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Jornalismo subliterário, parte 4

Matéria sobre o travelling show do High School Musical, percebam que eu era o enviado especial para roubadas da Bizz.

High School Musical, o telefilme da Disney que virou fenômeno mundial para a criançada, trouxe ao Brasil seu elenco (desfalcado do protagonista Zac Efron) no que pode ser chamada “turnê trailer de High School Musical parte 2″. Sério, o show no Morumbi terminou com o telão anunciando a esperada (pelas crianças e por pais ansiosos por mais um produto com a qualidade Disney de hipnose) sequência.

Para quem desconhece (maiores de 15 anos e adultos sem filhos) a história: em uma high school sem greve de professores, evasão escolar e outras mazelas de terceiro mundo, o multiétnico elenco não faz nada além de cuidar da vida do casal principal, Troy (Zac, caucasiano) e Gabriella (Vanessa Anne Hudgens, latina).

Os dois não querem nada além de cantar no show musical da escola, mas sofrem pressão dos grupinhos a que pertencem (time de basquete e clube de ciências) para não diversificar suas funções, em um número musical (“Stick to the Status Quo”) que pode ser o paraíso do subtexto gay para um observador mais maldoso, uma apologia do “segurar a onda” como estratégia de sobrevivência na selva da maledicência adolescente.

Depois de algumas agruras, os colegas percebem que não há nada de mal em cantar com coreografias e passam a apoiar Troy e Gabriella contra o casal rival de dançarinos/cantores (Ashley Tisdale e Lucas Grabeel) até a última música “We’re All In This Together” – uma mensagem não muito diferente da dos “Saltimbancos” e outros teatrinhos de auto-ajuda a que fomos empurrados quando crianças.

Era essa história de redenção e tesão recolhido (Troy e Gabriella só trocam um beijinho na bochecha no final do filme) que pais e filhos esperavam com ansiedade no Morumbi. No setor em que enfiaram a imprensa (a milhas do palco, revés que a produção tentou compensar dando de brinde um binóculo de papelão que não funcionava), a segurança agia com rigor contra crianças que teimavam em subir nas cadeiras de plástico. Mas só até o começo do show, quando os homens de preto fugiram em terror diante do espetáculo de desobediência perpetrado pela família brasileira.

No palco, o lorinho Lucas Grabeel, o vilão da trama com status de mestre de cerimônias, desfilava modelitos que iam do estilo coordenador de ala em escola de samba à farda militar tipo paquita – numa exibição pública do que deve ser um sério problema pessoal com o figurinista. Esbanjando carisma com a garotada, apresentava cada próxima canção com gritos em falsete linha vocalista de metal (are you reeeaaaaadyyyy???).

Em um cenário com os típicos escaninhos dos corredores de uma escola americana, os números musicais não eram apresentados em função de sua ordem no filme, mas de acordo com a entrada em cena dos atores principais, todos com carreiras solo já em curso. Sugestão para as estrelinhas em ascensão (especialmente para o afrodescendente Corbin Bleu): procurar um fonoaudiólogo para resolver um pequeno problema da fala, a dessincronia entre o movimento dos lábios e a emissão do som – mera tecnicalidade que em nada compromete os números de dança, ufa.

O cast reduzido (senti falta da gorda cdf que curte hip hop, papel chave em HSM) prejudicou o preenchimento de espaços. O filme já chamava a atenção pelo número exagerado de cortes nas cenas de dança, truque que costuma pôr sob suspeita movimentos coreografados – o elenco nem precisa executar todos os passos, só os trechos colados posteriormente na sala de edição. Sem esse recurso, a garotada teve que suar, e nesse quesito fez bonito a loirinha Ashley e suas sempre nuas e reluzentes pernas – Vanessa, presa no papel de namoradinha recatada com saias idem, perdeu nessa competição particular.

O show seguiu com os hits de HSM (e os semi-hits das empreitadas solo), e cada trinado de Lucas apresentando a próxima atração era recebido com a empolgação de um público que aplaudiu freneticamente até os testes de funcionamento do telão antes do início do espetáculo. No final apoteótico, a tal promessa no telão de alta definição de um segundo High School Musical – e nenhum bis.

É interessante observar que o filme que está dando origem à série estreou no Brasil há menos de um ano – impressionante a velocidade da blitzkrieg global que capturou o interesse de crianças de culturas tão diversas. É mesmo um mundo pequenino, todo feito pra você.

Não fosse o frio de outono com seu risco de doenças respiratórias, poderíamos dizer que foi uma diversão saudável para toda a família.

8 Comentários
por: Arnaldo Branco postado em: Jornalismo, Música tags:

8 Comentários

Comentário por Edu/ Cabron
18 de julho de 2009 às 11h06

A primeira vez que ouvi falar desse High School Musical eu tive que me lembrar do teu método de escolha de filmes pelo critério de preconceito: High School = não me interessa, Musical = não me interessa. E eu nem sabia do que se tratava ainda, realmente esse método funciona…

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Comentário por Rodrigo Luna
18 de julho de 2009 às 19h27

“O cast reduzido (senti falta da gorda cdf que curte hip hop, papel chave em HSM)”

Você realmente fez pesquisa pra fazer essa matéria???!?!?!

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Comentário por Arnaldo Branco
18 de julho de 2009 às 20h36

Eu disse que fiz pesquisa? Bem, é um musical e ela tem parte cantada. De qualquer forma: senso de humor é grátis, cara.

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Comentário por Norrin Kurama
20 de julho de 2009 às 12h41

Arnaldo, sugiro esta ótima versão de HSM:

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Comentário por Sávio Vilela
20 de julho de 2009 às 15h40

Porra, uma pena que tanta coisa da época da Bizz tenha sido engavetada.

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Comentário por martins
21 de julho de 2009 às 13h16

Boa cobertura.

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Comentário por Carlos
23 de julho de 2009 às 20h55

Gostaria de saber como seria um Master Business Administration Musical, com caras de terno e mulheres de tailleur dançando enquanto apresentam powerpoints e revisam planilhas de Excel…

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Comentário por Débora
8 de agosto de 2009 às 22h50

Acredite-me, eu sou uma garota crítica, mas nunca me dei ao trabalho de descobrir porque não gostava de high scoll musical….valeu pelos motivos!

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