OEsquema

Jornalismo subliterário, parte 5

Materinha que saiu no especial de verão da Bizz em 2007, uma pauta bem bizarra e perfeita para mim e para o Matias Maxx. Tinha esquecido de meter a tal na série de stronzo journalism que rolou aqui faz um tempo. Bela foto do Daryan Dornelles.

É um calor fudido

Missão: chegar na praia artificial favorita da Baixada Fluminense (o Piscinão de Ramos) estilo Romário, botando músicas estranhas bem alto para captar a reação da galera. Detalhe: o local é dominado pela facção criminosa Terceiro Comando, que estabelece regras como a proibição do uso da cor vermelha em represália ao grupo rival Comando Vermelho. Tem dúvida que o editor é paulista? Arnaldo Branco e Matias Maxx botaram os banhistas para ouvir:

1 – “A Love Supreme pt. 2 – Resolution”, John Coltrane – “Isso é blues?”, pergunta uma ninfeta com a camiseta Pan 2007 e calça da Gang. “Jazz”, corrige Madu do Piscinão, que aluga barracas na área. “Mas é som ambiente, não serve pra praia. Aqui cada lugar tem seu estilo: no calçadão é pagode romântico para a azaração e aqui na areia é funk para botar uma pilha”…

2 – “Isolation”, Joy Division – “Tira! Tira! Tira!” Não era um show de strip-tease, foi essa a reação da geral à entrada do tecladinho depois do baixo maleta do Peter Hook. “Eu não curto rock”, diz Luana Rocha de Almeida, fã de Ja Rule. “E Charlie Brown Jr.?” “Ah, sim”. Alguém fala: “rock é bom para relaxar”. Um dos garotos da roda, Paulo César Costa Alves: “relaxar é diferente de dormir”.

3 – “Tupi Guarani” – Pelvs – Recorde mundial de pedido de substituição. “TIRA ISSO!!”, aos 5 segs de execução. Um comentário solto inspirado pelo coralzinho no início: “Isso é pra igreja”, “É! Num funeralzinho…”

4 – “Caô Fudido” – De Leve – “Agradou, agradou!” “Mandou, mandou!”. Pergunta geral: “é o D2?” – a paródia de samba-rap parece familiar. Não: é o De Leve, zoando o D2: “Esse negócio de rap ainda não me deixou rico / Igual ao D2 / Mas se a mídia quiser um dia eu fico…”. Comentário de Marcos do Bacalhau, habitué: “Esse faz samba de breque, igual o Moreira da Silva”. Enquanto isso, “À procura da batida perfeita” tocou quase inteiro no som do bar mais próximo…

5 – “Essa ternura” – Daniela Mercury – A melodia é de “A Certain Softness”, de Paul McCartney, mas a audiência é de Ramos: “Bota o ZECA!!!” Ninguém mais tinha paciência para experiências. E ficamos sem saber qual seria o real impacto ambiental quando a música baiana encontra o backbeat…

19 Comentários
por: Arnaldo Branco postado em: Jornalismo, Música tags:

19 Comentários

Comentário por Toguro
25 de outubro de 2009 às 15h32

Se vocês tivessem botado um punk ou um rock mais pesado ou acelerado o pessoal linchava…

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Comentário por Pantoja
26 de outubro de 2009 às 8h32

Que linchar o que mané.
Uma vez fui no piscinão e tinha uma roda de pagodeiros tocando blitzkrieg bop dos ramones.

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Comentário por Cabron
26 de outubro de 2009 às 9h58

A foto é perfeita, parece cartaz de filme.

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Comentário por sassá
26 de outubro de 2009 às 10h13

pqp! esse povo ñ tem cultura musical! ñ adianta!!!

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Comentário por Arnaldo Branco
26 de outubro de 2009 às 10h15

Cultura musical, vulgo gosto diferente. Ê elitismo de pobre…

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Comentário por Enio
26 de outubro de 2009 às 10h23

haha, Coltrane e Joy Division no piscinão de Ramos é algo surreal… essa experiência lembra uma comunidade no orkut: “Eu escuto Radiohead na praia”

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Comentário por Léo Towers
26 de outubro de 2009 às 10h26

a foto parece capa da finada casseta popular…

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Comentário por Rodolfo
26 de outubro de 2009 às 10h29

Pra ter “cultura musical” precisa gostar de Joy Division e do mala do Ian Curtis? Acho que prefiro ser um analfabeto…

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Comentário por Tiago Dias
26 de outubro de 2009 às 16h09

Então pra ter cultura musical, é necessário NÃO gostar do Joy Division? Eu ainda sou careta, acho que todo mundo tem “cultura musical” independente do que ouça.

PS. eu gosto do mala do Ian Curtis.

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Comentário por Bruno
26 de outubro de 2009 às 19h20

E onde o cara falou que é necessário não gostar do Joy Division, Tiago? Acho que ele só quis ironizar a menina ali em cima.

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Comentário por Tiago Dias
26 de outubro de 2009 às 21h14

ora pois, no comentário dele ué.

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Comentário por Chico Arantes
26 de outubro de 2009 às 21h39

OOO Arnaldooo, você tem que ser o Ralph Steadman da parada, bicho!
rssss

P.S – Jonh Coltrane se estivesse presente, com muito maior inspiração, comporia A LOVE – A LITTLE BIT MORE – SUPREME!

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Comentário por Toguro
26 de outubro de 2009 às 22h25

Não ter cultura é como dizer que alguém não tem personalidade: isso não existe. A não ser no caso de pessoas criadas por animais: aí as duas afirmações são válidas. Todo mundo vivendo em sociedade (tirando psicóticos graves ou autistas) tem personalidade e cultura. Sejam elas boas ou ruins aehaehaehaehhae

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Comentário por Juarez
28 de outubro de 2009 às 1h37

O som pouco me importa!

O que interessa é o rabão gostoso da mulher da foto!

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Comentário por POBRE É BURRO
1 de novembro de 2009 às 1h00

COMUNISTAS IDIOTAS!!!!!!

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Comentário por Arnaldo Branco
1 de novembro de 2009 às 6h02

Esse imbecil que escreve em capslock sempre com alguma palavra de ordem aqui e no site do Allan é muito sem graça, pelamor.

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Comentário por nai
4 de novembro de 2009 às 9h00

Bah !gostei muito !hehehe
!acho que mostra que toda experiência é valida ou deveria ser……..

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Comentário por Fabio Tebaldi
15 de novembro de 2009 às 14h51

aquela mina realmente tem um rabão gostoso!

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Comentário por Fabio Tebaldi
15 de novembro de 2009 às 14h52

tbm gostei daquele rabão gostoso!

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