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A vida sexual dos selvagens

Mais uma coluna Histórias (Inventadas) da Televisão para a revista MONET. Nota do autor: INVENTADAS. Enjoy.

Muitos acompanham as novelas de época que são uma tradição da TV Brasileira, mas poucos se lembram da produção que foi mais longe no tempo para contar uma história: até a Idade da Pedra.

Origens da Paixão estreou em 1972 na TV Tupi, que já enfrentava as dificuldades financeiras que seriam responsáveis pela falência da emissora. Foi por causa do orçamento apertado que seu departamento de dramaturgia teve a idéia de fazer uma novela passada no período paleolítico, para economizar no cenário, nos figurinos e, por causa de seu elenco semi-amador, nos diálogos.

O bizarro resultado ficou algo como se Os Flintstones tivessem uma releitura séria. Até porque houve economia inclusive nas pesquisas sobre a época, e em Origens da Paixão dinossauros conviviam com seres humanos (um dos grandes recursos para reviravoltas na trama, na falta de atropelamentos e tiros de revólver). É claro que os dinossauros mesmo não apareciam – faziam uma grande sombra com um aparador aplicado aos spots sobre os atores quando estes estavam sendo atacados pelas monstruosas criaturas.

A história: o núcleo de primatas ricos (belas cavernas, vista melhor para a paisagem deserta) passava os dias nadando despreocupadamente  em lagos aquecidos pelo magma ainda em fase de sedimentação – eu disse que faltou pesquisa – e mandando seus escravos em expedições para caçar filés de Tiranossauro.

No núcleo pobre (cavernas mais precárias, menos utensílios e animais de tração) o jovem Og queria fazer carreira como pintor rupestre, para desgosto de seus pais, que desejavam que seguisse a tradição familiar trabalhando como rolador de pedra, profissão mal remunerada, mas digna. Para piorar, Og se apaixonava por Uli, do núcleo rico. Os roteiristas tiveram que suar para criar uma cena de aproximação romântica que envolvesse golpes de clava na cabeça sem chocar a audiência.

Em capítulos mais à frente, surgiria um triângulo amoroso com Ur, jovem abastado, dono de um próspero negócio de locação de mamutes, e o pobre Og era obrigado a se virar para impressionar sua amada em um tempo em que os críticos manifestavam seu desapreço por artistas de vanguarda com o apedrejamento. Mas no fim, Og conseguia ter Uli só para si, depois de ganhá-la em uma disputa de cabeçadas com Ur.

Claro que o público da época não estava preparado para essas manifestações violentas de amor entre criaturas resmungantes. E como a atração foi ao ar durante o verão, a moda de pele de leopardo em tiras não teve nenhuma chance de sucesso quando chegou às lojas.

6 Comentários
por: Arnaldo Branco postado em: Coluna, Televisão tags:

6 Comentários

Comentário por Renata
16 de março de 2010 às 14h08

hahahahah, excelente! o melhor é o cara querer fazer carreira como pintor rupestre! Juro que VI o Marcos Pasquim nesse papel! ;-)
acho que na última frase do penúltimo parágrafo ficou errado colocar “Ur” duas vezes, não?
beijos!

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Comentário por Arnaldo Branco
16 de março de 2010 às 14h25

Já consertei, Renatinha!

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Comentário por Marcelo Vargas
16 de março de 2010 às 15h16

Caralho! Acho que essa é a melhor de todas as “histórias inventadas” até agora!

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Comentário por Marcelo
16 de março de 2010 às 18h27

hahaha muito bom

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Comentário por Crítico de arte
17 de março de 2010 às 21h05

Que monte de bobagem, a Monet já foi uma revista séria…

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Comentário por Arnaldo Branco
17 de março de 2010 às 21h29

Impressão sua.

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