A Zero Hora e O Globo brincaram de imaginar roteiros de cinema para o Woody Allen filmar no Brasil. O Mini fez o dele também, e agora que confirmaram a visita do velho ao Rio, entro na roda.

Um cineasta/humorista americano que já viu melhores dias aceita dinheiro para fazer um filme numa cidade tropical que idem ibidem. Lá enfrenta um périplo de programas de TV e entrevistas para cadernos de cultura em que lhe perguntam o que acha da música e cinema locais, totais desconhecidos para ele. Cita en passant alguns baluartes dessa cultura exótica sobre os quais leu por acaso no New York Times, e com isso satisfaz a sanha dos repórteres.
É apresentado a comediantes nativos, que praticam um tipo de humor rasteiro que já criticou em seus filmes, mas ninguém parece se dar conta. Sofre com o clima, com a bajulação ritual e com a obrigação de usar atores residentes que mexem demais com as mãos e quase nada com o rosto.
Acaba fazendo um filme com o mesmo tipo de personagem que usou nos outros, onde a cidade faz figuração e não tem a menor função na trama, embora seja interpretado como um hino de louvor ao lugar - pela imprensa do lugar. Final feliz: ele volta para sua amada Nova York, onde seus filmes são ignorados, mas onde pelo menos sabe responder sobre a cultura local.
Edu em 22 de julho, 2009 Ã s
11:56 am
Ahuhaua Bem tÃpico mesmo. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. Falando em ritual, me lembrei da vergonha alheia que foi o Van Dame no Gugu. Houve outras situações constrangedoras, mas esta foi a pior.
J.P. 'coiote' em 22 de julho, 2009 Ã s
11:57 am
hiper-realismo? meta linguagem? tudo?
demais, demais!
Verukers em 22 de julho, 2009 Ã s
12:10 pm
Digno!
Sid em 22 de julho, 2009 Ã s
12:22 pm
Filme autoiográfico - mas afinal, todos os personagens que o Allen interpretam parecem ser autobiográficos mesmo…
Hemeterio em 22 de julho, 2009 Ã s
12:23 pm
A fórmula vai ser a mesma de “Alô Amigos!”, que inaugurou essa picaretagem: “americano ingênuo é levado no bico pelos espertos e sensuais nativos. Depois de muitas peripécias cômicas, devido ao choque cultural e à nossa natural descontração em contraste com o recato ianque, o herói se apaixona por uma ´dançarina de samba´. Vivem uma tórrida paixão e o cara volta pra sua loura no Texas. Não sem antes provar da ´caipirinha`. Ah, mas eu iria gostar que WA filmasse qualquer coisa em Fortaleza.
hector lima em 22 de julho, 2009 Ã s
12:30 pm
haha, só faltou o tesão por uma gringa novinha tb deslocada no tal paÃs
LC em 22 de julho, 2009 Ã s
1:10 pm
Só faltou a passagem em que o diretor é convidado para assistir o maior espetáculo local: jogo do flamengo no Maracanã.
Pi4noBl4ck em 22 de julho, 2009 Ã s
1:58 pm
Maratona Woody Allen no Brasil:
Segunda 8 da manhã - Mais Você, com Ana Maria Braga. É obrigado a comer coxinhas e interagir com um papagaio de poliestireno.
Segunda 10 da manhã: Um rapaz de terno preto com um inglês ininteligivel tenta lhe entregar um óculos escuros. temendo ser um psicopata, o evita.
Segunda 12:00 - RJ TV. Conversa com os âncoras que o confundem com Mel Brooks e o fazem responder perguntas do povo na rua, que insistem em perguntar se ele já provou feijoada ou foi a uma escola de samba.
Segunda 13 horas: Um rapaz de terno preto com um inglês ininteligivel tenta lhe entregar um óculos escuros. Dessa vez uma dupla, um com dentes terrÃveis e o outro com uma gravata na cabeça, disputam o espaço. Os seguranças fazem seu serviço.
Segunda 15 horas - Visita aos estúdios PROJAC. Bajulação de atrizes dispostas a irem para cama com por uma ponta e de atores idem.
Segunda 17 horas: Um rapaz de terno preto com um inglês ininteligivel tenta lhe entregar um óculos escuros enquanto que a dupla de palhaços disputam espaço. Não dá para entender o que são eles e parte para o próximo compromisso.
Segunda 19 horas - Gravação do Roda Viva. Sabatina por uma turba de jornalistas, crÃticos, cineastas e “tuiteros”. Será difÃcil pegar no sono a noite.
Terça 15 horas - Gravação do Programa do Jô. Entrevista com um senhor obeso que claramente não fala inglês muito bem, apesar de se esforçar muito e nem tem muita graça, apesar de se esforçar muito. Aparentemente a platéia gosta. David Letterman feelings.
Terça 17 horas: A trupe de palhaços, o de preto e os dois mal vestidos, organizam um movimento com os passantes. Todos eles gritam algo pretensamente em inglês. Woody Allen acha que é uma piada e dá um sorriso amarelo, acenando. Pega os tais óculos de uma vez por todas. Os palhaços vão a loucura.
Terça 19 horas - Coletiva com a imprensa. Perguntas pinçadas de entrevistas anteriores e dúvidas se ele ainda não foi numa escola de samba ou comeu feijoada.
Quarta 9 da manhã - Tentativa de conhecer Ipanema. Se mantêm anônimo na praia por bastante tempo, até um paparazzi começar a tirar-lhe fotos. O povo embora não soubesse muito bem quem ele era, realiza que só pode ser um famoso. Hora de voltar pro hotel. Mais tarde no Ego, publicam a headline: “Woody Allen no posto 9, come biscoito Globo e checa as garotas de Ipanema.”
Quarta 9:30 da manhã: Agora a dupla o persegue na praia. Querem lhe fazer calçar uma espécie de sandália. Woody Allen volta para o hotel, antes que eles queiram que ele vista um vestido de baiana, ou algo do tipo.
Quarta 14 horas - A semana está muito longa. Vai para casa recusando os convites do Faustão e Superpop. Espera que a grana oferecida para o filme valha a pena. Planeja filmar a distância.
Pedro O. Obliziner em 22 de julho, 2009 Ã s
2:38 pm
demais! acho que ele vai acatar o seu roteiro por bem ou por mal
Pedro Palazzo em 22 de julho, 2009 Ã s
2:49 pm
Hehehe.
Qual seria o ator/atriz residente convocado(a) para o diálogo inteligente?
Fernanda Montenegro fazendo tipo a tiazinha meio louca? O onipresente Selton Mello e sua ciata gesticulação? Ou Alexandre Frota para ajudar na figuração da cidade? Melhor uma das jovens atrizes do projac com suas abundantes nádegas.
Edu/ Cabron em 22 de julho, 2009 Ã s
6:43 pm
Nada a ver com o assunto, mas… Recebi um email de um site querendo vender uma camisa do flamengo dedicada a zoar o Ronaldo, chamando-o de traidor… por R$ 39,90. Realmente faltam titulos ao Fuderosão…
mi em 22 de julho, 2009 Ã s
8:58 pm
hahahaha. gente, o comentário do bullet Pi4noBl4ck é melhor que o post. pobrezinho do woody allen passar por tudo isso.
Thaïs em 23 de julho, 2009 à s
1:38 am
De fato, eu gostei muito do post, mas confesso que o comentário do Pianoblack me arrancou belas gargalhadas ;D
Vinicius em 23 de julho, 2009 Ã s
2:37 pm
Pi4noBl4ck matou a pau! Hahaahah.
Dias de Carvalho em 24 de julho, 2009 Ã s
3:43 pm
Arnaldo, você praticamente adivinhou o que acontecerá com Woody Allen caso sua vinda ao Brasil para filmar realmente aconteça - basta lembrar o caso Isis de Oliveira para não levar tão a sério o que falam nesse sentido.
Algo parecido com o que você falou aconteceu com o David Lynch. Tirando a Trip, não teve uma só entrevista com ele que prestasse. E o Roda Viva que fizeram com o Lynch foi de dar vergonha.
Temo que Allen passará pelo mesmo calvário. E sem o pretexto de tirar uma grana para uma fundação qualquer.
Ah, o Pi4noBl4ck foi muito feliz ao falar do “rapaz de terno preto com um inglês ininteligivel”. Felizmente o pessoal aqui não caiu na lorota do “humor inteligente e questionador” desse CQC.
Julio em 24 de julho, 2009 Ã s
11:34 pm
perfeito!
fela araújo em 28 de julho, 2009 à s
2:56 pm
Woody Allen é do Brasil il il..
Só não podem deixar o tio colar com o Domingos, aà que a merda desanda…
José Flávio em 5 de agosto, 2009 à s
4:48 am
Essa foi genial.
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