férias remuneradas, e alguém estiver lhe repassando os direitos sobre a venda de seus discos, Elvis está vivendo uma vida de acordo com seu título de nobreza: de 1977 até hoje, vendeu mais de um bilhão e meio de unidades. Sua Lenda ainda é uma das maiores Unidades de Negócios na área musical.

Elvis faz parte da constelação de artistas que resolveram sair de cena para o anonimato, como Jim Morrison e Glenn Miller (hoje na flor dos 103 anos de idade e com 63 de desaparecimento), e que não conseguem ficar em paz nem sendo considerados oficialmente mortos - deve doer especialmente em Jim ver a bagunça no seu túmulo em Père Lachaise, em oposição à manutenção sempre alerta no cemitério de Forest Hill.

Eis o mistério da fé

Quem é vivo sempre aparece, Elvis só é a exceção que confirma a regra. Ou não: ver Elvis na rua é um esporte tipicamente americano, como o baseball ou a prática de tiro em universidades. Quando sondei alguns fã-clubes brasileiros sobre a incidência de observadores de Elvis em suas fileiras, a reação foi de revolta: “com certeza você vai receber respostas de muita gente que quer se promover, mas com todo respeito, acho ridícula a razão da matéria” alertou Léovis, do We Want Elvis. “Esta lenda sobre a qual o sr. pretende galgar (sic) sua matéria está morta e enterrada assim como o próprio Elvis” respondeu Marcelo Costa, cidadão Honorário de Tupelo, Mississipi, cidade natal do Rei.

Algumas explicações para sua aposentadoria, vá lá, precoce, desafiam a fé dos Elvistas mais crédulos. A que diz respeito a escolha da data através da numerologia bate recordes de forçação de barra. Ei-la: 16 de agosto (oitavo mês) de 1977 = 16 + 8 + 1977= 2001. Bem, “2001″ era o filme favorito de Elvis que, segundo a teoria reproduzida na Wikipedia, “é um filme sobre um cara que planeja sua imortalidade no banheiro” (sinopse controversa), notoriamente o lounge favorito do Rei, onde construiu uma privada reclinável para maior conforto.

Verdades e mentiras

Uma das teorias furadas explica o sumiço de Elvis porque “ele não queria que os fãs testemunhassem sua decadência”, o que deixaria sem explicação algumas escolhas de repertório, locais de apresentação e figurino nos anos 70. E nem vou entrar no mérito da tese do caixão com ar-condicionado para preservar a réplica de cera em seu interior, embora muitos jurem que o ar em torno do corpo estivesse frio e o ataúde pesasse 400 quilos, demais até para as célebres sobras de Sua Majestade.

Aliás, peso é um dos fatores que fazem a balança da verdade pender para o postulado do falso óbito. O atestado registra que Elvis morreu com apenas 75 quilos, o que constituiria no único caso no mundo de viciado que definhou pelo uso de barbitúricos - e em tempo recorde, em sua última aparição pesava algo em torno de 110 kg. Outra evidência: o nome do cantor está gravado errado no túmulo: “Elvis Aaron Presley” ao invés do correto “Elvis Aron Presley” - o que pode ser só uma tentativa tardia de consertar a barbeiragem de um tabelião, mas mesmo assim, estranho.

Estranho também foi seu comportamento nos dias que precederam sua “morte”. Mandou mensagens cifradas para namoradas e se despediu no último show com um inédito “Adíos” - justo o performer que tornou famosa a frase “Elvis has left the building” (”Elvis já deixou o recinto”), que dispersava as platéias ansiosas pelo bis. Se não fosse sua rotina diária mais bizarra, seria de se estranhar também suas ativdades algumas horas antes da morte anunciada - voltou para Graceland à meia-noite do dentista (!), encomendou analgésicos às duas e meia da madrugada e acordou seu primo Billy às quatro para uma partida de  racquetball, uma espécie de squash.

Elvis has left the grave

Muitos não se conformam apenas em acreditar que Elvis imitou Jesus; querem, como o apóstolo São Tomé, ver para crer. Em 29 de agosto do ano da Desgraça, 1977, três homens foram capturados tentando entrar em Forest Hill. Carregavam pistolas, granadas e usavam coletes - entre eles,  Ronnie Lee Adkins, entrevistado por Adam Muskiewicz em seu documentário. Os invasores foram acusados de tentar sequestrar o cadáver de Elvis para exigir um milhão de dólares de resgate, mas ganhou a tese de que estavam apenas querendo descobrir a verdade. Para ajudar a corroborar aquilo que injustamente se acredita ser uma Lenda Urbana, Ronnie era informante da polícia e até recentemente estava sob o serviço de proteção à testemunha.

xxxxxxx

Quando as comemorações pela data terminarem, e se o Rei ainda estiver preferindo o anonimato, fique atento. Embora o Brasil não seja cotado como destino final de nosso viajante (o ET de Varginha tem mais aparições registradas), talvez o país que é famoso por ser o fim da linha das principais rotas de fuga tenha abrigado o visitante ilustre. Tomaso Buschetta, Mengele e Ronald Biggs (esse nem tão famoso pela discrição) que o digam.


Por Arnaldo Branco às 10:24 | | Permalink
Categorias: Jornalismo Música
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15 Comentários

bullet Hemeterio em 9 de julho, 2009 às 12:52 pm

Atesto e dou fé. Veja que ELVIS é um anagrama para LIVES, Portanto, PRESLEY LIVES! Claro como uma garrafa de vodca.


bullet Bluesman em 9 de julho, 2009 às 1:04 pm

Viadelvis era um racista de merda que só deu sucesso porque regrava canções de blues e rebolava para uma geração de adolescentes fúteis. O VERDADEIRO PAI DO ROCK É CHUCK BERRY!!! Elvis copiava, Berry CRIAVA!!!!!


bullet Bluesman em 9 de julho, 2009 às 1:05 pm

E NÃO ADIANTA CENSURAR!!!!!!!!!


bullet Arnaldo Branco em 9 de julho, 2009 às 1:10 pm

Chuck Berry era outro racista escroto e argentário. Censurar pq? Seu comentário vai mudar o cânon da civilização ocidental? Gosto dos dois, mongol.


bullet edmilson em 9 de julho, 2009 às 1:22 pm

nada a ver mas, vc joga hattrick arnaldo?


bullet Arnaldo Branco em 9 de julho, 2009 às 1:24 pm

Nem, é legal?


bullet Edu/ Cabron em 9 de julho, 2009 às 3:17 pm

Deve haver algum clube secreto dos desaparecidos: Hitler, Elvis, Andy Kaufman…


bullet Marsiglia em 9 de julho, 2009 às 4:44 pm

Pior é que a Bizz também não morreu.


bullet Lucas Ajuz em 9 de julho, 2009 às 6:21 pm

Fala Arnaldo!?
Cara tenho um blog sobre música aqui em Curitiba, o Hora Sonora. Acompanho suas tirinhas do Mundo Animal e tam,bém seu ótimo blog…
O que vc acha de publicar suas tirinhas que tem alguma coisa de música no Hora Sonora?
Se vc tiver interesse entra em contato…tentei te escrever um e-mail mas não achei por aqui…
Grande abraço!
http://www.horasonora.com.br


bullet edmilson em 9 de julho, 2009 às 9:54 pm

eu acho, mas aí é questão de gosto, perguntei só por curiosidade


bullet Luiz Gustavo Vilela em 10 de julho, 2009 às 10:56 am

Arnaldo,

é impressão minha, ou você vem escrevendo para a Piauí, na seção “esquina”?

Sinto ecos do seu estilo de texto por lá… e como é anônimo… sei lá, né?

Em uma resposta a uma carta que questionava o fato de aquele espaço não ser assinado, a redação respondia que aquele era o espaço mais disputado da revista e onde as verdadeiras feras escreviam.

Para mim faz sentido que você esteja entre esse, digamos, panteão… Arrisco, ainda, dizer que foi você quem escreveu a do kelvin total…hehe.

Abraços!


bullet Corba em 11 de julho, 2009 às 11:05 pm

E alguém sente falta da Bizz?


bullet numb em 13 de julho, 2009 às 10:23 pm

Agora falta a resenha do Satanique Samba Trio, muito divertida também. Desculpem a minha falha, mas o arnaldo ja publicou aqui a matéria sobre os Raimundos? Rachei o bico quando a li…


bullet Fique por dentro Drogas » Blog Archive » Necrofilia, drogas e rock'n'roll - Mau Humor - OESQUEMA em 16 de julho, 2009 às 4:51 pm

[...] Sujo), Arnaldo Branco (Mau Humor), Bruno Natal (URBe) e Gustavo Mini (Conector) fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]


bullet Fique por dentro Drogas » Blog Archive » Necrofilia, drogas e rock'n'roll - Mau Humor - OESQUEMA em 25 de julho, 2009 às 6:58 pm

[...] a sério a teoria de que Elvis não morreu. Matéria encomendada por Elvis … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]


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