7 de agosto de 2009 às 16h01
Senor Bacharel
Ilustração: Fernando de Almeida
Minha coluna que saiu na edição de julho da Revista Monet, Histórias (Inventadas) da Televisão. Atentem para o “inventadas” entre parênteses.
Todos conhecem Silvio Santos e os programas populares que comandou desde que fundou o Sistema Brasileiro de Televisão, o SBT. O que não se sabe é que o protótipo do primeiro desses programas não tinha nada de popular.
Tendo sido camelô – e uma rara exceção entre as vítimas da má distribuição de renda no Brasil a superar sua condição do excluído – Silvio Santos era muito sensível ao problema da educação e da mobilidade social. Quando finalmente pôde ter seu primeiro canal de televisão, chamou uma equipe de intelectuais e encomendou uma grade de programação dedicada a levar cultura para todos os brasileiros.
Tudo era pensado em função do valor didático/cognitivo. A sessão de cinema, por exemplo, foi batizada de “Cinefilia” e só passaria filmes europeus e japoneses – americanos, só se dirigidos por John Cassavettes e Andy Wahrol. Mas a pérola era mesmo o programa de auditório de Sílvio Santos, que seria conhecido como Domingo no Campus.
Seus quadros eram um primor. A atração que depois ficou conhecida como Roletrando se chamaria “Pró-mestrando”, e sua roleta sortearia prêmios como bolsas do CNPQ e viagens guiadas ao Observatório do Valongo. Nem queira saber que tipo de equações matemáticas cada equipe tinha que resolver no segmento “Passa ou engrossa os índices de repetência?”
O Troca-Letra também era um jogo para tentar descobrir palavras ocultas em um painel, mas com aquela complexidade das Palavras Cruzadas de jornal que só nossos avós conseguem matar – muito em parte porque foram testemunhas dos eventos históricos sobre os quais esses passatempos sempre perguntam.
Show de calouros? Sintam o júri: os maestros Arthur Moreira Lima e Rogério Duprat (para abarcar as vertentes clássica e experimentalista da música erudita) e o Professor Mascarado, que era o membro escalado para fazer as críticas negativas e levar os tomates da platéia – que, pasmem, era interpretado pelo maestro Isaac Karabtchevsky, fazendo a maior questão de participar. A máscara era só para driblar seu contrato de exclusividade com a Rede Globo.
O programa deu errado na primeira edição. Apesar de selecionados entre as melhores instituições de ensino, todos os candidatos fizeram feio: os calouros não sabiam ler partituras, ninguém acertou nenhuma pergunta, não descobriram nenhuma palavra escondida. Silvio percebeu que seria uma roubada financeira apostar na inteligência ou no sistema educacional brasileiro, e mudou um pouco sua estratégia de mercado.
10 Comentários









7 de agosto de 2009 às 16h33
DAMN! Eu sabia que o Sílvio era um cara com boas intenções! A culpa é toda do governo!!! Eu acho…
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7 de agosto de 2009 às 16h51
Tá muito bom! Mas o Sílvio Santos nunca foi camelô, neh, não precisamos perpetuar mais uma mentira sobre este homem que “tanto contribui” pra qualidade da TV.
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7 de agosto de 2009 às 16h59
Eu tenho plena certeza que o Sílvio continua sendo um cara BOM.. e de boas intenções! E A culpa sempre foi e continua sendo (até hoje) de politicos iguais ao Sarney!!!
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7 de agosto de 2009 às 17h14
Aline, foi sim.
E acho que vou ter que mudar o nome da coluna para Histórias (INVENTADAS MESMO) da Televisão…
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7 de agosto de 2009 às 17h38
Hahahahahahahaha, mestre Arnaldo, genial como sempre…
“Silvio percebeu que seria uma roubada financeira apostar na inteligência ou no sistema educacional brasileiro, e mudou um pouco sua estratégia de mercado.”
Já te chamei de indivíduo com mais frases retuitáveis do twitter, agora o nomeio rei de fechar textos com frases fodásticas. Esse é o meu segundo comentário no site, o outro foi no texto do Raimundos pra, também, elogiar a frase final.
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8 de agosto de 2009 às 14h44
Olá,
Descobri recentemente o teu site e gostei muito do teu trabalho! Achei teu traço muito massa e as idéias muito boas, hahaha. Parabéns.
Porque as tuas tirinhas não saem inteiras no site?
Vou te adicionar nos links do meu site, que tem os meus desenhos. Dá uma olhada lá se der: http://www.pedroleite.com.br
Abraço!
Pedro
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10 de agosto de 2009 às 11h40
O episódio mais ficcional do SS foi sua candidatura mambembe à presidência, em 1989. daria pra gerar todo um Brasil alternativo (vulcões, sete golpes militares, tsunamis, balcanização do país em quatro republiquetas independentes, terremotos e tal ) se ele tivesse ganho.
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12 de agosto de 2009 às 10h59
Ué, o Reagan não era astro de cinema? Qual o problema do Silvio ser presidente? Pra mim, o baú da felicidade é bem melhor do que o bolsa-família!
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13 de agosto de 2009 às 17h11
Eu assistiria o Domingo no Campus e o Show de Calouros. “Vou tocar um Stockhausen, seu Sílvio”.
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7 de setembro de 2009 às 11h25
hahaha. Silvio Santos não mudou tão drasticamente sua estratégia de mercado. Show do Milhão ainda guarda alguma coisa de programa educacional. Apenas adaptou para o nível de erudição nacional, com perguntas democráticas que testam o conhecimento tanto de universitários da Estácio quanto de analfabetos, políticos ou celebridades em pé de igualdade, mostrando que não é preciso de diploma no nosso país para ser um completo idiota ou até mesmo presidente.
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